10 Razões Para Não Ter Um Emprego

Li, há pouco, aquele que é, possivelmente, o melhor blog post que já li até hoje. Absolutamente brilhante, e, para mim, correcto, da primeira à última palavra.

O post é do Steve Pavlina, e chama-se 10 Reasons You Should Never Get a Job.

É comprido, mas vale, sem dúvida, a pena ler. É daqueles posts que ofenderão muita gente – ele é bem mais directo do que eu costumo ser em relação a este assunto… mas ele tem razões para isso, afinal, já que ele já chegou há anos onde eu quero chegar. Eu acredito que vou conseguir, mas é impossível não ter, ocasionalmente, algumas dúvidas – sobretudo porque quase toda a gente à minha volta as alimenta.

Anyway, algumas “pérolas” (mas, mais uma vez, recomendo a leitura do post todo, de preferência mais do que uma vez):

It’s funny that when people reach a certain age, such as after graduating college, they assume it’s time to go out and get a job. But like many things the masses do, just because everyone does it doesn’t mean it’s a good idea. In fact, if you’re reasonably intelligent, getting a job is one of the worst things you can do to support yourself.

Why is getting a job so dumb? Because you only get paid when you’re working. Don’t you see a problem with that, or have you been so thoroughly brainwashed into thinking it’s reasonable and intelligent to only earn income when you’re working? Have you never considered that it might be better to be paid even when you’re not working? Who taught you that you could only earn income while working? Some other brainwashed employee perhaps?

The problem with getting experience from a job is that you usually just repeat the same limited experience over and over. You learn a lot in the beginning and then stagnate.

And if your limited skill set ever becomes obsolete, then your experience won’t be worth squat. In fact, ask yourself what the experience you’re gaining right now will be worth in 20-30 years? Will your job even exist then?

Many employees believe that getting a job is the safest and most secure way to support themselves. […] Does putting yourself in a position where someone else can turn off all your income just by saying two words (i.e. “you’re fired”) sound like a safe and secure situation to you? Does having only one income stream honestly sound more secure than having 10?

The idea that a job is the most secure way to generate income is just plain silly. You can’t have security if you don’t have control, and employees have the least control of anyone. If you’re an employee, then your real job title should be professional gambler.

Many people treat their jobs as their primary social outlet. They hang out with the same people working in the same field. Such incestuous relations are social dead ends. An exciting day includes deep conversations about the company’s switch from Sparkletts to Arrowhead, the delay of Microsoft’s latest operating system, and the unexpected delivery of more Bic pens.

EDIT: nem de propósito… o Dilbert de hoje:

Dilbert 20060724

As part of their obedience training, employees must be taught how to dress, talk, move, and so on. We can’t very well have employees thinking for themselves, now can we? That would ruin everything.

Have you noticed that employed people have an almost endless capacity to whine about the problems at their companies? But they don’t really want solutions – they just want to vent and make excuses why it’s all someone else’s problem. It’s as if getting a job somehow drains all the free will out of people and turns them into spineless cowards. If you can’t call your boss a jerk now and then without fear of getting fired, you’re no longer free. You’ve become your master’s property.

E há muito, muito mais.

Claro que a maioria de vocês vai dizer que aquilo “não é realista”, que nem toda a gente tem capacidade para ser criativa e inteligente a vida toda, e que é muito mais fácil e viável aprender um pequeno número de skills, e passar o resto da vida a fazer isso e apenas isso… afinal, “é o que toda a gente faz”.

Pois é.

5 Comentários a “10 Razões Para Não Ter Um Emprego”

  1. Uma coisa que aprendi há muito tempo é que todos nós temos aspirações, ambições e prioridades diferentes na vida. Se para uns não ter emprego resulta, para outros resulta o oposto. Cada qual deve seguir o que quer, lutar e fazer por isso. Para além disso nem todos somos criativos e imaginativos (e também não acredito que tal seja algo que se aprenda, ou se tem ou não se tem); por outro lado nem todos somos responsáveis, organizados, etc. Daí o ideal ser que cada qual, de acordo com as suas aptidões, se dedique a algo que faça bem e que o realize.

  2. Eu mantenho: uma pessoa relativamente inteligente desperdiça a sua vida (tanto em termos financeiros como em termos de evolução pessoal) se a passar a trabalhar para outros.

    Mas já sei que esta minha opinião ofende as pessoas, como disse nalguns posts abaixo…

    E não, não conheço pessoalmente quase ninguém que concorde comigo. Estamos todos brainwashed demais… 🙁 Se algo é feito de uma certa forma há meia dúzia de gerações, passamos a acreditar que essa forma é a única existente, a única viável, a única possível. Pura e simplesmente, deixamos de questionar.

    E quando deixamos de questionar, para mim, deixamos de estar vivos a 100%. Perdemos uma das coisas mais importantes (outra é a capacidade de rir) que nos distingue dos animais.

