Lógica à Portuguesa

Pensem numa auto-estrada cujo limite de velocidade é 120.

Certo dia, um maluco vai nessa estrada a 200, e provoca um acidente com vários carros, incluindo uma carrinha cheia de crianças (para os media pegarem a sério na história). Celebridades e políticos são entrevistados, bem como pessoas comuns na rua, e o consenso geral aponta para uma medida: reduzir os limites de velocidade, para os carros andarem mais devagar e haver menos acidentes.

Pergunta: baixar o limite dessa estrada de 120 para 100 (quando o acidente foi provocado por alguém a 200), ou mesmo 80, vai de alguma forma torná-la mais segura?

É claro que não!… e nem vos vou insultar explicando-vos o porquê. Mas o português típico parece achar que sim, e ainda vive na ilusão parva de que reduzir os limites de velocidade (que já são baixos) contribui para a diminuição dos acidentes.

Newsflash: o que causa acidentes não é andar-se a 120 numa recta com 3 faixas para cada lado e separador central. É, sim, a falta de civismo (“não vou deixar este passar”), de maturidade, de habilidade (ainda acho que nem toda a gente tem a coordenação necessária para conduzir um automóvel, e as aulas de condução deviam filtrar quem não a tem, em vez de terem medo de acusações de “elitismo”)… e, sim, aqueles que andam a 200 ou mais, e muitas vezes a fazer “habiildades de circo”, a exibir o seu tuning, e alcoolizados (e refiro-me a alcoolizados a sério, não apenas a ter bebido uma cerveja).

Os actuais radares em Lisboa são nojentos. Os limites são absurdamente baixos (50 km/h no prolongamento da Av. Estados Unidos, que tem 2 faixas para cada lado? nota-se que esta gente anda de limusina, e não tem qualquer noção…), a tolerância é quase inexistente, os lucros das multas têm sido brutais (o que é uma forma de roubar as pessoas — porque não reduzirem para 20 km/h, e facturar ainda mais?).

O triste disto tudo é que, se alguém se queixa, vêm logo as tias (que não conduzem) guinchar “ah, tu queres é andar a fazer fórmula 1”. Não. Não quero anular os limites, quero é que eles sejam razoáveis e façam sentido, em vez de serem arbitrários, de forma a multar o maior número de gente possível. Quero que a polícia volte a fazer o seu trabalho e vá atrás de quem realmente põe os outros em perigo, em vez de multarem (agora até de forma automática!) quem passa de um limite definido arbitrariamente por algum burocrata ou político que obviamente não conduz o seu próprio carro e nem tem noção do que é andar a 50 km/h.

Quero que as estradas portuguesas sejam seguras porque os condutores sem civismo são punidos, não porque elas se transformam num estado policial em que uma pessoa até começa a ter medo de circular.

E fico-me por aqui. Discordem à vontade, dando as vossas razões, mas acusações de “só queres andar a fazer rali” e “por causa de gente como tu é que morre tanta gente na estrada”, que demonstram claramente que não leram o post, serão apagadas. Já tolerei isso noutro post há meses, e não foi nada boa ideia.

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2 Comentários a “Lógica à Portuguesa”

  1. Fabio diz:

    Pedro,
    O que mais me causa indignação é que se isso acontece aqui no Brasil, diz-se que é porque é um país de terceiro mundo. E o pior ainda é que em países mais desenvolvidos, tal qual Portugal, isso também acontece. Pessoas morrem todos os dias, ninguém faz nada e as pessoas não veêm que são elas as responsáveis por acidentes, seja por imprudência ou pura falta de responsabilidade. Engraçado tu falar sobre isso, dias atrás escrevi um artigo justamente sobre isso. Em duas semanas, indo para o trabalho, tive o desprazer de assistir à três acidentes. E quase um quarto.

    Abraços.

  2. Carla diz:

    Bem… talvez a notícia que o prolongamento da Av. dos EUA que referes já foi revisto te interesse 🙂
    Foi alterado de 50 para 80 quilómetros por hora desde as 00h00 de dia 21 de Setembro.

    Já agora, existe uma petição disponível na Internet que solicitou a alteração da velocidade em algumas vias para 80 quilómetros/hora, que já reuniu mais de 10 mil assinaturas.

    http://www.petitiononline.com/dotecome/petition.html

    Aos poucos se consegue as coisas… além do mais, isto vai fazer com que os tribunais de Lisboa rebentem pelas costuras. Ao ritmo a que isto vai, uma média de três mil infracções por dia!

    E ainda: se alterarem os limites, quem foi apanhado antes, beneficia do princípio da lei mais favorável 🙂 portanto… não tenhas pressa de ir levantar cartinhas aos correios 😉

    beijinhos
    Carla