“Deprimido”? No, thanks. :)

Ontem, numa conversa, por qualquer razão veio ao de cima o assunto de se andar deprimido, de se ter períodos de depressão. A minha resposta – que foi mais ou menos expontânea, mas ao mesmo tempo original, porque nunca tinha dedicado tempo a pensar nesta questão em relação a mim próprio – foi algo do género: “não, tenho períodos de melancolia, e tenho altos e baixos como toda a gente, mas depressões propriamente ditas, não. Acho que tenho um “core” que nunca se vai realmente abaixo, só a minha “superfície” é que vai.”

Questão curiosa… porque isso me veio à cabeça na altura, mas nunca me tinha sequer apercebido de tal coisa. Mas, sim, acho que é verdade.

Para mim, “depressão” será quando, para determinada pessoa, o tal “core” (hmm, como dizer isto em inglês de forma que soe bem? “núcleo”? não me parece…) se desmorona juntamente com o resto, quando a essência do nosso ser se vai abaixo, por determinado período. Nessa altura, não se consegue sentir alegria ou prazer, nem optimismo. Nem gostar de nós próprios, porque o “nós próprios” está temporariamente “morto”.

Será que tenho “sorte”? Ou a causa é outra?

Outro assunto na continuação da referida conversa foi a eterna história de “as pessoas pouco inteligentes, “simples”, ignorantes é que são felizes, quem me dera não pensar tanto”, com a qual eu obviamente não concordo, mas acho que deixo essa para o Way of the Mind.

UPDATE: aqui, para ser exacto. 🙂

5 Comentários a ““Deprimido”? No, thanks. :)”

  1. velvetsatine diz:

    Existem vários tipos de depressão assim como vários estágios da dita. Podes andar deprimido ou poderás ter sofrido de uma depressão temporária na vida sem alguma vez te teres dado conta disso. As causas para a depressão são igualmente várias, existindo inclusive a depressão hereditária. Melancolia era o termo utilizado, se não me engano, por Freud para designar aquilo que hj em dia se entende por depressão clínica.

    Trata-se de um assunto demasiado complexo e para se opinar há que efectuar variadissimas consultas e leituras.

  2. Ok, é certo que as pessoas podem ter definições diferentes. Para mim, “depressão” é quando estamos completamente “destruídos” durante um certo período. Por isso, não chamo depressão aos meros “baixos” dos altos e baixos que toda a gente tem.

    De certeza que já tinha mencionado no MC algo como “if everyone is special, then specialness is ordinary”. Aqui não é algo positivo, mas a ideia é de certa forma a mesma: se chamamos “depressão” ao mais ínfimo estado de tristeza, então toda a gente passa a vida deprimida… e então, também, uma depressão é algo perfeitamente trivial, tipo, sei lá, um comichão nas costas.

    Há pessoas, no entanto, que realmente têm tendência para depressões. O que eu queria dizer é que, na tal conversa, me apercebi de que não sou uma dessas pessoas – que tenho os tais “baixos”, mas que há uma parte central de mim que nunca “cai”. É algo em que nunca tinha pensado até há dias.

  3. velvetsatine diz:

    Pedro, n podes ter uma definição diferente relativamente a depressão. É algo tão específico para o qual existe uma definição clínica bem específica.

    Além de que tu podes sofrer de depressão (espero que não) sem te aperceberes disso, a única pessoa que o pode diagnosticar não é um amigo nem tu próprio, mas sim um técnico de saúde.

    É certo que no dia a dia por qualquer coisa se utilizam os termos deprimidos ou depressão para qualquer alteração de humor, para estados de tristeza ou melancolia (como referiste), mas não nos cabe a nós diagnosticar isso. Podemos obviamente opinar, mas sem qualquer rigor clínico, obviamente! 😀

    No teu caso é bem provável que nunca tenhas entrado em depressão e ainda bem. 🙂

    De qualquer modo é uma condição clínica que cada vez mais afecta a população mundial e está a tornar-se mais comum do que o que qualquer um de nós possa julgar.

  4. Ei, não me estava a armar em médico. 🙂 E no fundo não me estás a contradizer.

  5. velvetsatine diz:

    Nem sp o meu objectivo é contradizer os outros 😀