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Mais Papa, mais preservativos, e mais comentários

Sexta-feira, 20 de Março, 2009

O leitor CSousa deixou num post anterior meu um link para este post, com a sugestão de eu o ler. E porque não?

Primeiro, o autor do post fala da qualidade de Ratzinger / Bento 16 como teólogo. Já aí estamos perante um problema.

Deixem-me explicar a minha posição com um exemplo. Eu posso ser o maior fã do Homem-Aranha do mundo. Posso ler todas as comics existentes (e são milhares e milhares, desde os anos 60) várias vezes, posso ler dissertações filosóficas sobre o personagem, posso entrevistar o Stan Lee e o Steve Ditko, bem como alguns dos mais recentes argumentistas do personagem. Posso ir a convenções, juntar-me a clubes de fãs, escrever blogs, e passar todo o meu tempo livre a pensar no personagem, de forma a ter novos “insights” sobre ele e o que o faz vibrar. Posso tomar decisões no dia-a-dia pensando “o que é que o Homem-Aranha faria nesta situação?”. Posso, em resumo, conhecer o personagem tão bem ou melhor do que qualquer pessoa no planeta, ser o maior especialista nele ele à face da terra.

Isso faz o personagem existir? De forma alguma. E se eu afirmasse que ele existe, estaria completamente louco, exactamente como alguém que afirmasse isso sem conhecer quase nada dele. O meu conhecimento extremo de um personagem fictício não o torna real.

Teologia é exactamente a mesma coisa. É o estudo de algo fictício, inexistente. É uma não-ciência. O Papa pode ter passado a vida dele a pensar sobre a personalidade e desejos do Deus cristão; pode ter lido e entendido mais textos sobre o assunto do que qualquer outra pessoa. Pode passar anos da sua vida a rezar. Pode dedicar a vida inteira a isso. Mas isso não faz Deus passar a existir, e muito menos faz com que esse personagem fictício dê ao Papa algum conhecimento ou informação que os “mortais comuns” não têm.

Teologia, como alguém disse no passado, é um cego a procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá… e “encontrá-lo”.

Depois, vem aquilo que os defensores do Papa têm andado a dizer como desculpa: que ele não disse que o uso do preservativo agrava a epidemia da Sida, mas que é a sua distribuição que o faz. Desculpem lá, mas… estão a tentar usar a Chewbacca defense, ou quê? Essa distinção não faz qualquer diferença neste contexto; a distribuição dos preservativos tem como único objectivo o aumento do seu uso. De certeza que estes não são para fins decorativos…

A citação da “Dra.” é tão moralmente repugnante que dá vontade de nem lhe responder. É mais uma variante do NOMA (non-overlapping magisteria), a ideia de que a ciência e a religião não estão em conflito, porque a primeira se dedica ao “como” e a segunda ao “porquê”, sendo a moralidade o apanágio da segunda. Não vou entrar aqui em explicações detalhadas pelas quais isso é absurdo; digo-vos apenas isto: que autoridade tem a religião, sem qualquer “linha directa” para algum ser superior, e culpada das maiores atrocidades feitas em nome de “Deus”, para falar de moralidade? Nenhuma; e por isso a “moralidade” da mesma resume-se a 1) livros escritos há milhares de anos que aceitam a escravatura e afirmam a inferioridade e necessária submissão da mulher em relação ao homem, e 2) um conservadorismo abjecto e oposição a todo o progresso da sociedade.

Um cristão ou um membro de qualquer outra religião — ou mesmo um líder da mesma religião, como neste caso o Papa — não é um especialista em ética ou moralidade. A sua “moralidade” resume-se a tentar adivinhar os caprichos de um ser em que acredita apesar de não haver quaisquer indícios da sua existência, seja teorizando, seja lendo o que outros crentes nesse ser (não mais iluminados do que ele) escreveram. Querem moralidade, falem com filósofos focados na mesma, ou pensem por vocês próprios; não há nada a tirar da religião nesse aspecto (ou, o pouco que haja, não é nada do outro mundo e não é original deles: se pensam que “faz aos outros o que queres que te façam” teve origem em Jesus Cristo, estão completamente enganados).

Depois, há quem diga (não necessariamente naquele post, mas já vi o argumento por aí) que os preservativos não são 100% eficazes a prevenir a Sida, logo “não são solução” e mais vale estar quieto. Desculpem-me?!? Uma solução que previne 90% das infecções (ou mesmo que fosse 50%, ou até menos) é “o mesmo que nada”? Sabem de quantos milhões de vidas potencialmente salvas se está a falar? De quantas pessoas, mesmo não sendo todas elas, podem livrar-se de sofrer de forma horrível e morrer permaturamente? Importam-se com isso, minimamente? Ou todas essas vidas são para vocês “o mesmo que nada”? E, já agora, as campanhas de abstinência têm melhores resultados a reduzir a Sida? Bem me parecia.

