Auto-experiências, parte 2

Depois da primeira semana sem café desde, sei lá, os 21 anos, vou, daqui a dias, iniciar uma segunda mudança: deixar de beber leite, e consumir lacticínios, em geral.

Mais uma vez, não digo que seja “para sempre” (isso é um termo muito perigoso e restritivo), mas penso fazê-lo durante 30 dias, rigidamente, como experiência. A começar quando acabar os 3 pacotes de leite que ainda tenho em casa (desperdício, NUNCA! :)).

Em vez do leite bovino (moo), vou comprar leite de soja. Não sou grande consumidor de iogurtes ou manteiga, por isso acho que não vou sentir a falta. Vou, sim, ter saudades do queijo, se bem que este é, para mim, uma guloseima, por isso acho que sobrevivo.

Porquê isto? Pela experiência, sobretudo. E por causa de umas coisas que tenho lido sobre o assunto. Se pensarmos bem, bebermos leite de vaca faz tanto sentido como bebermos leite de rato, gato, cão, cavalo… afinal, são todos mamíferos, e todos eles têm leite. Além disso, não é exactamente natural que sejamos a única raça no planeta que 1) bebe leite de outra espécie, e 2) continua a beber leite após a infância (o que não é tão universal como isso, mesmo entre a nossa espécie – na Ásia, por exemplo, não o fazem, é exclusivo do “mundo ocidental”).

Será que haverá efeitos de “withdrawal”? Afinal, estou habituado a beber leite desde bebé… Não percam o próximo episódio, porque nós também não. 🙂

11 Comentários a “Auto-experiências, parte 2”

  1. Klawfive diz:

    E tencionas cortar só no queijo “puro” ou eliminar lasanhas, pizzas ou assim? Parece-me um bocado forte…

    Por outro lado, consigo entender o teu ponto de vista. Realmente não faz assim tanto sentido beber leite de outras espécies, mas o leite faz indubitavelmente bem – cálcio e afins. E não deves esquecer nessa comparação que fazes que poucos são os animais omnívoros e que, já agora, nós somos um deles… estamos feitos para comer (ou beber) de quase tudo.

    Enfim, essa experiência pode dar resultado, mas também pode dar para o torto…

  2. Já li (aliás, está na Wikipedia) que há quem diga que o leite, apesar de *ter* cálcio, acaba é por *absorver* o cálcio já existente nos ossos, e que as culturas (ex. Europa, EUA) que bebem leite têm muito mais problemas nos ossos do que as culturas que não o fazem (Ásia).

    Há também quem diga que isto de se dizer tão bem do leite é mais negócio do que outra coisa – afinal, há que justificar o investimento em fazer as vacas dar 10x mais leite do que dariam normalmente, graças a hormonas.

    Anyway, vou fazer esta experiência por piada. Se, daqui a um mês, me sentir melhor, continuo; caso contrário, volto ao leite. É simples. Acho, aliás, que uma pessoa devia passar a vida a fazer este género de experiências… caso contrário, como aprender?

  3. Sim, também já me disseram que o leite não nos faz falta nenhuma depois de atingida a idade adulta, que há outros alimentos com muito mais cálcio que o leite e de digestão muito mais simples.

    Contudo, como adoro leite, não partilho da opinião de se deixar de beber leite… Aliás, agora mesmo, antes de ir deitar-me, lá vou eu aquecer um copo de leite e ingeri-lo como se se tratasse da melhor guloseima à face da terra. E não nego que talvez seja um erro…

    Quanto ao leite de soja, desejo-te a melhor sorte. Eu experimentei, há uns anos, e nem com sabor a morango aquilo era bom… Claro que vem tudo de uma habituação, mas para quem cresceu a beber leite de vaca é muito difícil aceitar aquele gosto insípido do leite de soja. Mas… BOA SORTE! 😛

  4. Uma curiosidade: quando era pequeno, bebia leite, mas era com chocolate (ou, mais tarde, com café). Detestava leite “simples”, e foi assim até aos vinte e tal anos, quando passei, estranhamente, a gostar. Mas mesmo hoje em dia é muito raro beber leite simples – normalmente fazia-o (até há uma semana atrás) com café. Como já não bebo café… 🙂

    Além de que, curiosamente, não desgosto de soja. Já tinha experimentado há um ano e tal, e, se não a achava deliciosa, também não era “horrível”; era mais ou menos neutra. Ontem à noite voltei a experimentar, e acho que, em termos de sabor, não vou ter problemas com esta “conversão”.

