Ei, EU pensava isso quando andava de metro! :)

20 de Julho, 2009

sheeple

Deverei “ser alvo de estudo pela ciência genética”?

9 de Julho, 2009

Eu não devia. Aquilo é claramente provocante para ser link/commentbait, e é daquelas coisas que se fosse ao contrário, seria alvo fácil para acusações de um machismo nojento e retrógrado — se bem que por outro lado consigo perfeitamente imaginar muita gente assim. Mas isso é normal, dada a minha opinião elitista e condescendente da raça humana.

Mas não resisto. :) Deste post, uma lista de coisas que os homens supostamente fazem e que irritam a autora:

  1. Não passar a banheira por água após o banho – fica o rasto dos pêlos e outros elementos impossíveis de identificar para termos mesmo a certeza que esteve lá um animalito
  2. Deixar o tampo da sanita levantado – por tampo entenda-me aquele donut onde a malta feminina se senta sempre, seja para a função 1 ou 2
  3. Não puxar o autoclismo depois da função 1 – já nem falo na 2 que aí a coisa já seria mesmo animalesca!
  4. Deixarem os sapatos na sala – nunca percebi porque se descalçam na sala…
  5. Deixar a toalha molhada em cima da cama – não sei se fazem apostas sobre o cheirinho a mofo ou se só pretendem deixar apodrecer o edredão
  6. Cortar as unhas dos pés perto de nós – eh pá, poupem-me ao clack, salta garra, clack, nova garra…
  7. Não cortarem as unhas dos pés – de forma a arranharem-nos as pernas de tal maneira que nos estão sempre a perguntar se o nosso gato anda com algum problema de raiva
  8. Não passarem os pratinhos por água depois de comer – esperando que aquilo fique tipo super cola 3
  9. Não substituírem o rolo de papel higiénico quando está no fim (ou quase) – deixando apenas uma folhinha para ver se enganam o próximo
  10. Deixarem umas duas ou três gotinhas de leite no pacote sem o substituírem – também nunca percebi esta…
  11. Não meterem o leite no frigorífico depois de se servirem – sabiam que aquilo se estraga?
  12. Deixar roupa suja espalhada pela casa – à laia de decoração pós-apocalíptica
  13. Acharem que as compras aparecem feitas por milagre – tipo pai natal semanal
  14. Deixarem as cascas de qualquer fruto seco por ali – especialmente amendoins – e depois vem o ventinho e pimba, espalha tudo!
  15. Deixarem pegadas molhadas pela casa quando saem do banho – porquê, senhores, porquê?

Deixa ver…

  1. Talvez seja comum em homens mais “simiescos”, mas — ainda hoje de manhã confirmei isso — não acontece comigo. Podia haver um cabelo ou dois no ralo quando tinha cabelo comprido, mas “pêlos”? Estaremos mesmo a falar de homo sapiens? Ou de algum “elo perdido”? :)
  2. Esta eu já perguntei lá no outro blog, porque realmente me surpreende; o problema da autora é que ela chega lá, não repara que aquilo está para cima, e se senta na parte fria. Para mim isso é surreal; então uma pessoa não olha antes de se sentar? Esteja para cima ou para baixo, uma pessoa põe como precisa antes de usar. Eu compreendo que depois de se viver anos sozinho (incluindo sem visitas) se passe a fazer tudo em piloto automático na nossa casa, mas não é razoável esperar manter essa total previsibilidade quando se partilha a casa com alguém.
  3. É claro que se puxa. (mas, na Rússia Soviética, o autoclismo puxa-te a TI!!)
  4. “Sala”? :) Nope, quando chego a casa a primeira coisa que faço é tirar os sapatos (acho incrivelmente desconfortável manter a roupa de rua em casa)… no quarto.
  5. É uma experiência científica: quanto tempo demorarão os fungos a desenvolver inteligencia e um início de civilização? :) OK, a sério, as toalhas ficam na casa de banho (se bem que preciso de arranjar forma de as estender melhor na mesma).
  6. Absolutamente nojento, IMO; unhas (pés ou mãos) cortam-se na casa de banho. Aliás, até acho mal ir-se à mesma fazer uma das duas necessidades e não encostar a porta. Mas isto sou eu.
  7. Cortam-se quando necessário.
  8. Aqui já pequei por não o fazer, mas ultimamente ando com mais atenção a isso.
  9. Nope, há sempre mais uns 2 rolos ao pé do que está a ser usado, já a pensar nisso.
  10. Às vezes pode-me escapar, mas em geral não. De qualquer forma, se assim acontecer, uso essas gotas na próxima vez, antes de abrir o novo pacote. Detesto desperdícios.
  11. É claro que volta sempre para o frigorífico. Que tipo de pessoa o deixaria de fora?
  12. Nope, só no quarto, e só mesmo se for para usar mais alguma vez, caso contrário vai para o cesto.
  13. Quem me conhece sabe que sou ao contrário… compro bem mais do que preciso, e compro mais antes de os anteriores acabarem.
  14. Não costumo comer tais coisas (para mim isso é coisa para se juntar a tascas, futebol e cervejas, hábitos esses que não são em geral parte da minha vida), mas obviamente nunca deixaria cascas de nada no chão.
  15. Porque ainda não descobriram os chinelos? :) Francamente, que tipo de gente é que esta rapariga conhece? :)

