Archive for May, 2005

Sair do mundo

Há alturas em que tenho a sensação de que sou um tipo realmente estranho. Pelo menos é o que as expressões das pessoas a quem falo destas coisas dão a entender.

Por exemplo, tenho andado cansado, stressado e irritável nos últimos tempos. Ora, cada um lida com o stress de forma diferente. Isso é normal. Mas quando eu disse que, para mim, “descansar” era passar o dia inteiro em casa, em pijama, sem dizer uma palavra a ninguém, toda a gente olhou para mim como se tivesse dito, com o ar mais sério do mundo, que venho do Planeta X para estudar as defesas da Terra de forma a maximizar a eficiência da sua total conquista. (bolas, apanharam-me!)

O que as pessoas não entendem é que, pelos vistos, para quase toda a gente no mundo, conviver é algo perfeitamente normal, instintivo - como andar ou respirar. Para mim, não. Mesmo conviver com amigos e família implica sempre algum stress - afinal, já não estou sozinho, já tenho de medir o que digo ou faço, já não posso estar 100% à vontade. Já tenho de agir de uma forma ligeiramente diferente da que ajo quando estou sozinho.

E relaxar é uma coisa que demora. Há pessoas que conseguem dormir por 1 ou 2 horas e ficar mais descansadas; para mim, isso só me deixaria pior (acordar quando finalmente estou a adormecer). Descansar, para mim, é algo a fazer em grandes doses. É como se o coração normalmente batesse a uma velocidade demasiado rápida, como se tivesse, por exemplo, acabado de correr. Ora, ao parar de correr, o coração não volta logo à velocidade normal, pois não? Demora uns minutos (dependendo da forma física e da intensidade do esforço). Para mim, o descanso psicológico funciona da mesma forma - em doses grandes. Um dia em que esteja descansado a maior parte do tempo mas em que tenha de sair ao fim do dia ou à noite pode ser um dia agradável e divertido, e a saída em questão pode ser óptima, mas não é um “dia de descanso”.

Este domingo, finalmente tive um. Implicou desligar os telemóveis e não ver o mail entre sábado à noite e hoje (segunda) de manhã. Mas teve como resultado um sossego que já não me lembrava de ter, uma paz de espírito que já não pensava ser possível. As únicas palavras que disse todo o dia foram para os gatos.

Hoje, sinto que precisava de mais. Mas o que tive foi óptimo.

Neste momento…

… estou a ouvir o álbum “Symbolic”, dos Death. Por alguma razão, death metal relaxa-me.

Death era mesmo um espectáculo. O talento, a integridade e a paixão do Chuck Schuldiner eram únicos.

Em geral, já estou habituado a que a humanidade (salvo raríssimas excepções) seja estúpida, preguiçosa e cobarde, e isso já não me deixa triste ou irritado - limito-me a sorrir, abanar a cabeça, e seguir em frente. Mas quando já ando mal por alguma outra razão ou razões, essas duas sensações - tristeza e raiva - vêm ao de cima.

Mas isto passa. Tem de passar.

Tudo e mais alguma coisa

Como qualquer idiota pode ver claramente, não tenho escrito aqui nos últimos tempos.

Isso porque não tenho andado bem. Nada, mesmo. Alterno entre tristeza, frustração, raiva, vazio, e mais alguma raiva (tudo parece acabar sempre na raiva, por alguma estranha razão). Mas uma coisa que sempre me incomodou é o “whining”, e por isso não quis que o meu blog (ou o que quer que eu faça) se tornasse tal coisa.

Ao mesmo tempo, também não acho que um blog cheio de entradas tipo “hoje não fiz nada de especial” ou “estou com sono” ou coisas do género tenha interesse.

Mas, por outro lado, o “tenha interesse” pode-se tornar uma armadilha. Afinal, se escrevo, escrevo para quem? Para mim? Para os outros? Para uma combinação dos dois? E escrevo porque me dá prazer? Porque me apetece? Ou apenas por “dever”? Existe tal coisa?

Não me parece.

Sendo assim, a única coisa “sã” a fazer é… anything I want.

Quem gostar, óptimo; quem não gostar, paciência.






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