  3. Repara no seguinte: eu não acho que seja a única forma viável. Mas para muita gente será. Tal como já referi no meu comentário anterior (e mantenho a minha opinião em relação a tal) todos temos aptidões, assim como ambições diferentes, logo aquilo que funciona contigo poderá não funcionar comigo ou com outra pessoa qualquer. Eu prefiro ganhar menos mas trabalhar na minha área (mas tambem posso dar-me a esse luxo, pois partilho a casa e as despesas com a minha mãe); não ponho de parte outras opções: quer sejam trabalhar para outrém quer sejam trabalhar por conta própria; procuro aquilo que melhor se poderá adequar às minhas aptidões, personalidade e ambições.

    Tu jamais te verias a ensinar (julgo eu), eu só consigo conceber a minha vida a ensinar. Tudo o resto que gosto de fazer – e que são actividades que podem ser também uma saída profissional – são coisas que não te interessam minimamente: pintar e fazer colagens ou qualquer tipo de trabalhos manuais. Por isso, seria impensável trabalharmos da mesma maneira e a fazer as mesmas coisas. Se calhar existem coisas que eu só poderei fazer trabalhando para outros ou pelo menos necessitarei de apoios externos para encetar determinada actividade. Existem outras tantas que posso fazer e desenvoler sozinha e obter assim, muito possivelmente, sucesso.

    Vamos todos escrever blogs e viver disso? Para uns essa ideia é excelente. Tu possivelmente poderás vir a ter sucesso com isso, mas achas mesmo que muitas outras pessoas o poderão fazer? Terão as ferramentas necessárias, a criatividade, o sentido de organização, o empenho necessários para tal?

    Não podemos “mandar” todos. Não podemos todos desempenhar as mesmas tarefas e não podemos decididamente viver todos os mesmos sonhos e viver as mesmas vidas.

    Eu só acredito numa sociedade que permite as pessoas terem a liberdade de escolher o que querem e que o possam fazer sem opressões ou amarras e não uma sociedade que nos dita que este ou aquele são o único caminho, independentemente de se trabalhar para outrém ou por conta própria – não existe uma única forma de ver ou fazer as coisas – existem muitas e variadas. E ser-se inteligente, para mim, reside no facto de se saber usar as nossas aptidões de acordo com as nossas ambições e projectos de futuro.

  4. Nunca pretendi tirar às pessoas o direito à escolha — muito pelo contrário, a ideia é mostrar-lhes que existe a possibilidade de escolha. Acho que “arranjar um emprego” é um default, é algo que toda a gente faz porque toda a gente faz (círculo vicioso), e há muita gente que seria muito mais feliz e teria muito mais sucesso se não o fizesse.

    Claro que as pessoas têm gostos e aptidões diferentes… Mas, mesmo assim, ter um emprego é tão limitativo, porque não ganhas em função do que fazes, e tens um “tecto”, tanto em termos de remuneração como de evolução pessoal. Além de que não escolhes o que fazes, não decides o que aprendes – muito pelo contrário, na maioria dos casos, tal como diz o Steve Pavlina, aprendes um conjunto de skills no início da carreira, e passas o resto da vida a fazer essas mesmas coisas.

    Não me vejo a ensinar, mas não pelas razões que imaginas. Eu até gosto de ensinar coisas às pessoas, e cheguei a dar formação uma vez ou outra a colegas, em empregos passados. Não teria, no entanto, qualquer pachorra para a inevitável repetição de dar a mesma matéria a novas “vítimas”, mesmo que fosse apenas no ano seguinte.

    Há outra questão, que já tenho falado com várias pessoas, ultimamente: segundo muita gente, é necessário haver pessoas para “menial jobs”, e trabalhos repetitivos, como limpeza de casas, por exemplo. Ora, uma pessoa brilhante aborrecer-se-ia de morte com esse tipo de coisas (I know I would :)), pelo que, segundo essas pessoas, é necessário haver pessoas menos inteligentes, que não se importem de limpar as mesmas casas de banho todos os dias.

    Esse tipo de filosofia aparece, por exemplo, no livro Brave New World, em que há as várias “castas”, e são geradas com níveis diferentes de intelecto – por exemplo, os que eram para ser menos inteligentes tinham menos oxigénio na incubadora, e mais tarde eram condicionados para sentir repulsa em relação a livros (punham uma pilha de livros numa sala, e aqueles que gatinhassem até aos livros apanhavam um leve choque).

    Ora, isso faz tanto sentido como dizer que é preciso haver crime e incêndios, senão os polícias e bombeiros não tinham emprego… É absurdo pensar que uma sociedade de génios não inventaria rapidamente processos automáticos de fazer os tais “menial jobs”. Mas pronto. 🙂

  5. macaco diz:

    Concordo contigo, é o melhor post que já li!
    Melhor ainda, descobri finalmente um novo blog interessante: este!

    Esta quarta-feira começou bem.
    Abraço,
    macaco (neste momento um slave to the wage)