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Last.fm, 3 dólares por mês… serei só eu a achar que as queixas são absurdas?

Quarta-feira, 25 de Março, 2009

Muito se tem falado (por exemplo aqui) do facto de o last.fm ir passar a cobrar 3 dólares por mês para os utilizadores poderem fazer ouvir rádio (em geral baseado em recomendações segundo os gostos dos utilizadores) por streaming, para países que não sejam os EUA, Grã-Bretanha e Almanha, quando isso até agora era gratuito.

Primeiro, um disclaimer: eu não vou pagar, por uma simples razão: já não usava, mesmo de graça. Nunca fui de ouvir rádio, nem em casa, nem no carro, nem pela net; gosto sempre de escolher o que ouço. Quando quero ser surpreendido, prefiro pôr a colecção de uns 5000 oggs e mp3s em shuffle. Ouvir música escolhida por outros, ou escolhida aleatoriamente, não faz mesmo o meu género, até porque sempre preferi ouvir álbuns de uma ponta a outra, ao invés de ouvir só “aquela música de que eu gosto”; sempre que me apetece ouvir X, ponho um ou mais álbuns de X na playlist (ou, antigamente, punha o CD no leitor). É esta a minha estranha forma de ouvir música, que é completamente incompatível com o conceito de ouvir rádio. Uso o last.fm para ter estatísticas do que ouço, mas isso vai continuar a ser de graça. Logo, a parte de rádio não me interessa mesmo, e naturalmente não vou pagar pelo que não consumo.

Mas isto sou eu.

Se fosse uma pessoa “normal”, que gostasse de ouvir rádio pelo last.fm, não teria qualquer problema em pagar os patéticos 3 dólares por mês. Sim, eu sei, estamos em crise e essas coisas todas, mas, bolas, 3 dólares! São pouco mais de 2 euros! Dá menos de 30 euros por ano, coisa que muitas vezes se gasta num almoço ou jantar com os amigos!

E, se usufruem do site, e o usam para ouvir música onde quer que estejam, sem a terem comprado, não acham que, sei lá, o site merece?

Porque é que em Portugal há todo este horror – mesmo de quem ganha bem – a gastar dinheiro em coisas não palpáveis? Porque é que isto está a ofender tanta gente? Podia-se falar da questão de haver 3 países que continuam a pagar, mas nem me parece que seja isto.

Acho que é a mesma história do “este programa é um espectáculo, tenho de ver se acho o crack”. Ou então como várias pessoas que já vi, que compram jogos nas lojas para as novas consolas, mas “nunca na vida, estás maluco” comprariam algo (bem mais barato) na Xbox Live Arcade / Wii Virtual Console e WiiWare / Playstation Network. Isto da parte de quem gastou mais ao almoço do que o registo vitalício do software ou compra do jogo downloadável custariam, da parte muitas vezes de quem ganha vários milhares de euros por mês. Em Portugal, parece que pagar por algo não palpável (como software, ou a assinatura de um serviço) vai contra os “princípios” de muita gente.

Mas, como sempre, posso estar errado. Se sim, agradeço que alguém me explique porque é que isto o/a ofende e revolta tanto.