Saramago e a religião

Tenho visto vários comentários, tanto no artigo do Público como em vários blogs portugueses, a criticar José Saramago por ter dito… bem, vejam o link anterior.

Comentários esses que chamam “banais” às afirmações de Saramago, insinuam que é preciso estudar teologia antes de se poder criticar a religião, dizem o chorrilho de disparates habitual sobre os ateus e o ateísmo, e… bem, já se sabe como é. O mais triste são os comentários de quem não tem qualquer crença religiosa, mas mesmo assim se sente chocado e ofendido com isto, porque caiu na lavagem cerebral de que a religião merece “paninhos quentes” e um respeito especial e inquestionável.

Como a paciência para estar sempre a corrigir os mesmos erros já não é muita, e me sinto enojado só por ler, quanto mais citar, certas coisas que já li hoje, prefiro comentar isto na forma de pequenos parágrafos, mais ou menos independentes uns dos outros. Nem todos se aplicam a todas as críticas, obviamente.

  • Não há qualquer tipo de evidências, provas, etc. da existência de qualquer tipo de deus. Nada. Nicles. Zero. Logo, a teologia é uma não-disciplina, tem tanto mérito e importância como a painatal-logia ou a gambozinologia. E, sim, caros teólogos, vocês desperdiçaram a totalidade das vossas vidas. Deal with it (se bem que sei que nunca o farão, é muito mais fácil manter uma ilusão confortável do que quebrá-la).
  • Chamar “banal” à afirmação de que Deus não existe é o mesmo que chamar “pouco sofisticado” a quem diz que 2+2=4, porque quem está num “nível espiritual mais elevado” tem “fé” de que 2+2=5, ou isso é verdade num plano espiritual tão ou mais importante do que o físico, ou para ele os números têm um significado “mais profundo”, ou outras baboseiras new-age sem significado. Dizer as coisas como elas são de forma simples e directa (como “o rei vai nu”, bem aplicável a este caso) não é “banal” ou “pouco sofisticado”.
  • Crenças religiosas não merecem mais respeito e consideração do que qualquer outro tipo de crenças (ex. “a Terra é redonda” ou “há ovnis a mutilar gado nos EUA”) apenas por serem religiosas. A única coisa que importa é: é verdade?
  • Hitler era católico! Párem lá de o incluir nessa absurda lista de “monstros ateus”. O facto de já terem sido corrigidos relativamente a isso centenas de vezes e mesmo assim o continuarem a fazer demonstra bem quanta importância dão a factos e à realidade… e quão honestos são.
  • Quanto aos outros, há muito de religião em sistemas como o Estalinismo: culto ao líder, rituais, “rezas”, livros “sagrados” (ex. o livro vermelho de Mao), supressão de ideias contrárias, controlo de “pureza” ideológica, irracionalidade, dogma acima de factos, e afins. Se perseguiam as religiões estabelecidas, era apenas porque não queriam competição. Religião e “Deus” não são a mesma coisa, e é possível haver uma sem crença no mesmo. Nenhum povo alguma vez sofreu por excesso de racionalidade e cepticismo.
  • De qualquer forma, quando dizem que “monstros ateus fizeram isto e isto”, querem dizer que o fizeram por não terem medo de um castigo divino. Já pensaram na hedionda distorção de moralidade que isso é? E estão, portanto, a dizer que vocês iriam para a rua roubar, violar e matar se neste momento perdessem a vossa fé, porque não vêem nenhuma razão para não fazer tais coisas, excepto o medo do inferno? O que é que isto diz sobre vocês?
  • Houve quem falasse da “necessidade do Homem para com a espiritualidade”. Isso tem outro nome quando se é mais jovem: “amigo imaginário”. Uma coisa não é real só porque se quer muito. Mesmo que a vida fosse cinzenta e sem sentido sem a existência de um deus e de vida depois da morte (não o é), isso não tornaria mais provável a sua existência.
  • Quem diz que “as críticas de Saramago à Bíblia só se aplicam relação ao Antigo Testamento, porque a mensagem do Novo é paz e amor” está a precisar de realmente ler a Bíblia (além de que Jesus supostamente disse que não vinha para mudar uma letra da lei antiga). Mas, tipicamente, os ateus conhecem-na melhor do que quem acredita que existe um livro escrito pelo criador do universo, do qual depende a sua salvação, mas mesmo assim nunca arranjou tempo para o ler…
  • Não me venham dizer que “mais vale acreditar, por via das dúvidas“, please. Isso é completamente idiota (pista: há mais do que uma religião no mundo…)

