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Mais aborto… agora, outras opiniões

Do meu lado, acho que não vou acrescentar muito mais à questão. Já fui insultado por ter a minha opinião, por ter pensado nela, e por estar certo da mesma, quando hoje em dia é considerado “arrogante” ter uma opinão forte baseada no pensamento; só se aceita uma opinião forte baseada em emoções. Ou em autoridade, ou em religião, ou… Bah.

De qualquer forma, se alguém quiser comentar os meus posts anteriores, e, para variar, quiser responder ao que eu escrevi (em vez de se limitar a dizer que “sou muito agressivo”), tal será apreciado.

Neste post, vou apenas mencionar o que outros disseram (fora deste blog) sobre esta questão.

Primeiro, um post da namorada, chamado A Interrupção Voluntária da Gravidez…. É um bocado mais detalhado do que os meus, e acho que mostra bem os dois lados da questão. Vá, leiam e comentem. :) Inclui argumentos como este:

Para quem não sabe, até às 10 semanas há muitas mulheres que nem têm uma gravidez confirmada e que têm aborto espontâneo sem que soubessem que estavam grávidas. O próprio corpo se encarrega de “expulsar” fetos com problemas graves, é parte da “selecção natural” de Darwin, a não-sobrevivência dos fracos, dos inviáveis.

Logo, segundo a moralidade dos “nãos” (que confundem um ser humano com um aglomerado de células que é um potencial ser humano), quase todas as mulheres com vida sexual são “mass murderers” e nem o sabem…

Depois, quero mostrar um post que considero ser totalmente ridículo. Vem de um partido americano, “America First Party”, que é basicamente mais republicano do que os Republicanos. O post chama-se… wait for it… Abortion Leads to Nuclear War. Sim, parece que a Madre Teresa (que pode ter sido muitas coisas, mas não era, de certeza, uma pessoa inteligente ou culta - ou então era muito mentirosa, porque sem dúvida dizia grandes disparates) disse algo desse género, e os fanáticos de todo o mundo pegam nisso. Portanto, já sabem - não querem ver cogumelos enormes no horizonte, não abortem. Ah, e…

It is abhorrent that abortion supporters choose to hide behind the term ‘choice’ to mask their goal of destroying unborn children and promoting immoral behavior without responsibility

Destruir crianças! Que horror! Que tipo de monstro desumano e cruel quereria alguma vez fazer tal acto hediondo? :shock:

É claro que as coisas não são bem assim. Sugiro-vos esta alternativa… deixem se ser um aglomerado irracional e disforme de emoções, e sejam humanos: pensem um pouco. Como este post, em resposta ao comunicado anterior, diz,

nuclear bombs have been used once in war, and I seriously doubt the bombing of Hiroshima and Nagasaki had anything to do with abortion, considering it wasn’t legal in the US in 1945.

E, em resposta à idiotice de “destruir crianças” citada anteriormente,

Let me tell you right now, no one wants to destroy children. It’s just that sometimes an abortion is the only option a mother may have to keep from ruining her life or the lives of her future children. Life is not always fair or simple. That’s the way it is. I wish we could all live in a dream world of magic, but we don’t, and trying to legislate it into reality won’t make it so.

Não teria dito melhor.

Aborto e sofrimento

Em resposta aos vários comentários em Aborto e Controlo:

Um feto não é um ser humano, é um potencial ser humano. Pô-lo acima de um ser humano VIVO, que pensa e sente, é absurdo.

E é curioso que já mencionei isso no outro post várias vezes, mas nenhum dos pró-nãos comenta: e a questão do sofrimento? A questão de estarem a condenar, muitas vezes, tanto a mãe como a eventual criança a uma vida de dor, sofrimento e tristeza? Isso não vos incomoda, pois não? Serem “protectores da vida” faz-vos sentir muito heróicos, muito morais, e estão-se nas tintas para o resto.

“Vida” é muito mais do que um coração estar a bombear sangue. Mas para vocês, só isso é que conta.

Mais uma vez: não querem abortar? Não abortem. Mas deixem os outros em paz.

Gente como vocês já atrasou a medicina em séculos, por fazer com que autópsias fossem tabu. Já atrasou a ciência em séculos, por perseguir cientistas que afirmavam coisas contrárias à posição da igreja.

