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Ainda sobre "ser compreensivo"

Sábado, 31 de Janeiro, 2009

Imagina que tens de decepcionar alguém.

As especificidades não interessam para aqui; por exemplo, tens coisas combinadas com várias pessoas para um período de tempo, mas uma avalanche de trabalho, cansaço, ou outra razão obriga-te a cancelar uma dessas coisas.

Supõe que os candidatos a decepcionar são os seguintes:

  • O gajo A é muito emotivo, e vai reagir mal à decepção. Não vai necessariamente ficar fisicamente violento, mas vai “explodir”, gritar contigo, acusar-te de não dares valor nenhum à sua amizade, descrever-te usando vários termos pouco simpáticos, e não te vai querer ver tão cedo.
  • O gajo B é também muito emocional, mas neste caso as emoções levam-no a uma atitude depressiva e auto-destrutiva, causada por pouca auto-estima. Vai dizer N coisas que activarão o teu sentimento de culpa, vai-te lembrar de como isto era importante para ele, de como o feriste na alma, e pode até chorar ou falar em suicídio. Sim, há pessoas assim.
  • O gajo C, por outro lado, não consegue esconder a tristeza durante meio segundo, mas rapidamente se controla, força um sorriso para não te preocupares, e diz “OK, eu compreendo; a gente fala depois.” Não se irrita, não faz birras, continuará a falar contigo sem problemas, e, se não fosse aquele meio segundo inicial, até acreditarias que ele realmente não deu qualquer importância à coisa.

Imagina que és tu (seja quem fores; este post não é decicado a ninguém especificamente) neste caso. Queres apostar como, quase de certeza, vais escolher decepcionar o gajo C?

E isso não te faz sentir injusto/a e cobarde?