Arquivo da Categoria ‘Condução e Trânsito’

Chuva e condução

Terça-feira, 20 de Outubro, 2009

Vamos supor que és um condutor típico português. Depois de meses de bom tempo, chega o primeiro dia de chuva. É de manhã e tens de ir para o trabalho. Como é que conduzes? Tens 3 hipóteses:

  1. Conduzes como fizeste o Verão todo, isto é, a 2 centímetros do veículo da frente. És completamente apanhado de surpresa quando o teu carro já não trava tão bem e bates no da frente.
  2. Entras em pânico, e não passas dos 20 km/h, ou 30 km/h na auto-estrada. Mesmo na faixa da esquerda. Afinal, estás numa situação nova, pela qual nunca passaste na vida, é compreensível.
  3. Eu menti. Não existe terceira hipótese.

Dá mesmo vontade, não dá?

Segunda-feira, 30 de Março, 2009

xkcd-parking

“Police reported three dozen cheerful bystanders, yet no one claims to have seen who did it.”

Fonte: xkcd

P.S. – gente que estaciona assim devia ser empalada.

Sexta-Feira 13

Sexta-feira, 13 de Março, 2009

Já repararam? 🙂

Anyway, como não sou supersticioso, tenho de falar de outras coisas neste post.

Por exemplo: quem me conhece (ou mesmo quem simplesmente tenha lido certo tipo de posts aqui) sabe que muitas vezes me irrito muito com o trânsito, tanto por causa da incompetência dos outros condutores, como, mais ainda, pelo facto de eles se estarem completamente nas tintas para o facto de porem outros em perigo. Não fico violento de forma externa (se bem que já cheguei a perturbar passageiros), mas sou capaz de me irritar a sério “para dentro”, ao ponto de ficar a pensar nisso mesmo depois de sair do carro. Não devia, eu sei.

E isso acontece quer esteja em silêncio, quer esteja a ouvir música, coisa que adoro fazer, e que em geral é algo que faço sempre que conduzo. Por muito que esteja a adorar o que estou a ouvir, o facto de o idiota da frente não saber fazer uma rotunda na sua faixa e me ter obrigado a fazer uma travagem brusca para não levar com ele deixa-me sempre furioso.

Mas descobri uma excepção a isto: quando ouço audiobooks.

Não sei porquê, deixam-me num estado de calma que nada parece abalar. Já o tinha notado há tempos, ao ouvir o “World War Z”, e estou a notar isso outra vez desde ontem, quando comecei a ouvir o “The God Delusion”. E, uns anos atrás, aconteceu o mesmo a ouvir a série de rádio do “Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” (que existiu antes do livro). Curiosamente, nos três casos eu já tinha lido os respectivos livros em papel; talvez isso me deixe mais relaxado ao ouvir aquilo, porque tenho memória suficiente dos assuntos para não perder o fio à meada por alguma distracção ou ruído exterior me fazer perder uma palavra.

O que é certo é que é uma paz. Conduzir – mesmo em bichas (blá blá blá, sempre quis dizer “fila” em português, não me chateiem com influências brasileiras, etc. etc.) – deixa de ser um pesadelo para quem tem pouca paciência; pelo contrário, se o trânsito está lento, é uma forma de “ler” mais.

Nunca o experimentei fazer, mas já vi quem dissesse que lê a maior parte dos livros na sua vida enquanto faz jogging. Será que existe uma maneira de fazer exercício sem me aborrecer de morte? Tenho mesmo de experimentar (e ver se o leitor de MP3 portátil que tenho lá em casa ainda mexe, ou então tentar fazer uso do telemóvel para isso).

Por falar em livros, acabei hoje o “Personal Development for Smart People” do Steve Pavlina, e vou agora para o “Dreams of My Father” do Barack. Já li os primeiros capítulos deste, e parece-me óptimo.

