Há alturas em que tenho a sensação de que sou um tipo realmente estranho. Pelo menos é o que as expressões das pessoas a quem falo destas coisas dão a entender.
Por exemplo, tenho andado cansado, stressado e irritável nos últimos tempos. Ora, cada um lida com o stress de forma diferente. Isso é normal. Mas quando eu disse que, para mim, “descansar” era passar o dia inteiro em casa, em pijama, sem dizer uma palavra a ninguém, toda a gente olhou para mim como se tivesse dito, com o ar mais sério do mundo, que venho do Planeta X para estudar as defesas da Terra de forma a maximizar a eficiência da sua total conquista. (bolas, apanharam-me!)
O que as pessoas não entendem é que, pelos vistos, para quase toda a gente no mundo, conviver é algo perfeitamente normal, instintivo - como andar ou respirar. Para mim, não. Mesmo conviver com amigos e família implica sempre algum stress - afinal, já não estou sozinho, já tenho de medir o que digo ou faço, já não posso estar 100% à vontade. Já tenho de agir de uma forma ligeiramente diferente da que ajo quando estou sozinho.
E relaxar é uma coisa que demora. Há pessoas que conseguem dormir por 1 ou 2 horas e ficar mais descansadas; para mim, isso só me deixaria pior (acordar quando finalmente estou a adormecer). Descansar, para mim, é algo a fazer em grandes doses. É como se o coração normalmente batesse a uma velocidade demasiado rápida, como se tivesse, por exemplo, acabado de correr. Ora, ao parar de correr, o coração não volta logo à velocidade normal, pois não? Demora uns minutos (dependendo da forma física e da intensidade do esforço). Para mim, o descanso psicológico funciona da mesma forma - em doses grandes. Um dia em que esteja descansado a maior parte do tempo mas em que tenha de sair ao fim do dia ou à noite pode ser um dia agradável e divertido, e a saída em questão pode ser óptima, mas não é um “dia de descanso”.
Este domingo, finalmente tive um. Implicou desligar os telemóveis e não ver o mail entre sábado à noite e hoje (segunda) de manhã. Mas teve como resultado um sossego que já não me lembrava de ter, uma paz de espírito que já não pensava ser possível. As únicas palavras que disse todo o dia foram para os gatos.
Hoje, sinto que precisava de mais. Mas o que tive foi óptimo.




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