Uma coisa que faço há anos, e que acho que é das coisas mais acertadas que faço, é “confiar” nas opiniões de pessoas que respeito, mesmo que o respeito seja devido a coisas distintas dessa opinião.
Por outras palavras, existem pessoas que respeito e admiro - autores, escritores, músicos, designers de jogos, bloggers, ou simplesmente algumas pessoas que conheço. E, quando essas pessoas elogiam alguma coisa, eu fico curioso, confio nessas pessoas - sobretudo se é em relação a um assunto que desconheço.
Isto, a mim, parece-me lógico, mas a experiência que tenho é que quase ninguém funciona assim. Não conheço praticamente ninguém, por exemplo, que tenha “investigado” heavy metal por eu lhe dizer que, ao invés de ser “só barulho”, como os leigos pensam, é um género musical intenso, sublime, apaixonado, sincero, “mágico” e puro, e é dos pouquíssimos géneros hoje em dia em que se faz “música pela música”, sem comercialismos.
Simplesmente, parece que as outras pessoas não funcionam assim. Têm opiniões formadas, mesmo relativamente a assuntos em relação aos quais admitem total ignorância (”não sei nem quero saber!”), e nada que ouçam as faz ter qualquer curiosidade, as faz pensar que talvez, sei lá, possam estar enganadas.
Por exemplo, eu adoro heavy metal. Ultimamente, porém, ando a ouvir imenso dos Pink Floyd. Porquê? Porque alguém que respeito e admiro os menciona ocasionalmente. Eu não conhecia. Ele adora. Eu respeito as opiniões dele (hmm, sheep :)), sou fã dos jogos dele, gosto de ler o que ele escreve… será que ele sabe alguma coisa que eu não sei?
Então investiguei. Li sobre eles, sobre a história da banda. Comprei alguns álbuns. Ouvi-os. Ouvi-os mais. E gosto. Ainda não me “aprofundei” muito, mas gosto, é óptima música, inteligente, original, e que faz pensar.
Como este exemplo, há muitos outros. Não, não estou a dizer que “sigo os meus ídolos” - simplesmente, dou uma chance às coisas, investigo, aprendo. Afinal, eles sabem algo que eu não sei, e são pessoas que respeito, em geral - é uma óptima chance de aprender algo.
Não quer dizer que isto aconteça sempre. Por exemplo, o Jon Schaffer, dos Iced Earth, e o Brad Wardell, autor do Galactic Civilizations, são tipos que eu admiro imenso, um como músico e outro como designer de jogos, mas, politicamente, as opiniões deles são completamente desprezíveis - são pró-Bush. Aqui, a única conclusão a tirar é que estão “brainwashed” - talvez da mesma forma que eu, que até acho que sou um tipo inteligente ;), mesmo assim tive uma crença irracional durante 26 anos da minha vida.
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