Como lidar com literalistas bíblicos

Adorei este artigo.

Se por um lado não desejaria que tal praga entrasse no meu país (felizmente, parece ser um fenómeno Americano, pelo menos a versão Cristã – o caso do Islão é outra história), por outro lado quase que tenho pena de não encontrar uns por cá, e, como o autor do artigo fez, fazê-los passar por uma merecida humilhação em público. Afinal, se eles dizem que a Bíblia é 100% a palavra de Deus, sem excepções nem contradições…

Lucas 6:30, palavras de Jesus:

Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.

Curiosamente, não estou a ver nenhum líder evangélico a dar-me o seu avião particular, ou as suas limusinas, ou os biliões ganhos em dízimos, só porque eu lhe peça. Lá se foi o literalismo bíblico… 🙂

10 Comentários a “Como lidar com literalistas bíblicos”

  1. Mt 19,24:

    “Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.”

    • Mário, se vires isto — ou se qualquer outro Cristão aceitar o desafio — como é que reagirias se eu te pedisse tudo o que tu tens? Desobedecerias à palavra do suposto filho do criador do universo? Dirias que essa parte da Bíblia não é fiável (mas acreditando completamente noutras, à tua escolha)? Ou responderias que Jesus na verdade quis dizer que devias dar tudo num sentido “espiritual”, apesar de ser (para quem leia as palavras que lá estão, sem ideias preconcebidas) óbvio que não foi nesse sentido que ele supostamente o disse?

      P.S. – nada de desculpas tipo “mas tu és um ateu”. 🙂 Jesus não diz que essa ordem só é válida ao lidar com outros Cristãos; aliás, ele nunca menciona a palavra “Cristão”, isso é uma invenção muito posterior de Paulo.

      • Pedro,

        Em primeiro lugar, não te reconheço como o Messias enviado por Deus, seu Filho muito Amado e no qual colocou toda a sua Complacência.

        Portanto, não te daria nada 🙂

        Quanto ao ponto em si, não me parece que Jesus se estivesse a referir a bens materiais nesta parte.

        No que toca ao teu PS em que escreves: “Jesus não diz que essa ordem só é válida ao lidar com outros Cristãos”, Jesus nasceu tão Judeu como os restantes. Como bem sabes, muitos acreditaram ser ele o esperado Messias e nasceu o Cristianismo. Os que não acreditaram, ainda hoje continuam à espera do Messias e a serem… Judeus.

        — Mário Gamito

        • Não estás a perceber: Jesus claramente diz para dares a quem pedir. Sem condições. Não é para lhe darem a ele próprio. A “palavra do suposto filho do criador do universo” é a linha que citei, não é a minha. Não sou tão convencido. 😉

          E pelo contexto, acho que são bens materiais, sim. Aliás, se se ler os evangelhos — sobretudo os mais antigos, Marcos e Lucas — sem as tais ideias preconcebidas que a educação Cristã / Católica / etc. nos dá, acho que o que se vê é que aquilo que Jesus (se é que ele existiu) pregava é bem diferente do Cristianismo de Paulo… é mais um culto apocalíptico em que as pessoas eram instruídas a vender tudo e dar aos pobres, abandonar a família e seguir Jesus, porque o fim estava próximo (próximo as in “durante as vidas mortais dos presentes”). Claro que ninguém lê um evangelho sem já ter uma ideia do Cristianismo, e isso faz com que se interprete as coisas sob um ponto de vista completamente diferente do que lá está escrito.

          • “um culto apocalíptico em que as pessoas eram instruídas a vender tudo e dar aos pobres, abandonar a família e seguir Jesus, porque o fim estava próximo (próximo as in “durante as vidas mortais dos presentes”)”

            O que Jesus disse não foi nada disso nem está nos Evangelhos, embora esteja no Novo Testamento (ou Aliança mais correctamente). Estás a confundir os Livros.
            O que Ele disse foi que veio numa missão salvífica e que se o fim de alguém estaria próximo, seria o Seu próprio.

            E quanto a “[pessoas instruídas a] abandonar a família e seguir Jesus”, sim. Segundo os Evangelhos, Jesus terá dito isso mais do que uma vez. Exemplos:

            Mt 8,22
            “Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Segue-me e deixa os mortos sepultar os seus mortos.'”

