Mais Papa, mais preservativos, e mais comentários

O leitor CSousa deixou num post anterior meu um link para este post, com a sugestão de eu o ler. E porque não?

Primeiro, o autor do post fala da qualidade de Ratzinger / Bento 16 como teólogo. Já aí estamos perante um problema.

Deixem-me explicar a minha posição com um exemplo. Eu posso ser o maior fã do Homem-Aranha do mundo. Posso ler todas as comics existentes (e são milhares e milhares, desde os anos 60) várias vezes, posso ler dissertações filosóficas sobre o personagem, posso entrevistar o Stan Lee e o Steve Ditko, bem como alguns dos mais recentes argumentistas do personagem. Posso ir a convenções, juntar-me a clubes de fãs, escrever blogs, e passar todo o meu tempo livre a pensar no personagem, de forma a ter novos “insights” sobre ele e o que o faz vibrar. Posso tomar decisões no dia-a-dia pensando “o que é que o Homem-Aranha faria nesta situação?”. Posso, em resumo, conhecer o personagem tão bem ou melhor do que qualquer pessoa no planeta, ser o maior especialista nele ele à face da terra.

Isso faz o personagem existir? De forma alguma. E se eu afirmasse que ele existe, estaria completamente louco, exactamente como alguém que afirmasse isso sem conhecer quase nada dele. O meu conhecimento extremo de um personagem fictício não o torna real.

Teologia é exactamente a mesma coisa. É o estudo de algo fictício, inexistente. É uma não-ciência. O Papa pode ter passado a vida dele a pensar sobre a personalidade e desejos do Deus cristão; pode ter lido e entendido mais textos sobre o assunto do que qualquer outra pessoa. Pode passar anos da sua vida a rezar. Pode dedicar a vida inteira a isso. Mas isso não faz Deus passar a existir, e muito menos faz com que esse personagem fictício dê ao Papa algum conhecimento ou informação que os “mortais comuns” não têm.

Teologia, como alguém disse no passado, é um cego a procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá… e “encontrá-lo”.

Depois, vem aquilo que os defensores do Papa têm andado a dizer como desculpa: que ele não disse que o uso do preservativo agrava a epidemia da Sida, mas que é a sua distribuição que o faz. Desculpem lá, mas… estão a tentar usar a Chewbacca defense, ou quê? Essa distinção não faz qualquer diferença neste contexto; a distribuição dos preservativos tem como único objectivo o aumento do seu uso. De certeza que estes não são para fins decorativos…

A citação da “Dra.” é tão moralmente repugnante que dá vontade de nem lhe responder. É mais uma variante do NOMA (non-overlapping magisteria), a ideia de que a ciência e a religião não estão em conflito, porque a primeira se dedica ao “como” e a segunda ao “porquê”, sendo a moralidade o apanágio da segunda. Não vou entrar aqui em explicações detalhadas pelas quais isso é absurdo; digo-vos apenas isto: que autoridade tem a religião, sem qualquer “linha directa” para algum ser superior, e culpada das maiores atrocidades feitas em nome de “Deus”, para falar de moralidade? Nenhuma; e por isso a “moralidade” da mesma resume-se a 1) livros escritos há milhares de anos que aceitam a escravatura e afirmam a inferioridade e necessária submissão da mulher em relação ao homem, e 2) um conservadorismo abjecto e oposição a todo o progresso da sociedade.

Um cristão ou um membro de qualquer outra religião — ou mesmo um líder da mesma religião, como neste caso o Papa — não é um especialista em ética ou moralidade. A sua “moralidade” resume-se a tentar adivinhar os caprichos de um ser em que acredita apesar de não haver quaisquer indícios da sua existência, seja teorizando, seja lendo o que outros crentes nesse ser (não mais iluminados do que ele) escreveram. Querem moralidade, falem com filósofos focados na mesma, ou pensem por vocês próprios; não há nada a tirar da religião nesse aspecto (ou, o pouco que haja, não é nada do outro mundo e não é original deles: se pensam que “faz aos outros o que queres que te façam” teve origem em Jesus Cristo, estão completamente enganados).

