20050926

E a vida continua.

O almoço de ontem… teve piada, mas o número de pizzas foi substancialmente abaixo do necessário para ficarmos devidamente alimentados. Bem, talvez assim eles aprendam.

De resto… o que me anda mesmo a chatear, como se calhar já entenderam (adoro iludir-me em relação ao facto de alguém ler isto! :)) é a questão do trabalho.

A paciência para aturar certas coisas… bem, digamos que não é o que era há 8 anos, nem sequer é o que era há 1 ano. Não tenho pachorra para joguinhos, para mentiras, para intrigas, para hipocrisias, para qualquer tipo de desonestidade. E estou farto de ser criticado por tudo (horários, aparência, parecer ocupado) o que não é importante, já que não me podem criticar pelo que é. Será que esta gente tem assim tanto tempo livre?


A questão aqui é o que fazer. E, se sei onde quero “acabar” (em casa, a escrever, e sem ninguém a chatear-me), não estou a ver isso assim tão perto, nem sei ainda qual o melhor caminho para lá chegar.

Nas alturas piores (como disse o Douglas Adams, são “a longa, negra hora do chá da alma”) só me apetece fazer algo que todas as pessoas a quem o menciono dizem ser completamente insano e irresponsável: pedir um empréstimo razoável (5-10 mil contos), e, no momento em que tiver o dinheiro na conta, pedir demissão. É um risco, porque obviamente tenho de ir pagando o empréstimo (além dos cartões de crédito), e nada me garante que chego a lucros “palpáveis” antes de o dinheiro se esgotar. Eu acredito que é possível e que consigo (o que no fundo quer, para mim, dizer a mesma coisa), mas não tenho garantias.

E, mesmo assim, a ideia tenta-me. Muito. Cada vez mais.

Outra alternativa é o oposto: aguentar aqui, reduzir os gastos ao máximo, ir pagando os cartões de crédito, reduzir as dívidas, e chegar a um ponto em que consigo poupar algum dinheiro todos os meses. Entretanto, ir, no tempo livre (que é cada vez menos – há a questão do “parecer ocupado”, afinal), escrevendo, e tentando começar a ter outra fonte de rendimento.

Sem dúvida que qualquer pessoa me dirá que esta é a opção mais “razoável”, mais “adulta”. Mas isto pode demorar anos. Anos esses em que só me sacrifico, tanto em termos de trabalho, como em termos de aturar esta gente, como em termos de andar cada vez mais frustrado e deprimido. Em que os “pequenos prazeres da vida” serão cada vez mais raros, o trabalho só aumentará, a “chateação” da parte de certas pessoas só aumentará. Em que não poderei fazer quase nada do que gosto, em que a tentativa de criar uma segunda “fonte de rendimento” será uma “sombra” do que poderia ser, porque me tiram todo o tempo, porque chego a casa tarde e cansado, para depois ter de acordar cedo no dia seguinte. Será que a minha sanidade não é mais importante do que “um emprego estável”?

Será, também, que há uma terceira alternativa? Se sim, tenho de a descobrir. Mas confesso que é a primeira que me atrai mais, de momento – apesar de toda a gente me dizer que estou completamente louco.

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Um Comentário a “20050926”

  1. Kanzentai diz:

    Funny world when even a farmer has to pay taxes…

    O significado que atribuo à frasezeca anterior é que, para fazer o que quer que seja, é preciso vontade, espírito de sacrifício (às vezes mais do que é mental/psicologica/fisicamente saudável) e, principalmente, dinheiro para gastar (que pode ir desde um modesto investimento até ao que no póquer se designa por “All In”.

    E evidentemente, uma ideia que inove no que se faz, ou na maneira em como se faz algo melhor e mais cost-effective que outrém que já o faz.

    Já dizia o capitão: “You know what you doing”.

    We all must ask ourselves that statement turned into a question: “Do I know what I’m doing?”

    É preciso sabermos no que nos vamos meter, seja um avião, uma banheira ou mudar de vida. Não digo que devamos estar gratos pelo que temos, mas sim exigir a nós próprios ir para além do horizonte!

    Se nos cortaram as asas, é porque temos de aprender a nadar!

    And, on a personal note, it might not be too late to finish what wasn’t 😉
    Afinal, quem sabe que portas poderá abrir (ou fechar)? Mas sei que a decisão tomada será sensata 😉

    Já dizia o Dante no Devil May Cry: “No, Trish, it’s never too late. And we humans never give up!” (tira-se Trish, ok 🙂