Trogloditas… e quem gosta de trogloditas

caveman Como é que eu podia ver este post (visto no Planet Geek) e não comentar? 🙂

Eles gostam de beber cervejolas com os amigos e falar de estranhezas e estatísticas durante horas a fio. Gostam de desportos (todos), papam desde o futsal ao curling, sempre de calções e pés descalços. Espalham pelo tapete aquelas casquinhas vermelhas de amendoins impossíveis de remover. Deixam os sapatos na sala, colam pêlos ao sabonete e raramente se lembram de passar água na banheira depois do duche. Raramente se lembram? Deixem-me cá refazer a ideia: não se lembram, porque nem sequer percebem para que serve e por que raio é que alguém há-de fazer isso…

Quem não me conhece já, pode imaginar que vou contrariar o que a autora diz, defender o meu sexo, dizer que os homens não são em geral assim, e assim por diante. Quem me conhece (sou um elitista nojento, lembram-se? 🙂 ), por outro lado, adivinhará com mais sucesso qual a minha resposta…

… eu concordo. Acho que a autora tem toda a razão em relação à esmagadora maioria dos homens (aí uns 90%, give or take a few). A maioria do meu sexo porta-se com a maturidade e a civilização de um homem das cavernas (sobretudo como retratados na ficção).

Mas acho que ela peca por não mencionar algo vital: é que, segundo a minha experiência, as mulheres querem em geral homens exactamente assim. Preferem-nos, escolhem-nos invariavelmente, acham que eles é que são “homens a sério”, e usam os homens decentes que conhecerem apenas como amigos em cujos ombros chorar o que os namorados / maridos trogloditas (lhes) fazem. Acredito, é claro, que a autora seja uma excepção, assim como conheço várias outras que o são. Da mesma forma que conheço homens adultos, inteligentes, civilizados, e para quem ver um jogo de futebol com os amigos, umas cervejas e os referidos amendoins não é a forma ideal de se passar uma tarde.

Mas – e aqui vem o meu elitismo – não acho nem que estes últimos homens sejam a maioria (aqui concordo com ela), nem que as mulheres realmente queiram, na sua maioria, homens assim. Apenas afirmam isso, mas depois preferem – uma e outra (e outra) vez – exactamente os trogloditas, os zezés camarinhas, os “o-domingo-é-para-o-futebol”, as crianças grandes, e afins.

Como disse num comentário lá, se as raras mulheres com bom gosto estão muito mal servidas, os raros homens decentes também o estão…

Vá, digam-me lá como estou errado.

P.S. – “eu sou mulher e não sou assim” não conta; isso simplesmente faz de ti uma excepção. 🙂

7 Comentários a “Trogloditas… e quem gosta de trogloditas”

  1. Marco diz:

    No inicio deste uma volta meio estranha mas, eu não podia concordar mais contigo neste texto!

  2. velvetsatine diz:

    Bem visto, por um lado e também pelo outro. Contudo a complexidade da natureza de uns e de outros vai além dos comportamentos mencionados, mas isso seria matéria para muitos posts. 😀

  3. Cris diz:

    Chama-me ingénua então mas acho que tens uma visão muito pessimista da humanidade. Nem acho que a maioria dos homens sejam porcos trogloditas nem que a maioria das mulheres gostem de machões que as maltratem. Acho sim que grande parte dos homens não foi ainda educado (antigamente as mães não se preocupavam muito em ensinar hábitos de higiene pessoal e da casa aos filhos porque a mentalidade machista estava ainda muito enraizada, mas vai saindo aos poucos ;)) e que as mulheres gostam de tipos que se saibam defender a eles próprios e a elas (que muitas vezes tb são abrutalhados e estupidos, daí penso vir a tua associação) mas que sejam educados e as tratem bem. Claro que como não existem seres perfeitos, cada mulher acaba por escolher os homens em função das suas prioridades assim como cada homem acaba por agir, após ter conhecimento dos maneirismos apropriados, de acordo com o que considera ser ou não importante para ele. No fundo é tudo subjectivo e, como tal, os estereotipos são, como sempre, exageros da realidade.

