Arquivo da Categoria ‘Sexo’

Rapariga de 14 anos presa por pornografia infantil por postar fotos… dela.

Sexta-feira, 27 de Março, 2009

Via Peter David. O post dele é curto, por isso reproduzo-o aqui:

The authorities in New Jersey who have arrested a fourteen-year-old girl on charges of child pornography. Why? Because she posted on line, supposedly for her boyfriend to see, naked pictures of herself.

Yes. Herself.

Supposedly if she’s convicted, she will be facing jail time and be forced to register as a sex offender under laws that were designed to protect people like her from…well…people like her.

Look, obviously this girl’s not the brightest bulb in the box, and were I her father I’d be mortified beyond belief. But wait…what? Child pornography? A sex offender? For putting up pictures of herself? Seriously?

PAD

O mundo está louco. 🙂

O que é que virá a seguir? “Adolescente preso por ter sexo com um menor. Estava a masturbar-se.”  🙄

Mais Papa, mais preservativos, e mais comentários

Sexta-feira, 20 de Março, 2009

O leitor CSousa deixou num post anterior meu um link para este post, com a sugestão de eu o ler. E porque não?

Primeiro, o autor do post fala da qualidade de Ratzinger / Bento 16 como teólogo. Já aí estamos perante um problema.

Deixem-me explicar a minha posição com um exemplo. Eu posso ser o maior fã do Homem-Aranha do mundo. Posso ler todas as comics existentes (e são milhares e milhares, desde os anos 60) várias vezes, posso ler dissertações filosóficas sobre o personagem, posso entrevistar o Stan Lee e o Steve Ditko, bem como alguns dos mais recentes argumentistas do personagem. Posso ir a convenções, juntar-me a clubes de fãs, escrever blogs, e passar todo o meu tempo livre a pensar no personagem, de forma a ter novos “insights” sobre ele e o que o faz vibrar. Posso tomar decisões no dia-a-dia pensando “o que é que o Homem-Aranha faria nesta situação?”. Posso, em resumo, conhecer o personagem tão bem ou melhor do que qualquer pessoa no planeta, ser o maior especialista nele ele à face da terra.

Isso faz o personagem existir? De forma alguma. E se eu afirmasse que ele existe, estaria completamente louco, exactamente como alguém que afirmasse isso sem conhecer quase nada dele. O meu conhecimento extremo de um personagem fictício não o torna real.

Teologia é exactamente a mesma coisa. É o estudo de algo fictício, inexistente. É uma não-ciência. O Papa pode ter passado a vida dele a pensar sobre a personalidade e desejos do Deus cristão; pode ter lido e entendido mais textos sobre o assunto do que qualquer outra pessoa. Pode passar anos da sua vida a rezar. Pode dedicar a vida inteira a isso. Mas isso não faz Deus passar a existir, e muito menos faz com que esse personagem fictício dê ao Papa algum conhecimento ou informação que os “mortais comuns” não têm.

Teologia, como alguém disse no passado, é um cego a procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá… e “encontrá-lo”.

Depois, vem aquilo que os defensores do Papa têm andado a dizer como desculpa: que ele não disse que o uso do preservativo agrava a epidemia da Sida, mas que é a sua distribuição que o faz. Desculpem lá, mas… estão a tentar usar a Chewbacca defense, ou quê? Essa distinção não faz qualquer diferença neste contexto; a distribuição dos preservativos tem como único objectivo o aumento do seu uso. De certeza que estes não são para fins decorativos…

A citação da “Dra.” é tão moralmente repugnante que dá vontade de nem lhe responder. É mais uma variante do NOMA (non-overlapping magisteria), a ideia de que a ciência e a religião não estão em conflito, porque a primeira se dedica ao “como” e a segunda ao “porquê”, sendo a moralidade o apanágio da segunda. Não vou entrar aqui em explicações detalhadas pelas quais isso é absurdo; digo-vos apenas isto: que autoridade tem a religião, sem qualquer “linha directa” para algum ser superior, e culpada das maiores atrocidades feitas em nome de “Deus”, para falar de moralidade? Nenhuma; e por isso a “moralidade” da mesma resume-se a 1) livros escritos há milhares de anos que aceitam a escravatura e afirmam a inferioridade e necessária submissão da mulher em relação ao homem, e 2) um conservadorismo abjecto e oposição a todo o progresso da sociedade.

