Archive for January, 2007

Aborto: a vingança parte II

(ei, já vi títulos piores!)

Nota: o seguinte é adaptado e um pouco expandido de um comentário que fiz no blog do Mário Lopes. Uma boa parte do que se segue já foi dito noutros posts, recentemente, aqui, mas não exactamente por estas palavras… e nem tudo é repetido.

Tento, também, responder, finalmente, à questão do Samuel: “O que é que é um ser humano? Quando é que um feto se torna um ser humano?”, se bem que o comentário-tornado-post, em geral, não foi escrito para responder a essa questão, mas sim ao tal post do Mário Lopes. Daí ser expandido, e não copiado. :)

Without further ado…

Continue reading ‘Aborto: a vingança parte II’

Cortesia em blogs

Este blog tem 2 anos e 2 meses, e neste momento tem 558 comentários de leitores. Neste tempo todo, sem contar com o spam (e como sou, entre outras coisas, informático, só chamo “spam” a publicidade e afins, não meramente a coisas que não me agradam, como muita gente faz), acho que não devo ter “cortado” nem 5 comentários… até esta semana. Nunca tive problemas em que discordem de mim, e (talvez devido à minha maneira de ser) sou, talvez, permissivo demais; dou sempre segundas chances às pessoas, dou-lhes sempre o benefício da dúvida, e preciso de ter a certeza das intenções nocivas de alguém para lhe fazer o equivalente a, caso se tratasse de alguém fisicamente em minha casa, lhe mostrar a porta.

Aliás, essa comparação é, na minha opinião, bastante apropriada. Vejo um blog, fórum, ou outro tipo de site como o equivalente à casa de alguém. Quando se é um convidado numa casa alheia, pode-se, obviamente, discordar do anfitrião, e expressar esse desacordo, mas não se pode ser mal-educado com ele, nem desrespeitador ou insultuoso, nem sujar ou estragar a casa. Para mim, isso é óbvio — e acho que alguém que seja convidado a sair por estar a passar dos limites não irá (a não ser que esteja muito bêbado) barafustar porque “estão a atentar contra a sua liberdade”, porque “tem o direito de expressar a sua opinião”, ou porque “a casa onde está é um sítio público” (!).

Infelizmente, a Internet permite um tipo de anonimato que leva a que as pessoas não tenham em mente, por vezes, essas noções de cortesia básica…

É o caso, por exemplo, de alguns comentários aos meus posts sobre o aborto, que eu não aceitei, e que chegaram a um nível de insultos e desrespeito que, simplesmente, não é bem-vindo aqui. A maior parte desses comentários é da mesma pessoa, e, não, não é alguém que tenha comentado aqui no passado. Neste momento, hesito em aprovar algum comentário futuro dessa pessoa, mesmo que seja “decente”, porque o sistema, aí, passa a aceitar esses comentários automaticamente. Sim, é possível dar a volta a isso, mas não quero prejudicar o blog — nem o resto dos leitores — por causa disso.

O referido comentador pode, obviamente, criar o seu próprio blog, no qual pode insultar quem quiser, e ao qual eu terei todo o prazer em não ir. Mas eu não tenho qualquer obrigação — incluindo moral — de lhe dar uma plataforma para me insultar.

Antes que comecem a gritar “censura!!!”, vejam os últimos posts sobre o aborto, e vejam o tipo de comentários que eu permiti que passassem. A maior parte deles não concorda comigo (muito pelo contrário, não podiam discordar mais), e alguns chegam a não ser nada simpáticos — e são específicos para mim, não para “quem pense como eu”. E, mesmo assim, estão lá. Agora, imaginem os que não passaram…

6 para 33

Há segundos, olhei para a data no canto inferior direito do meu KDE. O dia é 25 de Janeiro.

25… faz-me sempre lembrar algo, já que faço anos num dia 25.

E, curiosamente, faltam, hoje, exactamente 6 meses para fazer 33 anos.

33… bem, será a 3ª capicua da minha vida. Ainda serei “jovem”, mas…

Aborto: Resposta ao Sérgio, e desabafo

Comecei a escrever um comentário, mas ficou grande, e acho melhor que seja um post completo.

O teu post não é sobre o sofrimento. O teu post é que é um insulto a todas as pessoas que têm uma opinião diferente da tua. Tu generalizas e achas que todos os que vão votar não são retrógados religiosos. Dessa forma eu nunca poderei discutir o assunto contigo.

E acho piada que como eu acusei o teu post, tu assumiste imediatamente que eu era um dos do ‘não’. Eu nunca manifestei aqui a minha opinião sobre o aborto, apenas sobre a forma como tu abordas o tema que é com palas nos olhos. Aliás acho que tens vindo a colocar cada vez as palas mais apertadas.. O meu interesse neste blog desapareceu… ainda tinha alguma esperança, mas acho que se foi mesmo.

é menos uma feed no leitor.