Infelizmente, não ando a jogar virtualmente nada (se bem que tenho andado a fazer os tutoriais no Chessmaster 11), mas hoje vi que o Red Alert 3 estava no Steam, e deixei-o em casa a downloadar. Já vi a intro dele (na demo na Xbox 360), com o grande Tim Curry, e é de partir a rir. 🙂

Coisas que me irritam, parte 9

Segunda-feira, 9 de Fevereiro, 2009

Condutores que não compreendem o conceito de “prioridade”.

“Prioridade”, no contexto da condução, é um conceito que só existe aplicado a um certo ponto no espaço e no tempo. Ou seja, no momento em que chegas a determinado sítio, caso haja mais alguém a chegar a esse sítio nesse momento, podes ter prioridade, ou pode o outro ter prioridade.

Assim sendo, num cruzamento sem sinais a afectar as regras (ex. um stop, ou um triângulo invertido, ou, naturalmente, um semáforo), dás prioridade a quem venha da direita nesse momento.

Numa passadeira, dás prioridade a peões que a estejam a atravessar nesse momento.

Não ficas à espera de que cheguem carros ao cruzamento. Não esperas numa passadeira que cheguem peões à mesma, de forma a estes passarem antes de ti.

Não fazes o ridículo de pensar algo como “vem lá alguém ao longe, deixa-me esperar aqui o tempo que for necessário para o deixar passar primeiro, já que ele tem prioridade”.

Então porque é que estou sempre a assistir a isto? Porque é que estou sempre a ser parado atrás de idiotas que, ao chegar a uma passadeira ou cruzamento, tinham tempo para passar 5 vezes, mas ficam ali pacientemente à espera, porque acham que “prioridade” significa “deixar passar alguém primeiro”?

Tal como, devido a tanto horror a velocidades excessivas, toda a gente é reticente em criticar quem anda tão devagar que prejudica o trânsito e possivelmente até a segurança na estrada, também, pelos vistos, com o trauma causado por tanta gente que nunca cede prioridade, ninguém critica quem estica o conceito da mesma a algo absurdo, que não beneficia quem teria prioridade (já que, mais uma vez, daria para passar antes de eles chegarem ao cruzamento ou passadeira), mas prejudica toda a gente atrás.

E, não sei porquê, acho que devia bloquear os comentários neste post. Mas vou ser ingénuosimpático…

A capacidade de conduzir, parte 2: o álcool

Quinta-feira, 15 de Janeiro, 2009

Os leitores regulares do Ostras (eu ainda gosto de me convencer de que eles existem) saberão qual é a minha opinião em relação aos limites de álcool no sangue, que é igual à dos limites de velocidade: devem existir, mas são baixos demais.

Mas pensemos, ainda em relação a este assunto, na questão dos limites de álcool.

A razão principal para estes existirem e serem tão baixos, dizem “eles”, é que o álcool reduz os reflexos, aumentando o tempo de reacção, o que é propício a acidentes.

A implicação disto para mim é óbvia, se bem que ninguém parece pensar nisso: há um nível mínimo de reflexos considerado “seguro” para conduzir. Supostamente, o álcool faz-nos descer abaixo desse limite, tornando-nos um perigo para nós e para os outros.

O que dizer, então, de alguém que, mesmo sem tocar numa gota de álcool, no seu estado normal, tem reflexos abaixo desse nível? Tem naturalmente piores reflexos do que os da pessoa “média” depois de 2 copos? Não está implícito que tal pessoa não tem capacidade para conduzir nunca? Que como tal devia ser impedida de o fazer, pelas mesmas razões que existem limites de álcool: a sua segurança e a dos outros? “Lamentamos, mas o senhor demonstrou não ter reflexos para conduzir”?

Eu acho que sim. Já sei, já sei, elitista nojento.

A capacidade de conduzir

Sexta-feira, 9 de Janeiro, 2009

Sim, é mais um “rant” sobre a condução em Portugal. 🙂

Uma das coisas que me deixa frustrado, ao conduzir, é ir atrás de pessoas que claramente não têm – ou não têm – capacidade física e/ou mental para conduzir… mas continuam a fazê-lo, estando-se nas tintas para o facto de prejudicarem o trânsito, e, muitas vezes, porem outros em perigo.

