Pura cobardia

Crianças, não tentem isto em casa… ou na rua… ou na porta, com um pé na rua e outro em casa. Não só não resulta (e ainda bem), como faz de vocês uns manipuladores baratos… ou, melhor, uns wanna-bes de manipuladores baratos. E já vos disse que é bastante cobarde?

friends (xkcd)

Fonte: xkcd

9 Comentários a “Pura cobardia”

  1. “You’ll quietly revise your definition of love and try to be happy. And sometimes you will be.”

    Aaaaargh! 😡

  2. E a parte pior (eu não devia escrever estas coisas, ainda acabo no papel do “tio excêntrico” da família) é que eu já fiz — ou tentei fazer — parte disto no passado.

    Não a parte do fim do comic, em que o personagem masculino é totalmente “evil”, manipulador, e não está minimamente preocupado com a felicidade dela, mas talvez a parte inicial, em que ele, para não enfrentar a hipótese da rejeição de um avanço sincero (que não é o fim do mundo, afinal), prefere tornar-se o “melhor amigo” dela, dizer mal com ela dos tipos que a vão tratando mal, tornar-se “parte” da vida dela… na esperança de que ela um dia “veja a luz” e perceba que ele é que é o tipo perfeito para ela.

    Isso, obviamente (e ainda bem, de certa forma), é ficção científica.

  3. A atitude do gajo do cartoon é completamente errada.

    Embora isto seja uma situação relativamente típica, só acontece a homens que nunca tiveram uma companheira feminina e, por essa razão, não sabem as regras do jogo.

    Não há nada mais estúpido do que dizer ao sexo oposto “amo-te”…quero dizer, sem ser na altura certa :o)

    E, já agora, não se podem dar dicas a mais no início (caso contrário, isso só vai afastar a outra pessoa).

    Entretanto, a pessoa que tentamos conquistar não sabe como agir da melhor forma e vai dando “sinais confusos” (ou, pelo menos, assim os interpretamos)!

    Mas, no final, as bestas somos nós quando ficamos à espera e na esperança que elas acabem com aqueles namorados que as tratam mal ;o)

    É claro que, mesmo tendo muito respeito pela pessoa, só a tratamos infinitamente melhor do que esses maus namorados porque…gostamos da pessoa e a queremos impressionar!

    Hugz,
    Luís

    • Sem me querer armar em especialista em relacionamentos (basta olhar para a minha vida…), dá-me a impressão de que te contradizes um pouco entre o início e o fim do teu comentário. Ou então eu não entendi bem. 🙂

      Dizer “amo-te” a alguém que não o espera é, quase sempre, algo que não faz sentido, que só demonstra uma falta de vocabulário e/ou honestidade de quem o diz. O que a pessoa quer dizer é: estou interessado em ti. Fascinas-me. Atrais-me. É um “crush”. Um “click”. Uma paixoneta. Não tem nada a ver com “amor”, que, chamem-me antiquado, ainda acho que implica conhecer a outra pessoa. 🙂

      Como o personagem do comic diz, “I could ask you out”. Essa é a coisa certa a fazer. Inserir-se na vida da outra pessoa como “melhor amigo”, sem no fundo estar preocupado com ela, mas apenas para criar dependência da parte dela, para ela pensar “about how long it would take to make this connection again”, além de ser cobarde, além de ser wishful thinking em muitos casos (e ainda bem), é também manipulador e totalmente egoísta no que toca aos sentimentos dela. E, mesmo que resulte, não é amor. Do lado dela, para ser exacto, é conformar-se a viver sem amor: “todas as tentativas deram errado, logo vou viver com o meu melhor amigo. É confortável. É seguro. Não me volto a magoar, a sofrer por causa de ninguém.” É uma desistência. Infelizmente, isso acontece.

      Eu quero que a pessoa com quem passe o resto da vida seja a minha melhor amiga (e vice-versa), sem dúvida, mas não pode ser isso.