Sérgio: não sei se ainda lerás isto, mas é uma pena. De qualquer forma, no outro post dos limites de velocidade, demonstraste que não lês os posts, já que tiraste uma conclusão completamente diferente do que eu escrevi, e acusaste-me de ter como único objectivo subir os limites de velocidade para poder andar aí como um louco a atropelar pessoas e provocar acidentes. Alguém que conclui isso 1) não leu nada do que escrevi, como disse, e 2) tem mesmo — sem me conhecer de lado nenhum — uma opinião muito baixa (e insultuosa, até) sobre mim.

Quanto ao resto, aquele meu post é sobre o sofrimento, sim. O sofrimento provocado ao longo da história, por causa de preconceitos, mentes fechadas, ignorância, religião, e o separar da moralidade do sofrimento (ou seja, a moralidade é agradar a alguma entidade, e se isso implica o sofrimento de milhões, paciência). Há mal quando essa moralidade leva as pessoas a causar o sofrimento de gerações após gerações. Repugna-me, como já disse várias vezes, essa separação da moralidade e do sofrimento. Repugna-me que alguém se veja como “defensor da vida” mas tenha um conceito tão limitado de “vida” que não tenha problemas em condenar pessoas (mães e filhos) a vidas inteiras de sofrimento — de “morte em vida”. Repugna-me que haja mais dor e agonia causados por estes “defensores da moralidade” do que por quem não se vê como tal — e que ninguém pareça reparar nisso; que ninguém seja capaz de dizer “o rei vai nu” em relação a esses “defensores”, de dizer que a “moralidade” que eles defendem não é realmente moral, que eles não falam pelo resto da humanidade.

Não sou relativista. Não vejo tudo na vida como uma simples “diferença de opinião”, em que uma é tão válida como a outra. Se uns querem aliviar o sofrimento e os outros o criam, sem terem nenhum problema com isso, não vou dizer que a moralidade de ambos é igualmente válida.

Ao fazer isto, sou “agressivo”, “insulto as opiniões dos outros”, e “tenho palas nos olhos”. Porque não devia importar-me e deixar que isto me afecte. E porque devia ser relativista, e não julgar, em vez de afirmar que há um lado certo e um lado errado.

Mas não sou assim. Se é alguém assim que querem, realmente estão no blog errado. Sorry.

Mais aborto… agora, outras opiniões

Do meu lado, acho que não vou acrescentar muito mais à questão. Já fui insultado por ter a minha opinião, por ter pensado nela, e por estar certo da mesma, quando hoje em dia é considerado “arrogante” ter uma opinão forte baseada no pensamento; só se aceita uma opinião forte baseada em emoções. Ou em autoridade, ou em religião, ou… Bah.

De qualquer forma, se alguém quiser comentar os meus posts anteriores, e, para variar, quiser responder ao que eu escrevi (em vez de se limitar a dizer que “sou muito agressivo”), tal será apreciado.

Neste post, vou apenas mencionar o que outros disseram (fora deste blog) sobre esta questão.

Primeiro, um post da namorada, chamado A Interrupção Voluntária da Gravidez…. É um bocado mais detalhado do que os meus, e acho que mostra bem os dois lados da questão. Vá, leiam e comentem. :) Inclui argumentos como este:

Para quem não sabe, até às 10 semanas há muitas mulheres que nem têm uma gravidez confirmada e que têm aborto espontâneo sem que soubessem que estavam grávidas. O próprio corpo se encarrega de “expulsar” fetos com problemas graves, é parte da “selecção natural” de Darwin, a não-sobrevivência dos fracos, dos inviáveis.

Logo, segundo a moralidade dos “nãos” (que confundem um ser humano com um aglomerado de células que é um potencial ser humano), quase todas as mulheres com vida sexual são “mass murderers” e nem o sabem…

Depois, quero mostrar um post que considero ser totalmente ridículo. Vem de um partido americano, “America First Party”, que é basicamente mais republicano do que os Republicanos. O post chama-se… wait for it… Abortion Leads to Nuclear War. Sim, parece que a Madre Teresa (que pode ter sido muitas coisas, mas não era, de certeza, uma pessoa inteligente ou culta - ou então era muito mentirosa, porque sem dúvida dizia grandes disparates) disse algo desse género, e os fanáticos de todo o mundo pegam nisso. Portanto, já sabem - não querem ver cogumelos enormes no horizonte, não abortem. Ah, e…

It is abhorrent that abortion supporters choose to hide behind the term ‘choice’ to mask their goal of destroying unborn children and promoting immoral behavior without responsibility

Destruir crianças! Que horror! Que tipo de monstro desumano e cruel quereria alguma vez fazer tal acto hediondo? :shock:

É claro que as coisas não são bem assim. Sugiro-vos esta alternativa… deixem se ser um aglomerado irracional e disforme de emoções, e sejam humanos: pensem um pouco. Como este post, em resposta ao comunicado anterior, diz,

nuclear bombs have been used once in war, and I seriously doubt the bombing of Hiroshima and Nagasaki had anything to do with abortion, considering it wasn’t legal in the US in 1945.