Por último, a quem acha que o que o Papa disse não é desprezível, deixo-vos este desafio: se Deus não existisse (eu estou convencido de que não existe, mas, no vosso caso, “imaginem-no” durante um pouco), a afirmação do Papa teria mesmo assim algum valor ético e moral positivo, em termos puramente humanos? Faria, na mesma, algum bem ao mundo? Ajudaria a reduzir a Sida? Aliviaria o sofrimento e evitaria a morte prematura de milhões? Seria louvável? Se sim, porquê? E, se não, já pensaram no que isso diz sobre a moralidade do deus que adoram?

P.S. – se a vossa resposta for “sim, porque senão aquela gente toda vai ter sexo, sexo e mais sexo, e vai ter prazer nisso, e isso enoja-me, enoja-me, enoja-me!”, lamento sinceramente o que os vossos pais vos fizeram na infância, mas é possível ultrapassar isso com ajuda psicológica / psiquiátrica.

Anti-Educação Sexual: afinal, o que é que esta gente quer?

Segunda-feira, 16 de Março, 2009

condenei ontem a atitude, os objectivos e a “moralidade” daquilo a que se podia chamar grupos pseudo-pró-vida (GPPVs, para abreviar); o “pseudo” vem do facto de eles aparentemente só se preocuparem com a vida até ao parto, e não terem problemas nenhuns com o sofrimento humano, nem com a ideia de uma “morte em vida”.

Mas eu tenho a irritante mania de querer sempre entender tudo, incluindo as posições do “inimigo”, o que é que as causa, e o que é que eles realmente querem. Neste caso, por exemplo, uma pessoa de fora pensaria que GPPVs, por serem totalmente anti-aborto, seriam os maiores apoiantes da introdução da educação sexual obrigatória às crianças! Afinal, é esta (e não a “abstinência”, que não é nem nunca foi realista), sem dúvida, a forma mais eficaz de reduzir ao máximo o número de abortos, por praticamente acabar com os possíveis motivos para estes. Se os jovens souberem o que estão a fazer, souberem como é que se engravida, e souberem como o evitar, tendo sexo de forma realmente segura, não haverá mais gravidezes indesejadas. Aliás, até poderia argumentar que se se conseguir transformar o sexo numa coisa bonita e saudável, em vez de “porca” e um bicho de sete cabeças, isso poderá diminuir o número de violações, fazendo cair ainda mais o número de abortos. Como disse, isto devia ser o que eles querem… não?

Mas não. Nem por sombras. Continuam a opor-se a todo e qualquer método contraceptivo, incluindo os tão convenientes preservativos; continuam a dizer que o sexo tem de ser só dentro do casamento e só para fins reprodutivos, nunca para prazer. Há até grupos a opor-se ao uso de preservativos dentro do casamento, mesmo sendo um dos membros do casal seropositivo. Se isto não vos choca, não sei o que chocará.

Porque é que eles agem de uma forma aparentemente tão contraditória em relação ao seu “stated goal”? Porque é que a ideia de as pessoas terem sexo por prazer, sendo isso visto como algo saudável e natural, em vez de um bicho de sete cabeças, os assusta tanto? Podia aqui armar-me em psicólogo barato e dizer que é por eles próprios não terem vida sexual (devido à educação repressiva que tiveram e à falta de carisma natural 🙂 ), e quererem forçosamente reduzir o resto do mundo ao seu nível. Isso até pode ser um factor em alguns casos, mas eu diria que as razões principais são aquelas que eu mencionei no fim do meu último post: controlo, e a criação de um Inferno na Terra.

Em “O Nome da Rosa”, o vilão opunha-se à divulgação de um livro do Aristóteles sobre a comédia, porque isso a legitimaria, e o riso afasta o medo. Sem medo, dizia ele, as pessoas não precisam de Deus (e eu acrescentaria: não precisam de religião… nem da Igreja). Logo, era importante manter as pessoas no medo, e se isso implicasse abafar a verdade de forma a manter a ignorância, ou mesmo provocar a morte de pessoas inocentes (como ele faz), que assim seja. Aqui é algo semelhante. Pessoas felizes viram-se menos para a religião do que pessoas infelizes; daí os três monoteísmos se oporem tanto ao prazer, e a formas de viver psicologicamente saudáveis. Isso não é do interesse deles. A frustração, essa, é. O sofrimento. A repressão dos nossos instintos naturais. A falta de esperança em relação à vida na Terra, transferindo essa esperança toda para uma suposta vida depois da morte. O medo. A ignorância.

