Arquivo da Categoria ‘Coisas que me irritam’

Coisas que me irritam, parte 10

Quarta-feira, 4 de Novembro, 2009

Pessoas que se referem à sua apatia geral com orgulho.

Particularmente:

  1. pessoas que acham que tal apatia é sinónimo de “maturidade”, considerando o “importar-se com algo” um sinal de falta dela;
  2. pessoas que acham que a sua apatia em relação a tudo ou quase tudo o que as rodeia as torna (ou pelo menos as faz parecer, o que parece ser o que realmente conta para este tipo de gente) “exigentes” e “sofisticadas”.

Coisas que me irritam, parte 9

Segunda-feira, 9 de Fevereiro, 2009

Condutores que não compreendem o conceito de “prioridade”.

“Prioridade”, no contexto da condução, é um conceito que só existe aplicado a um certo ponto no espaço e no tempo. Ou seja, no momento em que chegas a determinado sítio, caso haja mais alguém a chegar a esse sítio nesse momento, podes ter prioridade, ou pode o outro ter prioridade.

Assim sendo, num cruzamento sem sinais a afectar as regras (ex. um stop, ou um triângulo invertido, ou, naturalmente, um semáforo), dás prioridade a quem venha da direita nesse momento.

Numa passadeira, dás prioridade a peões que a estejam a atravessar nesse momento.

Não ficas à espera de que cheguem carros ao cruzamento. Não esperas numa passadeira que cheguem peões à mesma, de forma a estes passarem antes de ti.

Não fazes o ridículo de pensar algo como “vem lá alguém ao longe, deixa-me esperar aqui o tempo que for necessário para o deixar passar primeiro, já que ele tem prioridade”.

Então porque é que estou sempre a assistir a isto? Porque é que estou sempre a ser parado atrás de idiotas que, ao chegar a uma passadeira ou cruzamento, tinham tempo para passar 5 vezes, mas ficam ali pacientemente à espera, porque acham que “prioridade” significa “deixar passar alguém primeiro”?

Tal como, devido a tanto horror a velocidades excessivas, toda a gente é reticente em criticar quem anda tão devagar que prejudica o trânsito e possivelmente até a segurança na estrada, também, pelos vistos, com o trauma causado por tanta gente que nunca cede prioridade, ninguém critica quem estica o conceito da mesma a algo absurdo, que não beneficia quem teria prioridade (já que, mais uma vez, daria para passar antes de eles chegarem ao cruzamento ou passadeira), mas prejudica toda a gente atrás.

E, não sei porquê, acho que devia bloquear os comentários neste post. Mas vou ser ingénuosimpático…

Coisas que me irritam, parte 8

Sexta-feira, 6 de Fevereiro, 2009

Pessoas que, quando mencionas a tua preocupação com alguma coisa, dizem algo como:

“Há <coisa mais extrema> a acontecer, e tu estás preocupado com isso?!?”

O exemplo mais comum da “coisa mais extrema” é, naturalmente, crianças a morrer à fome em determinado sítio / continente.

Eu (e qualquer um que demonstre uma preocupação por qualquer coisa) não estou a menosprezar essa questão. O que não aceito é que me digam que, por tal questão existir, a preocupação com qualquer outra é ilegítima, e possivelmente imoral (já que quem faz esta pergunta, em geral, a faz com um ar de superioridade moral arrogante e enojante).

Noto também, curiosamente, que quem faz esta tão idiótica pergunta não faz, em geral, nada relativamente à questão das crianças a morrer em determinado sítio. Simplesmente, revoltam-se contra o facto de eu / tu / quem quer que seja se preocupar com outra coisa que não isso.

(Um caso ainda pior é quando usam este argumento para se defenderem de uma acusação: e.g. “estás preocupado por eu ter roubado uns trocos quando há gente por aí a ser morta?”)