Gente como vocês tentou impedir o fim da escravatura há alguns séculos, porque na Bíblia esta é aceite como algo normal. Tentou impedir o uso de anestesia no parto, porque a dor do mesmo era suposto ser o castigo de Deus a Eva e descendentes.

Gente como vocês tem feito com que gerações após gerações, em países mais pobres, vivam em fome e miséria, devido à condenação do uso de contraceptivos. Tem impedido que se cure doenças como a de Parkinson, porque isso envolve tipos de pesquisa que ofendem as vossas susceptibilidades.

E agora não têm nenhum problema em condenar mulheres e crianças a vidas inteiras de sofrimento, só por causa de “slogans” retrógrados que têm nas cabecinhas sem realmente terem alguma vez pensado no assunto.

A sério, deixem o mundo em paz. Já provocaram mal que chegue.

Que super-vilão sou eu?

Infinitamente mais interessante do que indagar-me “qual super-herói”. :)

Your results:
You are Dr. Doom

Dr. Doom
66%
Apocalypse
64%
Lex Luthor
56%
Magneto
49%
Poison Ivy
49%
Dark Phoenix
46%
Green Goblin
45%
Mr. Freeze
43%
The Joker
41%
Mystique
41%
Juggernaut
41%
Catwoman
35%
Kingpin
32%
Venom
31%
Riddler
26%
Two-Face
17%
Blessed with smarts and power but burdened by vanity.
Dr. Doom

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Multados por cumprir a lei? Os ridículos limites de velocidade

Há anos (basicamente, desde que comecei a conduzir) que digo que os limites de velocidades em Portugal são absolutamente ridículos, e que toda a gente é obrigada a desrespeitá-los, caso contrário o trânsito não andava. Que esses limites foram calculados há décadas, quando os carros eram muito menos seguros, era muito mais fácil (ou pelo menos mais barato) tirar a carta, e que são, de qualquer forma, “estimativas conservadoras” para abranger tanto os bons condutores como aqueles que nunca na vida se deviam aproximar de um volante (então porque é que os deixam conduzir?).

Existem sítios em Lisboa, por exemplo, que são rectas enormes, com 3 faixas para cada lado, e separadas no meio por uma barreira. O limite? 50 km/h. Alguém anda a essa velocidade? Uma vez experimentei, e parecia que estava parado em relação aos outros carros. No entanto, a polícia pode (e às vezes fá-lo) multar quem quiser… o limite é tão ridiculamente baixo que ninguém o segue, obviamente, logo 100% dos condutores ali está a quebrar a lei.

Bem, um tipo no Canadá obviamente concorda comigo, e fez uma experiência: ele e um amigo andaram, durante algum tempo, numa auto-estrada com 2 faixas para cada lado, lado a lado, exactamente no limite de velocidade.

O resultado? Provocaram uma fila enorme atrás deles, e foram multados… por cumprir a lei!

Obviamente, o que eles quiseram com isto foi sensibilizar as pessoas para como os limites são estupidamente baixos… mas não, as reacções continuam a ser “queres é conduzir à maluca”, “se os limites subirem, vai haver mais acidentes”, e parvoíces semelhantes. Porque as pessoas são incapazes de pensar e argumentar… e por isso fazem apelos idiotas para a emoção (“pensem nas criancinhas!!!”).

Anti-intelectualismo

Para começar, algumas definições:

  • primeiro, há o Intelectualismo: dar especial valor à inteligência, pensamento e educação.
  • depois, há a “Normalidade”, ou “não-intelectualismo”, em que não se dá o valor mencionado acima. Isto não é anti-intelectualismo.
  • finalmente, há o Anti-intelectualismo: o desprezo pela inteligência, pensamento, e educação. A crença de que são esses valores que são responsáveis pela maioria dos males no mundo, pela maior parte do sofrimento humano. Uma tentativa de evitar ao máximo essas características em nós próprios, e a denegrição desses valores nos outros.

Já sei que a maioria não concordará comigo, mas eu acho, depois de já ter pensado exaustivamente no assunto, que os últimos são dos seres mais desprezíveis à face da terra.