Em geral – mas não sempre – trata-se de idosos. Não, não tenho qualquer tipo de preconceitos contra os mesmos, mas considero a situação da condução de muitos deles equivalente à dos cegos. Não deixar os cegos conduzir é sinal de preconceito contra eles? Claro que não, nem ninguém sugeriria tal disparate – nem se vê aí campanhas da parte dos cegos a reivindicar o seu direito à condução, mesmo não vendo (literalmente) nada à frente deles. Não é preconceito, não é descriminação – simplesmente, eles não têm a capacidade física para conduzir.

Eu acredito – e já sei que vou ser acusado de elitismo, but bear with me – que isso devia ser extendido a outros casos.

Já o disse aqui há uns anos, mas conduzir, acreditem ou não, é algo bem mais complicado do que parece, e a maior parte dos condutores não se apercebe disso porque faz quase tudo por instinto, por hábito. Mas, se esquecermos temporariamente o hábito, e formos a contar em quantas coisas é preciso mexer, e a quantas coisas é necessário estar atento, vemos que não é assim tão simples. É, até, bem mais exigente em termos de coordenação motora, reflexos, e sentidos em geral, do que praticamente qualquer videojogo – que muita gente se “gaba” de não ser fisicamente capaz de controlar (veja-se o sucesso da Wii, que dá a volta a isso). O que é que é mais difícil de controlar: um carro típico, ou um jogo de Xbox ou Playstation? Eu diria que é o primeiro. Até porque há uma coisa totalmente imprevisível e caótica chamada “outros condutores”.

E preciso de mencionar que um videojogo, em geral, não nos põe a nós nem aos outros em perigo de vida?

Mais um exemplo para comparação: pilotos comerciais de aviões. Não é qualquer um; é preciso, entre outras coisas, ver muito bem, ter a capacidade para tomar decisões “split second”, e não se enervar à primeira dificuldade. Ninguém acusa uma companhia de aviação de “descriminação” por recusar alguém que não esteja em perfeito estado físico e mental – muito pelo contrário, seria criminalmente irresponsável se não o recusassem.

Não era bom começar-se a aceitar que conduzir não é um “direito de todos” (afinal, os cegos já não podem), e, para a segurança de toda a gente, passar-se a testar a tal coordenação física e estabilidade mental de toda a gente – mesmo que isso implique tirar a carta a metade das pessoas acima dos 55 anos (e muitos bem mais jovens, também)?

Vá, acusem-me lá de elitismo, descriminação contra os idosos, e essas coisas. Eu adoro quando as pessoas me chamam nomes sem ler o post inteiro. 🙂

Lógica à Portuguesa

Quarta-feira, 29 de Agosto, 2007

Pensem numa auto-estrada cujo limite de velocidade é 120.

Certo dia, um maluco vai nessa estrada a 200, e provoca um acidente com vários carros, incluindo uma carrinha cheia de crianças (para os media pegarem a sério na história). Celebridades e políticos são entrevistados, bem como pessoas comuns na rua, e o consenso geral aponta para uma medida: reduzir os limites de velocidade, para os carros andarem mais devagar e haver menos acidentes.

Pergunta: baixar o limite dessa estrada de 120 para 100 (quando o acidente foi provocado por alguém a 200), ou mesmo 80, vai de alguma forma torná-la mais segura?

É claro que não!… e nem vos vou insultar explicando-vos o porquê. Mas o português típico parece achar que sim, e ainda vive na ilusão parva de que reduzir os limites de velocidade (que já são baixos) contribui para a diminuição dos acidentes.

