Ateus “zangados”, “intolerantes” e “extremistas”

Em resposta ao meu post recente sobre as afirmações de Saramago em relação à Bíblia e à religião, alguns dos comentários foram do género habitual: em vez de discutir factos, acusam-me a mim, e aos ateus em geral, de estarmos “zangados”, sermos “intolerantes”, “extremistas”, “tão fanáticos como os piores dos crentes”, e afins. Nem todos esses comentários estão no post, alguns foram por IM, e um deles até veio de uma pessoa cuja inteligência e cultura eu admiro.

Porquê? Porque, infelizmente, a balança tende tanto para um dos lados, e é assim há tanto tempo, que qualquer movimento no sentido contrário, por muito pequeno que seja, é chocante e parece “extremista”. Mesmo, muitas vezes, para quem também não tem qualquer tipo de crença religiosa (o famoso “eu não sou crente, mas…”).

Para mostrar como essas acusações (além de serem cobardes – porque é que não dizem onde e porque é que os ateus estão errados, em vez de se focarem no tom de voz ou de nos tentarem traçar um perfil psicológico?) são absurdas, sem qualquer justiça, e sem nenhuma relação com a realidade, deixo-vos com dois cartoons, já antigos, e que são variantes do mesmo tema:

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Não preciso de explicar, pois não?

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3 Comentários a “Ateus “zangados”, “intolerantes” e “extremistas””

  1. Luis Bastos diz:

    Bem, o problema aqui não é o facto de seres ateu. Acho que basicamente o pessoal está a borrifar-se para o teu ateísmo. O que importo aqui analisar é o facto de teres um blogue que recorrentemente volta ao assunto religião de forma quase doentia.
    Existe, a meu ver, duas razões para isso:
    1. O assunto religião é algo que não te deixa dormir e que obviamente te perturba.
    2. Percebes que o tema religião é um tema que te traz visitantes e comentários e por isso investes no único tema que te dá alguma visibilidade.

    • E eu que pensava que podia escrever o que queria no meu blog… ingenuidade da minha parte, pelos vistos. 🙂

      Por acaso estou-me nas tintas para o ponto 2, neste caso. Se quisesse visitas e dinheiro com este blog (ou com qualquer outro), falaria era de gadgets e afins.

      Quanto ao “quase doentia”, vai insultar para outro lado.

      Recuso a ideia de que importarmo-nos com qualquer assunto nos torna “fanáticos”, “extremistas”, “obcecados” ou “imaturos”, e que a única posição aceitável é a indiferença e a apatia em relação a tudo (excepto, pelo que vejo, futebol). Interesso-me por este tema, e escrevo sobre ele. Quem não se interessa, não leia.

      • Já agora, uma curiosidade. Provavelmente apanhas os posts deste blog pelo PlanetGeek (já que não te imagino a vires de propósito a um blog de alguém de quem discordas tanto). Vais a um blog de um fã da Apple queixar-te de que por ele escrever tanto sobre Macs e iPhones ele “fala recorrentemente do assunto de forma quase doentia”? Vais ao de um apologista do open source que critique regularmente as práticas da Microsoft dizer que a MS “é um assunto que não o deixa dormir e que obviamente o perturba”?

        Não me parece. Se não te interessas por Mac ou open source, simplesmente saltas os posts sobre esses assuntos.

        Mas, por alguma razão, este assunto em particular incomodou-te o suficiente para vires aqui fazer o que eu mencionei neste post: tentar traçar um perfil psicológico meu.

        Porque será?