Arquivo da Categoria ‘Actualidades’

Teorias de Conspiração, Obama e cepticismo

Quinta-feira, 26 de Março, 2009

Recentemente vi noutro blog um post, “A decepção Obama”, com um nível de paranóia que raramente se vê fora dos EUA. Naturalmente, respondi, e a discussão foi aumentando em tamanho e intensidade, até agora.

Gostaria de saber a vossa opinião, seja lá (até agora têm sido simpáticos e não me apagaram comentários), seja aqui.

Aviso: há bastante para ler.

Aviso 2: a questão aqui não é se o Obama é “bom” ou “mau” presidente; o post, e as posições contrárias à minha nos comentários, vão muito para além disso, sendo constituídos por praticamente tudo o que é teoria de conspiração relacionada com governos mundiais, “new world order”, Illuminati, etc.. E nada daquilo é dito com humor, nem com o mínimo de cepticismo do “será que”. É apresentado como real; a crise foi criada intencionalmente para acabar com as liberdades e heterogeneidade no mundo, para o estabelecimento de uma nova ordem mundial. É assim e pronto, e quem não acredita é um carneirinho ingénuo.

Para terem uma ideia do que é dito sem qualquer tipo de evidência ou justificação — e na convicção de que estão a ser originais:

The Obama phenomenon is a hoax carefully crafted by the captains of the New World Order. He is being pushed as savior in an attempt to con the American people into accepting global slavery. We have reached a critical juncture in the New World Orders plans. Its not about Left or Right: its about a One World Government. The international banks plan to loot the people of the United States and turn them into slaves on a Global Plantation. Covered in this film: who Obama works for, what lies he has told, and his real agenda. If you want to know the facts and cut through all the hype, this is the film for you. Watch the Obama Deception and learn how: *Obama is continuing the process of transforming America into something that resembles Nazi Germany, with forced National Service, domestic civilian spies, warrantless wiretaps, the destruction of the Second Amendment, FEMA camps and Martial Law. *

Opiniões, please?

P.S. – leitura recomendada

Windows 7 Starter Edition, 3 aplicações, e… jornalistas a dormir?

Quarta-feira, 11 de Fevereiro, 2009

Há um grande alarido por cá desde ontem, porque a Exame Informática anunciou que o futuro Windows 7 incluirá uma Starter Edition que limita o número de programas a correr em simultâneo a uns patéticos 3.

Sem dúvida que a ideia é totalmente estúpida (é uma limitação tão draconiana e tão artificial que nem o Windows 3.0, há 19 anos, a tinha), e de qualquer forma, como um colega mencionou, este Windows é feito desactivando coisas do “normal”, ou seja, não custará menos a produzir (pelo contrário, implica pagar a programadores para implementar a limitação, e fazer com que ela não seja facilmente “patchável”). Mas realmente não percebo de onde vem o aparente espanto, tanto dos jornalistas como pelos vistos de alguns bloggers. Da Wikipedia:

Windows XP Starter Edition is a lower-cost edition of Windows XP available in Thailand, Turkey, Malaysia, Indonesia, Russia, India, Colombia, Brazil, Argentina, Peru, Bolivia, Chile, Mexico, Ecuador, Uruguay and Venezuela. It is similar to Windows XP Home, but is limited to low-end hardware, can only run 3 programs at a time, and has some other features either removed or disabled by default.

O XP saiu em 2003. Portanto, isto agora é obviamente algo nunca visto, uma grande novidade, etc., etc..

O que é que será reportado pelos “media” a seguir? “Windows 7 inclui uma taskbar no fundo do ecrã? 🙂

Além da esperança para o futuro, acabei de ter um geekgasmo. :)

Quinta-feira, 22 de Janeiro, 2009

Pravin Lal “As the Americans learned so painfully in Earth’s final century, free flow of information is the only safeguard against tyranny. The once-chained people whose leaders at last lose their grip on information flow will soon burst with freedom and vitality, but the free nation gradually constricting its grip on public discourse has begun its rapid slide into despotism. Beware of he who would deny you access to information, for in his heart he dreams himself your master.”

