Arquivo da Categoria ‘Estupidez’

Papa: preservativos *pioram* o problema da sida

Terça-feira, 17 de Março, 2009

Fonte: Times Online

Aids “is a tragedy that cannot be overcome by money alone, and that cannot be overcome through the distribution of condoms, which even aggravates the problems”.

Agrava? Como?

Nope, ele não diz. Mas, claro, propõe uma “solução”…

He said the “traditional teaching of the Church” on chastity outside marriage and fidelity within it had proved to be “the only sure way of preventing the spread of HIV and Aids”.

Claro. Uma solução que não venha deles, por muito eficaz que seja, não é solução. Se a deles é irrealista e está provado que é ineficaz… paciência. Admitir que há uma opção melhor era abdicar do controlo que ainda têm sobre grande parte do mundo. E é impressionante como não têm problemas em provocar o sofrimento e a morte de milhões. Bem, quando se acredita que o sofrimento em vida é irrelevante – ou seja, quando se é um culto da morte –, isto faz todo o sentido.

E, ei, pelo menos são coerentes

Anti-Educação Sexual: afinal, o que é que esta gente quer?

Segunda-feira, 16 de Março, 2009

condenei ontem a atitude, os objectivos e a “moralidade” daquilo a que se podia chamar grupos pseudo-pró-vida (GPPVs, para abreviar); o “pseudo” vem do facto de eles aparentemente só se preocuparem com a vida até ao parto, e não terem problemas nenhuns com o sofrimento humano, nem com a ideia de uma “morte em vida”.

Mas eu tenho a irritante mania de querer sempre entender tudo, incluindo as posições do “inimigo”, o que é que as causa, e o que é que eles realmente querem. Neste caso, por exemplo, uma pessoa de fora pensaria que GPPVs, por serem totalmente anti-aborto, seriam os maiores apoiantes da introdução da educação sexual obrigatória às crianças! Afinal, é esta (e não a “abstinência”, que não é nem nunca foi realista), sem dúvida, a forma mais eficaz de reduzir ao máximo o número de abortos, por praticamente acabar com os possíveis motivos para estes. Se os jovens souberem o que estão a fazer, souberem como é que se engravida, e souberem como o evitar, tendo sexo de forma realmente segura, não haverá mais gravidezes indesejadas. Aliás, até poderia argumentar que se se conseguir transformar o sexo numa coisa bonita e saudável, em vez de “porca” e um bicho de sete cabeças, isso poderá diminuir o número de violações, fazendo cair ainda mais o número de abortos. Como disse, isto devia ser o que eles querem… não?

Mas não. Nem por sombras. Continuam a opor-se a todo e qualquer método contraceptivo, incluindo os tão convenientes preservativos; continuam a dizer que o sexo tem de ser só dentro do casamento e só para fins reprodutivos, nunca para prazer. Há até grupos a opor-se ao uso de preservativos dentro do casamento, mesmo sendo um dos membros do casal seropositivo. Se isto não vos choca, não sei o que chocará.

Porque é que eles agem de uma forma aparentemente tão contraditória em relação ao seu “stated goal”? Porque é que a ideia de as pessoas terem sexo por prazer, sendo isso visto como algo saudável e natural, em vez de um bicho de sete cabeças, os assusta tanto? Podia aqui armar-me em psicólogo barato e dizer que é por eles próprios não terem vida sexual (devido à educação repressiva que tiveram e à falta de carisma natural 🙂 ), e quererem forçosamente reduzir o resto do mundo ao seu nível. Isso até pode ser um factor em alguns casos, mas eu diria que as razões principais são aquelas que eu mencionei no fim do meu último post: controlo, e a criação de um Inferno na Terra.