(Mais uma vez: não me refiro aos não-intelectuais, mas sim aos anti-intelectuais. E isto não tem a ver com inteligência, mas com valores.)

São seres que se opõem a tudo o que há de bom, a tudo o que se cria, inventa ou produz. São seres para quem a mediocridade é das maiores qualidades a atingir. São vermes que gostariam de ver a humanidade como na pré-história ou idade média: cheia de doenças incompreensíveis (que devem ser castigo “divino”), aterrorizada por “demónios”, na podridão e imundície, supersticiosa, e a morrer-se de idade aos 25-30 anos.

É escumalha para a qual todo o pensamento é suspeito e perigoso, toda a invenção é “maligna” porque vai alterar o que é confortável (e pode, horror dos horrores, obrigar a aprender coisas novas), tudo o que melhora a vida da humanidade é indesejado. São seres para quem a vida humana é, necessariamente, sofrimento, e a única forma de o suportar é “desligar”, é não pensar nem sentir nada, é entrar num estado de apatia estúpida, de torpor anestesiado.

Isto parece extremo, não é? Afinal, nunca ouviste ninguém a dizer, explicitamente, “odeio o pensamento! estaria tudo melhor se as pessoas não pensassem tanto, não soubessem tanto!” (ou, se calhar, ouviste… o que é assustador).

Mas é esse o objectivo de todos aqueles que dizem que a mente humana é falível, é imperfeita, que há algo superior, “mais elevado”, acima do “parco” raciocínio humano. Aqueles que dizem que “os estúpidos é que são felizes”. Aqueles que olham para qualquer tecnologia, qualquer invenção, qualquer progresso, qualquer descoberta, responsável por aliviar o sofrimento humano, com desdém. Com ódio, raiva, ressentimento.

Afinal, se nos convencemos de que o fracasso é inevitável, e que a única coisa a fazer é “desligar a mente”, então alguém que não fracasse é uma ameaça ao “mundo” que construímos…

E, sim, este assunto não fica por aqui. ;)

Feliz vocês-sabem-o-quê

Provavelmente já não verão isto a tempo (que tipo sem vida é que lê blogs na tarde de dia 24 de Dezembro?), mas… feliz Natal, e essas coisas todas que se dizem nestas alturas.

E não, não é nenhuma contradição um ateu comemorar o Natal. Primeiro, o feriado era originalmente pagão, e é bem mais antigo do que o suposto nascimento de Jesus Cristo; segundo, para mim, tem mais a ver com tradição, com a família reunir-se, possivelmente trocar prendas, e conviver, o que, por alguma estranha (e estúpida) razão, está aparentemente proibida de fazer durante o resto do ano. :)

Humor e inteligência

No livro The Salmon of Doubt, um dos textos do Douglas Adams falava de como ele não achava piada à maior parte do humor conteporâneo, por não conseguir desligar o cérebro. Por exemplo, ele mencionava uma piada que esteve muito na moda há uns anos, dita na TV por vários comediantes, e que era a seguinte: os aviões, como se sabe, têm uma “caixa preta” (”black box”) que é feita de uma liga ultra-resistente, e que guarda os dados do vôo, de forma a que, no caso de um acidente, seja possível determinar o que aconteceu nos últimos momentos, mesmo que o avião tenha explodido aparatosamente. A piada é: então, porque é que não constroem um avião inteiramente desse material? É como se isso fosse uma coisa óbvia, e os grandes “crânios” na indústria aeronáutica fossem completamente imbecis.

O Douglas Adams, nessa altura, dizia que não se riu quando ouviu isso pela primeira vez, porque a primeira coisa que pensou foi o óbvio: que esse material é muito mais pesado, e que um avião construído dessa forma nunca levantaria vôo.

Ou seja, é um humor que só funciona quando se desliga o cérebro temporariamente. (ou quando já se é totalmente idiota, but I digress…)

Há dias, vi uma parecida. Vi uma frase, supostamente muito profunda, que diz o seguinte:

Se a vida te fizer cair sete vezes, levanta-te oito.

