Tudo o que precisam de saber em relação ao aquecimento global

15 de Dezembro, 2009

Climate: what if it's a big hoax and we create a better world for nothing?

(Nota: para quem ache isto tão óbvio que nem precisava de ser mencionado, considerem que, nos EUA, quase metade da população acredita que o aquecimento global é uma mentira, uma ficção anti-americana criada por cientistas e outros “ultra-liberais”, destinada a destruir as empresas nacionais e a competitividade das mesmas a nível mundial. Estamos, é claro, a falar do mesmo país em que mais de metade da população rejeita a realidade da evolução darwinista das espécies – conhecida há mais de 150 anos –, e acredita que as mesmas foram criadas magicamente há uns 6000 anos… altura em que os Sumérios já tinham inventado a cola há cerca de um milhar de anos.)

“Everything is proceeding as I have foreseen…”

10 de Dezembro, 2009
Pope Palpatine's evil plan

O problema de “Deus existe porque o universo existe”

9 de Dezembro, 2009

Um argumento muito usado por apologistas religiosos quando confrontados com a necessidade de apresentar provas ou pelo menos evidências da existência da divindade em que acreditam, e não conseguem de outra forma citar nenhuma, é o seguinte: “a prova é só isto: o universo existe, e nós existimos nele. Logo, como é que existe algo em vez de nada? Deus!”

Espero com este post demonstrar porque é que esse argumento é falacioso e, pura e simplesmente, inválido.

  1. Trata-se de um argumento da ignorância, uma falácia lógica infelizmente muito comum. Dizer “não sei/sabemos explicar, logo foi Deus” (ou qualquer outra explicação sobrenatural) é, desculpem dizer, um argumento parvo, impensado e infantil. Pode ser difícil para quem tenha problemas em admitir que não tem todas as respostas ou em viver num mundo em que não há respostas simples para tudo, mas, se não sabemos algo, a única coisa correcta e honesta a dizer é “não sei/sabemos”. Mais nada. Caso contrário, não somos diferentes de homens das cavernas que inventavam constantemente explicações sobrenaturais para fenómenos (ex. uma tempestade é sinal de que “os deuses / espíritos estão zangados” (e o melhor é sacrificar alguém para os apaziguar)) hoje em dia perfeitamente explicados como naturais. Outro nome para este caso específico de argumento da ignorância é “god of the gaps” (o deus dos buracos); ou seja: “põe-se” (ou esconde-se) Deus nos “buracos” de conhecimento existentes… com o problema de que esses “buracos” vão constantemente diminuindo à medida que a ciência e o conhecimento humano progridem, e chega-se a um ponto em que já não resta praticamente nada para “Deus” fazer.
  2. Dizer “nada pode existir sem uma causa, logo o universo tem de ter uma, que foi Deus” tem o pequeno problema que é óbvio muitas vezes até para crianças na catequese ou outro tipo de aulas religiosas (e as faz fazer perguntas inconvenientes): então qual é a causa de Deus? Quem criou Deus? Argumentar, sem qualquer justificação para isso, que Deus é, sabe-se lá como, uma excepção à sua própria regra (de que tudo tem de ter uma causa) é obviamente intelectualmente desonesto: quem é o apologista para “decidir” que o universo requer uma causa, mas Deus já não?
  3. Finalmente, mesmo que as questões acima não existissem, ainda resta um problema: qual deus? Porque é que “tem de ter havido algo sobrenatural na origem do universo” (errado, como já referi, devido aos pontos anteriores) há de implicar “o deus mais popular na minha zona geográfica do planeta”, ou “o deus em cuja crença fui educado”? Porque é que não há de ser um deus completamente diferente, seja ele o de outra religião actual (mais ou menos popular), seja ele o de uma religião do passado, seja ele algo nunca concebido em toda a história da humanidade?
    Porquê um deus, e não vários? Porquê deus(es), e não algum outro tipo de criatura sobrenatural? Porquê necessariamente sobrenatural, e não algum tipo de tecnologia que ultrapasse o tempo e o espaço tais como os entendemos? E porque é que tal ser (ou seres) exigiria a nossa adoração, ou se importaria com o nosso comportamento, a nossa alimentação ou a nossa sexualidade?
    Não há nenhum caminho lógico entre “tem de ter havido uma causa sobrenatural para a existência do universo” e “Deus é assim e assado, e quer isto e aquilo de nós”. Por outras palavras, “tem de haver uma origem sobrenatural para o universo” não implica de forma alguma “o deus Cristão existe” (ou qualquer outro). Quem parta da primeira implicação e chegue de alguma forma à segunda, não o faz por nenhuma razão lógica, mas apenas cultural. E devia, seriamente, pensar um pouco sobre o facto de a sua crença não ser mais do que um acidente geográfico…

Agora já sabem como responder a alguém que vos diga, ingenuamente, “claro que Deus é real; caso contrário como é que tudo isto existe?”, como se isso fosse um argumento contra o qual não há resposta… :)

(Nota: comentários tipo “apesar de este ser o teu blog, não podes falar nele dos assuntos que quiseres”, ou tipo “estás obviamente errado, mas não te vou dizer como”, serão apagados. Os comentários existem para responder ao post… ou, claro, estão à vontade para o/me ignorar. :) )

99500 euros por um site em Drupal?