Em “O Nome da Rosa”, o vilão opunha-se à divulgação de um livro do Aristóteles sobre a comédia, porque isso a legitimaria, e o riso afasta o medo. Sem medo, dizia ele, as pessoas não precisam de Deus (e eu acrescentaria: não precisam de religião… nem da Igreja). Logo, era importante manter as pessoas no medo, e se isso implicasse abafar a verdade de forma a manter a ignorância, ou mesmo provocar a morte de pessoas inocentes (como ele faz), que assim seja. Aqui é algo semelhante. Pessoas felizes viram-se menos para a religião do que pessoas infelizes; daí os três monoteísmos se oporem tanto ao prazer, e a formas de viver psicologicamente saudáveis. Isso não é do interesse deles. A frustração, essa, é. O sofrimento. A repressão dos nossos instintos naturais. A falta de esperança em relação à vida na Terra, transferindo essa esperança toda para uma suposta vida depois da morte. O medo. A ignorância.

E, claro, há a questão do controlo. Grande parte do controlo da religião sobre as pessoas vem do controlo – através, em grande parte, da demonização – da sexualidade. Isso já tem milhares de anos; afinal, porque é que o deus da Bíblia parece ser tão obcecado pelos nossos órgãos genitais? Porque, ao transformar algo que é naturalmente parte do ser humano num “pecado” horrível, sujo e hediondo, isso cria culpa e medo nas pessoas; e nada torna uma pessoa tão maleável ao controlo como a culpa e o medo.

A estupidez e imoralidade do “pró-vida”

Domingo, 15 de Março, 2009

Cectic - "Loaded Guns"Fonte: Cectic

Via Maracujá, este artigo no Público capaz de provocar vómitos pela irracionalidade e, sim, imoralidade do grupo descrito. Porque o que é imoral não é a educação sexual, nem o próprio sexo, mas sim a tentativa de perpetuar a ignorância, sem ter quaisquer problemas com o sofrimento causado.

Por exemplo:

O movimento católico Portugal Pró-Vida não quer aulas obrigatórias de educação sexual nas escolas portuguesas, informou o presidente Luís Botelho Ribeiro. “A obrigatoriedade dos alunos frequentarem as aulas de educação sexual é anti-democrática e muito perigosa para a sociedade portuguesa”, referiu a mesma fonte.

E ainda:

Contra o aborto, o movimento assume uma nova “luta” contra a existência de aulas de educação sexual nas escolas e contra a obrigatoriedade da sua frequência.

Mas, ainda pior,

“As ideias e os ensinamentos que vão ser transmitidos aos estudantes vão fazer com que, daqui a poucos anos, tenhamos uma geração de portugueses para quem nada é proibido nem moral, nem eticamente”, frisou Luís Botelho Ribeiro.

E, claro,

“Nos manuais de educação sexual que já tivemos oportunidade de ver só se fala de sexo.”

Desculpem se ofendo alguém (se bem que quem se ofender com isto bem o merece), mas isto é nojento. Por um lado são absolutamente contra o aborto, mas por outro lado são também contra todas as alternativas ao mesmo: contraceptivos, sexo responsável, ou mesmo saber-se o que se está a fazer. E, claro, continuam a igualar a moralidade a um puritanismo retrógrado, anti-prazer e anti-vida (já que “vida” não é só um coração a bombear sangue). Não se percebe realmente qual é o objectivo desta gente, se bem que, se tentasse adivinhar, diria que é principalmente controlo. Ou, se calhar, não acham que o Inferno fictício em que acreditam seja suficiente, e querem recriá-lo na Terra.

