Pessoas que vêem certas escolhas que fazem como algo que as torna moralmente superiores às outras, quando as escolhas em questão não têm nada a ver com moralidade.
Exemplos:
- praticar nudismo na praia
- não ter sexo sem sentimentos ou uma relação assumida
- ser vegetariano1
- vestir-se de certa forma
- não sair à noite
- não consumir qualquer álcool
Repare-se, eu não estou a criticar qualquer dessas escolhas! Não é esse o tema do post. O que eu critico, e me irrita, é o facto de tratarem qualquer dessas escolhas como uma decisão moral, que os torna moralmente superiores a quem não a toma, quando nenhuma dessas decisões tem alguma coisa a ver com moralidade.
Afinal, não há crimes sem vítima.
Se praticas nudismo, é porque te sentes bem. Óptimo para ti. Não há nada de errado em fazê-lo. Mas achares que o nudismo te torna moralmente superior aos não-nudistas é absurdo. O mesmo para os outros exemplos. Só tens sexo num relacionamento? É contigo; ages assim porque te faz sentir bem. Mas não és, de maneira nenhuma, moralmente superior a quem faz sexo casual, que é algo feito consensualmente entre adultos e não faz ninguém sofrer de forma alguma2. A moralidade não pode ser separada do sofrimento (mais uma vez, a história dos crimes sem vítima).
OK, este foi comprido.
- este pode ser uma excepção, se a consideração for o sofrimento dos animais criados para consumo, mas muitas vezes a razão não é esta — e se fosse, então não se teria problemas em consumir um animal criado em condições decentes, e morto sem sofrimento, e aí já não se seria “vegetariano” anyway [↩]
- excepto no caso de se estar a trair alguém; isso é imoral porque é desonesto e causa sofrimento à pessoa enganada, não pelo sexo em si. Fingir sentimentos não existentes para levar a outra pessoa para a cama também é imoral, e pelas mesmas razões [↩]
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Para não dizerem que estou a “implicar” com coisas de que não gosto, um exemplo em que isso asseguradamente não é o caso: relações abertas, em que (ao contrário de uma amizade colorida) há sentimentos e uma relação assumida, mas se “brinca” por fora, sem ser às escondidas da outra pessoa.
É algo que pura e simplesmente não quero para mim; tenho as minhas razões, que não interessam para aqui. Não quero… mas não considero de forma alguma isso “imoral” ou “errado”. Nem vejo com piores olhos quem o faça.
O facto de eu não querer isso para mim não é, de forma alguma, um juízo de valor, e nem nunca me ouvirão dizer um disparate como “é para mim uma questão de princípios” relativamente a tal coisa.