Depois, há quem diga (não necessariamente naquele post, mas já vi o argumento por aí) que os preservativos não são 100% eficazes a prevenir a Sida, logo “não são solução” e mais vale estar quieto. Desculpem-me?!? Uma solução que previne 90% das infecções (ou mesmo que fosse 50%, ou até menos) é “o mesmo que nada”? Sabem de quantos milhões de vidas potencialmente salvas se está a falar? De quantas pessoas, mesmo não sendo todas elas, podem livrar-se de sofrer de forma horrível e morrer permaturamente? Importam-se com isso, minimamente? Ou todas essas vidas são para vocês “o mesmo que nada”? E, já agora, as campanhas de abstinência têm melhores resultados a reduzir a Sida? Bem me parecia.

Por último, a quem acha que o que o Papa disse não é desprezível, deixo-vos este desafio: se Deus não existisse (eu estou convencido de que não existe, mas, no vosso caso, “imaginem-no” durante um pouco), a afirmação do Papa teria mesmo assim algum valor ético e moral positivo, em termos puramente humanos? Faria, na mesma, algum bem ao mundo? Ajudaria a reduzir a Sida? Aliviaria o sofrimento e evitaria a morte prematura de milhões? Seria louvável? Se sim, porquê? E, se não, já pensaram no que isso diz sobre a moralidade do deus que adoram?

P.S. – se a vossa resposta for “sim, porque senão aquela gente toda vai ter sexo, sexo e mais sexo, e vai ter prazer nisso, e isso enoja-me, enoja-me, enoja-me!”, lamento sinceramente o que os vossos pais vos fizeram na infância, mas é possível ultrapassar isso com ajuda psicológica / psiquiátrica.

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12 Comentários a “Mais Papa, mais preservativos, e mais comentários”

  1. CSousa diz:

    Obrigado por teres lido. Gostei dos teus argumentos, a Chewbacca defense está fixe, não conheicia.
    Não partilho de todo das tuas opiniões, mas não posso deixar reconhecer mérito na forma como defendes a tua posição 🙂 . Acho que temos que ser assim mesmo – ter opiniões bem pensadas e reflectidas – sem seguir a “mainstream” só por seguir.

  2. Concordo com você em muitas partes. Quanto ao último questionamento, acho que é uma questão apenas de como você lida com o mundo (particularmente penso que a melhor prova que posso dar de amor à pessoa a quem no futuro for ser minha mulher é me guardando para ela). Mas o fundamento do seu artigo é verdadeiro: por mais que camisinha estoure e tal, acho que deve sim ser distribuído. O sexo deve ser ensinado como parte da vida (e que tem lado bom e ruim, como tudo), e não como (a) uma coisa pecaminosa ou (b) o único objetivo da vida.

  3. Luis Bastos diz:

    1. Considero-me uma pessoa inteligente, culta e actual
    2. Acredito em Deus e tenho orgulho nisso e tenho total respeito por quem não acredita.
    3. Agradeço muito a educação que os meus pais me deram
    4. Como trabalho de casa conta as instituições de solidariedade existentes no país e ligadas a alguma igreja. São milhares, na maioria católicas. Essa é a parte boa da religião (sim, existem muitas coisas negativas). É o que me faz crer que a religião é globalmente positiva para a sociedade.
    5. Como segundo trabalho de casa procura instituições de solidariedade dirigidas por ateus. Boa sorte.
    6. Na igreja católica há de tudo e o actual papa não é de facto alguém que tenha opiniões com as quais eu me reveja. Eu não sou nenhum carneirinho.
    7. Tenho acompanhado os teus artigos e verifico que és o dono da verdade e que tens opiniões muito definidas sobre tudo e tudo. És um homem de convicções absolutas. És um homem que tem certezas absolutas sobre tudo menos sobre ti próprio:
    http://blog.dehumanizer.com/2009/03/03/nao-sei-o-que-quero/
    8. Quando dizes “imaginem-no” estás a colocar em dúvida a minha crença e isso não te admito. Eu não quero imaginar Deus. Eu sei que ele existe. Quem não acreditar nele é obviamente livre de o fazer. Achas que faz sentido eu dizer-te “imagina que Deus não existe”? É tudo uma questão de respeito.