Note to self: quando estiver triste, deprimido ou aborrecido…

Quarta-feira, 11 de Março, 2009

… ler o hate mail à Igreja do Flying Spaghetti Monster. Nunca falha em fazer-me ter de conter o riso para não dar muito nas vistas. 🙂

I THINK U GUYS ARE DECIEVED BY THE DEVIL AND HIS SPIRITS. MAKING THIS STUFF UP IS MERELY CREATED BY SOMEONE AND ITS AN EXCUSE TO HAVE AND DO WHAT UWANNA DO AND I FEEL THAT SOME SPAGHETTI MONSTER CANT EXPLAIN THE UNEXPLAINED AND CANT HELP ME SPIRITUALLY AS I COME TO REALIZE CHRIST HELPS ME MENTALLY AND PHYSICALLY AND I HAVE EVIDENCE THAT THIS IS TRUE AND TRY HIM CHRIST IS REAL AND PERSONALLY THATS MY EVIDENCE. PEOPLE ITS ALL MADE UP THE SPAGHETTI MONSTER ISNT REAL

(exemplo, infelizmente não fora do normal)

P.S. – have you been touched by his Noodly Appendage?

P.P.S. – vou assinar o feed. 🙂

Coisas que me irritam, parte 9

Segunda-feira, 9 de Fevereiro, 2009

Condutores que não compreendem o conceito de “prioridade”.

“Prioridade”, no contexto da condução, é um conceito que só existe aplicado a um certo ponto no espaço e no tempo. Ou seja, no momento em que chegas a determinado sítio, caso haja mais alguém a chegar a esse sítio nesse momento, podes ter prioridade, ou pode o outro ter prioridade.

Assim sendo, num cruzamento sem sinais a afectar as regras (ex. um stop, ou um triângulo invertido, ou, naturalmente, um semáforo), dás prioridade a quem venha da direita nesse momento.

Numa passadeira, dás prioridade a peões que a estejam a atravessar nesse momento.

Não ficas à espera de que cheguem carros ao cruzamento. Não esperas numa passadeira que cheguem peões à mesma, de forma a estes passarem antes de ti.

Não fazes o ridículo de pensar algo como “vem lá alguém ao longe, deixa-me esperar aqui o tempo que for necessário para o deixar passar primeiro, já que ele tem prioridade”.

Então porque é que estou sempre a assistir a isto? Porque é que estou sempre a ser parado atrás de idiotas que, ao chegar a uma passadeira ou cruzamento, tinham tempo para passar 5 vezes, mas ficam ali pacientemente à espera, porque acham que “prioridade” significa “deixar passar alguém primeiro”?

Tal como, devido a tanto horror a velocidades excessivas, toda a gente é reticente em criticar quem anda tão devagar que prejudica o trânsito e possivelmente até a segurança na estrada, também, pelos vistos, com o trauma causado por tanta gente que nunca cede prioridade, ninguém critica quem estica o conceito da mesma a algo absurdo, que não beneficia quem teria prioridade (já que, mais uma vez, daria para passar antes de eles chegarem ao cruzamento ou passadeira), mas prejudica toda a gente atrás.

E, não sei porquê, acho que devia bloquear os comentários neste post. Mas vou ser ingénuosimpático…

Coisas que me irritam, parte 7

Segunda-feira, 2 de Fevereiro, 2009

Gente que se faz difícil.

Quem não quer algo, tudo bem. Mas quem efectivamente quer, mas acha que tem de se fazer / mostrar difícil e desinteressado/a, muitas vezes por uma razão tão estúpida como “não parecer fácil”(!), é um(a) imbecil, e não vale qualquer tipo de esforço.

E não, isto não é só sobre engates, dating, whatever, se bem que isso é talvez o exemplo mais óbvio desta cretinice irracional, infelizmente bastante comum.

Falar com Deus

Terça-feira, 20 de Janeiro, 2009

“O presidente dos Estados Unidos1 afirmou, em mais de uma ocasião, estar em diálogo com Deus. Se ele dissesse que estava a falar com Deus através do seu secador de cabelo, isto precipitaria uma emergência nacional. Não consigo perceber porque é que o acréscimo de um secador de cabelo torna a afirmação mais ridícula ou ofensiva.”

— Sam Harris, “Letter to a Christian Nation”

  1. isto foi escrito em 2006, logo refere-se ao Bush, que realmente dizia coisas destas a todo o momento []