33 Comentários a “Saramago e a religião”

  1. David diz:

    Excelente, curto mas bom!
    David

  2. Quanto ao Saramago, nada a alegar. Adoro o Homem e a escrita. Dizer apenas que tenho sérias dúvidas sobre a interpretação que fazem das suas referências à igreja e a Deus – tanto as de um lado, como as do outro.

    Quanto ao resto, só não percebo porque perdes tempo a falar de uma coisa que dizes não existir – onde é que isso cabe no campo da racionalidade? Cabe sim, só e apenas, no do cepticismo.

    • Religião: porque é que eu me importo? 🙂

      E, já agora, eu não falo, em posts como este, de uma coisa que não existe. A religião, indiscutivelmente, existe.

      • Semântica e retórica.

        O que está em jogo, todos nós sabemos perfeitamente o que é.

        • Hmm? Não percebi a segunda parte. O que é que está em jogo?

          Quanto à primeira, é mais fácil chamar “semântica e retórica” aos argumentos dos outros do que responder-lhes…

          • Não vais agora ser cínico ao ponto de te compadeceres dos males dos outros, ou vais? Onde é que isso é racional? Com o mal do outros sempre nós podemos bem. Aliás, dos mal dos outros muita coisa positiva pode vir para nós que, de outro modo não viria. Isto não é monstruosidade, isto é racionalidade. Eu vejo o mundo, tal como tu – como ele é.

            O que está em causa é muito simples – “Deus existe, ou não?”.

            Tudo o resto não deixa nem nunca deixou de ser acessório.

            E, por amor de Deus (lá estou eu a meter “Deus” na conversa), não metas Saramago ao barulho nas questões acessórias – como sempre todos têm feito.

            • Compadeço-me, é claro. Por exemplo, não sou homossexual, mas acho repugnante que, em pleno século XXI, eles não se possam casar, e sejam tratados como cidadãos de segunda. E (no caso de Portugal) culpo a 100% o Cristianismo disso — que não precisa de que Deus realmente exista para ter imensa influência (quase sempre negativa) na sociedade. Afinal, não é preciso que Alá exista para o 11 de Setembro ter acontecido. E porquê o espanto? Ser ateu implica, por acaso, que tenha de ser puramente egoísta e não me possa importar com mais ninguém?

              Eu não estou a meter Saramago ao barulho; se vires bem, não menciono nada do que ele disse ou fez no post. Respondo, sim, aos críticos — e às críticas disparatadas — às suas afirmações recentes, como os dos comentários no Público, ou alguns posts que vi noutros blogs portugueses hoje. O que escrevi é uma resposta a essas críticas. Pelos vistos estás a ver o meu post de uma forma completamente diferente da sua intenção — ou mesmo do seu conteúdo, já que o foco do mesmo nem é, propriamente, se Deus / um deus existe ou não.

              • Podes muito bem vir com os casos. Tudo continuará a ser acessório perante aquilo que, como disse, está e sempre estará em jogo – “Deus existe ou não?”. A igreja todo o mundo sabe que existe – isso não levanta qualquer questão racional. Eles fazem aquilo que é racional – tentam obter um proveito.

                Com o mal dos outros todos nós podemos. O único motivo racional para nos indignarmos com o mal que é infligido aos outros é a obtenção de uma mais valia, ainda que indirecta.

