Quando não desculpar os outros

A maior parte das pessoas aprende exactamente como os cães: através de reforços positivos ou negativos, ou seja, de consequências agradáveis ou desagradáveis para as suas acções. Idealmente, isto não seria assim, e as pessoas teriam empatia, ética e racionalidade suficientes para perceber que uma atitude é errada mesmo que as consequências imediatas sejam positivas — como, por exemplo, ao roubar alguém. Mas tal não acontece. Se uma pessoa faz algo “mau”, como causar sofrimento a outros, e é “recompensada” por isso, fará o mesmo ou pior no futuro. E não falo de casos patológicos extremos, mas da generalidade das pessoas.

Por outras palavras, se alguém te trata mal e tu deixas passar, a pessoa tratar-te-á ainda pior no futuro. Não vale a pena pensares que a pessoa, “magicamente”, se vai aperceber do seu erro. Isso é coisa de contos de fadas. Se a pessoa for minimamente normal — e, mais uma vez, não me refiro a uma pessoa anormalmente cruel ou autista —, vai inconscientemente ser “treinada” para o facto de que as coisas correm bem — ou, pelo menos, não há consequências indesejáveis — ao magoar-te, ao fazer-te mal, ou ao usar-te de alguma forma.

Isto tudo para dizer que, muitas vezes, perdoar os outros não é uma coisa boa. Porque ao fazê-lo só estás a “treiná-los” para te continuarem a magoar impunemente.

Oh, claro, perdoa alguém que erra, se apercebe disso, o admite, e faz por corrigir o seu erro. Sem dúvida. Não estou a falar desses casos. O que eu sugiro é isto: não perdoes quem te fere e não se apercebe minimamente de que fez uma coisa errada. Mesmo se a confrontares com isso, mesmo se falares com ela, vai recusar-se a ver, porque o que aprendeu, aquilo para que foi “treinada”, é precisamente o oposto do que lhe estás a tentar dizer.

Essa pessoa claramente não aprendeu — ou “aprendeu” precisamente a coisa errada —, não vai aprender, e é alguém que, se tiveres alguma auto-estima, não deves desejar que continue na tua vida.

Talvez um dia essa pessoa abra os olhos, aprenda, e mude a sua atitude. Mas não esperes sentado.

E, sim, eu falo por experiência própria, porque a minha tendência é sempre desculpar os outros, deixar passar, etc.. — e só me dei mal com isso. Aprender isto foi uma das lições mais difíceis da minha vida… mas mais vale tarde que nunca.

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