Archive for February, 2007

20070221

Mais um grande título! :)

Não escrevi na última semana aqui, e há uma razão para isso. Bem, uma combinação de razões, para ser exacto.

Primeiro, estive doente. Nada de especial, só uma gripe. Já estou bem, actualmente, se bem que ainda estou com alguma tosse. Como a minha vida presente tende a ser relativamente caseira, estas coisas não são um grande problema, mas é um facto que afectam uma pessoa…

Segundo, passei parte do dia de anteontem, a totalidade do dia de ontem, e ainda parte da manhã de hoje a tratar da mudança do servidor. Andava com uns crashes estranhos no mesmo, que ainda desconfio estarem relacionados com o hardware, mas, para tirar isso a limpo, resolvi mudar completamente o software. Assim, se voltar a acontecer, não restarão dúvidas (mas espero que não aconteça, porque não me apetece nada estar a gastar dinheiro em hardware, neste momento).

Tudo isto deu trabalho, e foi cansativo… mas acho que o pior já passou. De qualquer forma, sim, foi maioritariamente por isso que tem havido falta de posts, tanto aqui como nos outros.

Oitenta e cinco

Só para ficar registado. :)

Nova Fronteira

Para variar um pouco do tema dos últimos posts… :)

Depois de terminar a minha 4ª leitura do Atlas Shrugged, comecei há dias a ler uma série, Star Trek: New Frontier, do grande, magnífico, incomparável Peter David.

Star Trek: New Frontier

Dizer que “estou a adorar” parece um pouco banal e previsível, mas é a verdade. Os livros são “page turners”; para quem não conhece o termo, são livros difíceis de largar, porque cada página é fascinante, e a página seguinte promete, sempre, sê-lo ainda mais. São livros acessíveis, mas ao mesmo tempo inteligentes, sem insultar o leitor de alguma forma. São livros que podem ser lidos por quem não conheça nada de Star Trek, mas ao mesmo tempo têm montes de “bónus” para quem, efectivamente, conheça. E têm um sentido de humor inteligente que… bem… é Peter David. :)

São mais “adultos” (e não me refiro aqui a violência e sexo, se bem que também parece haver um pouco mais de ambos) do que o normal em Star Trek, mas para quem prefere a Next Generation e o Deep Space 9 às séries que se seguiram, será perfeito.

Eu recomendaria estes livros até mesmo a quem não conhece nada de Star Trek, mas não sou uma celebridade, e não estou a ver as “multidões” de leitores a seguirem um conselho meu. Bem, quando for famoso, posso-vos mostrar este post como prova de como não me ligaram até, efectivamente, ser famoso, seus ingratos cegos. :D

Referendos, democracia e controlo

Já outros o disseram (e não podia recomendar mais a leitura desse post, que considero brilhante), e eu próprio já o mencionei no primeiro post sobre o aborto, mas acho que isso merece ser frisado mais uma vez, e expandido: não deveria haver referendo.

O problema de um referendo como este é o problema da democracia directa em geral: é uma ditadura da maioria. Se não há um conjunto de direitos individuais inalienáveis, e completamente acima da “vontade do povo”, então existe um problema: uma maioria pode “sacrificar” uma minoria.

O post para o qual linkei acima dá um bom exemplo: as praias de nudismo. A maior parte das pessoas no país (incluindo eu próprio) não faz nudismo quando vai à praia; logo, o que aconteceria se se fizesse um referendo nesse sentido, de forma a aplicar uma lei ao país inteiro? É certo que haveria alguns “ajuizados” que, mesmo sem o praticarem, votariam para que este não fosse totalmente proibido, mas acredito que, mesmo assim, o “não” ganharia. A maioria que é contra o nudismo (ao contrário de simplesmente não o praticar) está em maior número do que a soma dos que o querem praticar e dos que não o praticam mas não querem impor a sua moralidade a outros. Assim sendo, não haveria praias reservadas para nudistas; simplesmente, seria proibido, e quem quer que o praticasse estaria sujeito a multas ou prisão.

Democrático? Sim. Injusto? Sem dúvida. E é por isso que, em vez de se fazer um referendo, se definiu praias especialmente para nudistas. Provavelmente ainda há uns moralistas que acham que qualquer tipo de nudismo público, seja onde for, é “pecaminoso”, e que se sentem incomodados por saberem que alguém, em algum lado, está nu numa praia (nem que seja a 300 km dali) mas não podem fazer nada a respeito disso.

Um outro exemplo: a maior parte dos países árabes, acreditem ou não, tem governantes bem mais liberais do que o povo dessas mesmas nações. Se num país como a Arábia Saudita, Síria, Irão, etc., se fizesse um referendo em relação aos direitos das mulheres, elas ficariam muito pior do que estão actualmente (o que já é bem mau). Ou se houvesse um referendo relativamente ao que fazer aos “infiéis”, em breve os apedrejamentos estariam legislados (não apenas permitidos, mas obrigatórios). O povo é mais fanático e mais brutal do que os governantes. Se houvesse “democracia” total, haveria muito menos justiça e muito menos liberdade. A maioria esmagaria as minorias.

Tal como disse Larry Flynt, uma democracia que esteja acima dos direitos individuais é o equivalente a três lobos e uma ovelha a votar sobre o que vai ser o jantar.

O caso actual é mais do mesmo. Não deveria haver referendo, porque este acaba por dar poder a um grupo a querer controlar o que os outros podem ou não fazer, violando assim os seus direitos individuais — e esse grupo é suficientemente grande para o conseguir “democraticamente”. E, por isso, o facto de haver este referendo é de uma cobardia tremenda da parte do PS, que tem maioria absoluta e é, supostamente, a favor do “sim”. Não se trata de “o povo decidir”; há direitos individuais que devem estar acima da vontade do povo, e que não estão a ser respeitados. E qualquer governo que se preze deveria ter como papel principal proteger esses direitos.

Um governo que não o faça… não serve para nada.






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