Um cristão ou um membro de qualquer outra religião — ou mesmo um líder da mesma religião, como neste caso o Papa — não é um especialista em ética ou moralidade. A sua “moralidade” resume-se a tentar adivinhar os caprichos de um ser em que acredita apesar de não haver quaisquer indícios da sua existência, seja teorizando, seja lendo o que outros crentes nesse ser (não mais iluminados do que ele) escreveram. Querem moralidade, falem com filósofos focados na mesma, ou pensem por vocês próprios; não há nada a tirar da religião nesse aspecto (ou, o pouco que haja, não é nada do outro mundo e não é original deles: se pensam que “faz aos outros o que queres que te façam” teve origem em Jesus Cristo, estão completamente enganados).

Depois, há quem diga (não necessariamente naquele post, mas já vi o argumento por aí) que os preservativos não são 100% eficazes a prevenir a Sida, logo “não são solução” e mais vale estar quieto. Desculpem-me?!? Uma solução que previne 90% das infecções (ou mesmo que fosse 50%, ou até menos) é “o mesmo que nada”? Sabem de quantos milhões de vidas potencialmente salvas se está a falar? De quantas pessoas, mesmo não sendo todas elas, podem livrar-se de sofrer de forma horrível e morrer permaturamente? Importam-se com isso, minimamente? Ou todas essas vidas são para vocês “o mesmo que nada”? E, já agora, as campanhas de abstinência têm melhores resultados a reduzir a Sida? Bem me parecia.

Por último, a quem acha que o que o Papa disse não é desprezível, deixo-vos este desafio: se Deus não existisse (eu estou convencido de que não existe, mas, no vosso caso, “imaginem-no” durante um pouco), a afirmação do Papa teria mesmo assim algum valor ético e moral positivo, em termos puramente humanos? Faria, na mesma, algum bem ao mundo? Ajudaria a reduzir a Sida? Aliviaria o sofrimento e evitaria a morte prematura de milhões? Seria louvável? Se sim, porquê? E, se não, já pensaram no que isso diz sobre a moralidade do deus que adoram?

P.S. – se a vossa resposta for “sim, porque senão aquela gente toda vai ter sexo, sexo e mais sexo, e vai ter prazer nisso, e isso enoja-me, enoja-me, enoja-me!”, lamento sinceramente o que os vossos pais vos fizeram na infância, mas é possível ultrapassar isso com ajuda psicológica / psiquiátrica.

“Desejo-te”, parte 2

Sexta-feira, 13 de Fevereiro, 2009

Falar com outras pessoas sobre o que escrevemos é sempre algo positivo; afinal, uma pessoa não escreve num vácuo. Case in point: depois de escrever o post "Desejo-te", tive a possibilidade de conversar sobre o assunto com uma amiga, e notei duas coisas interessantes.

A primeira é que, pelos vistos, o “sim, sim, o que tu queres sei eu” está presente de forma tão forte na mentalidade das mulheres, que ficam aparentemente “confusas” com um raro exemplo de sinceridade (como, infelizmente, um “desejo-te” honesto parece ser), e desconfiam de segundas intenções na mesma. Ou seja, se encaram um “gosto de ti” vindo aparentemente do nada como uma mera tentativa de sedução causada por interesse físico, agem mais ou menos da mesma forma para um “desejo-te”… o que é meio estranho, já que reagir a um “quero sexo contigo” (dito de forma mais bonita, imagino, mas sem fingimento de outras coisas) com um “pois, pois, tu queres é sexo comigo” é, no mínimo, surreal. 🙂

