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Opera 10.50 e JavaScript

Terça-feira, 2 de Março, 2010

Alguém já reparou na velocidade do JavaScript no Opera 10.50 (actualmente beta 2)?

Não sei como é que fizeram, mas na última versão estável (10.10) eles tinham o JavaScript mais lento de todos os browsers (sem “internet” e “explorer” no nome, é claro — esse está num patamar de lentidão completamente diferente 🙂 ), e no 10.50 têm o mais rápido. Mais que o Safari, mais que o Chrome. É só fazerem uns benchmarks e verão.

Entretanto, o Firefox, mesmo tendo ficado 25% mais rápido do 3.5 para o 3.6, continua atrás da concorrência (na qual não incluo, mais uma vez, o IE), passando a ser de longe o mais lento agora que o Opera está como está. Os developers, no entanto, reconhecem essa lacuna, e estão a trabalhar num novo motor de JavaScript, ainda muito no início, é claro, mas aparentemente promissor. Vamos ver em que versão do Firefox sairá (duvido que seja no 3.7, que supostamente sai lá para Junho).

EDIT: conforme fui simpaticamente informado num comentário, a versão final saiu umas 2 horas depois deste post. 🙂

Ubuntu 9.10 (Karmic Koala) no servidor

Quinta-feira, 22 de Outubro, 2009

Vi há dias no Planet Ubuntu um dos developers a sugerir algo interessante: que fazia todo o sentido fazer a actualização para o Karmic , visto que no dia do lançamento e seguintes os servidores vão estar “entupidos”, e, considerando que faltava na altura pouco mais de uma semana para sair a versão final, era (e é) extremamente improvável que durante estes dias se descubra algum bug grave; aliás, é bem provável que não haja qualquer diferença entre a final e o que está neste momento disponível por apt-get.

Ontem tratei do meu desktop no trabalho (e o Firefox 3.5.x parece bem mais rápido do que o 3.5.x do Jaunty, e ocupa bem menos CPU mesmo depois de abrir uma página com Flash), e hoje de manhã lá ganhei coragem e actualizei o meu servidor (onde este blog está alojado, tal como todos os meus outros sites).

E, como podem ver (caso contrário não estariam a aceder a isto), o “do-release-upgrade -d” correu bem. 🙂

Alguns pequenos problemas:

  • O MySQL, actualizado do 5.0.x para o 5.1.x, não arrancou bem depois do reboot, por se queixar de uma opção skip-bdb no ficheiro de configuração, que aparentemente já não é válida no 5.1. Retirando essa opção, foi questão de relançar o serviço; ele tratou de parte dos upgrades de tabelas graças ao seu script de inicialização, mas queixou-se de algumas coisas; foi necessário dar o comando mysql_upgrade para ficar tudo bem.
  • Ainda relativamente ao MySQL, apesar de este ter ficado a funcionar sem problemas depois do passo anterior, começaram a aparecer erros destes nos logs:
    [ 1076.896983] type=1503 audit(1256197877.875:89): operation="open" pid=13626 parent=13501 profile="/usr/sbin/mysqld" requested_mask="r::" denied_mask="r::" fsuid=0 ouid=0 name="/sys/devices/system/cpu/".
    Resolvido editando o ficheiro /etc/apparmor.d/usr.sbin.mysqld e acrescentando a linha “ /sys/devices/system/cpu/ r,” (sim, tem uma vírgula no fim) no sítio óbvio (no fim, mas antes de fechar a chaveta).
  • Por alguma razão, o memcached deixou de arrancar sozinho; vi que no ficheiro /etc/default/memcached ele tinha sido desactivado. Foi só mudar o NO para YES.

De resto, parece estar tudo bem. Como bónus, deixaram de aparecer uns erros parvos nos logs, relativamente ao leitor de cartões SD da caixa do PC (que aparentemente é visto como um device USB):

kernel: [937885.330015] usb 1-2: reset high speed USB device using ehci_hcd and address 2

que apareciam mais ou menos de 5 em 5 minutos (nunca usei esse leitor, mas suponho que funcionasse, e esses erros fossem só o kernel a sentir-se sozinho e a querer atenção).

E é tudo. Ah, se têm servidores virtuais nalgum serviço de VPS, por exemplo assentes em Xen, daqueles que “fixam” o kernel e não permitem o seu upgrade, tenham cuidado: este Ubuntu mudou o sistema de arranque, e aparentemente requer kernels iguais ou superiores ao 2.6.27. Tive esse problema num slice que tenho lá fora (no qual tive de copiar os dados e reinstalar o 9.04), onde já actualizava o Ubuntu desde o 8.04 sem nunca ter tido problemas.

A confusão dos Release Candidates

Quarta-feira, 1 de Julho, 2009

Com a saída do Firefox 3.5 ontem (já instalaram? Se usam “a internet” para aceder a sites, estão desesperadamente a precisar de o fazer…), vi alguma confusão em blogs sobre Release Candidates (RCs), tendo, por exemplo, lido afirmações como “quem estava a usar a RC1 teve a versão final uma semana antes”.

Isso é um erro, se bem que é compreensível (já lá vamos).