30 de Novembro, 2009

Notícia aqui.

Centenário da República

Valores vistos aqui.

Além do preço espatafúrdio (500-1000 euros são valores normais para um site deste tipo), do uso tanto de software open source grátis como de um theme também grátis1 e do facto de não ter havido concurso, chamo também a atenção para o prazo: 120 dias. 4 meses.

Centenário da República

Eu — que não sou programador nem designer — acredito que fazia aquilo em menos de uma semana (instalar o Drupal, instalar o theme, mudar cores aqui e ali, pôr as imagens que já me teriam dado, criar utilizadores e permissões para quem vai tratar dos conteúdos). Talvez até menos.

Ponho agora a questão: alguém vai pagar por isto (além dos contribuintes, naturalmente)?

  1. o problema não é fazer uso desse software, até apoio que tal seja feito (é bem melhor do que dar dinheiro à Microsoft ou à Oracle para obter resultados muitas vezes inferiores); simplesmente, desta forma não há realmente qualquer justificação — mesmo que má e estúpida, como “custos de licenças de software” — para um valor deste tipo. []

Quem diria…

26 de Novembro, 2009

Não sei se isto é por ter pouquíssimo trabalho da minha área (administração de sistemas, Linux, etc.) no meu emprego, mas de há uns tempos para cá ando a achar ainda mais piada a coisas técnicas do que habitualmente. Além das mini-ferramentas, ando a redescobrir que realmente gosto de escrever artigos técnicos. Quem diria?

Bem, eu tenho fases. Se calhar daqui a uns tempos desenterro o Way of the Mind para escrever a sério sobre ateísmo e religião (se acham que já o faço muito aqui, think again…)

E talvez um dia destes volte a escrever sobre jogos… se bem que neste momento é complicado, porque isso implica ir arranjando novos jogos (mesmo que sejam “novos” apenas para mim), e eu realmente não gosto de “sacanços”… nem há dinheiro para gastar nisso, agora.

Mais lógica estranha

25 de Novembro, 2009

(nota: ler isto primeiro, para ter uma ideia do tema.)

- Um português dizer “o que me irrita nos portugueses é eles adorarem dizer mal deles próprios, de forma generalizada.”

Spot the logic bomb. :P Isto crasharia qualquer computador no Star Trek (série original), aposto…

O regresso da vingança

25 de Novembro, 2009

Hoje acordei com vontade de escrever uns artigos técnicos (sobre servidores de mail, filtragem de spam e afins). Mas pareceu-me que talvez sejam um nadinha técnicos demais para este blog, além de achar que fazia mais sentido escrevê-los em inglês, e por isso desenterrei o meu blog de tecnologia, no qual não escrevia há ano e meio.

Tinha dezenas de spam por apagar, lá (também tomei providências para que isso não aconteça mais), além de estar desactualizado em termos de software, e aproveitei para renovar o theme.

Eu sou um bocado assim…

18 de Novembro, 2009

The way to have joy is to share it with others!Mesmo quando não o menciono a ninguém (há quem seja muito susceptível a estas coisas), penso sempre coisas deste género.

“Com chuva, modere a velocidade.” Quer dizer que nas outras alturas não é necessário moderação e quanto mais melhor?

“Se a vida te fizer cair sete vezes, levanta-te oito.” Portanto, de alguma forma, tenho de me levantar uma vez estando já de pé…

“Só sei que nada sei.” Então, se nem isso souber (ou seja, se for um convencido e achar que sei muito), sou melhor ainda, certo?

Nova ferramenta: gerador de mapas para RPGs / Wargames

9 de Novembro, 2009

Aqui está: Map Generator for RPGs and Wargames. Produz coisas como isto (sem ser assim brutalmente reduzido, é claro):

Exemplo do gerador de mapas

As texturas são horríveis, eu sei. Feitas por mim no GIMP em menos de meia hora… :roll: Talvez um dia destes chateie alguém para fazer umas melhores. :)

O código para gerar mapas mais ou menos realistas (isto é, com os tipos de terreno agrupados em “manchas”, em vez de cada hexágono ser aleatório independentemente dos outros) é algo com o qual já tinha brincado lá para 2005 ou 2006; encontrei o ficheiro .php no servidor quando pensava que tinha perdido isto há anos. Por acaso demorei para aí uns 15 minutos, na sexta, a entender como é que tinha feito aquilo. :)

A parte de web, customização, geração de imagens (com a biblioteca GD), texturas, e a possibilidade de guardar mapas através do URL são trabalho de hoje e da passada sexta-feira.

