Aborto e sofrimento

Em resposta aos vários comentários em Aborto e Controlo:

Um feto não é um ser humano, é um potencial ser humano. Pô-lo acima de um ser humano VIVO, que pensa e sente, é absurdo.

E é curioso que já mencionei isso no outro post várias vezes, mas nenhum dos pró-nãos comenta: e a questão do sofrimento? A questão de estarem a condenar, muitas vezes, tanto a mãe como a eventual criança a uma vida de dor, sofrimento e tristeza? Isso não vos incomoda, pois não? Serem “protectores da vida” faz-vos sentir muito heróicos, muito morais, e estão-se nas tintas para o resto.

“Vida” é muito mais do que um coração estar a bombear sangue. Mas para vocês, só isso é que conta.

Mais uma vez: não querem abortar? Não abortem. Mas deixem os outros em paz.

Gente como vocês já atrasou a medicina em séculos, por fazer com que autópsias fossem tabu. Já atrasou a ciência em séculos, por perseguir cientistas que afirmavam coisas contrárias à posição da igreja.

Gente como vocês tentou impedir o fim da escravatura há alguns séculos, porque na Bíblia esta é aceite como algo normal. Tentou impedir o uso de anestesia no parto, porque a dor do mesmo era suposto ser o castigo de Deus a Eva e descendentes.

Gente como vocês tem feito com que gerações após gerações, em países mais pobres, vivam em fome e miséria, devido à condenação do uso de contraceptivos. Tem impedido que se cure doenças como a de Parkinson, porque isso envolve tipos de pesquisa que ofendem as vossas susceptibilidades.

E agora não têm nenhum problema em condenar mulheres e crianças a vidas inteiras de sofrimento, só por causa de “slogans” retrógrados que têm nas cabecinhas sem realmente terem alguma vez pensado no assunto.

A sério, deixem o mundo em paz. Já provocaram mal que chegue.

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11 Comentários a “Aborto e sofrimento”

  1. A sério Pedro, tu és um preconceituoso do caraças.. gostas de te assumir muito moderno, muito aberto, mas depois generalizas e pões todos os que não têm a mesma opinião que tu com uma etiqueta na testa a dizer retrógados..

    Este teu post não tem ponta por onde se lhe pegue!

  2. Ou não achaste a ponta. 🙂 Noto que não respondes a nada concreto, e preferes insultar. Da mesma forma que, no outro post sobre os limites de velocidade, ignoraste todo o post em si, tiraste uma conclusão errada, e atacaste-me por causa da mesma.

    Sou um “preconceituoso” porque vejos os paralelos entre os “nãos” e os casos que citei? Repara, todos os exemplos que eu dei também não se achavam retrógrados na altura… pelo contrário, achavam-se grandes “defensores da moralidade”. Mas, no fim, só fizeram mal à humanidade, e causaram o sofrimento desnecessário de milhões de seres humanos.

    E, mais uma vez, és capaz de responder à questão do sofrimento? Importas-te minimamente com o que uma mulher que seja impedida de abortar sofra? Com o que a criança, cuja mãe não a desejou e não tem condições, sofra? Com o risco de vida que a mulher corre se recorrer a um aborto de forma ilegal, por não ter dinheiro para ir a Espanha?

    É que todos os “nãos” que vejo estão-se nas tintas para isso. “Somos defensores da vida”, isso soa muito bem, sentimo-nos muito bem connosco próprios, e o resto não interessa.

  3. Samuel diz:

    O que é que é um ser humano? Quando é que um feto se torna um ser humano? Repito a pergunta porque não perguntei se um feto de 10 semanas era um ser humano ou um ser em potencial.
    Por outro lado para quem apontou tantos defeitos aos Estados Unidos(os quais subscrevo!) é notória a ausência de referência ao infanticídio que é legal em alguns estados. É verdade que por acordo dos pais é possível negar terapia a um bebé atrasado mental ou com alguma deficiência (a alimentação também se inclui na terapia), ou seja, é possível deixar de morrer à fome um recém-nascido que sofre de atraso mental ou é portador de deficiência. Será que os pro-aborto são a favor disto?…
    Para terminar, continuo a não perceber porque é continuas a descarregar a tua raiva contra a igreja ao debater este assunto quando não me recordo de ler nenhum comentário que se referisse à igreja ou utilizasse qualquer argumento teológico ou algo afim… todos esses sentimentos recalcados talvez tenham uma razão de ser mas não creio que se possam aplicar a esta discussão; não é a igreja ou o seu passado que está em debate mas sim o aborto!

  4. Samuel: a questão não é se vem da igreja (se bem que ainda acho que aqui há uma ligação; será coincidência que são os países mais católicos, como Portugal e a Grécia, dos poucos em que ainda há estas leis medievais?), é que, na minha opinião, o tipo de mentalidades que provocou todos os males e todo o sofrimento que mencionei é exactamente o mesmo tipo que agora se opõe ao aborto a todo o custo.

    Somos “defensores da vida”, mas estamo-nos nas tintas para o sofrimento que causamos. Foi isso nos outros casos, e é isso agora.