— Commissioner Pravin Lal, Sid Meier’s Alpha Centauri, videojogo de 1999

 

Barack Obama “This administration stands on the side not of those who seek to withhold information but with those who seek it to be known. The mere fact that you have the legal power to keep something secret does not mean you should always use it. Transparency and the rule of law will be the touchstones of this presidency.”

— President Barack Obama, 21 de Janeiro de 2009, ao cancelar a restrição do Bush aos registos da Casa Branca

 

 

 

Yes! Yes! YES!! 🙂

O presente e o futuro :)

Quarta-feira, 21 de Janeiro, 2009

Presente e Futuro

Fonte: clickar na imagem.

E depois perguntam-me porque é que estou entusiasmado. 🙂

Um momento para a História

Terça-feira, 20 de Janeiro, 2009

 obama01 obama02 obama03 obama04  obama06 obama07

Como se não bastasse, ele ainda disse uma coisa linda:

"We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus… and non-believers."

Hell yeah! 🙂 Apenas uns anos depois de o Bush Sr. ter dito que ateus não podem ser verdadeiros patriotas nem verdadeiros cidadãos. The tide is turning…

Fim do Arbusto

Terça-feira, 20 de Janeiro, 2009

Hoje é um dia histórico… falta hora e meia.

Parece que dá para ver a inauguração em tempo real aqui.

Falar com Deus

Terça-feira, 20 de Janeiro, 2009

“O presidente dos Estados Unidos1 afirmou, em mais de uma ocasião, estar em diálogo com Deus. Se ele dissesse que estava a falar com Deus através do seu secador de cabelo, isto precipitaria uma emergência nacional. Não consigo perceber porque é que o acréscimo de um secador de cabelo torna a afirmação mais ridícula ou ofensiva.”

— Sam Harris, “Letter to a Christian Nation”

  1. isto foi escrito em 2006, logo refere-se ao Bush, que realmente dizia coisas destas a todo o momento []

As declarações do cardeal

Segunda-feira, 19 de Janeiro, 2009

Lembro-me de no fim da semana passada ver a notícia de relance na televisão, quando estava nas instalações de um cliente. Sem saber detalhes sobre o que o nosso “witch doctor” D. Policarpo exactamente disse, supus que fosse algo de carácter religioso – ou seja, “afastem-se deles, eles têm a superstição errada”.

Ontem, por sugestão de uma amiga, investiguei melhor o que ele disse. E estou quase decepcionado. 🙂 Na verdade, não tem nada a ver com religião, apenas com racismo e xenofobia; a atitude do feiticeiro-mor-da-tribo de Portugal é virtualmente igual à atitude típica de um velhote racista estereotípico: “não se misturem com eles. Eles não são como nós.” Exactamente como se se estivesse a falar de estrangeiros ou de alguém com a pele de cor diferente. “Eles não acreditam nos nossos ideais. Não pensam como nós. São diferentes. São estranhos. Não tenham nada com eles. Mantenham distância.”

É tribalismo na mesma (como toda e qualquer atitude de “eles contra nós contra eles”), mas não é, neste caso, tribalismo religioso. Não sei, neste caso, se será melhor ou pior. Infelizmente, não estou a ver os “media” a denunciar o aparente racismo do líder do culto mais popular em Portugal de adoração de um amigo imaginário, talvez porque de certa forma partilhem da mesma xenofobia (sobretudo depois do 11 de Setembro), e também porque isto parece à primeira vista uma questão de religião, e isso (cobarde e irracionalmente) não se critica, sobretudo se for a da maioria.

A capacidade de conduzir

Sexta-feira, 9 de Janeiro, 2009

Sim, é mais um “rant” sobre a condução em Portugal. 🙂

Uma das coisas que me deixa frustrado, ao conduzir, é ir atrás de pessoas que claramente não têm – ou não têm – capacidade física e/ou mental para conduzir… mas continuam a fazê-lo, estando-se nas tintas para o facto de prejudicarem o trânsito, e, muitas vezes, porem outros em perigo.