Newsflash: o que causa acidentes não é andar-se a 120 numa recta com 3 faixas para cada lado e separador central. É, sim, a falta de civismo (“não vou deixar este passar”), de maturidade, de habilidade (ainda acho que nem toda a gente tem a coordenação necessária para conduzir um automóvel, e as aulas de condução deviam filtrar quem não a tem, em vez de terem medo de acusações de “elitismo”)… e, sim, aqueles que andam a 200 ou mais, e muitas vezes a fazer “habiildades de circo”, a exibir o seu tuning, e alcoolizados (e refiro-me a alcoolizados a sério, não apenas a ter bebido uma cerveja).

Os actuais radares em Lisboa são nojentos. Os limites são absurdamente baixos (50 km/h no prolongamento da Av. Estados Unidos, que tem 2 faixas para cada lado? nota-se que esta gente anda de limusina, e não tem qualquer noção…), a tolerância é quase inexistente, os lucros das multas têm sido brutais (o que é uma forma de roubar as pessoas — porque não reduzirem para 20 km/h, e facturar ainda mais?).

O triste disto tudo é que, se alguém se queixa, vêm logo as tias (que não conduzem) guinchar “ah, tu queres é andar a fazer fórmula 1”. Não. Não quero anular os limites, quero é que eles sejam razoáveis e façam sentido, em vez de serem arbitrários, de forma a multar o maior número de gente possível. Quero que a polícia volte a fazer o seu trabalho e vá atrás de quem realmente põe os outros em perigo, em vez de multarem (agora até de forma automática!) quem passa de um limite definido arbitrariamente por algum burocrata ou político que obviamente não conduz o seu próprio carro e nem tem noção do que é andar a 50 km/h.

Quero que as estradas portuguesas sejam seguras porque os condutores sem civismo são punidos, não porque elas se transformam num estado policial em que uma pessoa até começa a ter medo de circular.

E fico-me por aqui. Discordem à vontade, dando as vossas razões, mas acusações de “só queres andar a fazer rali” e “por causa de gente como tu é que morre tanta gente na estrada”, que demonstram claramente que não leram o post, serão apagadas. Já tolerei isso noutro post há meses, e não foi nada boa ideia.

Multados por cumprir a lei? Os ridículos limites de velocidade

Quinta-feira, 4 de Janeiro, 2007

Há anos (basicamente, desde que comecei a conduzir) que digo que os limites de velocidades em Portugal são absolutamente ridículos, e que toda a gente é obrigada a desrespeitá-los, caso contrário o trânsito não andava. Que esses limites foram calculados há décadas, quando os carros eram muito menos seguros, era muito mais fácil (ou pelo menos mais barato) tirar a carta, e que são, de qualquer forma, “estimativas conservadoras” para abranger tanto os bons condutores como aqueles que nunca na vida se deviam aproximar de um volante (então porque é que os deixam conduzir?).

Existem sítios em Lisboa, por exemplo, que são rectas enormes, com 3 faixas para cada lado, e separadas no meio por uma barreira. O limite? 50 km/h. Alguém anda a essa velocidade? Uma vez experimentei, e parecia que estava parado em relação aos outros carros. No entanto, a polícia pode (e às vezes fá-lo) multar quem quiser… o limite é tão ridiculamente baixo que ninguém o segue, obviamente, logo 100% dos condutores ali está a quebrar a lei.

Bem, um tipo no Canadá obviamente concorda comigo, e fez uma experiência: ele e um amigo andaram, durante algum tempo, numa auto-estrada com 2 faixas para cada lado, lado a lado, exactamente no limite de velocidade.

O resultado? Provocaram uma fila enorme atrás deles, e foram multados… por cumprir a lei!

Obviamente, o que eles quiseram com isto foi sensibilizar as pessoas para como os limites são estupidamente baixos… mas não, as reacções continuam a ser “queres é conduzir à maluca”, “se os limites subirem, vai haver mais acidentes”, e parvoíces semelhantes. Porque as pessoas são incapazes de pensar e argumentar… e por isso fazem apelos idiotas para a emoção (“pensem nas criancinhas!!!”).