Sim, é um tema estranho para este blog, que em geral é pessoal. Mas, depois de uma conversa que tive há dias com um amigo, não posso deixar de comentar o assunto aqui.
Basicamente, esse meu amigo estava a dizer-me que “pode haver alguma verdade ali”, que movimentos ou partidos com palavras como “nacional”, “frente” ou “renovação” no nome não são tão maus como os pintam, que o que os define é “Portugal primeiro” e não propriamente xenofobia, que, mais do que serem contra quem nasceu noutro país ou tem a pele de outra cor, eles são é contra criminosos, que são mais “puros” e menos corruptos do que os partidos “mainstream”, e afins.
É uma pena esse meu amigo não conhecer muito da história do século XX. Se a conhecesse, não cairia nesta armadilha.
O fascismo, historicamente, obtém sucesso de três formas: primeiro, porque promete soluções fáceis e simples para problemas complexos. Tão fáceis e simples que deveriam, imediatamente, parecer suspeitas para quem as ouve… mas o wishful thinking é sempre forte. Segundo, porque diz às pessoas o que elas querem ouvir, mas até há pouco tinham vergonha de pensar: que não têm qualquer culpa ou responsabilidade pelos seus problemas - é tudo culpa “daqueles tipos diferentes de nós”. Terceiro - e talvez mais importante - o fascismo sabe, muito bem, converter as pessoas gradualmente.
Ninguém começa a falar de isolamento extremo, de campos de concentração e afins. No início, somos contra os criminosos - e nesta altura são mesmo criminosos: assassinos, violadores, ladrões, etc..
Mas, depois, começa-se a redefinir o termo “criminosos”. E, depois de se lidar com os mesmos, o inimigo passa a ser “aqueles diferentes de nós” (nacionalidade, etnia, etc.). De seguida, passa-se para “aqueles que não concordam connosco”. Ou “aqueles que não obedecem”. E aí é tarde demais, e a coisa só se resolve - muitas vezes, décadas depois - com uma revolução… ou uma guerra.
Já aconteceu várias vezes na história do passado século. E parece que as pessoas não aprendem, e continuam a cair nas mesmas armadilhas: “oh, ninguém está a falar em verdadeiro racismo! Só somos mais duros com os criminosos, e queremos impedir a imigração ilegal! Estás-nos a comparar com um Hitler por causa disso?”
Pessoal, aprendam história. Nada disto é novo, e se não aprendemos com o passado, estamos condenados a repetir os mesmos erros.




De facto, é preciso ter muito cuidado com as ideias que se tem e o fundamentalismo é sempre perigoso. Às vezes basta ponderar um bocadinho e depois apercebemo-nos de que essa maneira de pensar é irracional e, atrevo-me, algo estúpida.
(Mudando de assunto… vi um incêndio grandito aí perto, na noite de ontem (20). O que é que aconteceu?)
Não vi nada, mas também sou distraído demais para reparar em montes de coisas.
Já agora, a questão aqui não é fundamentalismo. Pelo contrário, é a forma como pessoas perfeitamente razoáveis (como o tal meu amigo) se deixam seduzir por “soluções fáceis”, por não terem quaisquer conhecimentos de história. Por isso, caem exactamente nos mesmos erros, deixam-se levar exactamente pelos mesmos argumentos.