Como ser um especialista em filmes de zombies

  1. Os zombies não são a verdadeira ameaça. Sim, eles querem devorar humanos, mas são lentos, estúpidos, incapazes de trabalhar em equipa, de utilizar armas, ou de fazer qualquer coisa que não seja cambalear em direcção ao humano mais próximo, braços estendidos, a gemer.
  2. A verdadeira ameaça são sempre os outros humanos. Em qualquer filme de zombies que se preze, haverá sempre:
    • um ou mais tipos para quem a coisa mais importante é fazer prevalecer a sua autoridade, e fazer com que seja o seu plano a ser seguido – ao ponto de ameaçar ou tentar matar quem não concorde;
    • um ou mais humanos que entram em pânico e que deitam a perder um plano que até iria funcionar, por fugirem ou “se passarem” na hora H em vez de fazerem a sua parte no plano;
    • um homem que, depois de alguns sucessos iniciais contra os zombies, ficará sobre-confiante ou mesmo “wild”, tipo ir para o meio dos zombies com uma caçadeira e gritar “come and get me!” ou coisa parecida, e que terá uma morte horrível, além de que provavelmente outros morrerão por causa disso;
    • um tipo, normalmente black, que será o mais racional de todos, e ou se safa ou é o último a morrer, normalmente por outra causa que não os zombies;
    • um ou mais personagens cujos entes queridos se transformam em zombies, e que continuam a vê-los como se ainda fossem os entes queridos, fazendo tudo para os proteger, incluindo, possivelmente, alimentá-los com carne humana e/ou atacar outros humanos que queiram eliminar os referidos zombies
  3. Com excepção de um ou dois dos personagens principais, a maioria das pessoas continua a ser irracional em relação aos zombies (mesmo que eles já existam há anos, mesmo que a maioria do mundo esteja dominado por zombies e a raça humana esteja quase extinta): continuam a vê-los como os seus entes queridos, ou pelo menos como se ainda fossem pessoas vivas, e a protegê-los (ver última parte do ponto anterior). Apesar de apelos das autoridades, são completamente incapazes de fazer coisas tão simples como:
    • destruir o cérebro do corpo de alguém que tenha acabado de morrer;
    • cremar imediatamente cadáveres, em vez de (tentar) fazer longas vigílias, funerais, etc.;
    • matar de forma rápida e “limpa” alguém que tenha sido infectado e que esteja a horas ou minutos de se transformar num morto-vivo e tentar devorar os ex-companheiros;
  4. Nunca, mas nunca se usa a palavra “zombie”. São “them”, são “those things”, são “the dead”, são “the living dead”, são “undead”, são “ghouls”, são “crazies”, são “infected”, são “bodies”, são “corpses”, mas nunca se chamam “zombies”. O “Shaun of the Dead” goza brilhantemente com isso: quando um dos personagens pergunta “any zombies out there?”, o outro fica chocado e ralha com ele para não lhes chamar “the Z word”. 🙂

2 Comentários a “Como ser um especialista em filmes de zombies”

  1. Elektra diz:

    “O homem é o pior inimigo dele próprio.”
    by Cícero

  2. Ricardo diz:

    É isso aí, belo resumo. Falou tudo.
    Só faltou comentar sobre a crítica social tmbém existente em alguns filmes – principalmente os de Romero e da tendência atual de sempre ter uma parte de humor negro – seja com um zumbi mais esperto ou algum outro detalhe.