Ignorando amigos, parte 2

O problema disso é que abre um precedente. Se ignoro um amigo/a quando ele/a faz alguma coisa que me magoaria ou chatearia ou irritaria se eu não o/a ignorasse nessa altura… então quanto falta para começar simplesmente a ignorar tudo o que não me agrada? Para *eu* próprio deixar de ser um amigo, e deixar de ver essa pessoa como tal?

E pondo a coisa de outra forma: se a única maneira de me dar bem com alguém é ignorar (digamos) 50% do que a pessoa me diz e/ou faz, então… será que essa amizade vale a pena? Será que essa amizade existe, efectivamente? Ou estar-me-ei a enganar a mim próprio?

Não sei como é que as pessoas ditas “normais” lidam com isto. Será que só têm amizades superficiais (coisa que para mim é uma contradição de termos – se é “superficial”, é um conhecimento, não uma amizade)? Ou será que realmente ignoram uma boa parte do que a outra pessoa diz ou faz, que são bons amigos no resto, e que assim é que é “normal”? Será que, sei lá, realmente são tão exigentes como eu, mas que, como são muito mais sociais, já se cruzaram com um número muito maior de pessoas nas suas vidas e por isso (depois de anos) têm amizades com pessoas realmente compatíveis?

Não entendo, mesmo. Só sinto que é a velha questão: se aceito a situação, sinto-me um “banana” e um capacho; se digo “basta”, sou agressivo, um “monstro”…

6 Comentários a “Ignorando amigos, parte 2”

  1. velvetsatine diz:

    Existe realmente algo que se chama compatibilidade. E a mesma pode ser a vários níveis, de interesses, de afectividade e assim por diante. Tudo isso composto permite a dois indíviduos estabelecerem laços. Lê A Amizade de Alberoni que te irá pôr a reflectir mais sobre as tuas relações de amizade.

    Eu já tive relações com várias pessoas que julguei serem amizades. Não o eram e pura e simplesmente deixamo-nos de nos dar. No geral dou-me bem com as pessoas e não tenho relações conflituosas. Conheço um número razoável de pessoas e tenho uma mão cheia de amigos.

    Nunca tive necessidade de ignorar um amigo e nunca um amigo meu teve necessidade de me ignorar. Nos casos em que isso aconteceu não éramos obviamente amigos. Se existem atitutes em nós que os outros não gostam ou se os outros têm atitudes que não nos agradam isso é uma questão a ser resolvida entre ambas as partes com a maior diplomacia para não se quebrarem os laços. Se esseas atitudes e comportamentos persistirem então a situação torna-se clara: não se trata de uma relação de amizade.

    Mas, na minha opinião, com um amigo tu não pisas o risco, tu não agrides, não-maltratas. O respeito existente numa amizade não o permite e se escolhes alguém para ser teu amigo ou és escolhido para seres amigo de alguém a relação existente será uma relação de respeito acima de tudo. Os teus amigos dar-te-ão espaço quando necessitares e não levarão isso a mal. Os teus amigos estarão de qualquer modo alerta caso necessites deles porque se preocupam contigo e te querem bem.

    Os amigos não se magoam, não se agridem e não se desrespeitam. Se estás em relações de amizade desse tipo, então garanto-te com todas as certezas de que não são relações de amizade.

    As relações humanas são muito mais complexas do que possamos imaginar. Cada um de nós é um mundo complexo e nem sempre é fácil não entrar em colisão com o mundo dos outros. Mas é muito possível teres boas e sadias relações de amizade. Falo por experiência própria.

    Um amigo, acredita, não é uma pessoa que conheces na net ou noutro sítio qualquer e com a qual vais tomar um café ou jantar uma ou duas vezes.

    Acredita que precisas de tempo, muito tempo, para construíres uma relação de amizade: precisas de anos de convivência constante e regular para conheceres o outro e para que o outro te conheça.

    Qualquer relação constrói-se por ambas as partes, não surge assim do nada.

  2. A M O diz:

    Faz aquilo com que te sentes bem. Faz aquilo que não te deixa sentir, nem um banana, nem um monstro, acima de tudo tens de ser verdadeiro e de viver contigo.

    Um beijo…

  3. tao diz:

    Vou repetir-me, pois penso que já te disse isto pessoalmente várias vezes.
    A velvetsatine tem razão no que disse, assim como a(?) A M O.

    No entanto… (aqui é que a porca torce o rabo) …continuo a achar que por vezes se trata dum probl… ai, “problema” não… duma “situação” de falta de tolerância da tua parte.