    Despenalizar o aborto não vai fazer com que as pessoas possam “levianamente” passar a usar o aborto como método contraceptivo (“não precisas de usar preservativo, eu aborto daqui a uns meses”). Vai, sim, fazer com que quem quer abortar (por algum acidente, e/ou por não poder dar à criança uma vida decente) o possa fazer em condições, em segurança, sem humilhações e sem medo.

    Abortar não é divertido para nenhuma mulher…

  5. velvetsatine diz:

    A questão nem são os argumentos, mas impregnas os teus textos de tal violência que se torna realmente assustador. 🙁

  6. [quote comment=”19587″]A questão nem são os argumentos, mas impregnas os teus textos de tal violência que se torna realmente assustador. :([/quote]

    Ah, tinha-me esquecido… por muito importante que seja a questão, tenho de me manter completamente indiferente à mesma, para dar um ar de muito “adulto”. Esqueci-me. Sorry.

    Agora a sério… não, não vou ficar indiferente. Não vou ter papas na língua. Não vou ser politicamente correcto. Para mim, quem vota “não” é, no mínimo, completamente estúpido, cego e ignorante, e, muito provavelmente, absolutamente diabólico, e responsável pelo sofrimento de milhares (caso o “sim” não triunfe, de forma a nos libertar da Idade Média). Não vou mais ser “soft”, desculpem.

    Eu sei que quem quer que vota “não” é alguém que desligou o cérebro há muito tempo, e por isso não vai ser afectado pelo que ler num blog como este, mas, por outro lado, também não vou deixar de dizer o que penso. Se alguém se ofende, há imensos outros blogs de quem não questiona nada, não pensa, não leva as ideias ao limite, e, apesar de se achar muito moral, se está nas tintas para o sofrimento dos outros. Eu não sou assim. Não sou um herói… simplesmente, não separo a moralidade do sofrimento.

  7. velvetsatine diz:

    Agora estás a desconversar. Vai aqui a este link e repara na diferença de tom. É também de uma pessoa pelo SIM e, já agora, ficas também a saber que eu também sou pelo SIM.

  8. [quote comment=”19590″]Agora estás a desconversar. Vai aqui a este link e repara na diferença de tom. É também de uma pessoa pelo SIM e, já agora, ficas também a saber que eu também sou pelo SIM.[/quote]

    Diz-me, please, em que é que estou a desconversar…

  9. Samuel diz:

    Caro Pedro: continuo a achar curioso responderes às minhas afirmações e não às minhas perguntas mas mantenho-me esperançoso por saber a tua opinião!
    Em segundo lugar, não consigo perceber a forma tão violenta como classificas todos os apoiantes do “não”, como se fossem todos fundamentalistas, sobretudo quando tu próprio és um radical, mas do “sim”. Lembra-te que todos os sentimentos negativos que te suscitam as opiniões dos anti-aborto são precisamente os mesmos que sentem estes ao lerem os teus comentários. A opinião acerca deste tema não resulta apenas de uma reflexão profundamente lógica mas, tal como a maioria das opiniões, tem uma forte componente emocional, e a emoção advém de um contacto mais pessoal com uma realidade particular. O que quero dizer é que a maioria das pessoas tem uma opinião formada de uma forma algo intuitiva e emocional e quando são confrontadas com a posição contrária sentem-se impelidas a defender as suas ideias a todo o custo acabando por utilizar argumentos algo demagógicos. Tens razão quando afirmas que uma mulher não aborta de ânimo leve (não obstante, uma pequena minoria fá-lo e até se vangloria do seu número de abortos), contudo, o ânimo ou as dúvidas com que se faz um aborto não altera ou anula o acto em si. A frieza ou o nervosismo que eu possa ter ao disparar uma arma contra uma pessoa não altera o facto de estar a cometer um homicídio.
    Mas deixemo-nos esta discussão e centremo-nos no essencial. A maioria das pessoas não está na posse de todos os factos para poder formar a sua opinião e continuo a acreditar que há muito a ilucidar.

  10. O teu post não é sobre o sofrimento. O teu post é que é um insulto a todas as pessoas que têm uma opinião diferente da tua. Tu generalizas e achas que todos os que vão votar não são retrógados religiosos. Dessa forma eu nunca poderei discutir o assunto contigo.

    E acho piada que como eu acusei o teu post, tu assumiste imediatamente que eu era um dos do ‘não’. Eu nunca manifestei aqui a minha opinião sobre o aborto, apenas sobre a forma como tu abordas o tema que é com palas nos olhos. Aliás acho que tens vindo a colocar cada vez as palas mais apertadas.. O meu interesse neste blog desapareceu… ainda tinha alguma esperança, mas acho que se foi mesmo.

    é menos uma feed no leitor.

  11. :::::: diz:

    poseste uma questao no inicio que eu gostei e que vou repetir
    : A questão de estarem a condenar, muitas vezes, tanto a mãe como a eventual criança a uma vida de dor, sofrimento e tristeza? Isso não vos incomoda
    deixame responder incomoda
    nao nao sei de ti mas eu ao menos gostava de ter uma oportunidade de exprimentar a vida
    tenho 10 anos e digo te nao os trocava pela morte!!!