Gridrunner+++: novos ecrãs e vídeo

2 de Julho, 2009

gr_07

gr_08

Parece que a nova obra de arte psicadélica (mas menos que o Space Giraffe) e com ovelhas (naturalmente) do Jeff Minter está quase a sair. Os novos ecrãs são brilhantes, mas recomendo sobretudo que vejam o vídeo

A confusão dos Release Candidates

1 de Julho, 2009

Com a saída do Firefox 3.5 ontem (já instalaram? Se usam “a internet” para aceder a sites, estão desesperadamente a precisar de o fazer…), vi alguma confusão em blogs sobre Release Candidates (RCs), tendo, por exemplo, lido afirmações como “quem estava a usar a RC1 teve a versão final uma semana antes”.

Isso é um erro, se bem que é compreensível (já lá vamos).

A ideia, no desenvolvimento de software, é lançar versões alfa, que não têm todas as funcionalidades, seguidas de versões beta, que têm problemas conhecidos (mas servem para testar o que supostamente já funciona). Finalmente, sai um RC, chamado “RC1″, que, como o nome diz, é um candidato à versão final.

É essa a ideia do nome. Se não se detectar nenhum problema, será essa a versão final. Caso se detecte, corrige-se e lança-se um RC2. E assim sucessivamente.

Se a versão final for diferente do último RC, isso significa que há algo nela que ainda não está testado, que pode ser muito pouco, mas continua a existir. Por exemplo, detecta-se um bug no RC3, corrige-se esse bug, e lança-se a versão final; isso implica que não houve nenhum teste da correcção desse bug (incluindo como ela interage com o resto do código). O correcto seria lançar um RC4 com esse bug corrigido; se esse RC “sobreviver” a uns dias de teste, então ele transforma-se na versão final.

Porque é que há tanta confusão? Por duas razões.

Uma delas é que muitos developers de software não usam os termos da forma correcta. Em vez de um RC ser efectivamente um candidato à versão final, muitos usam o termo para significar apenas “o que vem depois da beta”, ou seja, algo já relativamente estável e completo. Ou seja, lançam os primeiros RCs sem estarem minimamente à espera de que sejam finais. Para mim, isso não faz qualquer sentido; se não é um candidato a release, não devia ser descrito como tal.

A outra razão, talvez mais aceitável, é que a única coisa que muda do último RC para a versão final é o “branding”, isto é, o número da versão. Ou seja, os RCs estão identificados como tal, e quando um deles sobrevive aos testes, muda-se a versão e lança-se exactamente o mesmo código, apenas a dizer algo diferente no Help:About.

Isto já faz mais sentido, mas ainda acho que não é a melhor forma de desenrolar o processo, além de que provoca confusão. Daí, quando alguém faz a coisa bem feita, as pessoas não percebem e pensam que tiveram a versão final com antecedência por estarem a usar a beta e RCs, quando o que na verdade se passou é que os RCs foram lançados efectivamente como candidatos, sem dizerem “RC” em lado nenhum. O RC1 teve problemas, lançaram o RC2, esse portou-se bem, e é a versão final.

“You’re too stupid for me to argue with you.”

