Coisas que acho estranhas, parte 2

(pensavam que me tinha esquecido desta série, não pensavam?)

Pessoas que mudam completamente de atitude, personalidade e aparente opinião em relação a nós de uns dias para os outros, de uma forma que (na minha opinião) vai muito para além de um mero resultado de um estado de espírito.

Repare-se, eu compreendo perfeitamente que uma pessoa “tenha dias”. Acontece comigo também, e com toda a gente, imagino. É naturalíssimo que nuns dias estejamos mais bem dispostos do que outros. Que nuns dias nos apeteça ter conversas “banais” e noutros não tenhamos qualquer paciência para trivialidades. Que nuns dias estejamos mais sociáveis, e noutros queiramos a paz e sossego só encontráveis na solidão. Que em certas alturas estejamos optimistas e vejamos o lado bom de tudo, e noutras alturas seja exactamente o oposto. Até — e isto é perfeitamente natural e não tem mal nenhum — que ocasionalmente não nos apeteça uma companhia que em geral apreciamos e procuramos.

Eu não me estou a referir a isso.

Refiro-me mesmo a mudanças tão dramáticas que, se tivesse os pés um pouco menos assentes na terra, me fariam pensar em “evil twins”, “shapeshifters”, ou algum outro tipo de conspiração em geral só encontrável na ficção científica.

Refiro-me a pessoas, com quem já tivemos confiança e proximidade (e não, não estou a falar desse tipo de proximidade, se bem que também pode ser um tipo válido da mesma), de um dia para o outro agirem como se fossemos completos estranhos; não apenas como se tivessem mudado de opinião em relação a nós, mas como se realmente não tivessem qualquer memória da confiança e à-vontade que já existiram — por vezes, há tão pouco tempo como uma semana.

Refiro-me a pessoas que pareciam adorar-nos e a certa altura, sem razão aparente, desaparecem de um dia para o outro sem dizer nada.

Refiro-me a pessoas que falam connosco com alguma frequência, por exemplo por instant messengers, mas que nunca se sabe qual das “versões” vamos apanhar — a simpática e atenciosa, a antipática e agressiva, ou a distante e “simsimtábem”? — até se conversar um bocado. E, quando estão num dos dois últimos modos, nunca avisam (ex. “hoje estou um bocado mal disposto/a; se disser alguma coisa menos simpática, dá desconto, OK?”, ou mesmo “agora não é uma boa altura; podemos falar amanhã?”), nem têm sequer consciência de que estão a agir assim.

E, sim, é óbvio que estou a falar de várias pessoas que conheci na minha vida — algumas recentemente, outras nem tanto. Mas isto não é um post de “revolta”, e sim de confusão: o que é que faz as pessoas ser assim, agir assim? Serei só eu a observar isto? Ou tenho mesmo tido azar com uma proporção invulgar das pessoas que tenho conhecido ao longo dos anos?

5 Comentários a “Coisas que acho estranhas, parte 2”

  1. Cris diz:

    Por vezes, por força de acontecimentos passados, geram-se climas interpessoais em que uma pessoa simplesmente não sabe muito bem o que dizer.
    Não quer dizer que as pessoas se passem a odiar ou deixem de se preocupar.
    De qualquer forma. o afastamento, na maioria dos casos, é mútuo.

  2. Ka diz:

    Hmm…. isto deve ser um problema de leão, porque eu já passei por isso também. E nunca consegui compreender ou aceitar muito bem.

    Se descobrires, you let me know!

  3. InêsG diz:

    Humm….aproveito para te dar os parabens pelo teu blog, já li umas quantas entradas e são muito acessiveis e estranhamente interessantes (facil de dizer quando nos identificamos com o que está escrito).
    Este post interessou-me mais do que todos aqueles que li (vá…também não foram assim tantos), porque ironicamente estou a tentar descodicar o mesmo problema (inutilmente tenho que confessar).
    Bem continua com este espaço….está deveras….interessante! lol

  4. velvetsatine diz:

    O problema é que nós achamos sempre que são os outros que agem de forma diferente ou que estão de mal connosco e muitas vezes somos nós que agimos de forma diferente e de mal para com os outros. Tal como os outros muitas vezes não se apercebem, nós também não nos apercebemos.

    As relações são assim mesmo: com pontos altos e baixos e nunca, mas nunca lineares.

    O diálogo é a melhor forma de ultrapassar essas situações. E por diálogo refiro-me a ouvir o outro e a dizer o que sentimos e sermos também ouvidos. Experimenta.

    🙂