“Desejo-te”

Imaginem que alguém vos diz isso… ou o equivalente, por outras palavras. O que é que isso vos faz sentir? Como é que reagem?

A minha reacção é sentir-me elogiado, lisonjeado. Posso estar interessado ou não, posso fazer alguma coisa (se não estiver numa relação) ou não, mas, de qualquer forma, nunca acharia isso ofensivo ou depreciativo. Ser desejado (independentemente do nosso desejo recíproco ou ausência do mesmo) é sempre um elogio que nos fazem, acho eu. “Atrais-me” é sempre melhor do que não me atrais”.

Então porque é que tanta gente – sobretudo, lamento dizer, do sexo feminino – leva a coisa como um insulto, uma ofensa? Porque é que tanta gente reage a uma expressão de desejo físico com pensamentos (e subsequentes reacções) do tipo: “ele só me quer pelo meu corpo”, “vê-me como um pedaço de carne”, “para ele só sirvo para isso”, “que tarado”, “deve pensar que eu sou dessas”, e muitas vezes coisas ainda piores?

Serei só eu a achar que o “desejo-te” não é um julgamento de valor, uma crítica ou um denegrir de nada da nossa personalidade, mas sim apenas um desejo de algo em nós? Será assim tão estranho não extrapolar o “gosto de C de ti” para “detesto o A e B em ti, só prestas pelo C”?

E porque é que as pessoas reagem a um elogio – às vezes um simples “és bonita” – como se fosse um insulto (“só te interessa o físico, é?”). Bem, eu imagino porquê. Mas continuo a achar absurdo.

3 Comentários a ““Desejo-te””

  1. Ana diz:

    Acho que, entre outras, é uma questão social.

    Por um lado, ainda acho que a maior parte das mulheres é educada com a “crença” de que vai haver de facto um Príncipe Encantado e que nos devemos guardar para ele…eu sei que pelo menos comigo foi assim (e não sou assim tão velha nem considero os meus “educadores” muito antiquados).Nunca mo disseram directamente mas ao falar de amor (e de sexo, porque não) havia a ideia implícita de que seria um e apenas um…o que nos levava a deduzir que se só havia um Príncipe Encantado então também só haveria um parceiro sexual…para quê ir para a cama com o Sapo?
    O que ninguém nos diz (e imaginando o meu futuro com filhos, em parte compreendo)é que sexo é mesmo bom e que desde que nenhum dos dois (ou três, quatro…)esteja a iludir e/ou a prejudicar esses mesmos ou outros não há porque não o fazer. E mais importante, o Príncipe Encantado vai aparecer na mesma, se tiver de ser, independentemente da lista de parceiros ter 0 ou 100 nomes.

    Por outro lado, somos seres sociais. Estabelecemos grande parte dos nossos relacionamentos com base no que vamos precisar da outra pessoa (amigo, colega de copos, companheiro de carteira, namorado) e o sexo ainda não surge nessa lista.
    O verbo “precisar” ainda não se conjuga com sexo…

    Mas é um tema com demasiadas camadas…há muitos factores que entram em jogo, especialmente quando menos esperamos.
    Posso “engatar” um tipo apenas com o intuito de o levar para a cama, mas algumas horas mais tarde o meu cérebro lembra-se de como é bom ter outro corpo na cama e como foi difícil ganhar coragem para me atirar ao tal tipo e como seria tudo mais fácil se ele quisesse fazer aquilo mais frequentemente, poupando-me o trabalho de ter de ir sair todas as noites, eventualmente ir ao cinema comigo porque estreou aquele filme tão porreiro e não vou ao cinema há tanto tempo porque detesto ir sozinha e vem aí o casamento daquela amiga e não me apetece nada que ela saiba que ainda estou solteira…*pausa para respirar* e quando damos conta, já agora, temos filhos com ele porque será difícil encontrar no tal bar outro tipo com traços tão interessantes…

    Somos complexos e temos muitas “peças” a funcionar ao mesmo tempo…está destinado a haver um curto-circuito de vez em quando.

  2. Ana diz:

    Simples.
    Atracção é associada ao físico por 99% da população (o que nunca esteve mais errado do que hoje em dia, caso contrário não haveria tanta gente a apaixonar-se online sem nunca ter visto o outro mais gordo ).
    Fisicamente, a expressão universal de desejo é o sexo.
    E sexo não se pratica com qualquer um…toda a gente sabe disso…duh!!!
    E o resto da minha “dissertação”/ explicação está no meu post anterior …. ( 😛 Deh)

  3. Ana, adorei as tuas respostas, mas acho que elas têm mais a ver com a questão “porque é que há tantos preconceitos contra o sexo” (parecida com aquela de o sexo ser porco), do que a questão no meu post. 🙂 (não te preocupes, até comigo isso às vezes acontece, ao comentar noutros blogs: começo a escrever um texto enorme e só depois é que leio melhor o “enunciado”… ahem… post, e vejo que a pergunta era sobre outra coisa… depois, como não quero desperdiçar o que escrevi, lá consigo dar a volta com um “bem, mas voltando ao tema original…”)

    A questão é: porque é que as pessoas reagem a uma demonstração de atracção e interesse físicos com um pensamento tipo “vê-me como um pedaço de carne”, quando, in my not so humble opinion, acaba por ser um elogio. Pode não ser o elogio que a pessoa quer ouvir, e, obviamente, a pessoa pode não estar minimamente interessada reciprocamente, mas nunca deixa de ser um elogio, não é nada “porco”, nem é uma implicação de “só serves para isto”. Acho eu.