Serei só eu a reparar que essa frase não faz sentido? Que não nos podemos levantar sem ter caído, logo, a última vez está a mais, e é, no contexto, totalmente impossível? Que, se caímos 7 vezes, só nos podemos levantar 7, e acabaremos de pé; a oitava seria levantarmo-nos quando já estamos de pé? :o

Já sei, vão-me dizer que eu não devia pensar tanto nestas coisas. Mas o que não vêem é que pensar não é um “esforço árduo”, é algo completamente natural para qualquer ser que não dedique esforço e tempo a anular a sua mente. Pensar é o que nos torna humanos. Humor — ou frases supostamente “inspiradoras” — que dependem de não pensar… não, obrigado. :)

Ligar a quem nos deseja mal

Imagina que alguém chega ao pé de ti e diz o seguinte:

A tua felicidade causa-me sofrimento. Não perguntes porquê, isso é cá comigo. Mas, se não és um monstro egoísta, a partir de agora, serás infeliz, de forma a que eu não o seja.

Qual seria a tua reacção? Eu sei qual seria a minha, e seria tudo menos simpática… :) Acho, também, que qualquer um que ligue sequer a esse ser hediondo, estará a demonstrar uma tremenda falta de auto-estima e auto-respeito.

Mas… se bem que o exemplo é obviamente exagerado (entre outras coisas, porque ninguém que nos deseja mal é, normalmente, tão sincero), será que não há versões mais subtis disto, no dia a dia?

E será que não cedemos a essas criaturas, ocasionalmente?

Um exemplo comum: alguém, que já sabemos ser desprezível, vulgar, baixo, etc., diz-nos algo para nos magoar. Critica o nosso trabalho, ou a nossa maneira de ser… e não me refiro a uma crítica construtiva, mas mesmo a algo dito obviamente para nos deitar abaixo. Trata-se de alguém que sabe exactamente onde tocar para nos fazer sentir uns seres desprezíveis. Isso afecta-nos, deprime-nos.

Ora, ao reagirmos assim, não estamos a fazer exactamente o mesmo que faz alguém que ceda a um “a tua felicidade faz-me mal; sê infeliz”? Não é algo mais semelhante do que parece à primeira vista? Não passamos a nossa vida a ligar a quem obviamente nos quer mal — seja um colega de trabalho, um familiar, ou algum outro tipo de conhecimento? Sentimos que, se essa pessoa nos diz isso, deve ter alguma razão para isso, e acreditamos no que ela disse — apesar de só nos querer deitar abaixo.

Porque é que ligamos tanto a pessoas que nos querem mal? Será porque consideramos que elas são incapazes de ser más? Porque pensamos que são tão honestas e bem-intencionadas como nós? Ou porque, simplesmente, achamos que toda e qualquer forma de auto-estima é “egoísmo arrogante”, que temos de tentar agradar a todos, e que a nossa felicidade não é importante? Porque acreditamos que julgar os outros é sempre errado, mas, ao mesmo tempo, achamos que, quando nos julgam a nós, devem ter lá as suas razões?

Além da falta de auto-estima, isto vem também de uma “moralidade” subjectiva e relativista, de uma incapacidade de ver as coisas objectivamente. Devia ser óbvio. Alguém quer-nos mal? OK, é uma pessoa má. Agradar-lhe não deverá estar na nossa lista de prioridades; é uma pessoa a ignorar, e, se possível, evitar. Fim da questão. Mas não… achamos sempre que não podemos julgar os outros, e que ninguém é “mau”, que pensar em “bom” e “mau” é coisa de criança…

20061121

Pequenos progressos são progressos, não são? :)

Infelizmente, tenho escrito pouco aqui no Ostras, porque a minha atenção tem andado dividida pelos outros blogs e sites, e pelo Gyakuten Saiban 2. :) Neste último, já vou no início do 3º caso, mas agora é que vêm os mais difíceis, por isso ainda vai dar alguma luta. :)

Tenho neste momento um servidor virtual nos EUA, para ver se o tráfego vindo de motores de busca (em especial, do Google americano/internacional) muda. Já passei para lá o Way of the Mind, que também mudou de domínio (agora é www.wayofthemind.org em vez de wayofthemind.dehumanizer.com), e criei o meu 3º fórum, obviamente associado ao WotM: o Way of the Mind Forum! Este último já conta com 50 posts em 2 dias, o que é bastante promissor; até agora, ainda não está nos motores de busca, e conta apenas com alguns dos “regulares” do WotM, mas acho que vai mesmo ser um sucesso… e ainda por cima uma fonte de discussões bastante interessantes. Tenho adorado participar em algumas. :)