30 de Junho, 2009

“If it’s futile, then that’s unfortunate, but I don’t think it’s a reason for not even trying. I think it would be… defeatist and rather cowardly, and rather actually… well, almost condescending, almost contemptuous to say… “you’re too stupid for me to argue with you.” I would never wish to say that.”

– Richard Dawkins

Linux no trabalho!

29 de Junho, 2009

Sim, para minha grande vergonha, estive a usar Vista até há poucas horas. “Veio com o computador” é normalmente usado como desculpa para manter a ignorância, mas eu nem essa desculpa tinha, já que usei Linux em desktops durante anos; no entanto, a inércia fez-me estar neste Vista nos últimos meses1. Somando isso com o facto de em casa usar maioritariamente o portátil que, por ser também o meu actual PC de jogos, também está com o Vista (vêem? Essa é uma desculpa válida para usar Windows: os jogos), já andava com saudades de usar alguma coisa de jeito, mais ou menos lógica, e que “esteja do meu lado”. Usar só Windows é estupidificante — a sério, já andava a sentir que estava a estagnar completamente em termos informáticos, e que isso me estava a tornar mais preguiçoso ainda, e, pior, menos curioso.

Bem, agora estou a escrever isto em Ubuntu. Bonito, rápido, e, acima de tudo, divertido. Até me sinto mais vivo. :)

  1. pequeno à-parte: o meu desktop no trabalho é mesmo meu; don’t ask. []

Trogloditas… e quem gosta de trogloditas

24 de Junho, 2009

caveman Como é que eu podia ver este post (visto no Planet Geek) e não comentar? :)

Eles gostam de beber cervejolas com os amigos e falar de estranhezas e estatísticas durante horas a fio. Gostam de desportos (todos), papam desde o futsal ao curling, sempre de calções e pés descalços. Espalham pelo tapete aquelas casquinhas vermelhas de amendoins impossíveis de remover. Deixam os sapatos na sala, colam pêlos ao sabonete e raramente se lembram de passar água na banheira depois do duche. Raramente se lembram? Deixem-me cá refazer a ideia: não se lembram, porque nem sequer percebem para que serve e por que raio é que alguém há-de fazer isso…

Quem não me conhece já, pode imaginar que vou contrariar o que a autora diz, defender o meu sexo, dizer que os homens não são em geral assim, e assim por diante. Quem me conhece (sou um elitista nojento, lembram-se? :) ), por outro lado, adivinhará com mais sucesso qual a minha resposta…

… eu concordo. Acho que a autora tem toda a razão em relação à esmagadora maioria dos homens (aí uns 90%, give or take a few). A maioria do meu sexo porta-se com a maturidade e a civilização de um homem das cavernas (sobretudo como retratados na ficção).

Mas acho que ela peca por não mencionar algo vital: é que, segundo a minha experiência, as mulheres querem em geral homens exactamente assim. Preferem-nos, escolhem-nos invariavelmente, acham que eles é que são “homens a sério”, e usam os homens decentes que conhecerem apenas como amigos em cujos ombros chorar o que os namorados / maridos trogloditas (lhes) fazem. Acredito, é claro, que a autora seja uma excepção, assim como conheço várias outras que o são. Da mesma forma que conheço homens adultos, inteligentes, civilizados, e para quem ver um jogo de futebol com os amigos, umas cervejas e os referidos amendoins não é a forma ideal de se passar uma tarde.

Mas – e aqui vem o meu elitismo – não acho nem que estes últimos homens sejam a maioria (aqui concordo com ela), nem que as mulheres realmente queiram, na sua maioria, homens assim. Apenas afirmam isso, mas depois preferem – uma e outra (e outra) vez – exactamente os trogloditas, os zezés camarinhas, os “o-domingo-é-para-o-futebol”, as crianças grandes, e afins.

Como disse num comentário lá, se as raras mulheres com bom gosto estão muito mal servidas, os raros homens decentes também o estão…

Vá, digam-me lá como estou errado.

P.S. – “eu sou mulher e não sou assim” não conta; isso simplesmente faz de ti uma excepção. :)

Fantasias e realidades políticas

5 de Junho, 2009

Fantasia: uma elevada percentagem de abstenção / voto em branco transmitirá, de forma clara e não ignorável, a mensagem de que o povo está absolutamente insatisfeito e revoltado com a política e os políticos actuais, e que é necessária uma mudança a sério. Por outras palavras, é a melhor forma de iniciar a mudança.

