Ateus “zangados”, “intolerantes” e “extremistas”

23 de Outubro, 2009

Em resposta ao meu post recente sobre as afirmações de Saramago em relação à Bíblia e à religião, alguns dos comentários foram do género habitual: em vez de discutir factos, acusam-me a mim, e aos ateus em geral, de estarmos “zangados”, sermos “intolerantes”, “extremistas”, “tão fanáticos como os piores dos crentes”, e afins. Nem todos esses comentários estão no post, alguns foram por IM, e um deles até veio de uma pessoa cuja inteligência e cultura eu admiro.

Porquê? Porque, infelizmente, a balança tende tanto para um dos lados, e é assim há tanto tempo, que qualquer movimento no sentido contrário, por muito pequeno que seja, é chocante e parece “extremista”. Mesmo, muitas vezes, para quem também não tem qualquer tipo de crença religiosa (o famoso “eu não sou crente, mas…”).

Para mostrar como essas acusações (além de serem cobardes – porque é que não dizem onde e porque é que os ateus estão errados, em vez de se focarem no tom de voz ou de nos tentarem traçar um perfil psicológico?) são absurdas, sem qualquer justiça, e sem nenhuma relação com a realidade, deixo-vos com dois cartoons, já antigos, e que são variantes do mesmo tema:

violence-against-atheists

idt20050418bigotry

Não preciso de explicar, pois não?

Humor: como escolher uma religião

22 de Outubro, 2009
Religion Flowchart

Fonte: Holy Taco

Agora já não há espaço para dúvidas. :)

Ubuntu 9.10 (Karmic Koala) no servidor

22 de Outubro, 2009

Vi há dias no Planet Ubuntu um dos developers a sugerir algo interessante: que fazia todo o sentido fazer a actualização para o Karmic , visto que no dia do lançamento e seguintes os servidores vão estar “entupidos”, e, considerando que faltava na altura pouco mais de uma semana para sair a versão final, era (e é) extremamente improvável que durante estes dias se descubra algum bug grave; aliás, é bem provável que não haja qualquer diferença entre a final e o que está neste momento disponível por apt-get.

Ontem tratei do meu desktop no trabalho (e o Firefox 3.5.x parece bem mais rápido do que o 3.5.x do Jaunty, e ocupa bem menos CPU mesmo depois de abrir uma página com Flash), e hoje de manhã lá ganhei coragem e actualizei o meu servidor (onde este blog está alojado, tal como todos os meus outros sites).

E, como podem ver (caso contrário não estariam a aceder a isto), o “do-release-upgrade -d” correu bem. :)

Alguns pequenos problemas:

  • O MySQL, actualizado do 5.0.x para o 5.1.x, não arrancou bem depois do reboot, por se queixar de uma opção skip-bdb no ficheiro de configuração, que aparentemente já não é válida no 5.1. Retirando essa opção, foi questão de relançar o serviço; ele tratou de parte dos upgrades de tabelas graças ao seu script de inicialização, mas queixou-se de algumas coisas; foi necessário dar o comando mysql_upgrade para ficar tudo bem.
  • Ainda relativamente ao MySQL, apesar de este ter ficado a funcionar sem problemas depois do passo anterior, começaram a aparecer erros destes nos logs:
    [ 1076.896983] type=1503 audit(1256197877.875:89): operation="open" pid=13626 parent=13501 profile="/usr/sbin/mysqld" requested_mask="r::" denied_mask="r::" fsuid=0 ouid=0 name="/sys/devices/system/cpu/".
    Resolvido editando o ficheiro /etc/apparmor.d/usr.sbin.mysqld e acrescentando a linha “ /sys/devices/system/cpu/ r,” (sim, tem uma vírgula no fim) no sítio óbvio (no fim, mas antes de fechar a chaveta).
  • Por alguma razão, o memcached deixou de arrancar sozinho; vi que no ficheiro /etc/default/memcached ele tinha sido desactivado. Foi só mudar o NO para YES.

De resto, parece estar tudo bem. Como bónus, deixaram de aparecer uns erros parvos nos logs, relativamente ao leitor de cartões SD da caixa do PC (que aparentemente é visto como um device USB):

kernel: [937885.330015] usb 1-2: reset high speed USB device using ehci_hcd and address 2

que apareciam mais ou menos de 5 em 5 minutos (nunca usei esse leitor, mas suponho que funcionasse, e esses erros fossem só o kernel a sentir-se sozinho e a querer atenção).

E é tudo. Ah, se têm servidores virtuais nalgum serviço de VPS, por exemplo assentes em Xen, daqueles que “fixam” o kernel e não permitem o seu upgrade, tenham cuidado: este Ubuntu mudou o sistema de arranque, e aparentemente requer kernels iguais ou superiores ao 2.6.27. Tive esse problema num slice que tenho lá fora (no qual tive de copiar os dados e reinstalar o 9.04), onde já actualizava o Ubuntu desde o 8.04 sem nunca ter tido problemas.