Em geral – mas não sempre – trata-se de idosos. Não, não tenho qualquer tipo de preconceitos contra os mesmos, mas considero a situação da condução de muitos deles equivalente à dos cegos. Não deixar os cegos conduzir é sinal de preconceito contra eles? Claro que não, nem ninguém sugeriria tal disparate – nem se vê aí campanhas da parte dos cegos a reivindicar o seu direito à condução, mesmo não vendo (literalmente) nada à frente deles. Não é preconceito, não é descriminação – simplesmente, eles não têm a capacidade física para conduzir.

Eu acredito – e já sei que vou ser acusado de elitismo, but bear with me – que isso devia ser extendido a outros casos.

Já o disse aqui há uns anos, mas conduzir, acreditem ou não, é algo bem mais complicado do que parece, e a maior parte dos condutores não se apercebe disso porque faz quase tudo por instinto, por hábito. Mas, se esquecermos temporariamente o hábito, e formos a contar em quantas coisas é preciso mexer, e a quantas coisas é necessário estar atento, vemos que não é assim tão simples. É, até, bem mais exigente em termos de coordenação motora, reflexos, e sentidos em geral, do que praticamente qualquer videojogo – que muita gente se “gaba” de não ser fisicamente capaz de controlar (veja-se o sucesso da Wii, que dá a volta a isso). O que é que é mais difícil de controlar: um carro típico, ou um jogo de Xbox ou Playstation? Eu diria que é o primeiro. Até porque há uma coisa totalmente imprevisível e caótica chamada “outros condutores”.

E preciso de mencionar que um videojogo, em geral, não nos põe a nós nem aos outros em perigo de vida?

Mais um exemplo para comparação: pilotos comerciais de aviões. Não é qualquer um; é preciso, entre outras coisas, ver muito bem, ter a capacidade para tomar decisões “split second”, e não se enervar à primeira dificuldade. Ninguém acusa uma companhia de aviação de “descriminação” por recusar alguém que não esteja em perfeito estado físico e mental – muito pelo contrário, seria criminalmente irresponsável se não o recusassem.

Não era bom começar-se a aceitar que conduzir não é um “direito de todos” (afinal, os cegos já não podem), e, para a segurança de toda a gente, passar-se a testar a tal coordenação física e estabilidade mental de toda a gente – mesmo que isso implique tirar a carta a metade das pessoas acima dos 55 anos (e muitos bem mais jovens, também)?

Vá, acusem-me lá de elitismo, descriminação contra os idosos, e essas coisas. Eu adoro quando as pessoas me chamam nomes sem ler o post inteiro. 🙂

Lógica à Portuguesa

Quarta-feira, 29 de Agosto, 2007

Pensem numa auto-estrada cujo limite de velocidade é 120.

Certo dia, um maluco vai nessa estrada a 200, e provoca um acidente com vários carros, incluindo uma carrinha cheia de crianças (para os media pegarem a sério na história). Celebridades e políticos são entrevistados, bem como pessoas comuns na rua, e o consenso geral aponta para uma medida: reduzir os limites de velocidade, para os carros andarem mais devagar e haver menos acidentes.

Pergunta: baixar o limite dessa estrada de 120 para 100 (quando o acidente foi provocado por alguém a 200), ou mesmo 80, vai de alguma forma torná-la mais segura?

É claro que não!… e nem vos vou insultar explicando-vos o porquê. Mas o português típico parece achar que sim, e ainda vive na ilusão parva de que reduzir os limites de velocidade (que já são baixos) contribui para a diminuição dos acidentes.

Newsflash: o que causa acidentes não é andar-se a 120 numa recta com 3 faixas para cada lado e separador central. É, sim, a falta de civismo (“não vou deixar este passar”), de maturidade, de habilidade (ainda acho que nem toda a gente tem a coordenação necessária para conduzir um automóvel, e as aulas de condução deviam filtrar quem não a tem, em vez de terem medo de acusações de “elitismo”)… e, sim, aqueles que andam a 200 ou mais, e muitas vezes a fazer “habiildades de circo”, a exibir o seu tuning, e alcoolizados (e refiro-me a alcoolizados a sério, não apenas a ter bebido uma cerveja).