Realidade: abster-se ou votar em branco não é nada mais do que dizer “está tudo bem como está”.

Se acham que os políticos alguma vez irão ter “vergonha na cara” por abstenções / votos em branco (há realmente alguma diferença? sim, eu sei a teoria, mas há realmente alguma diferença?) na ordem dos 60, 70, 80, 90%, então tenho uma ponte para vos vender. É vermelha, fica no Tejo, e foi herança de família. Estou a precisar de dinheiro para pagar dívidas, comprar jogos, e comprar queijo derretido (não necessariamente por essa ordem), daí estar a vender algo que tem tanto valor sentimental para mim (além de ser importantíssima para quem vive na margem sul).

Não se demorem a falar comigo sobre a ponte; há muito mais gente que acredita nisto, pelo que tenho visto…

P.S. – faz-me lembrar uma fantasia parecida, e quase tão ingénua:

security 

P.P.S. – não me venham com desculpas de que “eles são todos iguais”. Mesmo que assim fosse, não há melhor forma de mostrar insatisfação do que votar em quem não está no poder.

P.P.P.S. – não vejam isto como um apelo incondicional ao voto. Eu aceito perfeitamente que não se vote por preguiça, ou por se achar que o resultado destas eleições não nos afecta em nada significativo. O que acho absurdo é que se trate o não-voto como um marcar de posição, coisa que é completamente ingénua, adolescente (no pior sentido), absurda e fantasista.

Irlanda, Igreja Católica… “ah, pois, mas o ateísmo é que é o verdadeiro problema”

25 de Maio, 2009

Acho que aqui não há muito a acrescentar a este post do Daylight Atheism, Catholicism’s Hollow Claims of Moral Authority.

O início do post:

The outgoing Archbishop of Westminster, Cormac Murphy-O’Connor, had some choice words for atheists at the ceremony this week to install his successor:

“What is most crucial is the prayer that we express every day in the Our Father, when we say ‘deliver us from evil’. The evil we ask to be delivered from is not essentially the evil of sin, though that is clear, but in the mind of Jesus it is more importantly a loss of faith. For Jesus, the inability to believe in God and to live by faith is the greatest of evils.

…You see the things that result from this are an affront to human dignity, destruction of trust between peoples, the rule of egoism and the loss of peace. One can never have true justice, true peace, if God becomes meaningless to people.”

Like others who came before him, this cardinal views atheism as “the greatest of evils”, literally the worst act a human being can possibly commit. Too bad for the cardinal that, at the time he gave this speech, an enormous counterexample was staring him in the face:

Tens of thousands of Irish children were sexually, physically and emotionally abused by nuns, priests and others over 60 years in a network of church-run residential schools meant to care for the poor, the vulnerable and the unwanted, according to a report released in Dublin on Wednesday.

Tens of thousands of children, suffering horrific abuse, degradation, and brutal assault both physical and sexual, over a period of decades. The sheer scope of the problem makes it impossible to explain away as the result of a few bad apples; cruelty this widespread and this institutionalized could only come about as the result of evil and corruption deeply entrenched in the hierarchy of church power.

Não acho que dê para acrescentar muito mais a isso.

E antes que me digam que isto não é representativo da Igreja Católica, eu lembro-vos do que a mesma fez enquanto tinha poder para tal: inquisição, tortura de “hereges”, queima de “bruxas”, censura de todos os livros por default (isto é, havia uma lista de livros permitidos, e não de livros censurados), cruzadas, e afins. E isso não parou por a Igreja ter pensado “espera aí, isto não está certo, é uma crueldade monstruosa, vamos parar e realmente tentar fazer algum bem ao mundo”. Não, parou quando deixaram de ter poder para isso. E acho que nunca devemos deixar de mencionar esse facto. Tal como os judeus dizem em relação ao Holocausto, “nunca mais.”

Abuso de crianças? “Trivialidades.” Tudo é justificável para um culto de morte que acredita que a vida terrena não tem qualquer importância, e que a única coisa que importa é salvar almas.