E, claro, há a questão do controlo. Grande parte do controlo da religião sobre as pessoas vem do controlo – através, em grande parte, da demonização – da sexualidade. Isso já tem milhares de anos; afinal, porque é que o deus da Bíblia parece ser tão obcecado pelos nossos órgãos genitais? Porque, ao transformar algo que é naturalmente parte do ser humano num “pecado” horrível, sujo e hediondo, isso cria culpa e medo nas pessoas; e nada torna uma pessoa tão maleável ao controlo como a culpa e o medo.

A estupidez e imoralidade do “pró-vida”

Domingo, 15 de Março, 2009

Cectic - "Loaded Guns"Fonte: Cectic

Via Maracujá, este artigo no Público capaz de provocar vómitos pela irracionalidade e, sim, imoralidade do grupo descrito. Porque o que é imoral não é a educação sexual, nem o próprio sexo, mas sim a tentativa de perpetuar a ignorância, sem ter quaisquer problemas com o sofrimento causado.

Por exemplo:

O movimento católico Portugal Pró-Vida não quer aulas obrigatórias de educação sexual nas escolas portuguesas, informou o presidente Luís Botelho Ribeiro. “A obrigatoriedade dos alunos frequentarem as aulas de educação sexual é anti-democrática e muito perigosa para a sociedade portuguesa”, referiu a mesma fonte.

E ainda:

Contra o aborto, o movimento assume uma nova “luta” contra a existência de aulas de educação sexual nas escolas e contra a obrigatoriedade da sua frequência.

Mas, ainda pior,

“As ideias e os ensinamentos que vão ser transmitidos aos estudantes vão fazer com que, daqui a poucos anos, tenhamos uma geração de portugueses para quem nada é proibido nem moral, nem eticamente”, frisou Luís Botelho Ribeiro.

E, claro,

“Nos manuais de educação sexual que já tivemos oportunidade de ver só se fala de sexo.”

Desculpem se ofendo alguém (se bem que quem se ofender com isto bem o merece), mas isto é nojento. Por um lado são absolutamente contra o aborto, mas por outro lado são também contra todas as alternativas ao mesmo: contraceptivos, sexo responsável, ou mesmo saber-se o que se está a fazer. E, claro, continuam a igualar a moralidade a um puritanismo retrógrado, anti-prazer e anti-vida (já que “vida” não é só um coração a bombear sangue). Não se percebe realmente qual é o objectivo desta gente, se bem que, se tentasse adivinhar, diria que é principalmente controlo. Ou, se calhar, não acham que o Inferno fictício em que acreditam seja suficiente, e querem recriá-lo na Terra.

Referendos, democracia e controlo

Terça-feira, 6 de Fevereiro, 2007

Já outros o disseram (e não podia recomendar mais a leitura desse post, que considero brilhante), e eu próprio já o mencionei no primeiro post sobre o aborto, mas acho que isso merece ser frisado mais uma vez, e expandido: não deveria haver referendo.

O problema de um referendo como este é o problema da democracia directa em geral: é uma ditadura da maioria. Se não há um conjunto de direitos individuais inalienáveis, e completamente acima da “vontade do povo”, então existe um problema: uma maioria pode “sacrificar” uma minoria.

O post para o qual linkei acima dá um bom exemplo: as praias de nudismo. A maior parte das pessoas no país (incluindo eu próprio) não faz nudismo quando vai à praia; logo, o que aconteceria se se fizesse um referendo nesse sentido, de forma a aplicar uma lei ao país inteiro? É certo que haveria alguns “ajuizados” que, mesmo sem o praticarem, votariam para que este não fosse totalmente proibido, mas acredito que, mesmo assim, o “não” ganharia. A maioria que é contra o nudismo (ao contrário de simplesmente não o praticar) está em maior número do que a soma dos que o querem praticar e dos que não o praticam mas não querem impor a sua moralidade a outros. Assim sendo, não haveria praias reservadas para nudistas; simplesmente, seria proibido, e quem quer que o praticasse estaria sujeito a multas ou prisão.