                Quando assim não seja, quando o que está em causa é um puro exercício de solidariedade, ou de sensibilidade social, ou de procura da justiça, ou de igualdade, sem que com isso tenhamos qualquer mais-valia, ou ganho – chama-se a isso “altruísmo”. De todo um modo, com isso obtemos um bem estar interno que pode, ou não, ter a ver com Deus – ajudamos os outros e, ao mesmo tempo, ficamos com um bem estar extra. Independentemente da igreja, ou não, foi coisas como essas que “Jesus” veio fazer à terra – e Jesus não seria ateu. Até tu fazes isso à tua maneira – e ai de mim se disser que Deus tem alguma coisa a ver.

                A igreja é apenas uma questão semântica. O que interessa é simples, e vou-me repetir: “Deus existe ou não?”.

                A Igreja fez e faz coisas más? Fez e faz – e com todas elas eu posso muito bem até ao momento em que me mordem os calcanhares. Aí deixo de poder. É como os outros.

                E a pergunta permanece – “Deus existe ou não?”. No fundo sempre é isto que importa nesta discussão. Se esta dúvida não pairasse sempre nas nossas “cabeças” e na sociedade, este post não existiria, bem como não existira “igreja” alguma. Tudo tem um mote de génese. Não fujamos a assumir o que é óbvio.

                Façam as vossas apostas… Mas se não acreditam, não percam tempo a falar do que dizem não existir, ou de casos ou situações que, para todos os efeitos, acabarão onde pertencem – nos livros de história (moderna ou não). Utilizem a racionalidade para as coisas onde ela seja necessária.

                • Quanto ao “altruísmo”, não lhe chamaria tal coisa, no meu caso, e não concordo com essa tua visão da coisa. Mas não queria mesmo levar a discussão deste post para aí. Se quiseres falar disso, posta no teu blog e eu terei todo o prazer em conversar contigo lá.

                  Quanto a Deus existir ou não, mais uma vez acho que estás a desviar a coisa para off-topic. O meu problema não é Deus (qualquer versão dele) existir; se argumento que não existe, é somente no sentido de “todo o mal feito pelas religiões é, como se o resto não bastasse, baseado em algo que nem sequer é real”.

                  Mas, respondendo rapidamente: para mim só há uma coisa que conta: evidências. Não vejo absolutamente nenhuma (e espero que não venhas com coisas tipo “o universo existe” ou “então de onde é que vem o amor?”). Mais, já foram inventados milhares de deuses pela humanidade, e as evidências para quaisquer deles são exactamente as mesmas (zero); logo, que sentido faz acreditar nuns e não noutros? Só porque uns são “populares” agora? Não me parece.

                  Zero evidências, zero crença. Simples. Qualquer outra atitude é desonestidade intelectual e “wishful thinking”.

                  • Claro, evidências. É evidente que o teu post só existe porque a ideia de Deus paira sobre a sociedade. Senão nem “religião” alguma havia. É óbvio que é isso que está e sempre esteve em jogo – e, no fundo, bem sabes que é a “verdade-verdadeira”. Isso é que, na verdade, te incomoda e a mais gente. Com o resto todos nós, humanidade, temos conseguido (sobre)viver…

                    E, quanto à última parte, só tenho que citar a minha primeira intervenção:

                    “só não percebo porque perdes tempo a falar de uma coisa que dizes não existir – onde é que isso cabe no campo da racionalidade? Cabe sim, só e apenas, no do cepticismo.”

                    • “A ideia de Deus” não implica minimanente que tal coisa exista. Ou estás a argumentar que o facto de muita gente acreditar em alguma variante de um deus ou deuses implica que algo tem de existir, já que seria impossível tanta gente estar errada?

                      Por essa lógica, quando a maioria das pessoas pensava que a Terra era plana, ela era, efectivamente, plana…

                      O cepticismo é um componente essencial da racionalidade, se bem que calculo que nao concordes. Sem cepticismo, tudo é “wishful thinking”, e “wishful thinking” é a base da irracionalidade.

  3. Não estou a afirmar nada.

    Só estou a demonstrar o que sempre disse – o que realmente te importa é se “Deus existe ou não?”. E a tua última resposta isso mesmo leva a concluir.