E, em resposta à idiotice de “destruir crianças” citada anteriormente,

Let me tell you right now, no one wants to destroy children. It’s just that sometimes an abortion is the only option a mother may have to keep from ruining her life or the lives of her future children. Life is not always fair or simple. That’s the way it is. I wish we could all live in a dream world of magic, but we don’t, and trying to legislate it into reality won’t make it so.

Não teria dito melhor.

Aborto e sofrimento

Em resposta aos vários comentários em Aborto e Controlo:

Um feto não é um ser humano, é um potencial ser humano. Pô-lo acima de um ser humano VIVO, que pensa e sente, é absurdo.

E é curioso que já mencionei isso no outro post várias vezes, mas nenhum dos pró-nãos comenta: e a questão do sofrimento? A questão de estarem a condenar, muitas vezes, tanto a mãe como a eventual criança a uma vida de dor, sofrimento e tristeza? Isso não vos incomoda, pois não? Serem “protectores da vida” faz-vos sentir muito heróicos, muito morais, e estão-se nas tintas para o resto.

“Vida” é muito mais do que um coração estar a bombear sangue. Mas para vocês, só isso é que conta.

Mais uma vez: não querem abortar? Não abortem. Mas deixem os outros em paz.

Gente como vocês já atrasou a medicina em séculos, por fazer com que autópsias fossem tabu. Já atrasou a ciência em séculos, por perseguir cientistas que afirmavam coisas contrárias à posição da igreja.

Gente como vocês tentou impedir o fim da escravatura há alguns séculos, porque na Bíblia esta é aceite como algo normal. Tentou impedir o uso de anestesia no parto, porque a dor do mesmo era suposto ser o castigo de Deus a Eva e descendentes.

Gente como vocês tem feito com que gerações após gerações, em países mais pobres, vivam em fome e miséria, devido à condenação do uso de contraceptivos. Tem impedido que se cure doenças como a de Parkinson, porque isso envolve tipos de pesquisa que ofendem as vossas susceptibilidades.

E agora não têm nenhum problema em condenar mulheres e crianças a vidas inteiras de sofrimento, só por causa de “slogans” retrógrados que têm nas cabecinhas sem realmente terem alguma vez pensado no assunto.

A sério, deixem o mundo em paz. Já provocaram mal que chegue.

Que super-vilão sou eu?

Infinitamente mais interessante do que indagar-me “qual super-herói”. :)

Your results:
You are Dr. Doom

Dr. Doom
66%
Apocalypse
64%
Lex Luthor
56%
Magneto
49%
Poison Ivy
49%
Dark Phoenix
46%
Green Goblin
45%
Mr. Freeze
43%
The Joker
41%
Mystique
41%
Juggernaut
41%
Catwoman
35%
Kingpin
32%
Venom
31%
Riddler
26%
Two-Face
17%
Blessed with smarts and power but burdened by vanity.
Dr. Doom

Click here to take the
Supervillain Personality Quiz

Multados por cumprir a lei? Os ridículos limites de velocidade

Há anos (basicamente, desde que comecei a conduzir) que digo que os limites de velocidades em Portugal são absolutamente ridículos, e que toda a gente é obrigada a desrespeitá-los, caso contrário o trânsito não andava. Que esses limites foram calculados há décadas, quando os carros eram muito menos seguros, era muito mais fácil (ou pelo menos mais barato) tirar a carta, e que são, de qualquer forma, “estimativas conservadoras” para abranger tanto os bons condutores como aqueles que nunca na vida se deviam aproximar de um volante (então porque é que os deixam conduzir?).

Existem sítios em Lisboa, por exemplo, que são rectas enormes, com 3 faixas para cada lado, e separadas no meio por uma barreira. O limite? 50 km/h. Alguém anda a essa velocidade? Uma vez experimentei, e parecia que estava parado em relação aos outros carros. No entanto, a polícia pode (e às vezes fá-lo) multar quem quiser… o limite é tão ridiculamente baixo que ninguém o segue, obviamente, logo 100% dos condutores ali está a quebrar a lei.

Bem, um tipo no Canadá obviamente concorda comigo, e fez uma experiência: ele e um amigo andaram, durante algum tempo, numa auto-estrada com 2 faixas para cada lado, lado a lado, exactamente no limite de velocidade.

O resultado? Provocaram uma fila enorme atrás deles, e foram multados… por cumprir a lei!

Obviamente, o que eles quiseram com isto foi sensibilizar as pessoas para como os limites são estupidamente baixos… mas não, as reacções continuam a ser “queres é conduzir à maluca”, “se os limites subirem, vai haver mais acidentes”, e parvoíces semelhantes. Porque as pessoas são incapazes de pensar e argumentar… e por isso fazem apelos idiotas para a emoção (“pensem nas criancinhas!!!”).






Bad Behavior has blocked 1176 access attempts in the last 7 days.

Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Portugal
Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.5 Portugal