Assim sendo, não me chateiem por me preocupar com coisas que incluem (sem ser por qualquer ordem, e sem ser uma lista exaustiva): o monopólio da Microsoft, o racismo, o sexismo, a violência doméstica, a religião, a adopção do Firefox, o conflito ciência-religião, o facto de a Sony estar a prejudicar o mundo dos videojogos, o aquecimento global, o mal que a religião causa ao mundo, a crescente apatia das pessoas em relação a tudo o que não seja futebol, telenovela ou o último escândalo, o facto de as pessoas não terem qualquer conhecimento ou interesse em História e sistematicamente repetirem os mesmos erros, a extinção de várias espécies animais, a continuada existência de ditaduras e teocracias no globo, o crescimento do criacionismo no mundo ocidental, e tudo o resto com que eu me escolha importar.

Não me chateiem. Porque aposto que o facto de compararem as minhas “causas” a uma supostamente maior… não passa de uma forma de ocultarem o facto de não terem qualquer uma nas vossas vidas, e, lá bem no fundo, terem vergonha disso.

Coisas que me irritam, parte 7

Segunda-feira, 2 de Fevereiro, 2009

Gente que se faz difícil.

Quem não quer algo, tudo bem. Mas quem efectivamente quer, mas acha que tem de se fazer / mostrar difícil e desinteressado/a, muitas vezes por uma razão tão estúpida como “não parecer fácil”(!), é um(a) imbecil, e não vale qualquer tipo de esforço.

E não, isto não é só sobre engates, dating, whatever, se bem que isso é talvez o exemplo mais óbvio desta cretinice irracional, infelizmente bastante comum.

Coisas que me irritam, parte 6

Terça-feira, 27 de Janeiro, 2009

Bonés de pala.

A sério, eu posso dar um leve desconto se o uso deles for “vou para um sítio onde há imenso sol, que me perturba a visão”. Para quando os óculos escuros não chegam.

Mas usá-los por razões estéticas? Porque acham que dá estilo? (assumindo que, por “estilo”, não querem dizer “parecer um teenager chunga entre os chungas”…) Yuck. 😕

Ah, e na estrada afasto-me dos carros conduzidos por quem usa tal indumentária. Em geral, quando de seguida observo a condução deles, não me arrependo de o ter feito. Deve haver uma relação. 🙂

P.S.: gorros – usados por qualquer razão que não seja “tenho frio na cabeça”, que de qualquer forma não considero possível no centro de Portugal, but let’s be nice – são quase tão maus. 😈

Coisas que me irritam, parte 5

Quarta-feira, 21 de Janeiro, 2009

Pessoas (em geral idosos) que não têm qualquer problema em ficar na conversa fiada com os empregados de uma loja, havendo uma fila de pessoas atrás, estando essas pessoas muitas vezes com pressa (porque estão na hora de almoço e têm de ir trabalhar, por exemplo).

Repare-se, eu até compreendo a posição destes idosos aqui. Estão reformados, têm muitas vezes tanto tempo livre que não sabem o que fazer com ele (aqui ao pé do meu trabalho há um velhote que vai várias vezes por dia espreitar o carro, e com um lenço limpar qualquer tipo de “impureza” no mesmo; não deve ter mesmo mais nada pelo que viver), e em geral os membros mais novos da família não lhes ligam nenhuma, pelo que se sentem sozinhos e têm imensa necessidade de conversar, contar a história da sua vida, e coisas do género. Compreendo isso.

O que não compreendo é que se seja tão egoísta e se tenha tão pouca empatia para com o próximo que não se tenha problemas em prejudicar – possivelmente de forma séria, caso alguém tenha de tratar de uma coisa importante e tenha de ir/voltar para o trabalho – outras pessoas que não têm nada a ver.

E os empregados, em geral, não ligam: estão a ser pagos à hora, e estar a “ouvir na diagonal” as histórias do velhote durante uma hora é até menos trabalhoso do que atender 20-30 clientes nesse mesmo tempo. E das poucas vezes em que eles se apercebem disso (o que noto ser raro), o que é que eles podem fazer? Ser firmes/antipáticos com o idoso? É complicado. E em geral estes últimos não percebem a indirecta do “deseja mais alguma coisa?”.

