Os "Bons Velhos Tempos"

É comum ouvir-se comentários em relação aos Bons Velhos Tempos ™. O comentário em si varia, mas, no fundo, todos se resumem a isto: antigamente as coisas eram melhores.

Isto deve-se em parte à nostalgia, e em parte ao medo da mudança. E, por vezes, deve-se também a uma má memória: a tendência é lembrarmo-nos das coisas boas, e esquecermos as más.

Para todos os que dizem que “antigamente é que era”, deixo-vos aqui duas páginas de uma publicação (americana) de 1955. Cliquem na imagem abaixo para a verem no seu tamanho original.

The Good Wife's Guide

Apesar de agora dar vontade de rir, isto, na altura, não era comédia. Era real. O mundo era assim. As mentalidades eram assim. As pessoas eram assim.

E agora digam-me que “nada melhorou”, que as coisas “antigamente eram melhores”. Digam-me que a raça humana, apesar de todos os seus defeitos, não evoluiu, e não evolui. Digam-me que “está tudo na mesma, ou pior”. Digam-me que “estamos cada vez mais imorais”. Que a solução para os problemas da humanidade era “voltar aos valores do passado”.

5 Comentários a “Os "Bons Velhos Tempos"”

  1. Eram bons aqueles tempos 😉

    Agora fora de brincadeira, é verdade que muitas coisas mudaram para muito melhor. Agora quando chego a casa ainda não tenho o jantar pronto, nem bebida preparada.. 😛 Mas é sempre um erro quando se analisam as coisas apenas por um lado.

    Muitas coisas mudaram MUITO nos últimos 50 anos. Umas para melhor outras para pior. Por isso este é um daqueels casos em que toda a gente tem razão. Dantes era melhor! Hoje é melhor!

  2. O que eu quero dizer com isto é que o que mudou para melhor é muito mais importante do que o que piorou… só que a gente já o toma por garantido.

    Hoje a gente queixa-se dos preços, dos ordenados baixos e afins, mas é um facto que os nossos avós (provavelmente) passaram fome, e nós não.

    Ainda há racismo, xenofobia, sexismo e perseguições religiosas, mas não são nem um décimo do que já foram.

    As nossas vidas não são mares de rosas, mas comparadas com o que era há umas décadas, vivemos num paraíso… e quem diz que “dantes é que era”, das duas uma: ou é um idoso que não se conseguiu adaptar aos tempos modernos, ou é um jovem que não tem qualquer noção do passado.

  3. patrícia diz:

    podem apenas estar a referir-se a uma situação real especificica, ou não?
    para mim, por ex, “eram bem melhores os tempos”, em que crianças podiam, sem medos, brincar nas ruas até ao anoitecer e mesmo depois dele.
    Não me imagino a ter filhos, que só estão com os amigos na escola (ou colégio), que não jogam à bola na rua, que não trazem gatinhos abandonados para casa, que não rasgam as calças de tanto jogar ao berlinde. e Infelizmente, hoje em dia, é dificil para uma criança ter essa liberdade. Que eu tive!!!! qdo as “pessoas” se referem aos bons velhos tempos estão a referir-se a esse tipo de coisas.
    Claro que actualmente temos coisas fantásticas. e ninguém no seu juizo perfeito gostaria de viver sem as comodidades dos “tempos modernos” como tu dizes. Mas nem tudo é perfeito e há coisas muito importantes que mudaram para pior. ou estarei completamente errada?
    é que essa frase, na maioria das vezes, expressa principalmente um desejo de recuperar as coisas boas que perdemos. E não temos que ser velhos desadaptados nem jovens ignorantes, para sentir isso.

  4. Patrícia, vê, please, a minha resposta ao Sérgio. 🙂

    Não me referia a comodidades, tecnologia e afins. Referia-me mesmo a coisas tão simples como saber que, a não ser que vá a um país Islâmico, não corro o risco de ser queimado numa fogueira ou apedrejado somente por adorar o deus “errado”, ou por simplesmente não acreditar num.

    Ou por as mulheres já não serem vistas como eram naquele artigo de 1955.

    Ou por a escravatura já não ser considerada uma coisa normalíssima.

    Ou por não vivermos numa ditadura.

    Ah, e quem diz que “dantes é que era”, normalmente, não se refere apenas a uma coisa específica, mas sim ao todo. 🙂 É mesmo ter uma visão idealizada do passado – quer se tenha vivido nele, quer não.

  5. BB diz:

    Historicamente não foi nem há cinco minutos…
    Viva a telepiza, salvé aos congelados, hossanas às máquinas de lavar loiça!