Democrático? Sim. Injusto? Sem dúvida. E é por isso que, em vez de se fazer um referendo, se definiu praias especialmente para nudistas. Provavelmente ainda há uns moralistas que acham que qualquer tipo de nudismo público, seja onde for, é “pecaminoso”, e que se sentem incomodados por saberem que alguém, em algum lado, está nu numa praia (nem que seja a 300 km dali) mas não podem fazer nada a respeito disso.

Um outro exemplo: a maior parte dos países árabes, acreditem ou não, tem governantes bem mais liberais do que o povo dessas mesmas nações. Se num país como a Arábia Saudita, Síria, Irão, etc., se fizesse um referendo em relação aos direitos das mulheres, elas ficariam muito pior do que estão actualmente (o que já é bem mau). Ou se houvesse um referendo relativamente ao que fazer aos “infiéis”, em breve os apedrejamentos estariam legislados (não apenas permitidos, mas obrigatórios). O povo é mais fanático e mais brutal do que os governantes. Se houvesse “democracia” total, haveria muito menos justiça e muito menos liberdade. A maioria esmagaria as minorias.

Tal como disse Larry Flynt, uma democracia que esteja acima dos direitos individuais é o equivalente a três lobos e uma ovelha a votar sobre o que vai ser o jantar.

O caso actual é mais do mesmo. Não deveria haver referendo, porque este acaba por dar poder a um grupo a querer controlar o que os outros podem ou não fazer, violando assim os seus direitos individuais — e esse grupo é suficientemente grande para o conseguir “democraticamente”. E, por isso, o facto de haver este referendo é de uma cobardia tremenda da parte do PS, que tem maioria absoluta e é, supostamente, a favor do “sim”. Não se trata de “o povo decidir”; há direitos individuais que devem estar acima da vontade do povo, e que não estão a ser respeitados. E qualquer governo que se preze deveria ter como papel principal proteger esses direitos.

Um governo que não o faça… não serve para nada.

Aborto: a vingança parte II

Quarta-feira, 31 de Janeiro, 2007

(ei, já vi títulos piores!)

Nota: o seguinte é adaptado e um pouco expandido de um comentário que fiz no blog do Mário Lopes. Uma boa parte do que se segue já foi dito noutros posts, recentemente, aqui, mas não exactamente por estas palavras… e nem tudo é repetido.

Tento, também, responder, finalmente, à questão do Samuel: “O que é que é um ser humano? Quando é que um feto se torna um ser humano?”, se bem que o comentário-tornado-post, em geral, não foi escrito para responder a essa questão, mas sim ao tal post do Mário Lopes. Daí ser expandido, e não copiado. 🙂

Without further ado…

(mais…)

Aborto: Resposta ao Sérgio, e desabafo

Quarta-feira, 24 de Janeiro, 2007

Comecei a escrever um comentário, mas ficou grande, e acho melhor que seja um post completo.

O teu post não é sobre o sofrimento. O teu post é que é um insulto a todas as pessoas que têm uma opinião diferente da tua. Tu generalizas e achas que todos os que vão votar não são retrógados religiosos. Dessa forma eu nunca poderei discutir o assunto contigo.

E acho piada que como eu acusei o teu post, tu assumiste imediatamente que eu era um dos do ‘não’. Eu nunca manifestei aqui a minha opinião sobre o aborto, apenas sobre a forma como tu abordas o tema que é com palas nos olhos. Aliás acho que tens vindo a colocar cada vez as palas mais apertadas.. O meu interesse neste blog desapareceu… ainda tinha alguma esperança, mas acho que se foi mesmo.

é menos uma feed no leitor.

Sérgio: não sei se ainda lerás isto, mas é uma pena. De qualquer forma, no outro post dos limites de velocidade, demonstraste que não lês os posts, já que tiraste uma conclusão completamente diferente do que eu escrevi, e acusaste-me de ter como único objectivo subir os limites de velocidade para poder andar aí como um louco a atropelar pessoas e provocar acidentes. Alguém que conclui isso 1) não leu nada do que escrevi, como disse, e 2) tem mesmo — sem me conhecer de lado nenhum — uma opinião muito baixa (e insultuosa, até) sobre mim.