Infelizmente, só terei resultados da experiência de mudar o WotM para os EUA daqui a umas semanas. Mas, se tudo correr bem, devo mudar para lá os meus outros blogs e sites em inglês. Os na nossa língua vão continuar aqui. :)

Entretanto, o blog de desenvolvimento pessoal não vai arrancar tão cedo. Acho que o que actualmente (atenção a essa qualificação!) teria para dizer no mesmo não é suficiente para fazer dele um sucesso, ou mesmo simplesmente algo que “faça falta” na Internet. Devo, no entanto, criar outro blog num futuro próximo… mas isso logo se verá. :)

De resto, estou bastante entusiasmado com a chegada da Nintendo Wii, dia 8 de Dezembro. A consola vai mesmo ser um espectáculo. :)

O círculo vicioso da televisão

Quem me conhece, sabe que não vejo televisão há anos. Não só pela falta de qualidade e infestação constante de publicidade, mas também porque não gosto de ver coisas (séries, neste caso) a conta-gotas, com intervalos quando eles querem (e não quando eu preciso de ir à casa de banho ou coisa parecida :)), e não tenho pachorra para me lembrar de que o programa X dá à hora Y no dia Z.

Mas sei que estou em relativa minoria, sobretudo em relação aos motivos que não têm a ver com a falta de qualidade. Por outras palavras, sempre que vejo alguém a dizer que vê cada vez menos televisão, é apenas porque os programas, em geral, não prestam. As minhas outras razões, aparentemente, são só minhas. :)

Quanto à falta de qualidade em si, ao comentar no blog do Rui Moura, veio-me à cabeça o seguinte: a televisão está (segundo dizem; eu não posso confirmar :) ) cada vez pior porque… está cada vez pior. Ou seja, é um círculo vicioso.

A coisa é mais ou menos assim:

A qualidade dos programas é baixa, o que faz com que quem tem mais miolos vá deixando de ver. Quem é que fica? Quem tem menos miolos. De seguida, os vários canais fazem, naturalmente, pesquisa de mercado, entre quem continua a ver televisão… e o que é que os inquéritos demonstram? Que ninguém vê este ou aquele documentário ou série com interesse que ainda resta, que o que “as audiências” querem é: mais telenovelas, mais “reality shows”, mais futebol, mais sensacionalismo nas notícias, mais coisas “pimba”, mais programas de treta.

Ora, eles seguem o que essa pesquisa indica, fazendo descer ainda mais a qualidade dos programas. Resultado? A “camada de cima” (em termos de inteligência) também já não aguenta, e deixa de ver. Com isso, a média de inteligência desce ainda mais. Adivinhem lá o que é que os próximos inquéritos vão mostrar…

Por outras palavras, é um caso perdido. Quem tem bom gosto vai deixando de ver; quem tem mau gosto e fica, “pede” coisas ainda piores.

Cristianismo sem a Bíblia

Para um Cristão tradicional, a Bíblia é a “palavra de Deus”. Penso que até aí ninguém discorda. :) Mas, obviamente, as coisas não são assim tão simples…

Em Portugal, onde o Cristianismo é quase sempre Catolicismo, e as pessoas são Católicas mais por tradição do que por fé, participando nos rituais (baptismo, 1ª comunhão, missa ao domingo, casamento pela igreja, etc.) mas não levando realmente “a coisa” a sério, isto não é normalmente um grande problema. Mas em sociedades mais fundamentalistas, como os Estados Unidos, é comum uma grande parte da população acreditar na Bíblia à letra. Mundo criado em 6 dias, Adão, Eva e uma cobra, a patecice completa da Arca de Noé, Jesus Cristo a fazer milagres, ser crucificado e ressuscitar, o Universo existir apenas há cerca de 6000 anos, a evolução ser uma fantasia de cientistas, etc..