Os actuais radares em Lisboa são nojentos. Os limites são absurdamente baixos (50 km/h no prolongamento da Av. Estados Unidos, que tem 2 faixas para cada lado? nota-se que esta gente anda de limusina, e não tem qualquer noção…), a tolerância é quase inexistente, os lucros das multas têm sido brutais (o que é uma forma de roubar as pessoas — porque não reduzirem para 20 km/h, e facturar ainda mais?).

O triste disto tudo é que, se alguém se queixa, vêm logo as tias (que não conduzem) guinchar “ah, tu queres é andar a fazer fórmula 1”. Não. Não quero anular os limites, quero é que eles sejam razoáveis e façam sentido, em vez de serem arbitrários, de forma a multar o maior número de gente possível. Quero que a polícia volte a fazer o seu trabalho e vá atrás de quem realmente põe os outros em perigo, em vez de multarem (agora até de forma automática!) quem passa de um limite definido arbitrariamente por algum burocrata ou político que obviamente não conduz o seu próprio carro e nem tem noção do que é andar a 50 km/h.

Quero que as estradas portuguesas sejam seguras porque os condutores sem civismo são punidos, não porque elas se transformam num estado policial em que uma pessoa até começa a ter medo de circular.

E fico-me por aqui. Discordem à vontade, dando as vossas razões, mas acusações de “só queres andar a fazer rali” e “por causa de gente como tu é que morre tanta gente na estrada”, que demonstram claramente que não leram o post, serão apagadas. Já tolerei isso noutro post há meses, e não foi nada boa ideia.

Referendos, democracia e controlo

Terça-feira, 6 de Fevereiro, 2007

Já outros o disseram (e não podia recomendar mais a leitura desse post, que considero brilhante), e eu próprio já o mencionei no primeiro post sobre o aborto, mas acho que isso merece ser frisado mais uma vez, e expandido: não deveria haver referendo.

O problema de um referendo como este é o problema da democracia directa em geral: é uma ditadura da maioria. Se não há um conjunto de direitos individuais inalienáveis, e completamente acima da “vontade do povo”, então existe um problema: uma maioria pode “sacrificar” uma minoria.

O post para o qual linkei acima dá um bom exemplo: as praias de nudismo. A maior parte das pessoas no país (incluindo eu próprio) não faz nudismo quando vai à praia; logo, o que aconteceria se se fizesse um referendo nesse sentido, de forma a aplicar uma lei ao país inteiro? É certo que haveria alguns “ajuizados” que, mesmo sem o praticarem, votariam para que este não fosse totalmente proibido, mas acredito que, mesmo assim, o “não” ganharia. A maioria que é contra o nudismo (ao contrário de simplesmente não o praticar) está em maior número do que a soma dos que o querem praticar e dos que não o praticam mas não querem impor a sua moralidade a outros. Assim sendo, não haveria praias reservadas para nudistas; simplesmente, seria proibido, e quem quer que o praticasse estaria sujeito a multas ou prisão.

Democrático? Sim. Injusto? Sem dúvida. E é por isso que, em vez de se fazer um referendo, se definiu praias especialmente para nudistas. Provavelmente ainda há uns moralistas que acham que qualquer tipo de nudismo público, seja onde for, é “pecaminoso”, e que se sentem incomodados por saberem que alguém, em algum lado, está nu numa praia (nem que seja a 300 km dali) mas não podem fazer nada a respeito disso.

Um outro exemplo: a maior parte dos países árabes, acreditem ou não, tem governantes bem mais liberais do que o povo dessas mesmas nações. Se num país como a Arábia Saudita, Síria, Irão, etc., se fizesse um referendo em relação aos direitos das mulheres, elas ficariam muito pior do que estão actualmente (o que já é bem mau). Ou se houvesse um referendo relativamente ao que fazer aos “infiéis”, em breve os apedrejamentos estariam legislados (não apenas permitidos, mas obrigatórios). O povo é mais fanático e mais brutal do que os governantes. Se houvesse “democracia” total, haveria muito menos justiça e muito menos liberdade. A maioria esmagaria as minorias.

