Irritação

Tenho consciência de que hoje me irritei mais do que a situação merecia, mas “passei-me” mesmo. Acho que consegui não ser mal-educado, nem levantei a voz, que me lembre, mas o que senti “cá dentro” vontade de fazer…

Acho que nem é a tarefa, especificamente, que me incomoda – sei que é coisa para menos de uma hora, se bem que o trabalho de montar uma máquina para fazer a coisa é um completo desperdício de tempo e paciência, quando a pessoa certa para fazer isto já tem todos os meios e experiência para o fazer, e isso demorar-lhe-ia menos de 5 minutos. E ainda por cima gosta. Eu não.

Mas o que me irrita nem é isso. O que me deixa furioso é que tentem dirigir a minha carreira, “guiar-me” por aqui ou por ali. Se calhar a pessoa em questão até pensa que me está a fazer um favor, a ajudar-me, a “abrir-me as perspectivas de carreira no futuro”, mas não está. Não me quero tornar gestor de projectos, nem chefe, nem elaborador ou analisador de relatórios. Não quero orientar o meu trabalho para “lidar mais com pessoas”. Não quero ter um trabalho menos técnico e mais virado para organização, seja do que for. Não quero ir a mais reuniões do que as internas da equipa, que já são mais longas do que deviam. Não quero fazer apresentações. Não quero fazer “desenhos bonitos” da rede. Não quero ter de usar Windows, nem Office, nem outras aplicações da Microsoft.

Sou um técnico, caramba! E a minha paciência tem limites!

E não preciso daquilo. Já esteve mais longe…

8 Comentários a “Irritação”

  1. Kanzentai diz:

    Isn’t it possible to be a technical executive? Leader of the technicians? Chieftain of the Pgatech Clan?

    Something like that? 😕

  2. Não é o que eu quero. E mesmo que quisesse, a decisão teria de ser minha.

    Não é certo contratar uma pessoa para fazer X, e depois ir mudando o seu trabalho cada vez mais para Y – ainda por cima quando a pessoa detesta o Y.

  3. Kanzentai diz:

    Concordo que a dita pessoa deveria ser consultada antes de tal proposta.

    Mas quando sugeri a posição de chefe da tribo dos técnicos, seria como alguém que continuaria o trabalho de técnico, mas que “geriria” a equipa criativa, optaria entre opção A ou B no tipo de sistema a usar “Ad-Hoc or Infrastructure”, poderia funcionar como um FAQ para colegas menos experientes, ajudar a formar a próxima fornada, etc. (digo eu, não sei se tal posição existe)

    Leading is a challenge. We all have to overcome it 🙂

  4. Possivelmente o que está a acontecer é canalizarem-te para outras tarefas por acharem que estás à altura; pode também bem ser o caso, tal como referes, de te estarem a tentar abrir as portas para futuras opções na / de carreira. Se por um lado uma pessoa se deva sentir lisongeada por depositarem nela confiança suficiente para fazer outras tarefas que não as habituais, por outro consigo compreender a tua posição / os teus sentimentos.

    Pus-me no teu lugar e para mim também seria custoso estar a desempenhar funções para as quais não me sentisse vocacionada ou que pura e simplesmente não me interessassem.

    Mas não vale a pena irritares-te mais com a situação do que o que deverias. Expõe a tua posição. Afinal és um “técnico”, claro, conciso e objectivo – usa isso a teu favor. 😉

  5. Kanzentai diz:

    Nem mais nem vezes… nem sequer a dividir!!

    Velvetsatine, a ti te concedo a Medalha de Sumarização! 🙂

  6. E quando “um “técnico”, claro, conciso e objectivo” não parece ser o que a empresa, no fundo, quer?

    Se tivesse uns 500 contos acumulados, o que fazia era mesmo pedir demissão, dedicar-me aos meus blogs e sites a tempo inteiro, e daí a uns meses já estaria a fazer dinheiro – não para enriquecer, mas para sobreviver. Cada vez a ideia de fazer algo deste género é mais tentadora. Já estou farto de ter chefes e patrões.

  7. E quando “um “técnico”, claro, conciso e objectivo” não parece ser o que a empresa, no fundo, quer?

    Então aí há um problema. 🙁