Milésimo post

Pois é. Este é o meu 1000º post, somando todos os meus blogs.

E, tal como aqueles episódios de séries de TV, em que, para poupar dinheiro, eles mostram os personagens a lembrar-se de cenas do passado, o que permite que 90% do episódio já esteja filmado… 🙂 acho que é altura de olhar um pouco para o que ficou para trás. (Infelizmente, ao contrário dessas séries, não me posso limitar a fazer copy & paste de posts anteriores para poupar trabalho… sniff…)

Não vou aqui falar dos meus blogs ou coisa parecida; quem lê este, já ouviu, de certeza, falar dos outros, e, de qualquer forma, eles são fáceis de descobrir. Quero, no entanto, contar uma curta história – curta até agora, porque, de certa forma, ainda só está a começar.

Basicamente, eu trabalhei, para outros (com alguns intervalos pelo meio), nos últimos 15 anos, e, depois de N empregos, cada vez mais fui vendo que não era bem isso que eu queria. Até que, há pouco mais de um ano, decidi que ia tentar ganhar a vida de outra forma: como um “entrepeneur”. É uma palavra meio curiosa, porque as traduções mais usuais, “empresário” ou “empreendedor”, não sugerem bem o que a referida quer dizer.

Como acho que até escrevo um pouco melhor do que a média (e tenho potencial para muito mais do que actualmente vêem), e como sou meio anti-social – além de querer lidar o mínimo possível com idiotas -, decidi pôr de parte algumas das possibilidades, como montar uma empresa, e ter clientes. Clientes são um problema: por causa de um ditado estúpido, têm a mania de que “têm sempre razão”, apesar de não perceberem nada do assunto, e de muitas vezes não fazerem sequer a mínima ideia do que querem. E, de certa forma, não há assim tanta diferença entre um “cliente” e um “patrão”. Ambos detêm poder sobre nós, poder quase sempre usado para pôr prepotência, ignorância e “birras” acima de verdadeiros conhecimentos e de razões concretas para fazer as coisas de determinada forma. Não, obrigado.

Assim sendo, a minha ideia for escrever, em vários blogs e mini-sites (mas sem me limitar a isso – nada me impede, por exemplo, de criar o maior site de receitas em Portugal amanhã, por exemplo :)), criando material de qualidade, interessante e, nos casos em que seja apropriado, útil. Por exemplo, guias técnicos, conselhos e afins, além de posts que, simplesmente, façam as pessoas pensar sobre determinado assunto.

Mas como é que isso dá dinheiro? Com publicidade, como, por exemplo, jornais, rádio ou televisão. Ninguém liga a televisão para ver anúncios (excepto alguém muito doente), mas são estes que dão dinheiro… só que, para que estes sejam vistos, é necessário que sejam mostrados juntamente com programas que interessem ao público.

Infelizmente, a certa altura do campeonato, o meu chefe terá, conscientemente ou não, percebido que estava a planear conseguir ganhar a vida de outra maneira, escrevendo nos tempos livres, de forma a, de seguida, sair da empresa, pelo que fez tudo para me prejudicar a vida, lá, ao máximo – desde ser ultra-controlador e “micro-manager”, até me impedir de fazer qualquer coisa vagamente interessante, e ocupar-me o tempo com coisas repetitivas e inúteis. Andei, durante meses, tão afectado com isso que, mesmo em casa, à noite, não conseguia escrever ou criar nada de jeito… e, por isso, os vários blogs estiveram sem posts novos durante meses.

Até que tive de tomar uma atitude, que foi arranjar dinheiro, emprestado, de forma a poder demitir-me e viver em casa uns meses até os sites começarem a dar lucros reais. E foi o que fiz, apesar de quase toda a gente me dizer que tinha enloquecido de vez. 🙂

Agora, talvez pela primeira vez na vida, estou em casa, estou livre, e o que conseguir – ou não – depende só e exclusivamente do meu trabalho, inspiração e ambição. Depende de mim. Não vou poder estar, como parece ser o sonho de quase todos os portugueses, “com os pés em cima da mesa”, por saber que no fim do mês recebo “aquilo”, fixo. Mas, ao mesmo tempo, também trabalharei para mim, sabendo que posso ultrapassar o “aquilo fixo” – e penso fazê-lo, em muito, e em breve.

Muita gente – incluindo ex-colegas, amigos, família, e até por vezes a namorada – duvidam disto. Acham – em parte, com razão – que, se isto fosse fácil, toda a gente o faria. É verdade que muita gente tenta e falha. Mas também é verdade, acho eu, que muita gente que até teria potencial para o fazer, não o tenta, precisamente por causa desses medos – e, também, porque é algo novo, é território quase inexplorado.

E… porque é que eu acho que consigo? Porque acho que tenho algo em comum com o grande Rob Hubbard. 🙂

Não, não estou a falar do L. Ron Hubbard, o lunático que fundou a Cientologia. O Rob Hubbard é um músico britânico que ganhou fama, nos anos 80, como o melhor músico do Commodore 64, um computador de 8 bits (contemporâneo do ZX Spectrum) cujas músicas de jogos ainda são “covered”, hoje em dia, por músicos e bandas “a sério”. Ainda hoje, ele é o músico dessa época mais conhecido.

E porquê? Porque, na época, havia muitos bons músicos, e muitos bons programadores. Mas ele tinha uma vantagem sobre uns e outros: era ambas as coisas. Não só era um excelente compositor, como levou o chip de som do C64 a fazer coisas que os próprios designers do chip não julgavam possíveis. Por outras palavras: uns tinham a criatividade, e outros tinham os meios; ele, por outro lado, teve ambos.