Tal como disse Larry Flynt, uma democracia que esteja acima dos direitos individuais é o equivalente a três lobos e uma ovelha a votar sobre o que vai ser o jantar.

O caso actual é mais do mesmo. Não deveria haver referendo, porque este acaba por dar poder a um grupo a querer controlar o que os outros podem ou não fazer, violando assim os seus direitos individuais — e esse grupo é suficientemente grande para o conseguir “democraticamente”. E, por isso, o facto de haver este referendo é de uma cobardia tremenda da parte do PS, que tem maioria absoluta e é, supostamente, a favor do “sim”. Não se trata de “o povo decidir”; há direitos individuais que devem estar acima da vontade do povo, e que não estão a ser respeitados. E qualquer governo que se preze deveria ter como papel principal proteger esses direitos.

Um governo que não o faça… não serve para nada.

Aborto: a vingança parte II

Quarta-feira, 31 de Janeiro, 2007

(ei, já vi títulos piores!)

Nota: o seguinte é adaptado e um pouco expandido de um comentário que fiz no blog do Mário Lopes. Uma boa parte do que se segue já foi dito noutros posts, recentemente, aqui, mas não exactamente por estas palavras… e nem tudo é repetido.

Tento, também, responder, finalmente, à questão do Samuel: “O que é que é um ser humano? Quando é que um feto se torna um ser humano?”, se bem que o comentário-tornado-post, em geral, não foi escrito para responder a essa questão, mas sim ao tal post do Mário Lopes. Daí ser expandido, e não copiado. 🙂

Without further ado…

(mais…)

Aborto: Resposta ao Sérgio, e desabafo

Quarta-feira, 24 de Janeiro, 2007

Comecei a escrever um comentário, mas ficou grande, e acho melhor que seja um post completo.

O teu post não é sobre o sofrimento. O teu post é que é um insulto a todas as pessoas que têm uma opinião diferente da tua. Tu generalizas e achas que todos os que vão votar não são retrógados religiosos. Dessa forma eu nunca poderei discutir o assunto contigo.

E acho piada que como eu acusei o teu post, tu assumiste imediatamente que eu era um dos do ‘não’. Eu nunca manifestei aqui a minha opinião sobre o aborto, apenas sobre a forma como tu abordas o tema que é com palas nos olhos. Aliás acho que tens vindo a colocar cada vez as palas mais apertadas.. O meu interesse neste blog desapareceu… ainda tinha alguma esperança, mas acho que se foi mesmo.

é menos uma feed no leitor.

Sérgio: não sei se ainda lerás isto, mas é uma pena. De qualquer forma, no outro post dos limites de velocidade, demonstraste que não lês os posts, já que tiraste uma conclusão completamente diferente do que eu escrevi, e acusaste-me de ter como único objectivo subir os limites de velocidade para poder andar aí como um louco a atropelar pessoas e provocar acidentes. Alguém que conclui isso 1) não leu nada do que escrevi, como disse, e 2) tem mesmo — sem me conhecer de lado nenhum — uma opinião muito baixa (e insultuosa, até) sobre mim.

Quanto ao resto, aquele meu post é sobre o sofrimento, sim. O sofrimento provocado ao longo da história, por causa de preconceitos, mentes fechadas, ignorância, religião, e o separar da moralidade do sofrimento (ou seja, a moralidade é agradar a alguma entidade, e se isso implica o sofrimento de milhões, paciência). Há mal quando essa moralidade leva as pessoas a causar o sofrimento de gerações após gerações. Repugna-me, como já disse várias vezes, essa separação da moralidade e do sofrimento. Repugna-me que alguém se veja como “defensor da vida” mas tenha um conceito tão limitado de “vida” que não tenha problemas em condenar pessoas (mães e filhos) a vidas inteiras de sofrimento — de “morte em vida”. Repugna-me que haja mais dor e agonia causados por estes “defensores da moralidade” do que por quem não se vê como tal — e que ninguém pareça reparar nisso; que ninguém seja capaz de dizer “o rei vai nu” em relação a esses “defensores”, de dizer que a “moralidade” que eles defendem não é realmente moral, que eles não falam pelo resto da humanidade.