    • Ter opiniões definidas e ter pensado no assunto é “ser dono da verdade” e “ter convicções absolutas”? Please… isso chama-se “argumentar”. E não te estou a ver a ti dizer “ah, e tal, Deus talvez exista, a mim parece-me que sim, eu acho que sou crente, mas não tenho bem a certeza, quem sou eu para ter certeza de alguma coisa, não quero ser dogmático”… Pelo contrário, disseste “eu sei que ele existe”.

      Sabes… como? Estudaste todas as religiões, do ponto de vista ético-moral e histórico, além de considerares seriamente a hipótese de o universo ser 100% natural, e é a tua actual religião que te parece a melhor explicação para o universo? Tiveste alguma “revelação”, como ter visões ou ouvir vozes, que não possa ser explicada como uma alucinação (como os rituais de maturidade dos índios americanos, que faziam jejum de vários dias até terem uma visão, que era obviamente provocada pela fome, mas para eles era “místico”)? Estás a usar o argumento da ignorância / falta de imaginação, que diz “não sei como é que X pode ter acontecido (por exemplo, a origem do universo), logo foi Deus”? A tua crença dá significado à tua vida, logo aquilo em que acreditas “tem” de ser verdade?

      Ou foi simplesmente a educação que tiveste? Tens consciência de que se tivesses nascido na Arábia Saudita serias muçulmano, e igualmente certo da veracidade da tua crença? Não achas que o facto de a tua crença actual ser resultado de um acidente geográfico a torna suspeita?

      Não vejo o “imaginem-no” como nenhum insulto. E o equivalente era dizeres-me “imagina que Deus existe“, o que eu não acharia ofensivo; imaginaria como é que seria um universo com um deus, e compará-lo-ia com o actual. Para já, qual deus? Se formos ao judaico-cristão, bem, eu imagino um universo com milagres. E refiro-me a milagres como os descritos na Bíblia, não coisas ridiculamente triviais como “achar um lugar de estacionamento num sítio difícil”, ou “encontrar as chaves de casa perdidas”, ou “ficar melhor de uma doença”. Mesmo sem irmos a milagres “bíblicos”, imagino que rezar/orar fizesse efeito (afinal, Jesus diz exactamente isso), mesmo que apenas estatístico: imagino que relâmpagos só atingissem casas de ateus, que crentes adoecessem menos e recuperassem melhor das doenças (afinal, eles rezam por isso); em resumo, que tivessem alguma vantagem no “random number generator” cósmico. Imagino um universo do qual realmente fôssemos o centro (mais uma vez, como sugerido pelo Cristianismo), em vez de sermos um ponto insignificante na borda de uma galáxia cujo tamanho nenhum de nós consegue imaginar, e que é ela própria uma de muitas.

      E podia continuar. A questão é que o universo com Deus que eu imagino é bem diferente do actual. Imagina tu, se quiseres, um sem Deus, e diz-me como é que seria diferente daquele em que vivemos.

      • Luis Bastos diz:

        Não acrescentaste nada e não respondeste aos meus desafios. Pena…
        “A tua crença dá significado à tua vida, logo aquilo em que acreditas “tem” de ser verdade?” Se tivesses acrescentado “para ti” no final concordaria com esta frase a 100%, já que não tenho, nem nunca tive, a pretensão que a minha verdade seja a verdade de todos.
        E sim…O “imaginem-no” foi um insulto e uma intolerância da tua parte.
        E não… A educação dos meus mais não foi baseada no catolicismo, foi baseado no respeito pelos outros e é por isso que tenho orgulho nela.
        E não… A religião católica não é um conjunto de dogmas. Tem alguns, é certo, mas reduzi-la a isso é um erro na minha opinião.
        “Amar o teu próximo como a ti mesmo” é essa a frase chave do cristianismo. Difícil, não é? É por causa desta frase de Cristo que eu sou cristão. É nesta mensagem de amor e tolerância que me revejo. E tu? Revês-te em alguma coisa? Sabes o que queres?

        • Não acrescentaste nada e não respondeste aos meus desafios. Pena…

          Eu respondi a tudo (menos à boca do “não sabes o que queres”, em que basicamente me atacas por uma *qualidade* minha, a honestidade). Se escolhes ignorar o que não te agrada, é contigo.