Como disse, a Bíblia não é tão “levada a sério” no Catolicismo tradicional (a maior parte dos Católicos, acredito, nunca a terá sequer lido). Mas será que isso faz sentido? Eu (já agora, sou ateu, para quem esteja aqui pela primeira vez :) ) penso que não.

Se pensarmos um pouco, só há 3 hipóteses: ou a Bíblia é 100% divinamente inspirada, ou é parcialmente divinamente inspirada, ou não o é de todo (isto é, não tem nada a ver com qualquer deus (ou deuses) que exista). Bem, vamos ser honestos, e adicionar uma 4ª possibilidade: Deus não existe. :)

Vamos, então, explorar cada uma das hipóteses, e os problemas que cada uma levanta:

1- Deus existe, e toda a Bíblia é divinamente inspirada.

Problema: Isto inclui, então, as partes que dizem que as mulheres são propriedade dos homens, as partes de sacrifício de animais, as partes que dizem para matar quem acredita noutros deuses, as partes que condenam à morte quem trabalha no sábado, as partes de genocídio de outros povos, as partes de regras alimentares ultra-rígidas, e, claro, as partes que contradizem outras partes.

2- Deus existe, mas somente algumas partes da Bíblia são divinamente inspiradas.

Problema: Não é possível determinar quais partes. Pergunta a dez crentes, e provavelmente obterás dez respostas diferentes. A maioria das pessoas escolherá aquelas partes com as quais já concorda como sendo divinamente inspiradas, e as partes com que não concorda como sendo obviamente produto de seres humanos comuns. (Por exemplo, um homem sexista provavelmente escolherá as partes sexistas; quem não o seja, não concordará com ele.)

Mas o que é que faz as tuas partes preferidas divinamente inspiradas, e as do tipo ao lado não? Objectivamente, não podes ter a certeza (”eu sinto Deus nestas partes” não é objectivo!). Qualquer um pode achar algo na Bíblia que justifique as suas acções.

Assim, se acreditas que só parte da Bíblia vem de Deus, então não achas arriscado obedecer a alguma parte? Afinal, podes estar a seguir a parte errada, e a ignorar algo que realmente é a vontade de Deus… E, se a tua alma imortal está em jogo, então é, simplesmente, um risco grande demais tentares, como ser humano falível que és, “adivinhar” que partes vêm de Deus. É como jogar aos dados com a alma.

3- Deus existe, mas a Bíblia não tem nada a ver com ele.

Problema: OK. Mas, então, como é que conheces Deus? Como é que sabes alguma coisa sobre ele? Como é que sabes que existiu um tipo chamado Jesus que era o filho de Deus e morreu pelos teus pecados? Não há nenhum registo contemporâneo da vida de Jesus, fora da Bíblia. “Sinto isto no meu coração” é algo completamente subjectivo; outra pessoa pode sentir “no seu coração” algo completamente oposto, e, objectivamente, não tens maneira de saber que os teus sentimentos vêm de Deus, enquanto o outro tipo está simplesmente a imaginar coisas. Afinal, ele está, provavelmente, igualmente certo de que os seus sentimentos têm origem divina. Se Deus realmente comunicasse através de sentimentos ou sensações, então todos nós — ou pelo menos uma grande maioria — sentiríamos exactamente as mesmas coisas; Deus não iria transmitir mensagens tão diferentes e contraditórias. Mas isso não acontece. Não há uniformidade no que “sentimos cá dentro”.

4- Deus não existe, o que implica que a Bíblia vem apenas da imaginação humana.

Problema: Nenhum, que eu veja. :) Esta é a mais simples e mais provável das hipóteses, na minha opinião.

Aborto e controlo

O segundo referendo sobre a descriminalização do aborto em Portugal aproxima-se, e, como é óbvio, há alguma polémica sobre o assunto.

Assim sendo, tenho de dar a minha opinião. Se, por um lado, ela deverá ser mais ou menos óbvia para quem já me conhece, por outro lado, talvez não estejam à espera dos motivos que vou dar.