Quanto ao resto, aquele meu post é sobre o sofrimento, sim. O sofrimento provocado ao longo da história, por causa de preconceitos, mentes fechadas, ignorância, religião, e o separar da moralidade do sofrimento (ou seja, a moralidade é agradar a alguma entidade, e se isso implica o sofrimento de milhões, paciência). Há mal quando essa moralidade leva as pessoas a causar o sofrimento de gerações após gerações. Repugna-me, como já disse várias vezes, essa separação da moralidade e do sofrimento. Repugna-me que alguém se veja como “defensor da vida” mas tenha um conceito tão limitado de “vida” que não tenha problemas em condenar pessoas (mães e filhos) a vidas inteiras de sofrimento — de “morte em vida”. Repugna-me que haja mais dor e agonia causados por estes “defensores da moralidade” do que por quem não se vê como tal — e que ninguém pareça reparar nisso; que ninguém seja capaz de dizer “o rei vai nu” em relação a esses “defensores”, de dizer que a “moralidade” que eles defendem não é realmente moral, que eles não falam pelo resto da humanidade.

Não sou relativista. Não vejo tudo na vida como uma simples “diferença de opinião”, em que uma é tão válida como a outra. Se uns querem aliviar o sofrimento e os outros o criam, sem terem nenhum problema com isso, não vou dizer que a moralidade de ambos é igualmente válida.

Ao fazer isto, sou “agressivo”, “insulto as opiniões dos outros”, e “tenho palas nos olhos”. Porque não devia importar-me e deixar que isto me afecte. E porque devia ser relativista, e não julgar, em vez de afirmar que há um lado certo e um lado errado.

Mas não sou assim. Se é alguém assim que querem, realmente estão no blog errado. Sorry.

Mais aborto… agora, outras opiniões

Terça-feira, 23 de Janeiro, 2007

Do meu lado, acho que não vou acrescentar muito mais à questão. Já fui insultado por ter a minha opinião, por ter pensado nela, e por estar certo da mesma, quando hoje em dia é considerado “arrogante” ter uma opinão forte baseada no pensamento; só se aceita uma opinião forte baseada em emoções. Ou em autoridade, ou em religião, ou… Bah.

De qualquer forma, se alguém quiser comentar os meus posts anteriores, e, para variar, quiser responder ao que eu escrevi (em vez de se limitar a dizer que “sou muito agressivo”), tal será apreciado.

Neste post, vou apenas mencionar o que outros disseram (fora deste blog) sobre esta questão.

Primeiro, um post da namorada, chamado A Interrupção Voluntária da Gravidez…. É um bocado mais detalhado do que os meus, e acho que mostra bem os dois lados da questão. Vá, leiam e comentem. 🙂 Inclui argumentos como este:

Para quem não sabe, até às 10 semanas há muitas mulheres que nem têm uma gravidez confirmada e que têm aborto espontâneo sem que soubessem que estavam grávidas. O próprio corpo se encarrega de “expulsar” fetos com problemas graves, é parte da “selecção natural” de Darwin, a não-sobrevivência dos fracos, dos inviáveis.

Logo, segundo a moralidade dos “nãos” (que confundem um ser humano com um aglomerado de células que é um potencial ser humano), quase todas as mulheres com vida sexual são “mass murderers” e nem o sabem…

Depois, quero mostrar um post que considero ser totalmente ridículo. Vem de um partido americano, “America First Party”, que é basicamente mais republicano do que os Republicanos. O post chama-se… wait for it… Abortion Leads to Nuclear War. Sim, parece que a Madre Teresa (que pode ter sido muitas coisas, mas não era, de certeza, uma pessoa inteligente ou culta – ou então era muito mentirosa, porque sem dúvida dizia grandes disparates) disse algo desse género, e os fanáticos de todo o mundo pegam nisso. Portanto, já sabem – não querem ver cogumelos enormes no horizonte, não abortem. Ah, e…

It is abhorrent that abortion supporters choose to hide behind the term ‘choice’ to mask their goal of destroying unborn children and promoting immoral behavior without responsibility

Destruir crianças! Que horror! Que tipo de monstro desumano e cruel quereria alguma vez fazer tal acto hediondo? 😯

É claro que as coisas não são bem assim. Sugiro-vos esta alternativa… deixem se ser um aglomerado irracional e disforme de emoções, e sejam humanos: pensem um pouco. Como este post, em resposta ao comunicado anterior, diz,

nuclear bombs have been used once in war, and I seriously doubt the bombing of Hiroshima and Nagasaki had anything to do with abortion, considering it wasn’t legal in the US in 1945.

E, em resposta à idiotice de “destruir crianças” citada anteriormente,

Let me tell you right now, no one wants to destroy children. It’s just that sometimes an abortion is the only option a mother may have to keep from ruining her life or the lives of her future children. Life is not always fair or simple. That’s the way it is. I wish we could all live in a dream world of magic, but we don’t, and trying to legislate it into reality won’t make it so.

Não teria dito melhor.