Ideia: blog de ateísmo em português

Já escrevi aqui alguma coisa sobre ateísmo e religião, provocando as respostas do costume (“se não és um teólogo não podes falar do assunto”, “não percebes nada disto”, Pascal’s Wager, etc., bem como, talvez mais ainda, “se falas tanto nisto é porque no fundo acreditas” ou “és tão fanático como eles”, que, na melhor das hipóteses, são um “isto não me interessa, logo não é legítimo falares do assunto”… e se isso é a melhor das hipóteses, imaginem as piores). Mas ando com alguma vontade de escrever mais sobre o assunto, o que realmente se poderia tornar chato para quem 1) queira ler o meu blog pessoal mas não tenha interesse no assunto, e 2) leia o blog pelo PlanetGeek; acho que um blog maioritariamente sobre ateísmo (ou sobre religião, ou sobre política, ou…) não faz realmente muito sentido estar agregado lá (se bem que longe de mim reclamar se aparecer lá algum assim).

Assim sendo, ando há tempos a pensar em criar um novo blog, começando por copiar para lá os posts que fiz aqui sobre o tema. Ainda não decidi completamente se o vou fazer, mas a coisa está encaminhada nesse sentido, já que, caso não o faça, vou sempre estar a “auto-censurar-me” ao escrever aqui (ex. “não escrever vários posts seguidos sobre isto”, “ando a escrever demais sobre o assunto”, “não quero que o blog seja isso”, etc.)

A desvantagem óbvia é que antecipo muito menos leitores, já que aqui sempre “atinjo” amigos e o PlanetGeek, enquanto o novo blog vai ser, imagino eu, maioritariamente ignorado pelos primeiros (não tenho amigos que se interessem pelo assunto) e não vai estar agregado no segundo. Mas mesmo assim parece-me ser a coisa certa a fazer; pelo menos escreverei o que quiser sobre o tema, sem “papas na língua”, e na quantidade que quiser.

Não há muita coisa em Portugal sobre este tema. Googlando, descobri uma Associação Ateísta Portuguesa e um Portal Ateu; penso incluí-los (sobretudo o segundo, que parece ter actualizações regulares) na minha leitura diária, mas acho que o foco do que planeio fazer — é só olharem para os posts anteriores — é um bocado diferente, e não vai propriamente haver “competição” entre ambos.

Vai ter leitores? Não sei. Imagino que até apareçam mais brasileiros do que portugueses; nós cá somos muito apáticos em relação a estes temas, sendo essencialmente um país de “Católicos não praticantes”: acreditamos que deve haver algo “superior”, dizemos “meu deus!” como interjeição, e vamos à missa pelo menos em baptizados, casamentos e funerais; ou seja, não somos ateus, de forma alguma, mas também não temos as nossas vidas em geral afectadas pela religião (afinal, os milhões de africanos a morrer por causa da Sida que prolifera graças às monstruosas mentiras do Vaticano “estão lá muito longe”)… excepto, claro, em questões como o aborto e o casamento de homossexuais, em que aí se vê a força da religião, mesmo na sua versão “não-praticante”, e a sua capacidade de impedir a igualdade de direitos, travar o progresso da humanidade, e aumentar o sofrimento.

Bem, quando (e se, se bem que é o mais provável) lançar o site, menciono-o aqui, e não me voltam a ouvir falar disto se se limitarem a ler este blog. 🙂

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3 Comentários a “Ideia: blog de ateísmo em português”

