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Paixões, hobbies, e déjà vu

Domingo, 18 de Janeiro, 2009

Às vezes auto-surpreendo-me.

Não, isto não é um post a dizer como eu sou “muita bom” — aliás, quem me conhece sabe que eu sou a pessoa mais modesta à face da terra (um doce para quem descobrir a ironia nessa frase! 🙂 ). Uma surpresa é uma surpresa — não tem necessariamente de ser algo positivo, ou que me me pinte numa boa luz (eu e a minha mania de ler em inglês… depois acabo a usar expressões como esta!).

Então é assim: há dias estava a pensar no facto de a maior parte das pessoas que observo — amigos, conhecidos, colegas de trabalho, pessoas cujos blogs leio ou com quem tenho qualquer outro tipo de contacto na net, mesmo que seja “one-sided” — não ter exactamente grandes paixões (as in hobbies, não as in estar apaixonado por alguém) nas suas vidas. Aliás, já tive reacções de puro choque da parte de outras pessoas, ao revelar-lhes que efectivamente tenho paixões, que há hobbies e actividades na minha vida — uns a solo, outros com outras pessoas — que realmente me fazem feliz, me fascinam, me fazem querer saber e aprender mais e mais sobre o assunto, me fazem, in so many words, sentir vivo. Já várias pessoas se chocaram com isso, como disse, e as reacções subsequentes incluíram descrever-me usando variantes da palavra “infantil”. E essas foram as mais simpáticas.

Mudando completamente de assunto 🙂 , eu adoro olhar para logs e estatísticas dos meus sites, e sendo este blog aquele que te tem recebido a maior atenção nos últimos dias, é natural que olhe mais para as estatísticas do mesmo. Qual não é o meu espanto quando vejo que várias pessoas chegaram a ele por procurar por… “hobbies e paixões”.

Curioso, resolvi procurar eu próprio pelo mesmo, pela palavra “hobbies”, naquela coisa no canto superior direito que diz “Procurar”. E achei este post, escrito em 2005 (!), intitulado Hobbies e Paixões, do qual já não me lembrava minimamente — não apenas não me lembrar dos detalhes, mas não me lembrar do facto de alguma vez ter escrito algo sobre o assunto. E esse post, apesar de obviamente antigo (nem menciona zombies!), diz muito do que eu ainda penso sobre esta questão.

Às vezes auto-surpreendo-me. 🙂

Coisas que me irritam, parte 1

Sexta-feira, 9 de Janeiro, 2009

Mencionar a alguém que gosto de alguma coisa relacionada com ficção ou fantasia (ex. Tolkien, Star Trek, zombies, super-heróis, etc.), e a outra pessoa, muito assombrada, perguntar-me: “mas tu acreditas mesmo nessas coisas!?”

*suspiro* Não, não “acredito”. Será inconcebível que se tenha uma paixão por algo, e mesmo assim se mantenha a noção do que é real e não é? Será que gostar realmente de ficção é só para maluquinhos?

Hobbies e paixões

Terça-feira, 13 de Dezembro, 2005

Uma questão que, com mais tempo, quero abordar mais profundamente no Way of the Mind é esta: hobbies e paixões.

Quem me conhece sabe que tenho vários/as: jogos de computador e consola… os blogs… aprender coisas sobre informática que não servem directamente para o trabalho… ler fantasia e ficção científica… heavy metal…

Uns são “hobbies” propriamente ditos, isto é, coisas que faço. Outros são mais “gostos”, se bem que a palavra “paixões” seria mais apropriada.

Mas hoje, ao pensar um pouco na questão, apercebi-me de duas coisas:

1- que muita, muita gente não tem nada disto. Oh, claro, as pessoas têm gostos, têm coisas das quais gostam mais, e coisas das quais gostam menos (se bem que cada vez noto mais que muita gente acha que “é cool” não gostar de quase nada, dizer mal de tudo… mas isso já é outra guerra). Mas hobbies? Paixões? No freakin’ way.

Pus-me a pensar nas pessoas que conheço – família, amigos, conhecidos, colegas de trabalho… e é de certa forma assustador pensar que mais de metade não tem qualquer hobby ou paixão. Não têm aquela coisa que adoram fazer nos tempos livres. Aquela coisa sobre a qual gostam de aprender. Aquela coisa que lhes “recarrega as baterias” após a “loucura do dia-a-dia”. O que é que estas pessoas fazem nos tempos livres? Vêem televisão – sem terem sequer uma paixão por ver televisão. Vão às compras – sem terem sequer uma paixão pelo que compram. Ou, então, arranjam maneira de não ter tempos livres…

2- tanto ou mais assustador do que o ponto anterior é ver que, para quase todos aqueles menos de 50% que têm uma paixão, esta é social. Implica convívio, necessariamente. Não, não estou a dizer que haja algum problema em conviver, e em gostar disso. Mas , para mim, um grande problema quando a ideia de uma pessoa ter um hobby ou paixão a sós (sei lá, uma mini-oficina na garagem… jardinagem… poesia… escrita… tocar um instrumento… jogar xadrez…) é algo completamente impensável. Faz, até, de quem a tem, “um tipo esquisito”.

E é isso que observo.