Workaholics

Definitivamente, não gosto de workaholics.

Posso “gostar” de pessoas que o sejam, mas será apesar disso, não por causa disso. Será sempre uma parte da personalidade da pessoa em questão que me incomoda.

Ainda por cima, tenho o “azar” de ter, ao longo da vida, conhecido imensos!

Muita gente (mesmo não-workaholics) não compreende bem o conceito, e confundem “workaholic” com “pessoa responsável e trabalhadora” – logo, algo positivo. Mas estão erradas. Ser workaholic é algo irracional, doentio – como disse, uma pessoa pode ser boa pessoa apesar disso, mas é, e será, sempre um defeito, e um problema.

Há também quem pense que se trata simplesmente de alguém adorar o que faz. Mas não – muitos workaholics andam deprimidos, stressados, e com problemas de saúde (física e mental). Aquilo é mais uma compulsão, uma obsessão.

O que é que ser workaholic diz sobre uma pessoa? Um ou mais dos seguintes:

  • Tem as prioridades trocadas. Tudo é esquecido, incluindo família, cônjugue, etc..
  • É viciada no trabalho. E quero mesmo dizer viciada, como um alcóolico ou toxicodependente.
  • Refugia-se no trabalho porque há qualquer coisa na sua vida que quer esquecer, na qual não quer pensar.
  • Deixou-se manipular pela empresa (ingenuidade e/ou fraqueza de carácter); convenceram-na de que é, efectivamente, sua responsabilidade fazer o trabalho de duas ou três pessoas, o que implica noitadas e fins de semana.
  • Não tem “vida”; em alguma altura, decidiu que é mais fácil, confortável e “seguro” refugiar-se no trabalho do que ter amigos, relacionamentos, hobbies, etc..
  • Incapacidade de delegar ou de confiar em colegas: ir de férias?!? e depois quem é que fazia aquilo??
  • Usa o trabalho para justificar a sua vida, a sua existência. O que é uma parvoíce e uma abominação: nada que valha a pena precisa de ser justificado.

Quantos conhecem assim? Eu às vezes sinto que estou rodeado deles/as. 😐

Já agora: como saber se se é um workaholic.

7 Comentários a “Workaholics”

  1. Kanzentai diz:

    Acho que tudo pode ser justificado e, a determinada altura, pode mesmo precisar de o ser.

    Seja a coisa mais inocente ou a mais “pecaminosa”, tudo tem razão de ter acontecido. “Apeteceu-me” é uma justificação perfeitamente plausível para “justificar” a escolha de um pêssego em detrimento de um alperce, tal como “tenho um documento assinado que me confere n euros/libras/ienes/etc. por cada hora extra, desde que não exceda as 12 por semana” é uma boa razão para justificar passar mais tempo no emprego que o estipulado no contrato.

    Depois deste exemplo mais ou menos leve, será de esperar que contribua para o assunto. É um facto consumado que desconheço conhecer algum workaholic, talvez algum colega mais frenético mas nada que se enquadre na designação. Visto a minha perspectiva sobre a sociedade ter tendências bastante capitalistas, creio que os workaholics só são um problema a partir do momento em que começam a perturbar o trabalho dos outros. Seja de que maneira for. Eficiência sim, fazer o trabalho dos outros por eles NÃO. Talvez seja mais comunista, não sei.

    Quanto a ser/não ser workaholic, seria uma questão de haver uma verificação violenta dos quadros das empresas pelas secções de recursos humanos, de modo a modificar essa situação. Talvez impôr aos seres “doentes” que frequentem o consultório de um psicólogo/psiquiatra (conforme o caso e não enumerarei escolas de psicologia porque seria idiota =P), com encargos partilhados por alguma entidade da empresa.

    Afinal, se alguém está doente tem de ser tratado. Porque, tal como as suas homónimas de ordem fisiológica, as desordens de ordem psicológica são contagiosas. Talvez não tão facilmente, mas nunca impossível de acontecer.

    Há que prevenir antes de remediar.
    Há que remediar antes de considerar despedir.
    Há que despedir quando não há trabalhar.

    Mas não apliquemos isto à letra: cada um faz o que lhe compete, com o empenho que desejar, desde que a qualidade do resultado seja maior ou igual à pretendida. Que se faça é bom, se se fizer bem é melhor, afinal 🙂

  2. Se calhar não me expliquei bem. Não me refiro a “justificado” como em “explicado”; se, por exemplo, me perguntares porque é que eu gosto de heavy metal, terei todo o prazer em falar apaixonadamente sobre o assunto, e, aliás, a não ser que já partilhes da mesma paixão, provavelmente aborrecer-te-ás. 🙂

    Este “justificar” é mais em relação ao “direito a existir”. É como dizer que a vida da pessoa X vale / valeu a pena, porque contribuiu para causas de caridade, fez isto, criou aquilo, etc. – e ninguém vê que a implicação disso é que a vida, por si só, não vale nada, e tem de ser justificada através de outras coisas. Obviamente, acho essa mentalidade estúpida e “evil”.

    No exemplo do workaholismo é a mesma coisa: a pessoa em questão acha que a vida só vale a pena porque trabalha (e trabalha, e trabalha). Ou seja, acha (mesmo que não o pense conscientemente) que, se não fosse o seu trabalho, não estaria cá a fazer nada, não merecia viver.

  3. Em relação ao workaholismo, o problema é que:

    1- tal como no alcoolismo, é muito difícil e raro a pessoa admitir que tem algum problema. Provavelmente acha é que está rodeada de um bando de preguiçosos irresponsáveis. Ou convenceu-se de que a situação actual é “uma emergência”, sem reparar no facto de que esta já dura há anos ou décadas.

    2- excepto a família mais directa, e amigos, ninguém provavelmente verá isso como um problema.

    3- as empresas adoram gente assim. É o equivalente a ter 2-3 funcionários pelo preço de um. Logo, ainda vão incitar mais a obsessão do empregado, ao invés de a contrariarem.

  4. Unawen diz:

    Do you turn your hobbies into money-making ventures?
    Do you believe that it is okay to work long hours if you love what you are doing?
    Do you work or read during meals?
    Do you believe that more money will solve the other problems in your life?

    era três ou mais não era? 😉

  5. Unawen: very clever, Mr. Bond. 😉

    Mas, da Wikipedia:

    The term is often used inaccurately to describe an energetic person who devotes a lot of time to work despite having good relations with co-workers, taking pleasure in other non-remunerative activities, being well rested, and attending properly to family and social life.

    Logo, não seria nunca o caso. Além de que a lista não é perfeita: ler à mesa, por exemplo, é sinal de inteligência, não de workaholismo. 🙂 Não consigo entender como é que alguém consegue comer sozinho sem um livro à frente, mas, se calhar, sou eu que sou estranho. 🙂

    Besides, essa lista são apenas os sinais de alerta; no mesmo site há outra bem mais “a sério”, com coisas mais doentias. E mesmo o site não é perfeito, já que tem muita coisa (retirada dos Alcóolicos Anónimos) relacionada com religião.

  6. Unawen diz:

    The name is Croft, LaraCroft 😉

    E espero que sim. Seria muito mau “levar trabalho para casa” para quem quer trabalhar em casa 😀

    No que concerne a ler à mesa, estou de acordo, excepto o facto que se pode estar a ver o Discovery Science ou news, news, news 🙂

  7. Rhiver diz:

    Muito bacana…
    Vc é um workaholics?