Livraram-se do ateísmo (pub descarada), agora levam com política.
Ou não… porque a questão aqui nem é tanto a política, mas a estupidez de certas mentalidades.
Vi ontem no Google Buzz (que terá muito mais piada quando as pessoas — incluindo eu — começarem a usar aquilo sem ser como uma cópia do Twitter) este artigo no Bitaites, sobre o Sócrates e as acusações de “censura” e “ataques à liberdade da imprensa” que aparentemente têm feito bastante tinta correr.
Eu não sei. É que realmente não tenho estado atento às notícias sobre Portugal (ando numa altura em que as minhas únicas fontes de notícias são esta (versão internacional) e esta), e acredito que não faz muito sentido mandar postas de pescada sem estar ao corrente do assunto. Ou seja, não vou agir como um português típico.
Vou, no entanto, comentar duas parvoíces que vi em comentários a esse post.
Uma delas era isto: “onde há fumo há fogo“. Ou seja, se há as acusações que há à volta do Sócrates, ele tem de ser culpado de alguma coisa.
Eu pergunto: quem é que é tão idiota que acredite em algo assim?
A questão aqui não é a culpa ou inocência do primeiro-ministro; é, sim, a ideia espatafúrdia de que acusações são prova de algo. Ou seja, assume-se quem faz acusações é 100% honesto e fiável, e, portanto, basta acusar-se alguém de algo para esse alguém ser culpado de algo — seja do que foi acusado, seja de algo parecido. E quem não tenha uma mas muitas acusações é claramente um criminoso, um mentiroso, etc..
Sem estar aqui a comparar uma coisa a outra, isto também era assim nos tempos da Inquisição: uma acusação constituia prova suficiente. Se uma mulher fosse acusada de ser uma bruxa, mesmo que depois os acusadores retirassem a acusação, ela já não se safava de prisão, tortura e morte… a não ser que acusasse outros como “cúmplices”, caso esse em que podia ter a pena reduzida. Não era preciso arranjar evidências ou provas; a acusação bastava.
Bem, caro leitor, caso alguma vez tenhas usado o argumento de “se há fumo, há fogo”, eu acuso-te de seres um espião Soviético. Logo, és obviamente um espião, já que a acusação não existiria se não houvesse um fundo de verdade. (O quê, já não existe União Soviética? Isso é o que eles querem que pensemos!
)
O outro argumento, não menos idiota, é este: que não importa se o Sócrates é inocente ou culpado porque, com tantas acusações, tem de passar todo o tempo a defender-se delas, e já não pode governar. Alguém percebe imediatamente o ridículo da coisa, ou é preciso dizê-lo? É preciso explicar que, se é assim, basta inventar umas dezenas de acusações, e com isso derruba-se quem quer que seja? Desde quando houve algum primeiro-ministro, ou qualquer tipo de governante, que não estivesse rodeado de acusações de inúmeros tipos? Se aceitamos a ideia de que não importa se as acusações são falsas ou não, porque a sua mera existência “algema” um governante e torna necessária a sua demissão … bem-vindos à nova república das bananas, onde cada governo dura meses.
A forma de lidar com as acusações é determinar a veracidade delas, e aí fazer alguma coisa — seja punir o acusado (se este for efectivamente culpado), seja punir os acusadores (por difamação, por exemplo — por fazerem acusações que sabem ser falsas, em proveito próprio). Porque acusações falsas devem ter consequências para quem as faz.
Nota: isto não é uma defesa do Sócrates; como disse, não estou actualmente informado sobre o que se tem passado nesta história toda.



“As the Americans learned so painfully in Earth’s final century, free flow of information is the only safeguard against tyranny. The once-chained people whose leaders at last lose their grip on information flow will soon burst with freedom and vitality, but the free nation gradually constricting its grip on public discourse has begun its rapid slide into despotism. Beware of he who would deny you access to information, for in his heart he dreams himself your master.”
“This administration stands on the side not of those who seek to withhold information but with those who seek it to be known. The mere fact that you have the legal power to keep something secret does not mean you should always use it. Transparency and the rule of law will be the touchstones of this presidency.”