Noto isto todas as vezes que vou aos correios; às vezes pode apenas haver uma pessoa à minha frente, e mesmo assim tenho de esperar lá 15-30 minutos, porque a velhota não pode enviar uma carta para a filha sem contar à empregada a história da filha desde o nascimento até hoje. E, claro, tratando-se de um serviço público e essencial, não há qualquer motivação para se ter um atendimento melhor, mesmo que isso signifique apenas “mais do que uma pessoa a atender”. No banco, onde fui ontem, a mesma coisa. Na loja da Vodafone, a que fui hoje, o mesmo – apesar de ter esperado quase meia-hora, quando saí ainda havia 2 pessoas a ser atendidas que já o estavam a ser quando eu cheguei (e não quando fui atendido). Num dos casos, o velhote queria que a empregada lhe estivesse a mostrar todos os toques do telemóvel dele para ele decidir… e claro que isso não implicava mostrar cada um apenas uma vez. E nem o velhote teve problemas com as inúmeras pessoas à espera, nem a empregada teve alguma consciência de que não devia propriamente estar a fazer aquilo (não havendo ninguém à espera, talvez… mas com a loja cheia?).

E desculpem o desabafo. 🙂

P.S. – isto não é anti-idosos, é anti-idosos-que-fazem-isto.

Coisas que me irritam, parte 4

Sábado, 17 de Janeiro, 2009

Pessoas que vêem certas escolhas que fazem como algo que as torna moralmente superiores às outras, quando as escolhas em questão não têm nada a ver com moralidade.

Exemplos:

  • praticar nudismo na praia
  • não ter sexo sem sentimentos ou uma relação assumida
  • ser vegetariano1
  • vestir-se de certa forma
  • não sair à noite
  • não consumir qualquer álcool

Repare-se, eu não estou a criticar qualquer dessas escolhas! Não é esse o tema do post. O que eu critico, e me irrita, é o facto de tratarem qualquer dessas escolhas como uma decisão moral, que os torna moralmente superiores a quem não a toma, quando nenhuma dessas decisões tem alguma coisa a ver com moralidade.

Afinal, não há crimes sem vítima.

Se praticas nudismo, é porque te sentes bem. Óptimo para ti. Não há nada de errado em fazê-lo. Mas achares que o nudismo te torna moralmente superior aos não-nudistas é absurdo. O mesmo para os outros exemplos. Só tens sexo num relacionamento? É contigo; ages assim porque te faz sentir bem. Mas não és, de maneira nenhuma, moralmente superior a quem faz sexo casual, que é algo feito consensualmente entre adultos e não faz ninguém sofrer de forma alguma2. A moralidade não pode ser separada do sofrimento (mais uma vez, a história dos crimes sem vítima).

OK, este foi comprido. 🙂

  1. este pode ser uma excepção, se a consideração for o sofrimento dos animais criados para consumo, mas muitas vezes a razão não é esta — e se fosse, então não se teria problemas em consumir um animal criado em condições decentes, e morto sem sofrimento, e aí já não se seria “vegetariano” anyway []
  2. excepto no caso de se estar a trair alguém; isso é imoral porque é desonesto e causa sofrimento à pessoa enganada, não pelo sexo em si. Fingir sentimentos não existentes para levar a outra pessoa para a cama também é imoral, e pelas mesmas razões []

Coisas que me irritam, parte 3

Quinta-feira, 15 de Janeiro, 2009

Pessoas que, quando querem dizer:

Não acho que tenha feito nada de mal, não sei porque é que estás tão chateado, provavelmente na mesma situação volto a fazer o mesmo, mas agora quero que te cales.

dizem, em vez disso:

Desculpa.

Coisas que me irritam, parte 2

Domingo, 11 de Janeiro, 2009

Pessoas que confundem os conceitos “teimosia” e “personalidade forte”.

Não tens “força de carácter” nem “louvável integridade” se te mantiveres, sob ataque constante da realidade, fiel ao teu “princípio” de que 2+2=5. Mas, tristemente, parece haver muita gente a achar que sim.

Coisas que me irritam, parte 1

Sexta-feira, 9 de Janeiro, 2009

Mencionar a alguém que gosto de alguma coisa relacionada com ficção ou fantasia (ex. Tolkien, Star Trek, zombies, super-heróis, etc.), e a outra pessoa, muito assombrada, perguntar-me: “mas tu acreditas mesmo nessas coisas!?”

*suspiro* Não, não “acredito”. Será inconcebível que se tenha uma paixão por algo, e mesmo assim se mantenha a noção do que é real e não é? Será que gostar realmente de ficção é só para maluquinhos?