Greta Christina: “Não sou religioso, mas acredito em *algo*”

6 de Maio, 2009

O segundo post da Greta Christina que estou a abordar nesta mini-série de três chama-se Not Religious, But Spiritual, e “ataca” precisamente quem tem esta forma de “religião diluída”, em que se rejeita qualquer religião organizada ou interpretação literal usada pelas mesmas, mas ao mesmo tempo se afirma ter uma ligação pessoal com algo “superior”, algo “mais elevado”, sem nunca se definir (ou pensar em) exactamente o quê.

People use it to mean they believe in something other than the physical world: they don’t know exactly what, but they’re pretty sure it’s something.

Já haveria muito que criticar aqui, mas já lá vamos. :)

Now, when I’m in a generous mood, I see this trope as coming from a totally valid desire to not be connected with the horrors of organized religion… while, at the same time, still feeling some sort of personal, emotional experience that the trope-holder thinks is a connection with God. (Or the Goddess, or the spirit world, or whatever.) The people who say it are trying to separate the wheat from the chaff; to take what they need and leave the rest. And while I think their interpretation of their experience is mistaken — I think it’s all chaff — I can certainly understand the impulse.

And sometimes, like deism, the "spiritual but not religious" trope is a gateway drug, a baby step out of religious belief. For people who are questioning religious belief but have been brought up to believe that religion is the source of all morality and meaning, "spiritual but not religious" can be a way to begin to let go of their beliefs without feeling like they’re stepping into the abyss. And I can definitely be generous about that.

Mas…

When I’m in a less generous mood, though, I see this trope as totally smug and superior, without anything to back it up. I see it as a way of saying, "I am so special and independent, of course I don’t have anything to do with that hidebound organized religion, I’m far too free a spirit for that… but I’m also special and sensitive, and in touch with the powerful sacred things beyond this mundane world."

E se isto fosse o pior…

O problema, tal como a primeira citação dela neste post o demonstra, é que tudo isto não passa de uma tremenda preguiça intelectual: “há algo superior, mas não sei o quê… nem quero saber.” O que é, não é importante. Eu acredito em “algo”, e pronto; isso faz-me sentir bem, faz-me sentir superior a quem não acredita, faz-me sentir que não sou limitado ao “materialismo frio” do mundo físico, e isso é tudo o que importa.

Isto acaba por ser pior do que uma religião formal: em vez de se acreditar em algo definido sem qualquer tipo de evidências, acredita-se em algo indefinido sem qualquer tipo de evidências. É ser “espiritual”, é “acreditar”, sem se saber exactamente no que é que se acredita.

Ela critica também (e muito bem) a ideia de que a moralidade vem do sobrenatural:

Rather more importantly, I think the "spiritual but not religious" trope completely plays into the idea that religious belief — excuse me, spiritual belief — makes you a finer, better person. There’s a defensiveness to it: like what the person is really saying is, "I don’t attend any religious services or practice any religious practice… but I’m not a bad person. Of course I still feel a connection to God/ the soul. I haven’t totally descended to the gutter. What do you take me for?" It gives aid and comfort to the idea that value and joy, transcendence and meaning, have to come from the spiritual — i.e. the world of the spirit, the world of the supernatural.

… o que já é suficientemente triste, além de imoral (a ideia de que a moralidade se resume à obediência aos caprichos de determinado ser, por muito poderoso que ele seja, é a maior corrupção da moralidade que pode existir).

Mas, mais do que tudo, esta atitude demonstra uma totalmente cobarde ausência de curiosidade em relação ao mundo em que vivemos… tão cobarde é ela que origina a rejeição desse mundo pelos crentes.

If being "spiritual but not religious" really does mean thinking of yourself as being in touch with the special sacred things beyond this mundane physical world… then I think that shows a piss- poor attitude towards the mundane physical world.
The physical world is anything but mundane. The physical world is black holes at the center of every spiral galaxy. It is billions of galaxies rushing away from each other at breakneck speed. It is solid matter that is anything but solid: particles that can’t be seen by even the strongest microscope, separated by gaping vastnesses of nothing. It is living things that are all related, all with the same great- great- great- to the power of a zillion grandmother. It is space that curves, continents that drift. It is cells of organic tissue that somehow generate consciousness and selfhood.