  1. João diz:

    Boa. Através do PG tem sido interessante e instrutivo passar por cá de quando em vez. Por exemplo: Fica-se a saber que um ateu não é só alguém que diz não acreditar em Deus, mas como também faz questão de fazer disso um doutrina, como se tivesse necessidade de se convenecer da sua posição, a si próprio mas também os outros.
    Eu que também me considero ateu, limito-me apenas a não acreditar e pensava que um ateu era mesmo isso. Não acreditar e pronto! Mas pelos vistos verifico que há ateus pouco convenciodos.
    Fazer um blog sobre o assunto é assim uma boa ideia e que só confirma essa necessidade. Acho que vou seguir o exemplo, e eu que não acredito que o Benfica vá ser campeão, vou fazer um blog para justificar essa descrença e, quem sabe, ainda vou demover os tais 6 milhões que pensam o contrário.
    Eu que não não acredito que as ostras vão dominar o mundo vou fazer um blog que me ajude a convencer disso.
    Quanto à afirmação: (afinal, os milhões de africanos a morrer por causa da Sida que prolifera graças às monstruosas mentiras do Vaticano “estão lá muito longe”), é demasiado ligeira para ser levada a sério e que até contraria a afirmação anterior “…mas também não temos as nossas vidas em geral afectadas pela religião”.
    Ou seja, chegas à conclusão que a religião serve para umas coisas mas não serve para outras, e como tem as costas largas serve para justificar todos os males do mundo. Afinal de que morrem os restantes milhões de SIDA no resto do mundo? Claro, responsabilidade do Papa e do Vaticano. De que morrem os assassinados milhões em todo o mundo? Claro, devido ao Papa e ao Vaticano e à religião católica que apregoa a tese de que devemos perdoar e dar a outra face. Ou seja, os religiosos estão-se cagando quanto às orientações da Igreja quanto ao aborto e quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo mas já são cumpridores quanto ao não enfiar a camisinha na hora de enfiar o carapau…De facto tens um excelente raciocínio.

    Francamente….

    • Interessantemente, acabas por fazer exactamente as “queixas” que mencionei no post: que não é válido eu escrever sobre o assunto, que ao importar-me com isto sou “tão fanático como eles”, e assim por diante. Eu tenho as minhas razões — que já mencionei aqui várias vezes — para me importar com o assunto — tanto pela questão de racionalidade / irracionalidade, como por querer fazer algo para tornar o mundo melhor e considerar a religião um dos maiores males no mundo (e, please, não respondas a dizer que considero a religião o único mal no mundo, não foi isso que eu acabei de escrever), como pelo facto de simplesmente gostar de participar em discussões lógicas (e infelizmente parecer ser o único, neste país, pelo menos quando o tema é este).

      Agora, quando pessoas (como, infelizmente, acabaste de fazer, e já estou farto de que assim seja), em vez de concordarem ou discordarem, vêm aqui questionar a mera legitimidade de eu falar no assunto… desculpa, mas isso é errado. Eu não vou a blogs ou sites de temas que não me interessam criticar o pessoal por estarem a falar de coisas que não me dizem nada, que acho absurdas, triviais, insignificantes, etc.. Não me interesso por futebol, mas não vou ao MaisFutebol ou coisa parecida dizer que são todos parvos (ou “fanáticos”) por se importarem tanto com o que acontece num estádio.

      Quanto à questão da Sida e dos preservativos, era melhor que lesses as coisas antes de as comentar:

      mas também não temos as nossas vidas em geral afectadas pela religião (afinal, os milhões de africanos a morrer por causa da Sida que prolifera graças às monstruosas mentiras do Vaticano “estão lá muito longe”)

      Ou seja, a religião não nos afecta muito , entre outras coisas, porque o horror que acontece em África (onde a religião tem muito mais poder) está muito longe. Fiz-me entender? Não há aí qualquer contradição.

      Depois, parece-me que estás a argumentar que, se só parte das vítimas de Sida morrem por causa da religião, não se pode criticar esta última. Desculpa, mas isso faz algum sentido? É como dizer que não se pode condenar um serial killer porque, ao mesmo tempo que ele cometeu os crimes, outras pessoas morreram de morte natural…

      • Little Wanton diz:

        Olha no que tu te foste meter rapaz!
        Agora vem aí um tipo fazer um post sobre como os ‘serial killers’ só matam pessoas que já iam morrer de qualquer das formas lol
        Como dizem os brasileiros, “Tá cutucando a onça com vara curta!”