      Hmm, ando a divagar muito. Deve ser por estar a chegar a Primavera. 🙂

  4. oscar diz:

    concordo com o pedro e também ja fiz algo do género, não tendo a certeza do que a outra pessoa pensava, deixava-me ficar como amigo naquela de não perder tudo…
    Agora já não acontece tanto mas acho que isso tem muito a ver com o facto de elas se fazerem dificeis. Sinceramente não percebo porque se fazem dificeis quando estão interessadas ou porque simplesmente não o dizem ou dizem o contrário do que pensam/sentem. Quando se quer diz-se que se quer e pronto. Claro que depende do nivel de confiança com a pessoa mas acho que de modo geral devia ser assim.
    Quando digo que estou interessado e a outra pessoa diz que não está, “parto para outra”.
    Se ela, na realidade, estava interessada que dissesse que sim, não tenho de adivinhar, sabendo que eu a informei do meu interesse…

    Isto para não falar naquela de ter que ser sempre o rapaz a mostrar interesse. É a tal coisa, se ela não diz nada, um gajo não adivinha.

    • Oscar: sem dúvida que essa do fazerem-se difíceis é irritante. Mas infelizmente a sociedade educa-as assim: acham que se se mostram interessadas, a gente pensa que elas têm sido “fáceis” no passado para toda a gente, e perdemos o interesse (pelo menos para alguma coisa séria). É estúpido e machista… mas ao mesmo tempo compreensível, já que os homens também são machistas e realmente pensam coisas idiotas de alguma mulher que “não dê luta”. Não lhes passa pela cabeça que elas podem não ter estado interessadas na maioria dos outros, mas vêem qualquer coisa de especial neles.

      Logo, como os parvos estão em maioria, é preciso fazer uma coisa parva para conseguir alguém.

      Bem, tudo o que podemos fazer (tanto homens como mulheres) é remar contra a maré, fazer o que achamos certo (que espero que seja “não ser um(a) machista nojento/a”), e talvez dar o exemplo (que não será muito visto, mas pouco é melhor do que nada).

  5. amfreitas diz:

    Peço desculpa por meter a foice em seara alheia…

    Este cartoon é também manipulador. Não no assunto em si, mas nos objectos em questão! Que tal fazer a abordagem com uma pequena troca de sexos?? Não “soa” tão bem, pois não. Que estranho que ficou!

    PS: Parabéns Pedro Timóteo, há muito que andava afastado, mas continuas na mesma, o que é bom de aplaudir… o carácter das pessoas não muda com o vento!
    PSS: Ex-ONI se te lembras.?.?

    • Por acaso, custa-me a imaginar aquilo com os sexos trocados. Talvez porque a ideia que eu tenho é que hoje em dia as mulheres “mandam” nestas coisas. Não estou mesmo a ver uma mulher estar interessada num tipo e, em vez de mostrar esse interesse, inserir-se na vida dele como “melhor amiga”, para lhe fazer festas quando ele for maltratado pelas namoradas, até que um dia ele a veja com outros olhos… ou, pior, até que ele desista do amor e escolha passar o resto da vida com a melhor amiga por uma questão (cobarde) de conforto.

      Se já viram coisas dessas, digam-se. 🙂

      Obrigado pelo elogio, e, já agora, o “a” é de António, right? 🙂

      • amfreitas diz:

        A = António right!

        A posição / jogo da mulher é realmente diferente. Mas atenção é também manipuladora. A forma como recolhe a informação do objecto a caçar/dominar, é uma arte, parece que leram a Arte da Guerra, procuram conhecer o adversário/candidato…
        O homem é mais extrovertido (directo) sem tantos subterfúgios, assume uma posição de superioridade mental, usa e abusa manipula (enfim torna-se o “tolinho”).
        Valha-nos a descrição e o ar tonto (de propósito) que elas fazem para ver quem manipula quem!
        Quem caça e quem é caçado?? Acho que em alguns casos estão mesmo bem uns para os outros!