    E se estás farto de dizer que não, que não existe, não faz sentido continuar a falar de gambozinos – a menos que eles tenham substituído as ostras no plano maquiavélico de dominar o mundo.

    • Estás a desconversar, agora. A questão de Deus existir ou não é talvez o mais importante para ti. Eu estou despreocupado relativamente a isso — coisa que me espanta que os crentes também estejam, já que o ser em que acreditam, no caso dos 3 monoteísmos maiores, tem a moralidade, egocentrismo e maldade sádica de uma criança mimada –, acredites ou não. Já pensei e li bastante sobre o assunto, e neste momento está longe de ser o meu foco. Se algum dia vir alguma evidência ou argumento logicamente válido para a sua existência, reconsiderarei. Mas não vou esperar sentado.

      Não entendes, portanto, que alguém possa não acreditar em qualquer tipo de deus ou coisas sobrenaturais, e mesmo assim revoltar-se com a estupidez, ignorância, irracionalidade e maldade das religiões humanas, que são bem reais? “Deus não existe” é, para mim, apenas mais um argumento ao discutir isso, não é, de modo algum, a questão mais pertinente.

      Ah, e já agora, é perfeitamente possível falar de personagens fictícios (o Deus cristão, o Homem-Aranha, etc.). É até válido utilizar argumentos tipo “se ele existisse, então aconteceria isto, notaríamos aquilo, o mundo seria assim, ele é retratado como um ser mais ou menos moral, etc.” Nada disto faz com que ele exista, nem que quem participe nessa discussão acredite nisso — afinal, depois da infância, somos capazes de separar a realidade da ficção. Por isso, se insinuas que o facto de eu mencionar “Deus” numa discussão implica que lá no fundo acredite nele ou que ele necessariamente exista, estás errado.

    • Pedro, parece-me que agora quem desconversou foste tu e, apesar disso, continuaste a centrar a tua intervenção sobre a eterna questão: “Deus existe ou não?”.

      … De todo o modo, não me confundas como crente (este é o meu momento zen da tarde – “acredites ou não”).

      Agora repara, o Homem-Aranha existe. Sem ele o mundo, muito provavelmente, cairia nas mãos do Dr. Octopus. Acredito nisso piamente. Quando era pequeno sabia que era uma personagem de banda desenhada. Mas agora sei que não, que é verdade que ele existe mesmo.

      (na verdade, este é que deveria ser um meu “momento zen da tarde”, mas prefiro, aqui, dizer que isto sou eu a “desconversar”)

      Mas afinal, o Dr. Octopus existe, ou não?

      Este é o meu argumento final. Agora tenho que tratar de coisas importantes, que realmente requerem racionalidade – como pôr este maldito ar condicionado a trabalhar como deve ser >( .

      • Pedro, parece-me que agora quem desconversou foste tu e, apesar disso, continuaste a centrar a tua intervenção sobre a eterna questão: “Deus existe ou não?”.

        Sim, porque sou um gajo porreiro e respondo aos argumentos dos outros. 🙂 Tu é que disseste várias vezes que essa era a única questão importante.

        Boa sorte com o ar condicionado. 🙂

        • Susana diz:

          lol…

          Não sei se apreciei mais o texto que nos deixas a ler, se o vosso dialogo…

          Bem vou meter a pata…como quem quer dizer…meter o bedelho… 😛

          Devo dizer que sou mt espiritual…que acredito em muita coisa…e que apesar de espiritual estou mais proxima de um Ateu de que um Cristão 😛

          Para começar porque todo o Cristao é preconceituoso, começando por aqueles que dizem se-lo sem saberem o que consite a Cristandade…nem tão pouco que a Cristande começou em Jesus…raraos são aqueles que sabem oq ue Jesus ou o que dizem que veio cá fazer…e aqueles que são religiosos ou que dizem se-lo, raros são os que sabem o que ser…

          Desde os primoridos as religião é instaurada, pela necessidade de crere em algo.
          religião quer dizer-nos RELIGAR a algo.

          Costumo dizer a quem me pergunta se me sinto muito só em momentos de solidão, que só esta só a quem vira costas a si mesmo.