Mais duas micro-ferramentas

21 de Outubro, 2009

Estas já as tinha feitas há mais de um ano; fiz isto nos meus tempos na IOL, uma para uso meu e outra para uso de colegas. São absolutamente básicas (qualquer programador faria cada uma em menos de um minuto), mas talvez sejam úteis a alguém — pelo menos, chega lá gente por googlar pelo que elas fazem. :)

Chuva e condução

20 de Outubro, 2009

Vamos supor que és um condutor típico português. Depois de meses de bom tempo, chega o primeiro dia de chuva. É de manhã e tens de ir para o trabalho. Como é que conduzes? Tens 3 hipóteses:

  1. Conduzes como fizeste o Verão todo, isto é, a 2 centímetros do veículo da frente. És completamente apanhado de surpresa quando o teu carro já não trava tão bem e bates no da frente.
  2. Entras em pânico, e não passas dos 20 km/h, ou 30 km/h na auto-estrada. Mesmo na faixa da esquerda. Afinal, estás numa situação nova, pela qual nunca passaste na vida, é compreensível.
  3. Eu menti. Não existe terceira hipótese.

Saramago e a religião

19 de Outubro, 2009

Tenho visto vários comentários, tanto no artigo do Público como em vários blogs portugueses, a criticar José Saramago por ter dito… bem, vejam o link anterior.

Comentários esses que chamam “banais” às afirmações de Saramago, insinuam que é preciso estudar teologia antes de se poder criticar a religião, dizem o chorrilho de disparates habitual sobre os ateus e o ateísmo, e… bem, já se sabe como é. O mais triste são os comentários de quem não tem qualquer crença religiosa, mas mesmo assim se sente chocado e ofendido com isto, porque caiu na lavagem cerebral de que a religião merece “paninhos quentes” e um respeito especial e inquestionável.

Como a paciência para estar sempre a corrigir os mesmos erros já não é muita, e me sinto enojado só por ler, quanto mais citar, certas coisas que já li hoje, prefiro comentar isto na forma de pequenos parágrafos, mais ou menos independentes uns dos outros. Nem todos se aplicam a todas as críticas, obviamente.

  • Não há qualquer tipo de evidências, provas, etc. da existência de qualquer tipo de deus. Nada. Nicles. Zero. Logo, a teologia é uma não-disciplina, tem tanto mérito e importância como a painatal-logia ou a gambozinologia. E, sim, caros teólogos, vocês desperdiçaram a totalidade das vossas vidas. Deal with it (se bem que sei que nunca o farão, é muito mais fácil manter uma ilusão confortável do que quebrá-la).
  • Chamar “banal” à afirmação de que Deus não existe é o mesmo que chamar “pouco sofisticado” a quem diz que 2+2=4, porque quem está num “nível espiritual mais elevado” tem “fé” de que 2+2=5, ou isso é verdade num plano espiritual tão ou mais importante do que o físico, ou para ele os números têm um significado “mais profundo”, ou outras baboseiras new-age sem significado. Dizer as coisas como elas são de forma simples e directa (como “o rei vai nu”, bem aplicável a este caso) não é “banal” ou “pouco sofisticado”.
  • Crenças religiosas não merecem mais respeito e consideração do que qualquer outro tipo de crenças (ex. “a Terra é redonda” ou “há ovnis a mutilar gado nos EUA”) apenas por serem religiosas. A única coisa que importa é: é verdade?
  • Hitler era católico! Párem lá de o incluir nessa absurda lista de “monstros ateus”. O facto de já terem sido corrigidos relativamente a isso centenas de vezes e mesmo assim o continuarem a fazer demonstra bem quanta importância dão a factos e à realidade… e quão honestos são.
  • Quanto aos outros, há muito de religião em sistemas como o Estalinismo: culto ao líder, rituais, “rezas”, livros “sagrados” (ex. o livro vermelho de Mao), supressão de ideias contrárias, controlo de “pureza” ideológica, irracionalidade, dogma acima de factos, e afins. Se perseguiam as religiões estabelecidas, era apenas porque não queriam competição. Religião e “Deus” não são a mesma coisa, e é possível haver uma sem crença no mesmo. Nenhum povo alguma vez sofreu por excesso de racionalidade e cepticismo.
  • De qualquer forma, quando dizem que “monstros ateus fizeram isto e isto”, querem dizer que o fizeram por não terem medo de um castigo divino. Já pensaram na hedionda distorção de moralidade que isso é? E estão, portanto, a dizer que vocês iriam para a rua roubar, violar e matar se neste momento perdessem a vossa fé, porque não vêem nenhuma razão para não fazer tais coisas, excepto o medo do inferno? O que é que isto diz sobre vocês?
  • Houve quem falasse da “necessidade do Homem para com a espiritualidade”. Isso tem outro nome quando se é mais jovem: “amigo imaginário”. Uma coisa não é real só porque se quer muito. Mesmo que a vida fosse cinzenta e sem sentido sem a existência de um deus e de vida depois da morte (não o é), isso não tornaria mais provável a sua existência.
  • Quem diz que “as críticas de Saramago à Bíblia só se aplicam relação ao Antigo Testamento, porque a mensagem do Novo é paz e amor” está a precisar de realmente ler a Bíblia (além de que Jesus supostamente disse que não vinha para mudar uma letra da lei antiga). Mas, tipicamente, os ateus conhecem-na melhor do que quem acredita que existe um livro escrito pelo criador do universo, do qual depende a sua salvação, mas mesmo assim nunca arranjou tempo para o ler…
  • Não me venham dizer que “mais vale acreditar, por via das dúvidas“, please. Isso é completamente idiota (pista: há mais do que uma religião no mundo…)