A ideia, no desenvolvimento de software, é lançar versões alfa, que não têm todas as funcionalidades, seguidas de versões beta, que têm problemas conhecidos (mas servem para testar o que supostamente já funciona). Finalmente, sai um RC, chamado “RC1”, que, como o nome diz, é um candidato à versão final.

É essa a ideia do nome. Se não se detectar nenhum problema, será essa a versão final. Caso se detecte, corrige-se e lança-se um RC2. E assim sucessivamente.

Se a versão final for diferente do último RC, isso significa que há algo nela que ainda não está testado, que pode ser muito pouco, mas continua a existir. Por exemplo, detecta-se um bug no RC3, corrige-se esse bug, e lança-se a versão final; isso implica que não houve nenhum teste da correcção desse bug (incluindo como ela interage com o resto do código). O correcto seria lançar um RC4 com esse bug corrigido; se esse RC “sobreviver” a uns dias de teste, então ele transforma-se na versão final.

Porque é que há tanta confusão? Por duas razões.

Uma delas é que muitos developers de software não usam os termos da forma correcta. Em vez de um RC ser efectivamente um candidato à versão final, muitos usam o termo para significar apenas “o que vem depois da beta”, ou seja, algo já relativamente estável e completo. Ou seja, lançam os primeiros RCs sem estarem minimamente à espera de que sejam finais. Para mim, isso não faz qualquer sentido; se não é um candidato a release, não devia ser descrito como tal.

A outra razão, talvez mais aceitável, é que a única coisa que muda do último RC para a versão final é o “branding”, isto é, o número da versão. Ou seja, os RCs estão identificados como tal, e quando um deles sobrevive aos testes, muda-se a versão e lança-se exactamente o mesmo código, apenas a dizer algo diferente no Help:About.

Isto já faz mais sentido, mas ainda acho que não é a melhor forma de desenrolar o processo, além de que provoca confusão. Daí, quando alguém faz a coisa bem feita, as pessoas não percebem e pensam que tiveram a versão final com antecedência por estarem a usar a beta e RCs, quando o que na verdade se passou é que os RCs foram lançados efectivamente como candidatos, sem dizerem “RC” em lado nenhum. O RC1 teve problemas, lançaram o RC2, esse portou-se bem, e é a versão final.

Last.fm, 3 dólares por mês… serei só eu a achar que as queixas são absurdas?

Quarta-feira, 25 de Março, 2009

Muito se tem falado (por exemplo aqui) do facto de o last.fm ir passar a cobrar 3 dólares por mês para os utilizadores poderem fazer ouvir rádio (em geral baseado em recomendações segundo os gostos dos utilizadores) por streaming, para países que não sejam os EUA, Grã-Bretanha e Almanha, quando isso até agora era gratuito.

Primeiro, um disclaimer: eu não vou pagar, por uma simples razão: já não usava, mesmo de graça. Nunca fui de ouvir rádio, nem em casa, nem no carro, nem pela net; gosto sempre de escolher o que ouço. Quando quero ser surpreendido, prefiro pôr a colecção de uns 5000 oggs e mp3s em shuffle. Ouvir música escolhida por outros, ou escolhida aleatoriamente, não faz mesmo o meu género, até porque sempre preferi ouvir álbuns de uma ponta a outra, ao invés de ouvir só “aquela música de que eu gosto”; sempre que me apetece ouvir X, ponho um ou mais álbuns de X na playlist (ou, antigamente, punha o CD no leitor). É esta a minha estranha forma de ouvir música, que é completamente incompatível com o conceito de ouvir rádio. Uso o last.fm para ter estatísticas do que ouço, mas isso vai continuar a ser de graça. Logo, a parte de rádio não me interessa mesmo, e naturalmente não vou pagar pelo que não consumo.

Mas isto sou eu.

Se fosse uma pessoa “normal”, que gostasse de ouvir rádio pelo last.fm, não teria qualquer problema em pagar os patéticos 3 dólares por mês. Sim, eu sei, estamos em crise e essas coisas todas, mas, bolas, 3 dólares! São pouco mais de 2 euros! Dá menos de 30 euros por ano, coisa que muitas vezes se gasta num almoço ou jantar com os amigos!

E, se usufruem do site, e o usam para ouvir música onde quer que estejam, sem a terem comprado, não acham que, sei lá, o site merece?

Porque é que em Portugal há todo este horror – mesmo de quem ganha bem – a gastar dinheiro em coisas não palpáveis? Porque é que isto está a ofender tanta gente? Podia-se falar da questão de haver 3 países que continuam a pagar, mas nem me parece que seja isto.

Acho que é a mesma história do “este programa é um espectáculo, tenho de ver se acho o crack”. Ou então como várias pessoas que já vi, que compram jogos nas lojas para as novas consolas, mas “nunca na vida, estás maluco” comprariam algo (bem mais barato) na Xbox Live Arcade / Wii Virtual Console e WiiWare / Playstation Network. Isto da parte de quem gastou mais ao almoço do que o registo vitalício do software ou compra do jogo downloadável custariam, da parte muitas vezes de quem ganha vários milhares de euros por mês. Em Portugal, parece que pagar por algo não palpável (como software, ou a assinatura de um serviço) vai contra os “princípios” de muita gente.

Mas, como sempre, posso estar errado. Se sim, agradeço que alguém me explique porque é que isto o/a ofende e revolta tanto.