          Eu vejo os religiosos actuais desta forma. Sem a coragem de olhar para dentro de si mesmo, procurando fora de si algo que os suporte…e este suportar, que seja principalmente as culpas. culpas deles? Nammm as de Deus!…a culpa dos erros cometidos…pois a culpa é de Deus …Ohh Deus porque me deixas passar por isto… – É o que se costuma opuvir 😉 coitado de Deus…

          Deus posso lhe chamar tb universo…e universo é energia…

          As emoções são energias. O pensamento é energia…

          E se considerarmos o medo como uma das emoções mais fortes do ser humano, e se emoção forma energia e essa energia aglomerada….poderia se tornar em materia pela sua densidade…Einsten foi o que mais perto esteve de Deus 😉

          Bem…poderia alongar-me muito sobre o tema…e poderiam constatar que a opinião de uma espiritualista Cristã (não catolica, não ateu, não budista, não nada do que podem conhecer…)

          termino, lembrando…sou espiritual, adoro teologia…e considero-me uma auto-didata…

          continua Pedro 😉

  4. Como se diria no hemiciclo…”muito bem, muito bem!” :oD

  5. Saramago e a Religio…

    Tenho visto vrios comentrios, tanto no artigo do Pblico como em vrios blogs portugueses, a criticar Jos Saramago por ter dito… bem, vejam o link. […]…

  6. Maracujá! diz:

    […] aqui, não tenho paciência, nem inspiração e, muito menos, tempo para isso. Para além do mais, quando há gente que já disse o que eu queria dizer, muito melhor que alguma vez eu o […]

  7. MV diz:

    Eu acredito e tenho fé que na órbita de Marte há uma chaleira com gatinhos bebés dentro. Alguém me consegue provar que *NÃO* existe? Então é porque existe… Esta é a lógica irracional da fé: é impossivel provar o contrário da crença e portanto conclui-se que a crença é verdade.

    Quanto aos dizeres da Biblia: eu já li a Biblia. Três vezes, uma em Português e outra em Inglês. Da mesma maneira que li o Alcorão. Ainda não consegui chegar à Torah. Mas não sou nem crente, nem cristão nem religioso. Sou capaz de saber mais sobre a Biblia do que muito rato de igreja. E de facto contém uma série de barbaridades. Não me vou dar ao trabalho de as iterar ou reproduzir. Deixo apenas este link: http://unixgirl.com/humor/bible1.html

    — MV

    PS – Ah! e não gosto de Saramago: escreve mal e é comunista. Mas concordo com ele.

  8. Pena.. diz:

    (comentário apagado por não cumprir as regras; isto não é sítio para se vir pregar, gabar-se da sua incompetência mental mas dizer que se conhece uma verdade “superior”, dizer que vou para o inferno, etc.. – Pedro)

  9. Nuno diz:

    Bem… este teu post é de um extremismo anti-religioso elevado!
    Tem calma rapaz, relax…

    • Dizes “anti-religioso” como se isso fosse mau. 🙂

      E quanto à calma e ao “extremismo”, porque é que as pessoas confundem “importar-se com um assunto” com “estar furibundo” ou “ser um fanático/extremista”? Hoje em dia só a apatia é aceitável? Uma pessoa perde razão / é “fanática” simplesmente por se importar com algo?

      De qualquer forma, se achas que estou errado em alguma coisa que disse, estás à vontade para argumentar… é muito melhor do que pôr-me etiquetas ou questionar os meus motivos.

  10. jorge diz:

    Sr. Pedro Timóteo,

    Quero dar-lhe os parabéns, por uma vez, pelo seu «post». Quase conseguia evitar a sua típica sobranceria, pena que não o consiga completamente. Os termos em língua estrangeira são acessórios, grande parte das vezes, e tornam-se irritantes.
    No geral, concordo consigo. Devo acrescentar que, apesar de não me considerar ateu, julgo ser um abuso sempre que um ateu expõe as suas ideias abertamente se levantar logo uma barulheira que já ninguém ouve. Quando um crente fala das baboseiras de crente, do género Senhoras pousadas em cima de azinheiras e «segredinhos» terríveis, ninguém pode abrir a boca porque está a desrespeitar a crença dos pobrezinhos. Mas pior ainda é o uso das crianças sem qualquer pudor… como observa Richard Dawkins em «A Desilusão de Deus» (não sei qual é a editora portuguesa mas fica o link para o original http://richarddawkins.net/firstChapter,101,) como pode ser uma criança judia, cristã, mulçumana, ou … ateia também, porque não?
    Cumprimentos e mais uma vez, parabéns.