Nova ferramenta: Fantasy Name Generator

19 de Outubro, 2009

Isto não é mais do que uma versão web-based de algo que programei no Spectrum no final dos anos 80, quando era GM de role playing games para família e amigos, e eles encalhavam sempre na parte de escolher um nome para o personagem. :)

Esta versão, além de usar tecnologias e linguagens mais correntes (HTML, PHP, MySQL) do que BASIC, permite escolher a raça/tipo do nome (Humano, Elfo, Anão, etc.). Como? Simples: as sílabas na base de dados têm um tipo associado.

Ainda está muito no início, mas vou com o tempo carregando mais sílabas (neste momento tem umas 560), e também já me foram sugeridas umas “features” interessantes, que talvez implemente no futuro.

E, sem mais rodeios… Fantasy Name Generator!

O ultra-mega-importante caso Maitê

14 de Outubro, 2009

Tudo o que tenho ou posso ter a dizer está aqui.

P.S. – se levaram esta questão minimamente a sério, não clickem no link acima, pois vão ser insultados. E merecem-no.

ISTO é o ideal de beleza nos dias de hoje?

7 de Outubro, 2009

Fonte

Isto está legendado como “Photoshop disasters”. Mas, para mim, seja isto real ou não (provavelmente não é), é, de qualquer forma, indicador de uma sociedade com gostos absolutamente doentes e depravados.

Se a rapariga é real, ela tem alguma doença (física ou mental, ou ambas, muito provavelmente). Se é photoshopada, quer dizer que, tal como na banda desenhada de super-heróis (onde as mulheres são desenhadas de forma irrealista, mas pelo menos com — IMO — algum bom gosto), alguém considera aquilo uma versão idealizada (!) da beleza feminina, o patamar perfeito, não atingível na realidade, mas o ideal contra o qual a realidade é comparada, ficando sempre aquém.

Serei só eu a olhar para aquilo e a pensar “que horror”?

Qual será o próximo ideal de beleza feminina (já que a guerra nunca acaba)? Este?

Isto é TÃO típico, em informática…

2 de Outubro, 2009

televisao-consertoFonte: Ivo Viu a Uva

Do ponto de vista do técnico, isto já me acontecia na idade das trevas da minha vida profissional, quando fazia helpdesk telefónico (lá para 1996-97), e continua-me a acontecer ocasionalmente, seja no trabalho, seja quando amigos ou familiares me pedem ajuda. Ainda há dias um laptop no trabalho não ligava… até eu carregar no botão.

Por acaso não costumo (e isto em mim até é estranho) pensar o “Louco” que o personagem do cartoon pensa; só me sinto aliviado. Mas consigo perceber perfeitamente de onde isso vem. :)

Do ponto de vista do cliente, por estranho que pareça, acho que nunca me aconteceu. Quando algo avaria, infelizmente avaria mesmo…

E agora, determine o sexo a partir do nome… em inglês!

1 de Outubro, 2009

Here goes nothing: Guess Gender from a Portuguese name.

Nova ferramenta: Determinar Sexo a partir do Nome

30 de Setembro, 2009

Está aqui: Determinar Sexo a partir do Nome. Enjoy.

Fiz isto durante a tarde de ontem, em sequência de uma conversa com os colegas sobre qual seria a melhor forma de resolver este problema (por exemplo, para enviar mass mails sem dizer genericamente “Sr./Sra.”). Uma forma já existente ia apenas pela última letra do nome, mas isso tinha imensas falhas, obviamente, e houve quem sugerisse uma base de dados exaustiva de nomes portugueses. Mas eu achei que isto seria possível fazer através de regras, baseadas na última sílaba do nome, e depois com um conjunto de excepções para nomes que não “colaborem” com essas regras.

Foram necessárias mais excepções do que pensava, mas neste momento acredito que não está fácil arranjar um nome próprio português europeu em que o programa falhe. Se conseguirem, respondam aqui, please.

Obrigado, já agora, aos membros do VideoGamer-PT e do PokéFórum-PT pelo beta testing, durante a tarde e noite de ontem. :)