    • Já falámos disto antes… tu dizes que eu sou pessimista em relação à humanidade, mas quando depois te dou argumentos para demonstrar que as pessoas são em geral mesmo assim, dizes algo tipo “não quero acreditar que isso seja realmente tão mau”. “Não quero acreditar” é uma frase que deve soar-nos sempre suspeita ao longo da nossa vida. 🙂

      Eu continuo a acreditar que é a maioria, e pensar em exemplos concretos é-me fácil. Talvez eu seja efectivamente um pouco pessimista (e elitista), mas acho que coisas tipo “as pessoas em geral são boas” (não, tu não disseste isso, estou só a dar um exemplo de um argumento que vejo muito) são um exagero completo para o outro lado; acaba sempre por ser “eu quero viver num mundo em que as pessoas são boas, logo quero acreditar que já o são”.

      Acho que a questão do “tipos que se saibam defender a eles próprios e elas” é algo muito teu; não sei até que ponto as outras mulheres concordam contigo…

      • Cris diz:

        “Acho que a questão do “tipos que se saibam defender a eles próprios e elas” é algo muito teu; não sei até que ponto as outras mulheres concordam contigo…”
        lol Achas? Nunca me tinha passado essa hipotese pela cabeça. Nah. Temos que fazer uma sondagem 🙂 Porque é que achas que os filmes do James Dean tinham tanta popularidade ou o James Bond ou os romances com vampiros?

        E eu acho que a noção de bom e mau é muito subjectiva e não existem pessoas intrinsicamente boas nem más. As pessoas são – e mais uma vez isto é subjectivo – uma mistura de defeitos e virtudes. Acredito também que cada um tenta ser qualquer coisa ao longo da vida, isto é, que se vai auto-moldando em função das caracteristicas que considera desejáveis para si (claro que o “qualquer coisa” que nós queremos ser também vai mudando de definição ao longo do tempo).
        Acho, por isso, que se um homem achasse mesmo mau ser um porco troglodita e considerasse que se comportava como um, tomaria a decisão de mudar. Logo, se eu acho que o tipo XPTO é um porco troglodita das duas uma: ou ele não tem a noção que o é porque tem uma definição diferente da minha e como tal posso tentar mostrar-lhe o meu ponto de vista; ou ele considera que se comporta como um porco troglodita mas não acha essa caracteristica suficientemente negativa para mudar – normalmente por preguiça, isto é, não considera que mudar seja suficientemente necessário para o seu bem-estar a ponto de valer o esforço que irá ter (esses são os verdadeiros porcos trogloditas na sua mais pura essência lol e em relação aos quais não há nada a fazer)

        • Mantenho que isso é muito teu. Não me parece que o que as mulheres mais procurem nos homens seja um brutamontes que as defenda de bullies.

          Aliás, se formos por aí, diria que é mais frequente procurarem um “macho típico” que meta dinheiro em casa e as livre daquelas responsabilidades irritantes como “pensar”, “estudar”, “trabalhar”, “tomar decisões” e “ter personalidade”. (Lembra-te do caso daquela mulher que andava de trela e agia como um cão.) São todas? Claro que não. Aqui nem diria que é a maioria. Mas ainda acho que isto deve ser mais frequente do que a procura de protecção física — pelo menos depois de se sair do ensino secundário.

          Quanto ao resto, acho que estás a ser boazinha demais, e a esperar demais da humanidade. Provavelmente acharás que eu é que sou mauzinho e espero só o pior. Sabes que mais? Adorava que estivesses completamente certa aqui, e eu completamente errado. Infelizmente, entre “o que é” e “o que eu gostava que fosse”, o primeiro tem de ganhar sempre.

          Pequeno à-parte: é curioso, mas eu sou mais optimista do que tu — e do que a maioria, pelo que vejo — em relação a coisas como o avanço da sociedade, o progresso da humanidade, os benefícios da ciência, e mesmo as melhorias vindas da mudança política (!). Já muita gente (noutro blog meu) me chamou ingénuo, por exemplo, por acreditar que os resultados de umas eleições podem melhorar as coisas, ou que os políticos não são todos exactamente iguais e controlados pelos mesmos grupos e interesses, ou por falar de como, por muito que se diga mal do mundo actual, as coisas estão bem melhores do que há 20, 50 ou 100 anos.

          A diferença é que não confundo aquilo que podia ser ou pode vir a ser com o que é agora.

          Hmm, acho que daqui a bocado vou editar este comentário para um novo post.

          • Cris diz:

            Acho para definir “o que é agora” só se pode tirar as teimas fazendo uma sondagem com uma amostra significativa.

            E não concordo ctg em relação ao “brutamontes”. Os exemplos que citei antes dificilmente podem ser considerados brutamontes por exemplo.