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Coisas que me irritam, parte 8

Sexta-feira, 6 de Fevereiro, 2009

Pessoas que, quando mencionas a tua preocupação com alguma coisa, dizem algo como:

“Há <coisa mais extrema> a acontecer, e tu estás preocupado com isso?!?”

O exemplo mais comum da “coisa mais extrema” é, naturalmente, crianças a morrer à fome em determinado sítio / continente.

Eu (e qualquer um que demonstre uma preocupação por qualquer coisa) não estou a menosprezar essa questão. O que não aceito é que me digam que, por tal questão existir, a preocupação com qualquer outra é ilegítima, e possivelmente imoral (já que quem faz esta pergunta, em geral, a faz com um ar de superioridade moral arrogante e enojante).

Noto também, curiosamente, que quem faz esta tão idiótica pergunta não faz, em geral, nada relativamente à questão das crianças a morrer em determinado sítio. Simplesmente, revoltam-se contra o facto de eu / tu / quem quer que seja se preocupar com outra coisa que não isso.

(Um caso ainda pior é quando usam este argumento para se defenderem de uma acusação: e.g. “estás preocupado por eu ter roubado uns trocos quando há gente por aí a ser morta?”)

Assim sendo, não me chateiem por me preocupar com coisas que incluem (sem ser por qualquer ordem, e sem ser uma lista exaustiva): o monopólio da Microsoft, o racismo, o sexismo, a violência doméstica, a religião, a adopção do Firefox, o conflito ciência-religião, o facto de a Sony estar a prejudicar o mundo dos videojogos, o aquecimento global, o mal que a religião causa ao mundo, a crescente apatia das pessoas em relação a tudo o que não seja futebol, telenovela ou o último escândalo, o facto de as pessoas não terem qualquer conhecimento ou interesse em História e sistematicamente repetirem os mesmos erros, a extinção de várias espécies animais, a continuada existência de ditaduras e teocracias no globo, o crescimento do criacionismo no mundo ocidental, e tudo o resto com que eu me escolha importar.

Não me chateiem. Porque aposto que o facto de compararem as minhas “causas” a uma supostamente maior… não passa de uma forma de ocultarem o facto de não terem qualquer uma nas vossas vidas, e, lá bem no fundo, terem vergonha disso.