Em segundo lugar, mesmo um “desejo-te” pode ser interpretado de outra forma – correcta ou não, dependendo dos casos. “Desejo-te” é um elogio, mas às vezes isso é interpretado como – e, provavelmente, em muitos casos pode mesmo ser isso – “estou com “fome”, e tu és a primeira que apareceste, ou és a que parece mais fácil”. Aí compreendo, de certa forma, que isso seja visto como ofensivo; afinal, já não é um elogio (excepto no sentido de “marchavas”) a nós, a pessoa já não nos deseja, especificamente. Ainda não acho que seja propriamente insultuoso, mas perde o elogio do “desejo-te”.

“Desejo-te”

Quinta-feira, 12 de Fevereiro, 2009

Imaginem que alguém vos diz isso… ou o equivalente, por outras palavras. O que é que isso vos faz sentir? Como é que reagem?

A minha reacção é sentir-me elogiado, lisonjeado. Posso estar interessado ou não, posso fazer alguma coisa (se não estiver numa relação) ou não, mas, de qualquer forma, nunca acharia isso ofensivo ou depreciativo. Ser desejado (independentemente do nosso desejo recíproco ou ausência do mesmo) é sempre um elogio que nos fazem, acho eu. “Atrais-me” é sempre melhor do que não me atrais”.

Então porque é que tanta gente – sobretudo, lamento dizer, do sexo feminino – leva a coisa como um insulto, uma ofensa? Porque é que tanta gente reage a uma expressão de desejo físico com pensamentos (e subsequentes reacções) do tipo: “ele só me quer pelo meu corpo”, “vê-me como um pedaço de carne”, “para ele só sirvo para isso”, “que tarado”, “deve pensar que eu sou dessas”, e muitas vezes coisas ainda piores?

Serei só eu a achar que o “desejo-te” não é um julgamento de valor, uma crítica ou um denegrir de nada da nossa personalidade, mas sim apenas um desejo de algo em nós? Será assim tão estranho não extrapolar o “gosto de C de ti” para “detesto o A e B em ti, só prestas pelo C”?

E porque é que as pessoas reagem a um elogio – às vezes um simples “és bonita” – como se fosse um insulto (“só te interessa o físico, é?”). Bem, eu imagino porquê. Mas continuo a achar absurdo.

O sexo é uma coisa porca?

Segunda-feira, 2 de Fevereiro, 2009

Eu acho que não. Imagino – espero – que algum possível leitor do meu blog também ache que não.

Mas cada vez acho mais que quase toda a gente acha que sim.

Os meus anos de observação do caos vulgarmente chamado “humanidade” leva-me a constatar o seguinte: que as pessoas se dividem entre as que acham o sexo porco, e isso as enoja, e as que acham o sexo porco, e isso as excita.

O segundo caso é provavelmente óbvio; são as pessoas para quem o sexo não passa de prazer físico (ou mesmo somente um “descarregar”), idealmente em situações ilícitas, e a fazer coisas que “não se pode pedir à namorada / mulher”. O sexo é em geral feito “a la filme porno”, isto é, não só está completamente desprovido de algum tipo de carinho ou preocupação com o prazer da outra pessoa, como além disso não envolve qualquer contacto físico excepto o dos orgãos genitais. É o caso típico do homem de bigode de meia idade, que possivelmente trabalha a conduzir algum tipo de veículo 🙂 , para quem a mulher é para cuidar da casa e dos filhos, e que, em geral, paga pelo sexo que tem. Uma versão diferente é o tipo mais novo, que tem boa aparência suficiente (e há mulheres com suficiente falta de auto-estima) para não ter de pagar. São os que acham que “há aí alguma gaja boa?” é uma óptima forma de entrar num chat, e “és muita boa, f*dia-te toda” é a maneira ideal de meter conversa num site de social networking. E, claro, há versões femininas disto tudo.

