A estupidez e imoralidade do “pró-vida”

Cectic - "Loaded Guns"Fonte: Cectic

Via Maracujá, este artigo no Público capaz de provocar vómitos pela irracionalidade e, sim, imoralidade do grupo descrito. Porque o que é imoral não é a educação sexual, nem o próprio sexo, mas sim a tentativa de perpetuar a ignorância, sem ter quaisquer problemas com o sofrimento causado.

Por exemplo:

O movimento católico Portugal Pró-Vida não quer aulas obrigatórias de educação sexual nas escolas portuguesas, informou o presidente Luís Botelho Ribeiro. “A obrigatoriedade dos alunos frequentarem as aulas de educação sexual é anti-democrática e muito perigosa para a sociedade portuguesa”, referiu a mesma fonte.

E ainda:

Contra o aborto, o movimento assume uma nova “luta” contra a existência de aulas de educação sexual nas escolas e contra a obrigatoriedade da sua frequência.

Mas, ainda pior,

“As ideias e os ensinamentos que vão ser transmitidos aos estudantes vão fazer com que, daqui a poucos anos, tenhamos uma geração de portugueses para quem nada é proibido nem moral, nem eticamente”, frisou Luís Botelho Ribeiro.

E, claro,

“Nos manuais de educação sexual que já tivemos oportunidade de ver só se fala de sexo.”

Desculpem se ofendo alguém (se bem que quem se ofender com isto bem o merece), mas isto é nojento. Por um lado são absolutamente contra o aborto, mas por outro lado são também contra todas as alternativas ao mesmo: contraceptivos, sexo responsável, ou mesmo saber-se o que se está a fazer. E, claro, continuam a igualar a moralidade a um puritanismo retrógrado, anti-prazer e anti-vida (já que “vida” não é só um coração a bombear sangue). Não se percebe realmente qual é o objectivo desta gente, se bem que, se tentasse adivinhar, diria que é principalmente controlo. Ou, se calhar, não acham que o Inferno fictício em que acreditam seja suficiente, e querem recriá-lo na Terra.

4 Comentários a “A estupidez e imoralidade do “pró-vida””

  1. boas,

    esta é daquelas coisas pelas quais eu acho que o Estado não se tem de meter a regular tudo e mais alguma coisa.

    quem estupidifica os cidadãos é o Estado que acha que lhes pode impôr todas e mais algumas regras.

    • Viva,

      também não acho que o Estado deva ser baby-sitter do povo. Mas aqui vejo isto como um caso de educação básica. Isto faz tanto sentido como haver escolaridade obrigatória.

      Entre aprender e não aprender, conhecer e não conhecer, educar e não educar, deve-se sempre preferir a primeira. E é curioso como são sempre os fanáticos religiosos que estão do lado do “não aprender/conhecer/educar”.

      Repara também que quando se trata de proibir o aborto, eles não têm nenhum problema com o Estado meter-se onde não é chamado…

      • E, já agora, se sou a favor da educação, sou contra a indoctrinação. Indoctrinação é um livro da 4ª classe no Estado Novo dizer “Viva Salazar”. Não é o caso aqui. Aqui só se diz: “isto funciona assim”. Ser contra isso é ser a favor a ignorância, obscurantismo, e… guess what… controlo de informação. Típico desta gente…

  2. Marco diz:

    Muito bom post, a imagem é um espectáculo aplicada a esta situação. Que nenhum futuro governante português seja influenciado por este tipo de palas-nos-olhos da sociedade.