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O Problema do Colectivismo

Quinta-feira, 26 de Outubro, 2006

Primeiro post do “novo” Ostras! Espero que não se assustem. 🙂

Quem me “aturou” pessoalmente durante os últimos anos, especialmente no meu último emprego, sabe que eu tenho um grande problema com o colectivismo: basicamente, acho que é um dos sistemas / filosofias mais anti-vida e anti-humanidade que podem existir… e, no entanto, quase toda a gente com quem falo tem a ideia oposta.

Já agora, “colectivismo” é um termo que se usa pouco por estes lados. Logo, é melhor começarmos por uma curta definição: “colectivismo” é qualquer sistema que diga que o grupo é mais importante do que o indivíduo, e que o segundo se deve – por obrigação moral, se não legal – sacrificar-se ao primeiro.

Isso é a definição mais básica. Curiosamente, a maior parte dos “colectivistas” (e eles são a maioria da humanidade) não pensa em si como tal (daí as aspas), nem tem essa definição em mente. Ninguém diz (ou pensa) algo como “eu sou colectivista”, mas as suas ideias e acções revelam-no.

O exemplo mais comum de filosofia colectivista é o comunismo, ou a sua “versão soft”, o socialismo. Mas também o há no fascismo, por exemplo. Ou nas religiões mais comuns no ocidente, como o Judaísmo, Cristianismo e Islão. Todas estas filosofias promovem o sacrifício do indivíduo a algo (“o povo”, “a sociedade”, “o Estado”, “Deus”). (O oposto a isso é uma filosofia que não fale de sacrifício, mas que, pelo contrário, nos diga que pertencemos a nós próprios. Mas essa fica para um post futuro. :))

O colectivismo, no entanto, vai mais longe do que a simples questão de “sacrifício pelo grupo”; há outras ideias que se fazem também parte do mesmo. É uma filosofia “pequena”, anti-elitista (e refiro-me a elitismo “bom”, de ser melhor, não a elitismo “mau”, de ter mais meios ou influência), anti-intelectual, que odeia o heróico e idolatra o medíocre. É o acreditar numa humanidade homogénea, em que ninguém é melhor ou mais capaz do que ninguém; um génio, segundo um colectivista, não passa de alguém que teve mais “sorte”, e que deve tudo o que conseguir a essa “sorte”. É a ideia de que não há “certo” e “errado”, mas que a sociedade – a maioria – é que decide o que é “certo” e “errado”. Que não há princípios fundamentais. Que não há direitos básicos do ser humano, acima dos caprichos da sociedade; se muitos decidem sacrificar um, para o colectivista, esse um perde qualquer direito.

É uma filosofia que nos diz que o sucesso deve ser punido e o fracasso recompensado. Que nos diz que um criminoso não merece punição, mas ajuda, por ser uma “vítima da sociedade”. Que diz que alguém que obtenha sucesso, o conseguiu necessariamente explorando e pisando os outros – é impossível que o tenha merecido, de alguma forma. Que quem é competente tem deveres para com quem é incompetente.

Politicamente, o colectivista (seja qual a sua cor política) acredita num Estado poderoso, vasto, que interfira (mas sempre de forma “benevolente”, claro) ao máximo na vida de cada um, legislando a moralidade aqui, redistribuindo riqueza ali (sem se preocupar se está a tirar a quem produziu e dar a quem não lhe apetece trabalhar; afinal, a única coisa que conta é a necessidade).

É um modo de pensar relativista, que diz que todas as ideias são igualmente válidas, e ter certezas é “arrogante”. Que diz que um serial killer ou um violador não são criminosos, mas apenas têm um modo de pensar “diferente” do teu – e quem és tu para dizer que estás certo e eles estão errado? Como é que alguém pode ter a certeza de alguma coisa?

Estamos ou não estamos rodeados de colectivistas? Eu acho que estamos. Em Portugal… e no resto do mundo, pelas notícias que leio lá de fora.

[EDIT:] Mais relacionado do que parece: A Cultura da Mediocridade. Não acho que os States sejam tão bons como o Mário sugere, mas concordo a 100% em relação ao nosso próprio caso. Odiamos o heróico e idolatramos o medíocre – e as poucas excepções individuais são raríssimas, e normalmente atacadas como sendo “arrogantes” e “elitistas”.