Mas o primeiro caso pode não ser tão óbvio. Refiro-me (e já sei que vai haver quem me insulte pelo post – ou então ninguém lê isto… não sei o que será pior 😛 ) a quem acha que “sexo só depois do casamento”, ou “sexo só numa relação”, ou “sexo só com amor”. Isto é considerado o ideal de moralidade neste aspecto; mesmo quem não age realmente assim, muitas vezes finge fazê-lo ao falar com quem ainda não conhece bem, com quem ainda não confia; só depois de vir a confiança é que se admite, de forma embaraçada, que ocasionalmente se tem sexo sem uma relação ou sentimentos, apenas por prazer. E porquê essa ideia, essa vergonha, esse embaraço? Porque subscrevem a mesma moralidade dos do parágrafo acima, uma moralidade em grande parte vinda de quase 2000 anos de domínio religioso da mesma, e que afecta inevitavelmente o zeitgeist moral da sociedade, mesmo nos casos de quem não tem qualquer crença religiosa. Subscrevem a ideia de que o sexo é porco, que é imoral, que nos reduz – excepto em determinadas condições. Neste caso, casamentos, relacionamentos, ou simplesmente um sentimento forte em relação à outra pessoa. Ou seja, o sexo por si só não é moralmente positivo (porque “é porco”, afinal), mas nesses contextos passa a ser aceitável; o “porco” fica atenuado. Resumindo: o sexo tem de ser justificado. Não é moral, não é válido por si só. Precisa de uma justificação externa.

Ora, uma coisa boa, agradável, bonita, e que não faz mal a ninguém, não precisa de justificação externa.

Não precisas de justificar porque é que comes algo que te sabe bem, ou dormes quando tens sono, ou conversas com amigos cuja companhia aprecias, ou vês um filme ou série de que gostas, ou ouves uma música que é especial para ti e te toca na alma. Não precisas de justificar nada disso; aliás, só a ideia em si já é absurda. Para quê justificar? É bom! É agradável! Faz-te sentir bem! Não te faz mal a ti, nem a ninguém!

Uma coisa só precisa de justificação se for, por alguma razão, um “mal necessário”; ou seja, é algo desagradável, ou aparentemente mau de alguma forma, mas há uma razão mais forte para o fazer – uma justificação. Tal coisa não é precisa para algo que já é bom à partida: isto é, por definição, auto-justificado1.

“Sexo é porco, que nojo” ou “sexo é porco, que fixe”? Tal como em qualquer falsa dicotomia, há uma terceira e menos óbvia hipótese: que o sexo não é, de todo, porco. É algo bom, natural, agradável, saudável e bonito, que não reduz nem “suja” quem o faz, e que, sendo feito consensualmente entre adultos, não pode – independentemente de qualquer detalhe como “há quanto tempo se conhecem”, “preferências sexuais”, “posições”2, relação (ou falta dela) entre as pessoas, número de pessoas :), etc. – ser imoral. Ou errado. Ou “porco”.

  1. por exemplo, apesar de várias filosofias colectivistas (comunismo, fascismo, etc.) e várias religiões monoteístas afirmarem que as nossas vidas precisam de uma justificação externa (servir o povo, servir o estado, servir Deus), a implicação daí, e que revela o mal monstruoso dessas ideias, é que nós não somos por nós próprios dignos de estar vivos, que não somos auto-justificados. Isso é, claro, absurdo, e causa de sofrimento para milhões ao longo da história. But I digress… []
  2. não riam – há várias posições e tipos de sexo que ainda são ilegais nas Constituições e leis de vários estados nos EUA. []

Sexo

Quinta-feira, 27 de Outubro, 2005

Então, já vos chamei a atenção? 🙂

Mas só quero dar um link para um artigo: Is sex necessary?, da Forbes. Gostei de ler. E sim, é “safe for work”. 🙂