          Não há verdades “para mim” ou “para ti”. Há escolhas, há éticas, há personalidades, mas não me venhas, please, dizer que Deus (ou, mais especificamente, o deus Cristão) existe para uns e não para outros. Ou eu estou certo e não existe um deus, ou tu estás certo e existe um deus tal como tu acreditas, ou estamos os dois errados e existe um deus que não tem nada a ver com aquele em que crês. (Pessoalmente, acho a do meio a menos provável.) Não me venhas é com realidades subjectivas e fluidas (“Deus existe para mim, para ti não”), senão não tarda muito estamos a discutir o significado de cada palavra, uma a uma.

          Achas que “amar o teu próximo como a ti mesmo” é a frase chave do Cristianismo. OK, é a tua opinião. Não é o que vejo nem na Bíblia, nem na maioria dos Cristãos que observo — e quando mais levam a coisa a sério, piores tendem a ser.

          O problema de acreditar num ser supremo é este: e se ele “manda” (ou te dizem que manda, ou está escrito que ele mandou, ou estás 100% convicto de que ele manda) fazer alguma coisa que, de um ponto de vista puramente humano, é hedionda? O que é que tu fazes? Redefines a moralidade como “satisfazer os caprichos de Deus”? Ou recusas-te a acreditar que isso realmente vem de Deus? Ou — e é isto que virtualmente nunca vejo nos crentes, porque é o primeiro passo para o eventual ateísmo — aceitas a hipótese — a mera hipótese — de que és mais moral do que Deus?

          E como é que sabes o que é que Deus quer, já agora? Pela Bíblia, ele é um ser exactamente com a mesma moralidade das pessoas na época em que ela foi escrita (escravatura, sexismo, doenças são “possessão por demónios”, e ai de ti que apanhes lenha num sábado…). Pela autoridade da igreja Católica, bem, basta falar em “preservativos” para se revelar o Vaticano como tendo uma moralidade com séculos (literalmente) de atraso em relação ao resto do mundo, e culpada do sofrimento de milhões — sofrimento esse que passa ao lado de qualquer um que ache que esta vida é só um teste.

          O que é que resta? O que tu achas que Deus deve ser? E quem és tu para determinares isso? Assumindo que és um gajo porreiro, quem é que diz que o Deus em que acreditas (e que ama os homens e não mandaria ningúem para uma tortura infinita por crimes finitos — o cúmulo da injustiça e do sadismo…) é o verdadeiro, e não o deus do Fred Phelps (tão ou mais Cristão do que tu), que provoca catástrofes naturais para punir o Ocidente pela sua tolerância da homossexualidade? O que é que tu sabes que ele não sabe… e vice-versa?

          Há uns 2 anos, tive mais ou menos esta conversa com uma amiga: segundo ela, nem a Bíblia nem o Vaticano estavam certos, porque o deus que “fazia sentido” existir, para ela, era infinitamente bom. A intenção é boa, mas… quem é ela, ou tu, ou eu, ou qualquer um, para dizer que Deus deve ser assim ou assado? As crenças não definem a realidade…

          Quanto ao “sabes o que queres”, isso continua a ser baixo da tua parte, como te disse no primeiro parágrafo acima. Mas se calhar sou eu que sou muito estranho por achar que admitir dúvidas e incertezas é sinal de coragem e honestidade, e não de fraqueza… hmm, pensando bem, quantas vezes é que se ouve um padre ou um teólogo dizer “não sei” sobre algo supostamente da sua “especialidade”? Faz sentido…

          • Luis Bastos diz:

            Impressionante. Continuas a não responder aos meus desafios.(ver 4 e 5)
            “Não é o que vejo nem na Bíblia”. Que sabes tu da bíblia? Quantas páginas das milhares que existem leste? Eu, por acaso li todas e … devo dizer que não gostei de tudo o que li mas gostei do essencial.
            Eu sou cristão mas obviamente não me revejo em tudo o que é dito e feito em nome de Cristo. Da igreja católica retiro aquilo que considero positivo nomeadamente “amar o teu próximo como a ti mesmo”.É obviamente impossível seguir isso a letra mas tento no meu dia a dia e na obra de solidariedade onde sou voluntário pratica-lo o máximo possível. Os outros católicos não pensam assim? Problema deles.
            “”Quanto ao “sabes o que queres”, isso continua a ser baixo da tua parte,”” Meu caro amigo, não podes em publico abrir-te daquela maneira e depois querer que o publico faça de conta que não disseste nada. Expuseste-te, agora aguenta.
            Continuo a achar que o “imaginem-no” foi um insulto e uma falta de consideração.

