Coisas que me irritam, parte 9

Condutores que não compreendem o conceito de “prioridade”.

“Prioridade”, no contexto da condução, é um conceito que só existe aplicado a um certo ponto no espaço e no tempo. Ou seja, no momento em que chegas a determinado sítio, caso haja mais alguém a chegar a esse sítio nesse momento, podes ter prioridade, ou pode o outro ter prioridade.

Assim sendo, num cruzamento sem sinais a afectar as regras (ex. um stop, ou um triângulo invertido, ou, naturalmente, um semáforo), dás prioridade a quem venha da direita nesse momento.

Numa passadeira, dás prioridade a peões que a estejam a atravessar nesse momento.

Não ficas à espera de que cheguem carros ao cruzamento. Não esperas numa passadeira que cheguem peões à mesma, de forma a estes passarem antes de ti.

Não fazes o ridículo de pensar algo como “vem lá alguém ao longe, deixa-me esperar aqui o tempo que for necessário para o deixar passar primeiro, já que ele tem prioridade”.

Então porque é que estou sempre a assistir a isto? Porque é que estou sempre a ser parado atrás de idiotas que, ao chegar a uma passadeira ou cruzamento, tinham tempo para passar 5 vezes, mas ficam ali pacientemente à espera, porque acham que “prioridade” significa “deixar passar alguém primeiro”?

Tal como, devido a tanto horror a velocidades excessivas, toda a gente é reticente em criticar quem anda tão devagar que prejudica o trânsito e possivelmente até a segurança na estrada, também, pelos vistos, com o trauma causado por tanta gente que nunca cede prioridade, ninguém critica quem estica o conceito da mesma a algo absurdo, que não beneficia quem teria prioridade (já que, mais uma vez, daria para passar antes de eles chegarem ao cruzamento ou passadeira), mas prejudica toda a gente atrás.

E, não sei porquê, acho que devia bloquear os comentários neste post. Mas vou ser ingénuosimpático…

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4 Comentários a “Coisas que me irritam, parte 9”

  1. Susana diz:

    E depois há atropelamentos em passadeiras… Been there, done that! 😀

    • Eu dou prioridade a toda a gente que tenha um pé na passadeira. Em geral até sou simpático e espero por quem está a dois passos dela e com claras intenções de fazer uso da mesma. Nunca atropelei nem estive perto de atropelar ninguém.

      O que não concordo é que se espere pela pessoa que nesse momento ainda é pouco mais do que um pontinho no horizonte, só porque se acha que “prioridade” implica sempre “deixar passar alguém primeiro”. O que parece ser o que muita gente entende pela palavra.

      • Susana diz:

        Nestes casos impera o bom senso.

        Mas quantas e quantas vezes (e passei a ter essa noção depois de levar a pantufada) estou eu claramente nas passadeiras e passa um carro, dois carros, três carros… Claramente, não é uma prioridade para eles deixarem-me passar em segurança.

        • Susana, eu não estou a dizer que não tens razão quanto a isso. O que essa gente faz é um abuso. A questão é que por vezes os abusos levam a demasiada tolerância em relação aos abusos opostos.

          É como o outro exemplo que eu dei. Há gente a andar a 200 e isso é sem dúvida mau; logo, se alguém anda a 30 na auto-estrada, isso é tolerado (apesar de ser ilegal e até perigoso), porque há um grande trauma com os referidos “aceleras”. Da mesma forma, se é criminoso não parar antes de uma passadeira quando alguém está a atravessar nela, também é absurdo parar e ficar à espera de que chegue alguém, mesmo que ainda venha longe.