Foi essa combinação de duas qualidades que o levou mais longe do que os outros.

Um outro exemplo é o Steve Pavlina, que já mencionei aqui antes. O que ele faz, actualmente, é escrever sobre desenvolvimento pessoal, um campo onde tem imensa concorrência, incluindo autores mais famosos do que ele “cá fora” (livros, cursos, etc.). No entanto, ele tem uma tremenda vantagem sobre eles: é um informático (chegou a ser programador de jogos). Isso permite-lhe ganhar aos outros autores em coisas como optimização do site para motores de busca, novas features no site, e afins. Enquanto os outros não ganham nada com os seus sites (que tiveram de pagar a empresas para desenvolver), ele ganha – aliás, é a fonte principal de rendimento dele.

O meu caso é semelhante. Muitos informáticos não sabem escrever decentemente, e muitos escritores não sabem mudar uma lâmpada. 🙂

As minhas desculpas se tudo isto dá a ideia de que me estou a vangloriar. De certa forma, estou, em parte, a escrevê-lo para mim próprio, para aumentar a auto-confiança. Afinal, ao contrário do que podem pensar, não me acho um super-homem, e tenho dúvidas como toda a gente. 🙂

E pronto. Agora estou livre – livre como nunca estive – e acho que ainda nem “interiorizei” esse facto, apesar de hoje ter sido o primeiro dia em que não fui trabalhar, como faria se ainda estivesse empregado. Tudo isto parece, de certa forma, um sonho, ou “bom demais para ser verdade”… mas não é. Estou livre. Independente. Sem poder culpar ninguém, caso isto corra mal. Estou como sempre quis.

A partir de agora, é comigo. And the sky’s the limit.

11 Comentários a “Milésimo post”

  1. Parabéns!

    Parabéns pelo milésimo post. É já grande a tua produção.
    Parabéns pelos teus blogues. Eu subscrevo três deles porque os considero interessantes e às vezes úteis.
    Parabéns pela coragem. Essa é uma decisão bastante difícil de tomar, mas a meu ver é a certa. tu não ias querer daqui a uns anos passar o tempo a pensar como é que seria se tivesses dado o passo. Assim já sabes.

    Parabéns! E Boa Sorte!

  2. Sérgio: muito obrigado. 🙂 E espero que continues a achar os blogs interessantes e/ou úteis. 🙂

    Vêm mais aí… soon, very soon. 😉

  3. Boa sorte! Um dia destes estaremos todos a roer-nos de inveja quando tu estarás a nadar em dinheiro tal qual o Tio Patinhas. Che sera sera. 😉

  4. AldaM diz:

    Parabéns pelo 1000º post e pelo primeiro dia de liberdade!!!
    Espero que tudo te corra excelentemente bem!

  5. delta4 diz:

    Parabéns pela decisão.

    Ao contrário do que possa parecer já existem outras pessoas em Portugal que optaram por caminhos parecidos. 🙂

    Boa sorte e acredito que tudo corra bem!

  6. Clara diz:

    Estive a ler alguns dos teus Posts e acho, principalmente pela frase “as ostras vão dominar o mundo”, que és uma pessoa bastante engraçada.

    Além disso tomaste uma boa decisão.

    Bjos, boa sorte e k tudo te continue a sorrir.

    A tua leitora favorita Clara

  7. Clara diz:

    P.S. Parabéns pelo teu milésimo post és um grande escritor.

    Com muita coragem, determinação e esforço.
    Admiro-te

  8. j. noronha diz:

    Olá, descobri seus escritos há pouco tempo atráves de um link e volta e meia volto aqui. Eu estou vivendo uma situação semelhante à sua: fui professor por 4 anos consecutivos e 10 alternados e chegou um ponto em que a estupidez diária da profissão (direção, alunos, colegas) me fez optar entre continuar ganhando um dinheiro seguro e enlouquecer ou fazer algo que gosto sem segurança financeira. Tinha começado dois blogs (adultos, têm ótimo público consumidor) no início do ano e, para minha satisfação, vão muito bem obrigado.
    Leio de tudo um pouco sobre tudo e estou sempre de olhos abertos às novidades, acho que isso é fundamental para o sucesso. E estabeleço metas, se em um mês ganho x, no próximo devo ganhar 2x e, se não acontece, me proponho a 3x no próximo. Claro que nem sempre é possível, mas os ganhos têm aumentado mês a mês.
    Estou agora começando dois que são apenas dedicados ao que realmente gosto, programação (hacks) e outro onde escrevo sobre tudo e, segundo quem já leu, com razoável qualidade no texto.
    Sucesso para nós e que a inteligência prevaleça neste mundo.

  9. Nicas diz:

    Olá. Confesso que ja nem sei como vim parar aqui. Ok eu sou distraida, confesso, mas nem tanto. Deve ser ja pela hora :), nao que seja demasiado tarde, mas sim ja demasiadas horas acordada.
    Li esse 1000º post e nao resisti a dar os parabens, pela coragem de quem se conseguiu «libertar«. Tudo de bom. que corra pelo melhor!
    Provavelmente tambem o deveria fazer. O estar a «sufocar« começa a ser uma constante Não esta a dar, nao esta a ser facil.. ah pois nao!
    Tomara ter essa coragem. Essa, ainda nao!. Boa Sorte.