            • Desafios? O 4 é uma afirmação, e o 5 é uma “boca”.

              Sim, a maior parte das instituições de caridade são religiosas; a maior parte delas, também, começaram quando toda a gente o era. O que não quer dizer que toda a gente nelas seja religioso; aliás, se eu quisesse fazer voluntariado, provavelmente teria de me juntar a uma — e não passaria a crer por causa disso. Não sei, sinceramente, se há instituições seculares / laicas por cá (nos EUA há), mas, também, elas não andam aí a anunciar esse facto.

              Acredito, no entanto, que muitas das instituições que realmente fazem bem a sério são “religiosas” só em nome. E há casos também de organizações que só ajudam quem se converta… o que sem dúvida é MUITO bonito de se fazer.

              Não li a Bíblia toda (há partes no Antigo Testamento que são pouco mais do genealogias), mas conheço bem mais do que provavelmente pensas. Daí afirmar com conhecimento que, por exemplo, o Deuteronómio e o Levítico são dos livros mais “evil” que pode haver, mostrando um deus sexista, sádico, obcecado pela sexualidade e por partes do corpo humano, e totalmente cruel e impiedoso. É neste em que acreditas?

              Da mesma forma, Jesus pregava um culto apocalíptico que esperava ver o fim do mundo na vida dos presentes. Daí as ordens como “vende tudo, dá aos pobres, e segue-me”; não se vê exactamente a Igreja hoje em dia a fazer isso, pois não? Nem mesmo os primeiros Cristãos, como descritos nos Actos dos Apóstolos, o faziam. Aquelas ordens só faziam sentido quando se acha que o mundo vai acabar em “tempo útil”. Os primeiros Cristãos, e o próprio Paulo, criaram a sua própria religião, em que adoravam Jesus Cristo como um deus, mas ignoravam totalmente tudo o que ele tinha, segundo os evangelhos, dito. Interessante, não é? Alguma vez reparaste nisso?

              “Expuseste-te, agora aguenta”… Ok, eu já o expliquei, mas tu insistes em não querer (ou conseguir) entender. Muito Cristão da tua parte, considerar a honestidade um defeito e uma ponto fraco…

              • Luis Bastos diz:

                Gostei de trocar alguns argumentos contigo. A conversa nunca mais acabava e não nos levava a lado nenhum, ainda apetece-me contrariar algumas coisas que disseste mas acho que não vale a pena, seria chover no molhado. Espero ter ajudado pelo menos a fazer entender-te que ser católico não se limita a acreditar em dogmas. Eu, como em qualquer discussão, fiquei mais rico e eventualmente terei aprendido algo contigo. Fica bem amigo e até breve.

                PS. A honestidade é uma bela qualidade e nisso admiro-te mas considero que aquele post foi uma exposição desnecessária. Não era minha intenção ser baixo mas sim mostrar-te que tudo é relativo e que é preciso estar de bem com nós próprios para poder avaliar o mundo com clareza.

  4. Filipe Matos diz:

    Olá a todos.
    Eu já acompanho este blog há algum tempo, mas não tenho participado muito.
    Mas nesta situação, sinto-me obrigado a participar.

    Eu recebi uma educação católica apostólica romana, mas cada vez mais me sinto afastado dessa mesma religião.

    Se nós pensarmos bem a religião católica regesse por um livro escrito já há muito tempo e pelas pessoas erradas.
    Porque para quem não sabe, conta a história que foi o Imperador Constantino, quando decidiu que a religião católica seria a religião do Império Romano, juntou uma corte para rescrever o novo testamento e dessa forma ter o controlo sobre esta nova religião.
    Por isso para todos os efeitos, a Igreja Católica Apostólica Romana, não é mais do que uma reinvenção da história por parte de um Imperador inteligente que percebeu claramente que a religião é o ópio do povo.