Para começar: acho que não deveria haver referendo. A lei actual devia simplesmente ser anulada como sendo um atentado à liberdade individual, como tratando-se de algo sobre o qual o Estado nem devia sequer poder legislar (da mesma forma que não pode legislar a decoração interior da minha casa). O que a maioria quer nunca se pode sobrepôr aos direitos individuais de cada um. Uma maioria não pode decidir que este ou aquele se sacrificam pelo todo, e não deveria ter qualquer poder sobre o que cada um faz, desde que os direitos individuais de todos sejam respeitados. A criminalização do aborto é equivalente às leis de proibição da sodomia que existem ainda (sim, no século XXI) em vários estados dos EUA (a maioria no sul). Leis que proibem algo feito entre adultos, consensualmente. Leis absolutamente anti-constitucionais, violadoras da liberdade individual, que provêm de mentalidades retrógradas, e têm origem religiosa (para não variar).

A maioria nunca deve ter poder sobre os direitos e a liberdade de um indivíduo. Caso contrário, como outros já disseram, temos o equivalente a três lobos e uma ovelha a votar o que vai ser o jantar.

Neste caso, acho que isto vai mais longe. A origem desta questão é algo mais fundamental do que razões religiosas, de “onde é que começa a vida”, de existir ou não uma alma, dos direitos das mulheres, de puritanismo ou “promiscuidade”, de se ser liberal ou conservador, de o sexo por prazer (em vez de para fins reprodutivos) ser ou não uma coisa “pecaminosa”.

Passo a citar o Robert A. Heinlein:

Political tags — such as royalist, communist, democrat, populist, fascist, liberal, conservative, and so forth — are never basic criteria. The human race divides politically into those who want people to be controlled and those who have no such desire.

Percebem? Mais do que religião e afins, trata-se de controlo.

Uns limitam-se a querer liberdade. Liberdade para decidir, para fazer o que quiser com a sua vida. Querem, no fundo, que os deixem em paz.

Os outros não. Não lhes basta já poderem decidir por si (afinal, ninguém os vai forçar, ou às suas mulheres, a abortar). Não. Querem decidir o que os outros podem ou não fazer. Querem que a raça humana seja controlada segundo o que eles acham certo e errado.

Hipócritas. Com que direito decidem e controlam eles o que os outros podem fazer? Com que direito impõem eles a sua moralidade ao resto das pessoas?

Acho que uma frase que vi uma vez diz tudo: “És contra o aborto? OK, não abortes.”

Sumo de Laranja com Corn Flakes

Ontem, nem sei bem porquê, experimentei pôr corn flakes num copo de sumo de laranja… e fica óptimo!

Não me refiro a pôr muitos; aquilo continua-se a beber, não a comer às colheres. Mas fica (na minha opinião) uma combinação deliciosa.

Já sei, já sei, não regulo bem…

Novo blog de citações!

Já não criava um blog há muito tempo, não é? :)

O de Personal Development ainda está a marinar; logo, como este é mais fácil, saiu primeiro: quotes.dehumanizer.com. Sim, esse é mesmo o nome dele. Não é muito original, eu sei… mas pronto. :)

As quotes são em inglês, e, pelo menos durante o arranque, está a ter vários posts por dia. Aliás, até já pus lá alguns que só aparecerão daqui a um ou mais dias, para não haver várias citações do mesmo autor muito próximas. Isto é prático, dá para escrever agora e elas só aparecem depois. :)

Espero que gostem. Dá para comentar as citações, e eu próprio já o fiz para algumas. Mas os posts são somente as citações (e a respectiva atribuição).

Ah, e, para variar um pouco, há também posts da namorada lá. :) Ela tem preferências e conhecimentos diferentes dos meus, o que permite uma maior variedade (e número) de citações.

Babilónia Cinco

Babylon 5

Acabei de ver ontem aquela que é talvez a melhor série de TV que eu conheço.

5 anos de episódios, vistos em DVD em alguns meses. Personagens inesquecíveis, uma história com princípio, meio e fim, toda ela criada por um único autor que sabia, desde o início, onde a coisa ia acabar. Curiosamente, ele actualmente escreve para a Marvel. :)

Continuo a adorar os Star Treks, mas tenho de admitir: o Babylon 5 é muito, muito melhor. Simplesmente, está a outro nível.

Hmm… e agora, o que é que vou ver? 8O :)






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