    Anyway, daqui a um mês eu dou notícias. Anyway parte 2, ainda tenho 3 pacotes de leite para consumir, por isso ainda não comecei. 🙂

  5. patrícia diz:

    Dizes que “Além disso, não é exactamente natural que sejamos a única raça no planeta que 1) bebe leite de outra espécie, e 2) continua a beber leite após a infância (o que não é tão universal como isso, mesmo entre a nossa espécie – na Ásia, por exemplo, não o fazem, é exclusivo do “mundo ocidental”).
    mas isso não é bem assim. Falando apenas de exemplos particulares que eu conheço, há inumeros animais, obviamente mamíferos, que bebem, sempre que podem, leite: gatos, cães, ovelhas, cabras…. e não precisam ser “bebés”. o que acontece é que geralmente os animais adultos não têm acesso a leite uma vez que o leite materno não está disponivel durante muito tempo. não estás a imaginal uma vaca aceitar que um lobo ou um leão adulto beba o seu leite, pois não?????
    agora experimenta dar leite a um desses animais e vais ver o que acontece….
    e deves tb ter em conta que a maioria dos animais come apenas carne crua, ou vegetais disponíveis na natureza… para seres coerente com esse pensamento terias que alterar muito mais na tua forma de vida para além do leite….
    qto ao leite de soja… bem não conheço nenhum animal, para além dos humanos, que o beba. será que estou errada? eu só gosto de leite de vaca, de cabra não gosto e de soja acho intragável…. e aquele soro de iogurte???? execrável…..
    e sim, está na moda dizer que o leite faz mal. aliás há realmente pessoas que são alérgicas ao leite. E também está na moda tentar adoptar o modo de vida oriental, princiapalmente as suas medicinas. Mas já pensaste bem no modo de vida dos orientais? é que não é bem igual ao que vês nos filmes. Eu estive no Japão e não quero viver assim…..
    de qq forma boa sorte nesta fase “saudável” da tua vida….
    já agora, não bebes coca-cola, pois não????

  6. Não é apenas uma questão de terem acesso ao leite materno quando são adultos, porque eles têm-no – não da mãe deles, mas de outra fêmea da espécie que tenha acabado de ter crias. O que é que impede um adulto de se chegar lá e…? 🙂

    Como já disse, não desgoto do leite de soja. Talvez não me saiba tão bem como o de vaca, mas é perfeitamente satisfatório, e acredito que seja muito mais saudável.

    Não acho que dizer mal do leite seja uma moda, porque 1) quase ninguém o faz, logo, por definição, não pode ser “moda”, e 2) se formos a ver a coisa de um ponto de vista histórico, acho que o que se passa é que o hábito de beber leite permaneceu inquestionado (esta palavra existe?) durante décadas ou séculos, e só se começou a questionar isso agora – logo, parece novidade, “uma moda”.

    De qualquer forma, não o estou a fazer por razões “éticas”, como muita gente faz, nem sequer por questões de saúde; é uma experiência. Se, depois de um mês, me sentir melhor, continuo, caso contrário, volto ao “normal”. Só isso.

  7. As experiências de vida são sempre válidas, quanto a isso não existem dúvidas. Podes não te ter apercebido mas sim tornou-se “moda” não beber leite e cada vez há mais gente a optar por leite de soja, contra o qual não tenho nada contra, muito pelo contrário; já bebi, por indicação de uma amiga e gostei muito. Bebo sempre leite duas vezes ao dia: ao pequeno-almoço e ao lanche. Bebo sempre leite magro (hábito de há muitos, muitos anos) com um pouco de café e adoçante. Sabe-me acima de tudo muito bem.

    Existe uma pirâmide dos alimentos que devemos ter em conta no que diz respeito à nossa alimentação. Os lacticínios estão lá, são importantes desde que na quantidade certa. Existem pessoas cujos organismos não toleram de todo o leite e optam pelas alternativas disponíveis. No meu caso nem posso sequer pensar na ideia de beber leite meio-gordo muito menos gordo. Noto a diferença: não me sabe bem – às outras pessoas não sabe bem, por exemplo, o leite magro – e fico indisposta (a vesícula queixa-se logo).

    Na verdade é tudo uma questão de hábitos e de educação. E a nossa responsabilidade é escolher o que nos sabe e o que nos faz melhor.

  8. Khorazyn diz:

    Apenas para vossa informação na Asia consomem-se as mesmas quantidades de productos lacticineos do que no mundo ocidental. Para vossa referência Indonésia, Singapura, Tailândia e Japão consomem bastante.

    Comem é outras coisas. Mas de productos lacticineos têm muitos, conheço muitas pessoas desses países e já os visitem e posso confirmar. Os supermercados do Japão o que não lhes falta é leites e yogurtes. Hmmmmmm.

    Quanto a essa tua ideia de parar de beber leite é contigo, se te apetece, why not, qualquer dia também paras de beber vinho e de comer carne.

  9. Comer carne, talvez um dia. Beber vinho, não me parece, é necessário à vida. 🙂

    É estranho, no entanto, porque segundo montes de coisas que já li, na Ásia quase toda a gente é intolerante à lactose. Ou fazem qualquer coisa ao leite, ou então há muita coisa escrita desactualizada…

    Anyway, isto é uma experiência, como já disse. Acho interessante fazer isto de vez em quando: mudar uma variável qualquer na nossa vida, e ver se os resultados são positivos ou negativos; no primeiro caso, tornar a mudança permanente. Isto é só o início. 🙂

  10. Klawfive diz:

    Podias tentar cortar no gado bovino 😀

  11. “Queria espetá-la, mas a faca estava torta
    Ai não faz mal, a vaca já estava morta”

    😀