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Cortesia em blogs

Terça-feira, 30 de Janeiro, 2007

Este blog tem 2 anos e 2 meses, e neste momento tem 558 comentários de leitores. Neste tempo todo, sem contar com o spam (e como sou, entre outras coisas, informático, só chamo “spam” a publicidade e afins, não meramente a coisas que não me agradam, como muita gente faz), acho que não devo ter “cortado” nem 5 comentários… até esta semana. Nunca tive problemas em que discordem de mim, e (talvez devido à minha maneira de ser) sou, talvez, permissivo demais; dou sempre segundas chances às pessoas, dou-lhes sempre o benefício da dúvida, e preciso de ter a certeza das intenções nocivas de alguém para lhe fazer o equivalente a, caso se tratasse de alguém fisicamente em minha casa, lhe mostrar a porta.

Aliás, essa comparação é, na minha opinião, bastante apropriada. Vejo um blog, fórum, ou outro tipo de site como o equivalente à casa de alguém. Quando se é um convidado numa casa alheia, pode-se, obviamente, discordar do anfitrião, e expressar esse desacordo, mas não se pode ser mal-educado com ele, nem desrespeitador ou insultuoso, nem sujar ou estragar a casa. Para mim, isso é óbvio — e acho que alguém que seja convidado a sair por estar a passar dos limites não irá (a não ser que esteja muito bêbado) barafustar porque “estão a atentar contra a sua liberdade”, porque “tem o direito de expressar a sua opinião”, ou porque “a casa onde está é um sítio público” (!).

Infelizmente, a Internet permite um tipo de anonimato que leva a que as pessoas não tenham em mente, por vezes, essas noções de cortesia básica…

É o caso, por exemplo, de alguns comentários aos meus posts sobre o aborto, que eu não aceitei, e que chegaram a um nível de insultos e desrespeito que, simplesmente, não é bem-vindo aqui. A maior parte desses comentários é da mesma pessoa, e, não, não é alguém que tenha comentado aqui no passado. Neste momento, hesito em aprovar algum comentário futuro dessa pessoa, mesmo que seja “decente”, porque o sistema, aí, passa a aceitar esses comentários automaticamente. Sim, é possível dar a volta a isso, mas não quero prejudicar o blog — nem o resto dos leitores — por causa disso.

O referido comentador pode, obviamente, criar o seu próprio blog, no qual pode insultar quem quiser, e ao qual eu terei todo o prazer em não ir. Mas eu não tenho qualquer obrigação — incluindo moral — de lhe dar uma plataforma para me insultar.

Antes que comecem a gritar “censura!!!”, vejam os últimos posts sobre o aborto, e vejam o tipo de comentários que eu permiti que passassem. A maior parte deles não concorda comigo (muito pelo contrário, não podiam discordar mais), e alguns chegam a não ser nada simpáticos — e são específicos para mim, não para “quem pense como eu”. E, mesmo assim, estão lá. Agora, imaginem os que não passaram…