Não sou relativista. Não vejo tudo na vida como uma simples “diferença de opinião”, em que uma é tão válida como a outra. Se uns querem aliviar o sofrimento e os outros o criam, sem terem nenhum problema com isso, não vou dizer que a moralidade de ambos é igualmente válida.

Ao fazer isto, sou “agressivo”, “insulto as opiniões dos outros”, e “tenho palas nos olhos”. Porque não devia importar-me e deixar que isto me afecte. E porque devia ser relativista, e não julgar, em vez de afirmar que há um lado certo e um lado errado.

Mas não sou assim. Se é alguém assim que querem, realmente estão no blog errado. Sorry.

Mais aborto… agora, outras opiniões

Terça-feira, 23 de Janeiro, 2007

Do meu lado, acho que não vou acrescentar muito mais à questão. Já fui insultado por ter a minha opinião, por ter pensado nela, e por estar certo da mesma, quando hoje em dia é considerado “arrogante” ter uma opinão forte baseada no pensamento; só se aceita uma opinião forte baseada em emoções. Ou em autoridade, ou em religião, ou… Bah.

De qualquer forma, se alguém quiser comentar os meus posts anteriores, e, para variar, quiser responder ao que eu escrevi (em vez de se limitar a dizer que “sou muito agressivo”), tal será apreciado.

Neste post, vou apenas mencionar o que outros disseram (fora deste blog) sobre esta questão.

Primeiro, um post da namorada, chamado A Interrupção Voluntária da Gravidez…. É um bocado mais detalhado do que os meus, e acho que mostra bem os dois lados da questão. Vá, leiam e comentem. 🙂 Inclui argumentos como este:

Para quem não sabe, até às 10 semanas há muitas mulheres que nem têm uma gravidez confirmada e que têm aborto espontâneo sem que soubessem que estavam grávidas. O próprio corpo se encarrega de “expulsar” fetos com problemas graves, é parte da “selecção natural” de Darwin, a não-sobrevivência dos fracos, dos inviáveis.

Logo, segundo a moralidade dos “nãos” (que confundem um ser humano com um aglomerado de células que é um potencial ser humano), quase todas as mulheres com vida sexual são “mass murderers” e nem o sabem…

Depois, quero mostrar um post que considero ser totalmente ridículo. Vem de um partido americano, “America First Party”, que é basicamente mais republicano do que os Republicanos. O post chama-se… wait for it… Abortion Leads to Nuclear War. Sim, parece que a Madre Teresa (que pode ter sido muitas coisas, mas não era, de certeza, uma pessoa inteligente ou culta – ou então era muito mentirosa, porque sem dúvida dizia grandes disparates) disse algo desse género, e os fanáticos de todo o mundo pegam nisso. Portanto, já sabem – não querem ver cogumelos enormes no horizonte, não abortem. Ah, e…

It is abhorrent that abortion supporters choose to hide behind the term ‘choice’ to mask their goal of destroying unborn children and promoting immoral behavior without responsibility

Destruir crianças! Que horror! Que tipo de monstro desumano e cruel quereria alguma vez fazer tal acto hediondo? 😯

É claro que as coisas não são bem assim. Sugiro-vos esta alternativa… deixem se ser um aglomerado irracional e disforme de emoções, e sejam humanos: pensem um pouco. Como este post, em resposta ao comunicado anterior, diz,

nuclear bombs have been used once in war, and I seriously doubt the bombing of Hiroshima and Nagasaki had anything to do with abortion, considering it wasn’t legal in the US in 1945.

E, em resposta à idiotice de “destruir crianças” citada anteriormente,

Let me tell you right now, no one wants to destroy children. It’s just that sometimes an abortion is the only option a mother may have to keep from ruining her life or the lives of her future children. Life is not always fair or simple. That’s the way it is. I wish we could all live in a dream world of magic, but we don’t, and trying to legislate it into reality won’t make it so.

Não teria dito melhor.