    • “Sobranceria”. É sempre bom aprender uma palavra nova. 🙂 Coisa que, se eu fosse realmente arrogante, não admitiria, não é?

      Os termos em inglês estão também explicados nas regras; não são exibicionismo (please! se me quisesse exibir, não o faria na língua mais fácil do mundo!), vêm apenas do facto de eu 1) ser informático, e 2) praticamente só ler em inglês (em grande parte porque prefiro as coisas na sua versão original). É mais fácil expressar-me assim, e, de qualquer forma, o blog é meu, e não faz sentido ir aos blogs de outras pessoas dar sugestões de estilo de escrita (erros de português, no entanto, já são outra história: até agradeço que me corrijam).

      Conheço bem o “The God Delusion”, que, além de ter em livro, também tenho em audiobook — foram talvez as 13 horas de condução (ao longo de várias semanas) mais agradáveis e calmas da minha vida. Recomendaria também “god is not Great”, de Christopher Hitchens (não sei se há em português), e “The End of Faith”, de Sam Harris (esse há, como “O Fim da Fé”, já o vi à venda).

      Já agora, para quem não se considera crente, deixem de ter medo de se auto-descrever como “ateus”. O termo não implica arrogância, nem que se acha que se sabe tudo sobre o universo, nem é “tão fanático / fundamentalista como ser crente”, nem é uma posição que “depende de fé”, nem nada do género. Qualquer coisa para a qual não há evidências deve, se formos intelectualmente honestos, ser tratada como qualquer outra coisa para a qual não há evidências, como a chaleira em torno de Marte que o Mário Valente mencionou. Não faz sentido ser “agnóstico” em relação a Jeová ou Alá e ser “ateu” em relação a Odin ou Zeus ou o Monstro Voador de Esparguete: há exactamente tanta evidência para uns como para outros (e é impossível provar que algum deles NÃO existe), e a popularidade actual de uma crença em relação a outra não diz absolutamente nada em relação à sua veracidade.

  11. Khorazyn diz:

    A religião, assim como o Bem e o Mal, é uma mentira inventada pelo Homem para controlar o Homem.

    Adam Warlock

  12. Khorazyn diz:

    http://paginalusofona.blogspot.com/2009/10/ratzinger-alias-bento-xvxi-e-pedofilo.html

    ABUSOS SEXUAIS E O VATICANO – documentário

    Mais de que qualquer outro papa, Ratzinger, agora Bento XVI, foi desde o primeiro momento muito mal quisto por imensos católicos que já eram conhecedores de parte ou da quase totalidade do seu percurso. Mais mal quisto é se admitirmos a possibilidade de ser, ou de ter sido, pedófilo.

    Já o acusaram de ter feito parte do nazismo e um adulador das políticas de Hitler. Não vamos por aí porque é minha vontade que a prosa não cresça e se afaste de um documentário que acabei de ver no canal da TVCABO que dá pelo nome de Odisseia.

    O documentário em questão intitula-se “Abusos Sexuais e o Vaticano”, apresentado entre as 21:00 horas e as 21:45 de hoje. Nele percebemos quão é criminosa a igreja católica e o Vaticano, na protecção que dá aos padres pedófilos, aos que abusam sexualmente de crianças ficando impunes, apesar de serem conhecidos milhentos casos por todo o mundo e prever-se que ascendem a milhões, se tomarmos em consideração os milhões de crianças a que aqueles criminosos têm acesso.