    Para vos dar um exemplo:
    O suicídio só passou a ser “pecado mortal” e com uma punição de “Inferno”, quando os escravos se começaram a matar aos milhares.

    Acho que o povo necessita de ter esperança e por isso se Deus (inventado ou não por Constantino) lhes dá isso, deve continuar. Agora, acho que as pessoas que são colocadas à frente desta Igreja devem ser conciliadoras e não incentivar à violência ou à discriminação racial e ideológica.

    “Amar o teu próximo como a ti mesmo” – Foi com esta frase em mente, que o Dom José Policarpo veio a publico dizer. “Cuidado não se casem com muçulmanos que são perigosos….”????
    Na minha modesta opinião…. não.

    PS: Acho que o dono deste blog nunca se colocou numa posição de “dono da razão” acho que defende as suas opiniões, da mesma forma que eu defendo as minhas.

    Por outro lado, qual ele disse “imaginem-no” não considero que isso seja um insulto. Quem conhece Deus? Quem sabe como ele é? Se ele existe, eu diria que neste momento, ninguém tem respostas a estas questões, por isso é possível dizer “imaginem-no”.

    Abraços

  5. CSousa diz:

    “… aceitas a hipótese de que és mais moral do que Deus?”
    Mais moral não sei, mas que nós Católicos (e pessoas em geral) temos a “mania” de julgar os outros muito mais do que o Deus (pai) apresentado por Jesus, isso sim 🙁

    Eh pá, Pedro, puseste-me a pensar com questão d’ “a hipótese de o universo ser 100% natural”.
    E incomodou-me bastante, acabando eu por chegar à questão do porquê da existência da própria existência.
    Por que é que existe existência?
    Isto é, por que é que simplesmente não existe absolutamente nada, nem sequer ninguém que o testemunhe. Nada.
    Parece que a própria existência é uma coisa estupidamente não natural. Não sei…

    • Há duas respostas habituais a essa questão.

      Uma delas é que, só porque não sabemos actualmente uma coisa, não devemos imediatamente desistir e dizer “foi Deus”. Afinal, pensa em quantas coisas, no passado, se achava serem sobrenaturais, e agora já entendemos.

      A segunda é que, mesmo admitindo que “o universo existe” implique “alguém ou alguma coisa o criou” (o que eu não acho, pela primeira razão), isso de forma alguma vai dar ao Cristianismo, Islão, ou qualquer outra religião existente. Vai apenas dar a um deísmo leve. Deísmo, muito popular entre os “founding fathers” dos Estados Unidos, é a ideia de que há um deus que criou o universo, mas desde aí foi “hands off”; não interfere em nada, não há milagres ou nada sobrenatural, não está preocupado connosco ou com a nossa moralidade (possivelmente nem é um ser consciente ou com desejos), e obviamente não existe vida depois da morte, céu ou inferno. Naturalmente, isso é um deus que não faz qualquer sentido adorar, mesmo acreditando que existe…

      Curiosamente, não era a origem do universo propriamente dita, mas sim a diversidade e complexidade da vida na Terra, que fazia as pessoas — mesmo as mais cultas e inteligentes — acreditar que, mesmo todas as religiões humanas sendo falsas, tinha na mesma de existir um criador, um “designer”.

      Décadas depois, e muito polemicamente, foi descoberta e entendida por Charles Darwin a evolução das espécies por selecção natural, que deitou por terra a supostamente maior razão para a necessidade de um criador.

      Infelizmente, nos EUA ainda há grandes campanhas contra o ensino da evolução (afinal, segundo uma interpretação natural da Bíblia, o universo foi criado em 6 dias, tem só uns 6000 anos, e chegámos a viver ao mesmo tempo dos dinossauros, em vez de separados por 65.000.000 anos, como esses cientistas chatos teimam em dizer…), porque no fundo sabem que, depois dessa, os “buracos” no conhecimento, onde Deus supostamente se “esconde”, passarão a resumir-se à origem do universo…

      … e esses incómodos cientistas não sabem estar quietos e deixar os “buracos” em paz. 🙂