EDIT: agora também faz mapas quadriculados (em vez de hexágonos), e usa caching para apresentar mapas anteriormente gerados sem ter de o voltar a fazer.

Debate: a Igreja Católica é uma força para o bem no mundo?

9 de Novembro, 2009

Do lado “sim” temos o arcebispo John Onaiyekan da Nigéria, e Ann Widdecombe, política conservadora britânica. Do lado “não” estão Stephen Fry (sim, esse) e Christopher Hitchens.

O debate, como o nome diz, é mesmo sobre a Igreja Católica e o que ela fez e faz no mundo, de bom e de mau; não inclui temas como a existência ou não-existência de (um) Deus.

A audiência é “polled” sobre a questão antes e depois do debate, dando resultados interessantes… :)

Nota: se estás a ler isto num agregador e não vês qualquer vídeo, basta ir aqui.

Black Sabbath – “Computer God”, ao vivo, 1992

6 de Novembro, 2009

Tinha a original do álbum “Dehumanizer”, é claro, e também a versão deles (como Heaven and Hell) ao vivo em 2007, em DVD. Mas não imaginava a energia e poder que estes tipos tinham ao vivo em 1992…

Se tu (sim, tu aí, não penses que te escondes) não estiveres pelo menos a semi-headbangar1 no último minuto desta versão desta música, é caso para citar o Dr. Leonard “Bones” McCoy: “He’s dead, Jim.” :)

(num agregador, do que é que este gajo está a falar… ah, pois, posso clickar aqui.)

  1. só dos ombros para cima; dá até para fazer num local de trabalho, se os colegas não forem muito “cuscos” []

Coisas que acho estranhas, parte 2

5 de Novembro, 2009

(pensavam que me tinha esquecido desta série, não pensavam?)

Pessoas que mudam completamente de atitude, personalidade e aparente opinião em relação a nós de uns dias para os outros, de uma forma que (na minha opinião) vai muito para além de um mero resultado de um estado de espírito.

Repare-se, eu compreendo perfeitamente que uma pessoa “tenha dias”. Acontece comigo também, e com toda a gente, imagino. É naturalíssimo que nuns dias estejamos mais bem dispostos do que outros. Que nuns dias nos apeteça ter conversas “banais” e noutros não tenhamos qualquer paciência para trivialidades. Que nuns dias estejamos mais sociáveis, e noutros queiramos a paz e sossego só encontráveis na solidão. Que em certas alturas estejamos optimistas e vejamos o lado bom de tudo, e noutras alturas seja exactamente o oposto. Até — e isto é perfeitamente natural e não tem mal nenhum — que ocasionalmente não nos apeteça uma companhia que em geral apreciamos e procuramos.

Eu não me estou a referir a isso.

Refiro-me mesmo a mudanças tão dramáticas que, se tivesse os pés um pouco menos assentes na terra, me fariam pensar em “evil twins”, “shapeshifters”, ou algum outro tipo de conspiração em geral só encontrável na ficção científica.

Refiro-me a pessoas, com quem já tivemos confiança e proximidade (e não, não estou a falar desse tipo de proximidade, se bem que também pode ser um tipo válido da mesma), de um dia para o outro agirem como se fossemos completos estranhos; não apenas como se tivessem mudado de opinião em relação a nós, mas como se realmente não tivessem qualquer memória da confiança e à-vontade que já existiram — por vezes, há tão pouco tempo como uma semana.

Refiro-me a pessoas que pareciam adorar-nos e a certa altura, sem razão aparente, desaparecem de um dia para o outro sem dizer nada.

Refiro-me a pessoas que falam connosco com alguma frequência, por exemplo por instant messengers, mas que nunca se sabe qual das “versões” vamos apanhar — a simpática e atenciosa, a antipática e agressiva, ou a distante e “simsimtábem”? — até se conversar um bocado. E, quando estão num dos dois últimos modos, nunca avisam (ex. “hoje estou um bocado mal disposto/a; se disser alguma coisa menos simpática, dá desconto, OK?”, ou mesmo “agora não é uma boa altura; podemos falar amanhã?”), nem têm sequer consciência de que estão a agir assim.

E, sim, é óbvio que estou a falar de várias pessoas que conheci na minha vida — algumas recentemente, outras nem tanto. Mas isto não é um post de “revolta”, e sim de confusão: o que é que faz as pessoas ser assim, agir assim? Serei só eu a observar isto? Ou tenho mesmo tido azar com uma proporção invulgar das pessoas que tenho conhecido ao longo dos anos?