Um problema chato que eu tenho é o seguinte: ignoro perfeitamente estranhos e conhecidos, mas não consigo ignorar amigos; tenho interiorizado que isso é errado, que é algo que não se faz.
Ainda não aprendi que mesmo os amigos às vezes precisam de ser ignorados…
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Me interessei por este site mas não sei ao certo ainda o que é ele, de que se trata????
Sinto, cada vez mais que amizade verdadeira é uma espécie de ilusão. Aliás, a noção de amizade sempre esteve relacionada a uma exteriorização do nosso eu. Creio que grande parte das características que atribuímos aos nossos amigos mais queridos,
não correspondem à sua realidade efetiva, como se, na ânsia de sermos amados ou alvos da atenção de alguém, projetamos nele
tudo aquilo que gostaríamos de ser, atribuíndo-lhes qualidades e sentimentos, muitas vezes inexistentes. Enaltecemos e superestimamos os outros na inconsciente esperança de sermos recompensados, ressarcidos, correspondidos e geralmente nos decepcionamos, quando não culpamos o outro ao darmos de cara com a triste realidade de que cada um é realmente o que é, e não aquilo que idealizávamos que ele fosse. No afã de sermos amados, amamos de maneira antecipada e com intensidade desmedida, como se isso nos pudesse garantir uma consideração ao menos proporcional àquela que dispensamos aqueles que consideramos amigos. Talvez seja justamente aí que resida o engano. Muitas vezes, para satisfazer quem julgamos amigos, fazemos coisas que, de outra forma, jamais faríamos assim como renunciamos a fazer outras coisas que gostaríamos muito de fazer. O problema é que sempre achamos que o outro seria capaz de fazer o mesmo e quase sempre “quebramos a cara”, ao constatarmos que não era “bem assim”. Cada vez mais me convenço da veracidade do princípio budista que afirma ser a razão do sofrimento o desejo, a espera, a expectativa, cuja realização depende de fatores externos sobre os quais não temos controle algum: o pensar, o querer, o gostar, o agir de outra pessoa. Por que fazer minha satisfação depender de fatores que estão fora do meu controle? Afinal, já nos é tão difícil controlar os nossos próprios sentimentos, a nossa auto estima… Talvez fosse muito mais simples investirmos amor, atenção, carinho e dedicação em nós mesmos, assim correríamos menos o riscos de uma afeição não correspondida. Fechemo-nos como ostras e cultivemos nossas próprias pérolas. Sim, elas estão dominando o mundo.