When you take the time to learn about the mundane physical world, you find that it is anything but mundane.

And I think that the "I don’t follow any organized religion, but I know that there has to be something more to life than what we see" is doing a serious disservice to the astonishing and complex vastness of what we see.

Eu acrescentaria ainda que uma pessoa realmente honesta – como parecem haver poucas, hoje em dia – facilmente reparará – ou admitirá, quando lhe apontarem isso – que o “eu acredito em algo mais elevado” quase sempre quer na verdade dizer “eu quero acreditar em algo mais elevado.” “Eu quero que exista algo mais elevado.” E não acham isto meio… infantil? Acreditar em algo só porque queremos que seja verdade, ou porque a crença nos é confortável?

Greta Christina: música nova, nostalgia, e o perigo de se ficar um “velho resmungão”

5 de Maio, 2009

(Nota: este é o primeiro de 3 artigos a divulgar e comentar posts recentes da Greta Christina, cujo blog é das coisas mais inteligentes e interessantes que para aí andam.)

O post em questão chama-se Against Nostalgia, or, I’m In Love with the Modern World: On Not Being a Crank, Part 2. Título um bocado grande :) , mas faz sentido. Como o mesmo implica, é a continuação de outro post dela, ambos tendo como tema a preocupação dela de, com a idade, não ficar “resmungona”, fechada, presa aos seus hábitos, a dizer mal de tudo o que é novo, e assim por diante. Mais ou menos como estes tipos (ela própria usa esta imagem):

velhos-marretas

Neste caso específico, ela refere-se à música, mas o que ela aqui diz podia adaptar-se a qualquer outro campo. Ela avisa quanto à possibilidade de ficarmos presos à nostalgia (coisa muito forte em mim, se bem que não acho que ela me limite, pelo menos por agora – but, then again, tenho uns meros 34 anos), que facilmente faz com que vejamos o passado – quase sempre, a época da nossa adolescência ou princípio dos “vintes” – com “óculos cor-de-rosa”, e fiquemos presos a isso, rejeitando tudo o que há de novo. Ela propõe-se o seguinte:

Listen to music that’s being made now.

My rule is this: I don’t let myself just listen to music that was recorded when I was in college and my early twenties (or earlier). I make a conscious effort to listen to at least some music that’s being made now, by musicians and bands who are still alive and still working. (And no, reunion tours don’t count.)

Olhando para mim, eu acho que não estou (para já) muito mal neste aspecto. É certo que muita da música que ouço – Black Sabbath, Pink Floyd e afins – tem origens relativamente antigas (anos 60), se bem que continuaram a fazer música nova até aos anos 90, e eu continuei a segui-la (ou explorá-la, no caso dos Pink Floyd, que só “descobri” bem depois). É também certo que o que ouço em geral não está de forma alguma na moda, se bem que me posso orgulhar de isso não ter qualquer influência nos meus gostos – ou seja, se por um lado não ouço algo só por estar na moda, também não o ouço só por não estar, ou não deixo de o ouvir só por estar. O anti-conformismo cego é tão estúpido e “em segunda mão” como o conformismo cego. :)

Acredito também que não rejeito algo – banda, álbum, música – só por ser novo. Em geral afasto-me um bocado da rádio e afins, mas não por na mesma se ouvir música moderna; é, sim, por se ouvir música de plástico, comercial, e em geral toda igual. Não assumo isso em relação a tudo o que se faz; apenas àquilo que, por razões comerciais compreensíveis, as rádios em geral passam. Mas se me mostrarem algo muito bom e for o primeiro álbum de um novo artista ou banda, vamos a isso. Acredito que isso ainda é assim. Por outro lado, é um facto que continuo a seguir bandas da minha “juventude”, como Iron Maiden, Judas Priest, Blind Guardian, ou membros e ex-membros dos Black Sabbath.

Mas muita gente que seja tão ou mais discernente do que eu, e em idades semelhantes ou superiores à minha, dirá que “a música de hoje é toda igual, é toda uma merda”. Será verdade? Eu próprio tenho um pouco essa ideia (se bem que estou sempre preparado para abrir excepções). Mas a Greta Christina diz algo em que ainda não tinha pensado:

I think there are two things that make it easy to think everything was better in the good old days. There’s Sturgeon’s Law — and there’s the filtering process of time.