    Durante vinte anos foi o cardeal Ratzinger, agora papa, quem estava a cargo do assunto. Cardeal que remexeu numa lei dessa malfadada igreja, que já protegia os padres pedófilos e pretendia causar temor às vítimas – lei de cujo nome em latim não recordo – para com a sua remexida ainda mais obstaculizar que as verdades dos crimes praticados pelo vaticanais funcionários se soubessem e, ou, que as leis dos países fossem abranger as práticas criminosas cometidas e retirá-los da impunidade.

    Uma pergunta me ocorreu: Ratzinger com a sua atitude de dificultar ainda mais que se fizesse justiça, dando protecção máxima aos padres pedófilos, será digno de ter sido nomeado papa? Uma resposta evidente me surgiu: será digno… numa igreja criminosa e pedófila, que se protege nos seus dogmas em completo abandono das suas vítimas, regra geral crianças. Uma igreja repelente, contentora e protectora de elementos criminosos, até aos olhos do deus que eles dizem representar.

    Ainda outra pergunta: Ratzinger terá sido nomeado Papa por ser pedófilo? Se não é pedófilo porque razão ainda agravou mais as dificuldades da sociedade civil e democrática de aplicar as suas leis aos padres criminosos? Como foi eleito, isso significará que na igreja dita católica existem assim tantos bispos pedófilos que até consigam eleger um seu igual. Um criminoso?

    São questões a que certamente jamais teremos respostas. Ficamos somente com a certeza de que na igreja católica se acoitam grandes criminosos sexuais e na forte dúvida sobre se um deles será um fulano a quem chamam papa Bento XVI.

    Vejam o documentário, com a certeza de só nos resta desprezá-los.

  13. LVSITANO diz:

    Parabéns pelo excelente post, Pedro. Quer o post quer o debate com o Mário Martins estão absolutamente fantásticos.

    Quanto ao post em si, concordo inteiramente. E gosto da forma como expões os factos, com a utilização de hiperligações e alguns esclarecimentos.

    Mais uma vez, parabéns.

    PS: http://i36.tinypic.com/ve29ut.png 😛

    • Obrigado, Marco. 🙂 Vá lá, ainda há alguém que acha piada a uma troca de ideias e argumentos… Actualmente, como disse no teu blog, parece que quando argumentamos com alguém, a única resposta que nos sabem dar é a cobardíssima “tens de ter sempre razão, não é?”, e variantes da mesma. Por alguma razão, parece que a sociedade de hoje meteu na cabeça que 1) não existe uma realidade que “manda”, e “ter razão” é apenas uma questão de força de personalidade / gritar mais alto que o outro, e 2) dizer “estás errado” é deitar a outra pessoa abaixo, é um insulto pessoal. Mas isto é outra guerra…

      Quanto ao anúncio que te calhou, está engraçado. 🙂

      • LVSITANO diz:

        É precisamente isso.

        A maioria das pessoas com quem me relaciono tem o tipo de atitudes que tu referiste, mas principalmente acha a sua opinião intocável. As pessoas gostam de partilhar a sua opinião e normalmente sorriem enquanto o fazem (deve ser um argumento qualquer de simpatia), e se a tua opinião for divergente, elas simplesmente põem o famoso “eu fico com a minha, tu ficas com a tua” em prática. Aí tens duas grandes hipóteses: ou páras o “debate” (que nem chegou a começar) para a pessoa não ficar (literalmente) ofendida ou continuas a tentar uma discussão saudável e arriscas-te a que ela aja como as crianças de 5 anos quando são repreendidas.

        O que mais me frustra no meio de isto tudo é que, actualmente, quem quer partilhar opiniões ou fazer debates entre amigos tem problemas antes sequer da troca de opiniões começar. Ou seja, o problema é seres ouvido pelo outro, nem sequer é não teres argumentos para lhe refutar as afirmações. E isso é um pouco preocupante.

        Nada que não se resolva. 🙂

  14. […] blog tem seguido um caminho demasiado racional e de certa forma sobranceiro (obrigado pela palavra exótica, Jorge), o que não era de todo a minha intenção, pois não é assim que me sinto. Se alguma vez pareci […]