Eleições

Parece que o Cavaco ganhou. Já era de esperar.

(Cuidado – apesar de não falar de política, vou falar de políticos. Ainda vão a tempo de não ler o resto do post…)

Não acho que isto faça uma diferença por aí além, já que em Portugal o presidente da república praticamente não tem poderes – tradicionalmente, “não faz nada”, excepto viajar, e dar a cara pelo país.

Ainda me lembro do Cavaco enquanto primeiro-ministro, e aí a minha ideia sobre ele era bastante negativa, se bem que, por outro lado, na altura percebia ainda menos de política do que agora (além de, é claro, ser um jovem inconsciente). A minha ideia era de que ele era arrogante e autoritário – quase ditatorial.

Desde aí tivemos o Guterres, que me deixou indiferente, o Durão, que achei irritante, o Santana, que me enojou, e agora o Sócrates, que me deixa outra vez indiferente (parece ser uma constante, no PS). Como presidentes, depois do Soares, que viajou e viajou e viajou mais um bocado, tivemos o Sampaio, que, para mim, fez uma grande coisa – chutar o Santana, depois de lhe dar 4 meses para se enterrar – bem mais sádico do que se tivesse convocado logo eleições 🙂 – e agora vamos ter o Cavaco.

Que, for some reason, já não me incomoda tanto como há uns anos. Talvez por o ver agora como sendo um pouco reservado, tímido e anti-social, menos à vontade que os outros – por alguma razão, tipos ultra-populares e ultra-sociáveis sempre me pareceram suspeitos, e aqui nem estou necessariamente a falar de políticos. Talvez por ver que ele até é, de certa forma, um tipo competente – sem dúvida, bem mais do que a maioria dos que se seguiram. Talvez também por ver que “arrogante” é, em imensos casos, não verdadeira arrogância, mas sim a mera consciência das nossas capacidades, o que irrita muita gente, que está consciente da sua própria mediocridade, e gostaria de reduzir o resto do mundo ao seu nível. Por outras palavras, a ideia de que “ninguém é melhor do que ninguém” é colectivismo puro, da parte de quem quer baixar o resto do mundo ao seu próprio nível de mediocridade – e, por conseguinte, é “pure evil”.

Também aumentou o meu respeito por ele quando ele se recusou a apoiar a campanha do Santana. 🙂 Comprendo-o perfeitamente – eu também não gostaria de aparecer num cartaz ao lado daquilo. 🙂

Entretanto, a vida continua. E os meus planos sinistros seguem em frente… 😈

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