Sturgeon’s Law states, quite simply, that 90% of everything is crap. Romantic comedies, symphonies, science fiction novels, porn videos, dress designs, epic poems, comic books, popular music… 90% of all of it is crap.
But time has a tendency to filter out the crap. We don’t listen to the mediocre 18th century operas; we don’t read the mediocre 19th century novels; we don’t watch the mediocre silent movies. We listen to Mozart, read Jane Austen, watch Buster Keaton. We listen to Janis Joplin and The Who. “To Sir With Love”? Not so much.

It’s not a perfect filtering process. Some good stuff gets filtered out; some mediocre crap gets through the screen. But on the whole, we let the crap get swallowed into the maw of history, and hang onto the good stuff. Which makes it very, very easy to mistakenly think that the operas and novels and movies and popular songs of the old days were so much better than any of the crap they’re making today.

Acho que isto é inteiramente verdade. Acrescentaria ainda que uma música que conhecemos e ouvimos há anos é como um “velho amigo”; conhecemos cada nota, cada sílaba. Algo acabado de ouvir pela primeira vez, sobretudo em géneros mais complexos, soa… estranho; muitas vezes um álbum inteiro parece “todo igual”, porque as melodias precisam de algum tempo para serem absorvidas. A música, tal como o vinho :) é, em grande parte, um gosto adquirido – se rejeitamos algo à primeira vista (ou audição, neste caso), estamos a pôr de parte coisas que poderíamos vir a adorar.

Relativamente ao “dantes era tudo muito melhor”, querem um desafio? Pensem naquela que consideram a “época de ouro” da música, aquela altura em que adoravam o que se fazia na altura, aqueles anos nos quais se inclui mais de metade da vossa colecção de MP3s. Provavelmente é a vossa adolescência. É bem provável que sejam os anos 80.

Agora, investiguem o que estava nos tops em várias semanas / meses nesses anos. Não apenas as músicas da altura que ouvem hoje. Vejam mesmo o que estava efectivamente nos tops. Há formas (a net é uma delas, assinar a Retro Gamer é outra :) ) de o saber.

E digam lá quantas músicas conhecem. E quantas foram esquecidas pelo mundo desde essa altura. Vejam também quão horríveis algumas são. :)

You know what? If what you truly love is old- time bluegrass or ’60s psychedelia? That’s cool. It might behoove you to check out some modern music anyway — there are contemporary musicians doing some interesting interpretations of bluegrass and psychedelia — but life is too short to listen to music that you hate. There are wonderful things from the past, and by all means, we should be enjoying them and preserving them and keeping them alive.

But we shouldn’t treat our aesthetic preferences as a moral imperative. We shouldn’t pretend that it’s a serious life philosophy to gripe about kids these days and their crazy fashions. We shouldn’t act as if shutting out the modern world somehow makes us discerning and superior.

Adoro o último parágrafo. E isto é algo que vejo, infelizmente, em pessoas até mais novas do que eu: tratar o “só gosto disto” como uma questão de princípios a não trair, fechar-se completamente a coisas novas, e achar que dizer mal de tudo os faz ser (ou pelo menos parecer) superiores. É triste.

Heaven & Hell – “The Devil You Know”

5 de Maio, 2009

Já o tenho! Em CD, original, comprado, essas coisas todas!

Heaven & Hell - "The Devil You Know"

Delicioso, até agora. :) Um pouco mais lento (em velocidade, não em “heaviness” ou intensidade) do que o incomparável “Dehumanizer” – eles estão, afinal, uns 17 anos mais velhos –, mas continua a ser metal intenso, “dark”, quase “doom metal” (um género curiosamente muito inspirado nos Sabbath do início dos anos 70), e que deixa 99% do resto do mundo musical (IMO) a um canto.

É o primeiro CD de música que compro este ano, e muito provavelmente o último. A vida está cara… :( Mas Heaven & Hell / Black Sabbath tem de ser uma excepção. Se não fazemos quaisquer excepções nas nossas vidas, estamos semi-mortos; somos como o estereotípico velhote na cadeira de baloiço a dizer mal de tudo (e a gritar aos putos para saírem do seu quintal). :)