Somos um país pobre, com muita miséria, “em crise” permanentemente, com ordenados baixos, pouca produtividade, muita gente endividada… sim, tudo isso é verdade.
E, muitas vezes, vem alguém falar sobre as razões disso. Bem, é a minha vez. Mas acho que as minhas razões, que são bem simples, são bem diferentes das habitualmente apresentadas… e imagino que quase ninguém concorde comigo. So what’s new?
No fundo, o seguinte é uma única razão, mas, por clareza, vou expandi-la em várias partes.
- apesar de não sermos um povo muito religioso (por exemplo, não temos fanatismos “à lá” EUA, e a maior parte dos jovens hoje em dia não segue qualquer religião), há uma crença de origem religiosa em que parecemos quase todos acreditar: que o dinheiro é a origem de todo o mal. O dinheiro é aquilo que todos querem, mas que todos têm vergonha de admitir que querem.
- a ideia de fazer dinheiro com trabalho árduo e honesto é completamente alheia aos Portugueses. Para quase todos nós, quem faça bastante dinheiro, das duas uma:
- ou é corrupto, e está a roubar,
- ou não o consegue trabalhando, mas sim explorando outros que trabalham.
- como consequência, ganhar dinheiro é imoral – a única coisa vagamente aceitável é alguém matar-se a trabalhar para conseguir o mínimo dos mínimos para sobreviver. Qualquer coisa a mais do que isso já implica, como disse acima, corrupção e/ou exploração de outros.
- o Português acredita, por isso, que não é possível “subir na vida” de uma forma honesta, através de competência e trabalho.
- a ideia de ganhar dinheiro a fazer algo de que se gosta é completamente absurda, impossível e impensável.
- sendo assim, se alguém sugerir uma forma de ganhar dinheiro com algo que já se faz por gosto, isso é considerado uma “corrupção” que tira a pureza da coisa.
Concordam? Duvido.
Outra crença curiosa do Português é esta: que um emprego não é uma troca entre o empregador e o empregado que favorece ambas as partes, mas sim um favor que o empregador faz ao empregado. Por muito competente e trabalhador que este seja, por muito dinheiro que ele faça à empresa – é sempre um favor, e o empregado não tem nada que reclamar se alguma coisa está mal – se ele não quer estas condições, há muitos que as querem. Ele já tem “sorte” (que conceito ridículo, aqui…) em ter um emprego. Afinal, há tanto desemprego…
E isto se calhar estaria melhor no Way of the Mind, mas, por outro lado, só faz sentido num blog Português…
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I like cash, to me cash is the life, that which makes my blood keep flowing and the heart beating…
Money is the life
Concordo parcialmente. Com a primeira parte não enquanto generalização. Com a última parte concordo em absoluto e acho q tal é cada vez mais visível na sociedade em q vivemos.
Pedrinho, acreditas mesmo nisto? Já se passaram 3 anos desde que escreveste isto… Entao os portugueses que trabalham lá fora?
Acredito que é o que muita gente acha, sim. É claro que há excepções.
Tu achas que as pessoas não pensam assim, neste país?
Quanto aos portugueses que trabalham fora, não sei. You tell me.
lol I’ll tell you
Acho que o mal do país está na falta de um sistema justo, a justica nao funciona. Como tal, ser-se chico-esperto, cortar esquinas e ser-se desonesto nao é punido, o que leva a que mais o facam e que seja a única maneira de vencer. Se um sistema justo fosse posto em prática, isso faria com que a apatia em que as pessoas se deixaram abater desaparecesse.
Se soubessemos que o nosso esforco nos levava a algum sítio, aí sim, o país prosperava. Assim, achamos sempre que somos fodidos ah partida ainda antes de comecarmos, o que leva a… que ninguém faca nada.
Já leste o Undercover Economist ou o Freakonomics? Interessantíssimos os dois!