            Mt 9,9
            “Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou-se e seguiu-o.”

            Mas parece-me que não terá obrigado ninguém.

            Já agora e estabelecendo um paralelismo se calhar um pouco desadequado, quantos “profetas” da desgraça não há nesta Internet que dizem aos inocentes “segue-me” ? E o que acontece depois a esses inocentes ?

            PS. Desculpa não te responder com a mesma profundidade com que o fazes, mas estar a trabalhar e comentar com pés e cabeça num blogue como este é algo complicado.

            • Alexandre diz:

              Mário,

              Ponto 1 – Eu creio 100% na Bíblia como Palavra inspirada por Deus.

              Ponto 2 – Não se deve pegar um texto fora de contexto para usar de pretexto. O Contexto é o seguinte:

              7 Mas a vós que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
              28 bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
              29 Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica.
              30 Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.
              31 Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também.
              32 Se amardes aos que vos amam, que mérito há nisso? Pois também os pecadores amam aos que os amam.

              O que Jesus está ensinando é que devemos nos desprender do amor aos bens materiais e amar-mos uns aos outros, ainda que isto lhe custe alguma coisa. Tome cuidado com suas opiniões formadas, pois há muitos que ainda não entendem o evangelho e ficariam desnorteados com frases como estas que os senhor usa. No amor de Cristo. Alexandre

              • Infelizmente, o Mário não vai ver esse comentário. 🙁

                O “fora de contexto” e o “o que Jesus está ensinando é” são sempre formas convenientes de explicar atrocidades, coisas absurdas e, claro, contradições; é só dizer “ah, o que isto quer dizer não é o que lá está escrito literalmente; é, sim, isto…”, sendo “isto” o que nos convém nesse momento.

                Eu mantenho a minha interpretação: Jesus não se refere apenas a não nos apegarmos a bens materiais, mas a realmente dar a alguém tudo o que nos peçam, já que o fim do mundo está próximo e não vamos precisar de nada. “Vendam tudo e sigam-me”, dito noutra parte, também não é um eufemismo, é literalmente o que um líder de um culto apocalíptico que espera o fim do mundo no seu tempo de vida diria aos seus discípulos. É a tradição das igrejas Cristãs que impede os crentes de ver isso desta forma, e que os faz, em vez disso, acreditar que Jesus estava, conscientemente, a criar uma religião para durar mais de 2000 anos.

                • Alexandre diz:

                  Caro Pedro,

                  Sinto muito pelo Mário…

                  Cara, Ele não disse para dar tudo, mas para dar a todo o que pedir, mas vc concorda comigo que devemos ser prudentes? Vc não vai dar tudo a todos, mas na medida do possível ajudar a todos, isso é mais coerente, pois Ele mesmo nos ensinou a multiplicar aquilo que vem as nossas mãos. Pedro, Jesus disse que veio para nos dar vida, e vida em abundância, abundância de dias, como espera que vivamos se sempre dermos tudo a todos? Eu creio que Ele está para voltar, e faço tudo para que isso aconteça logo, por isso estou envolvido com missões, pois Ele disse que viria quando todos os povos ouvissem falar do seu nome, para que a Palavra se cumpra quando diz que ninguém é indesculpável!!!

                  Se literal ou não eu não sei, mas o que sei é que o nosso Deus sonda os corações e pesa o espírito, então o que conta é a intenção… por isso não acredito quando dizem que de boas intenções o inferno está cheio, primeiro porque o inferno foi criado para o diabo e seus seguidores, o homem lá é um intruso…

                  Por último, Jesus não criou religião alguma, Ele nos ensinou um novo estilo de vida, de amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo…

                  No amor de Cristo..

                  Alexandre

                  • OK, é melhor pararmos por aqui; isto está a sair do tema original e a transformar-se em simples “pregar” religioso, o que aqui não pode ser. Até me pareces boa pessoa, se bem que estás obviamente iludido.

                    Eventualmente devo criar posts de “discussão geral” para se discutir estas coisas, mas, para já, preferia que os comentários se restringissem ao tema do post.