    Aquilo que tu consideras muitas vezes inaceitável, umas vezes é de facto um abuso, enquanto que outras seria perfeitamente aceitável.

    Eu, por exemplo, sou capaz de passar meses sem falar aos meus amigos. Aqueles que já me conhecem sabem que não o faço por mal, que sou assim mesmo, que me esqueço do convívio quando estou longe (embora o retome a todo o gás assim que os vejo!) e não me levam a mal, embora por vezes resmunguem comigo… 🙂

    Para algumas pessoas isso seria absolutamente inaceitável>. Ora, se são meus amigos, me conhecem e mesmo assim gostam de mim, aceitam-me como eu sou.

    Penso que por vezes, aquilo a que te sujeitas (usando as tuas palavras) tem a ver com o facto de não aceitares que eles assim sejam, mas achares errado excluí-los por isso.

    Posso dar-te um exemplo um kinho ao lado: aqui há uns anos (largos) um amigo/conhecido do Meco era um troll. Dava-lhe sempre para a parvoeira e para brincadeiras estúpidas, embora fosse capaz de ser muito decente quando queria. Se pedia 20$ “emprestados” uma pessoa já sabia que nunca mais os ia ver (como chegou a acontecer-me algumas vezes até eu me tornar uma alma mais iluminada).

    Eu não deixei de me relacionar com ele. Continuei amiga, mas se ele me pedisse uns trocos “emprestados” eu punha um enorme sorriso e mandava-o bugiar com toda a classe. 😀 Já sabia com o que podia ou não contar com aquela pessoa. Para as coisas em que eu podia de facto contar com ele, contava, para as outras não. Não me ia chatear com ele por não ser perfeito em todos os aspectos. Se me pedisse dinheiro “emprestado”, das 2 uma: ou não lho emprestava ou emprestava a fundo perdido. Não ia ficar chateada pela incapacidade dele em ser recto. Quando muito ele iria aprender um dia à sua própria custa.

    Não podes esperar que uma tartaruguinha aprenda a voar, *mesmo* que tenha sido adoptada por um casal de pardais de coração mole. Não esperes de cada pessoa aquilo que elas não conseguem dar.

    Se pedires algo que a pessoa não consegue ou não quer dar, vais ter muito más experiências, porque te vais sentir injustiçado e traído e magoado…

    Imagina que uma pessoa é um ás a fazer contas de somar, mas não gosta de o fazer. Se lhe pedires para te somar 100 parcelinhas de 5 dígitos cada um que tu ali tens e que ele faria com uma perna às costas e ele disser que não, simplesmente porque não lhe apetece, vais ficar chateado? É uma razão tão válida como qualquer outra e, se ele dissesse que sim, ia ele ficar a sentir-se usado.

    Percebes o que estou a tentar dizer? Eu bem tento arranjar exemplos, mas não sei se me faço entender.

    Esquece os exemplos extremos. Tu muitas vezes chateias-te com coisas absolutamente corriqueiras porque as extrapolas à máxima consequência. E sim, aí seria caso para tanto… mas na prática não o é.

    E com tudo isto, gosto muito de ti e não te chateies comigo pela longa prosa… 🙂

  4. Nick diz:

    Gostei do comentário de velvetsatine, mais acho que discordo em alguns pontos. Tem um amigo que para mim é como se fosse um irmão, mas que muitas vezes, ao meu ver, toma algumas atitudes que me magoam demais, ao ponto de eu ser obrigado a ignorá-lo, mesmo que seja por algum tempo. Depois voltamos a nos falar.
    Nós somos gdes amigos, mais às vezes sinto que ele não me dá a atenção necessária, ou faz algo que vindo dele me desagrada profundamente, chegando a soar como ingratidão.
    Daí vem o lema elencado logo acima: “Se eu não fizer nada me sinto um banana, um capacho, e se eu fizer, na grande maioria das vezes me sinto uma pessoa controladora demais!” O que fazer? Tomo como medida a segunda opção (infelizmente), não vou ser taxado de capacho. Segundo diz velvetsatine, na amizade tem de haver o respeito acima de tudo, entretanto ocorre no relacionamento de amizade alguns fatos que são em demasia intoleráveis.
    Atualmente estou em um empasse dessa natureza com esse meu grande amigo. Espero que nossa amizade resista, o que fazer??? Não sei ao certo!!! Digam-me vocês.

  5. Joana diz:

    Quem ficou com dúvidas agora fui eu….

  6. Joana diz:

    Agora vc me deichou com mais dúvidas ainda…